As CoPs se desenvolvem por meio de alguns estágios de desenvolvimento, os quais representam as características e os tipos de relacionamento em cada período do seu ciclo de vida. Wenger, McDermott e Snyder (2002) separam as etapas em cinco estágios, conforme ilustra a Figura 5.
Figura 5: Ciclo de vida das CoPs
Fonte: Adaptado de Wenger, McDermott e Snyder (2002)
Os estágios de desenvolvimento, representados na Figura 5, são abordados por Gouvêa (2005) da seguinte forma:
• etapa inicial ou potencial – ocorre o lançamento da comunidade com o ingresso dos membros. Procura-se construir redes de confiança entre os membros, de forma que a comunidade possa se consolidar. É nessa fase que muitas delas desaparecem;
• etapa de crescimento – fase na qual a comunidade começa a se tornar mais ativa. As pessoas começam a se engajar nas atividades de aprendizado e a comunidade e suas fronteiras começam a ser moldadas;
• etapa de consolidação ou maturidade – a comunidade ganha apoio e reconhecimento da organização em seu conjunto e apresenta um crescimento no número de membros. Nessa fase, surge a necessidade de uma maior organização dos processos de entradas de novos associados. Além disso, a comunidade precisa criar um repositório de conhecimento bem estruturado, reafirmar seu foco estratégico, de modo a facilitar o acesso a discussões anteriores, tornando-se uma organização mais sólida;
• etapa de sustentação – nesta fase, o engajamento dos membros já não é muito intenso, apesar de a comunidade continuar viva como centro de conhecimento, principalmente, por meio dos contatos pessoais ainda existentes e da prática compartilhada; • etapa de transformação – com o passar do tempo, a comunidade
não é essencialmente importante na vida de seus membros e se depara diante do seguinte: evoluir para outros domínios, ou deixar que a comunidade encontre naturalmente seu fim.
Os estágios de desenvolvimento das CoPs chamam a atenção para alguns fatores críticos de sucesso, os quais são abordados por diversos pesquisadores, como por exemplo: McDermott (2001), Wenger, McDermott e Snyder (2002), Hernandes (2003), Ardichvili, Page e Wentiling (2003), Van Winkelen (2003), Silva (2004), Damião e Kato (2005), Kimble e Hildreth (2005), Bourhis, Dubé e Jacob (2005), Ardichvili, Maurer e Wentiling (2006), Hara e Hew (2006), Verburg e Andriessen (2006), Chiu, Hsu e Wang (2006), Probst e Borzillo (2007), Gannon-Leary e Fontainha (2007), Bishop et al. (2007), Tremblay (2008), Probst e Borzillo (2008), Ardichvili (2008), Scarso, Bolisani e Salvador (2009), Zboralski (2009), Corso, Giacobbe e Martini (2009).
A seguir, com base nos autores supracitados, foram compilados alguns fatores críticos de sucesso para as CoPs:
• a comunicação, os relacionamentos e os objetivos comuns; • a solução de conflitos baseada na transparência;
• o estabelecimento de entendimentos compartilhados pelo grupo; • o aprendizado mútuo (melhor fruto);
• a interiorização das melhores práticas;
• as ferramentas de informática e o apoio da organização;
• a disponibilização de recursos para armazenar e recuperar não só informações enviadas, mas também os conhecimentos criados pela CoP;
• a reificação (exemplos: formulários, FAQ e bancos de dados); • a identificação dos domínios de interesses e a identificação do
conhecimento pré-existente dos participantes da CoP;
• a transmissão de sinais não verbais (são sinais enviados em adição aos textos das mensagens escritas, com o objetivo de aumentar a chance de a comunicação ser eficaz);
• a moderação atuante (estimular discussões, conectar membros, manter o foco da comunidade e mediar conflitos);
• as atividades culturais;
• a identificação de potenciais líderes;
• a existência de regras de comportamento (relativas à privacidade, à propriedade intelectual e ao uso das ferramentas da CoP);
• a participação dos membros e de especialistas no domínio de conhecimento da comunidade;
• a certificação de que os membros da comunidade dispõem de tempo e estão estimulados a participarem das atividades;
• a cultura (com base na construção de valores fundamentais, na confiança e na reciprocidade – os membros devem dar e receber contribuições);
• a motivação e o comprometimento dos membros em participar ativamente na criação e no compartilhamento de conhecimentos; • o incentivo à discussão entre os membros da comunidade e as
pessoas de fora dela. Por exemplo, incentivar as relações com as comunidades de outras organizações;
• a formalização de eventos organizados em conjunto (interações), para que os membros da CoP se sintam como parte de uma comunidade;
• o estabelecimento de um ritmo adequado para a comunidade; • a importância de monitorar e avaliar os resultados da CoP;
Wenger (2004) cita alguns fatores influenciam no desenvolvimento das CoPs, os quais são apresentados no Quadro 11.
FATOR ESPECIFICAÇÃO
Espaço e tempo Presença e visibilidade – uma comunidade precisa ter uma presença na
vida de seus membros e se tornar visível a eles.
Ritmo – comunidades vivem no tempo com ritmos de eventos e rituais que
reafirmam suas ligações e valores. Para Wenger, McDermott e Snyder (2002), o ritmo de uma CoP é o indicador mais forte de sua vitalidade.
Participação Variedade de interações – os membros de uma CoP precisam interagir
para construir sua prática compartilhada.
Eficiência de envolvimento – CoPs competem com outras prioridades nas
vidas de seus membros. A participação deve ser fácil.
Criação de valor Valor a curto prazo – CoPs prosperam sobre o valor que entregam a seus
membros e as organizações. Cada interação deve criar algum valor.
Valor a longo prazo – como os membros se identificam com o domínio da
comunidade, eles têm um compromisso a longo prazo com o desenvolvimento da CoP.
Conexão com o mundo – uma CoP pode criar valor, fornecendo uma
conexão com um campo, ou com uma comunidade maior, desde que seus membros queiram acompanhar.
Identidade Identidade pessoal – pertencer a uma CoP é parte da identidade de uma
pessoa, como praticante competente.
Identidade comunal – comunidades de sucesso têm uma identidade forte,
que os membros herdam para suas próprias vidas.
Comunidade Participação e relacionamentos – o valor da participação não só é
meramente instrumental, mas também pessoal: interagir com colegas, desenvolver amizades, construir confiança.
Fronteiras complexas – CoPs têm múltiplos níveis e tipos de participação. É importante que as pessoas, na periferia, sejam capazes de participar de alguma forma; e dentro das comunidades, pessoas participem em sub- comunidades de áreas de interesse.
Desenvolvimento da comunidade
Evolução: amadurecimento e integração – CoPs evoluem ao passar por
estágios de desenvolvimento e encontrar novas conexões com o mundo. Criação ativa da comunidade – CoPs de sucesso, geralmente, têm uma pessoa ou um grupo central que assume a responsabilidade ativa de movimentar a comunidade.
Quadro 11 – Elementos que influenciam no desenvolvimento de CoPs Fonte: Elaborado com base em Wenger (2004)
Em virtude dos estágios de evolução das CoPs, segundo Wenger (2004), existem alguns questionamentos que devem ser respondidos sobre os elementos estruturais das comunidades, de forma a proporcionar o desenvolvimento delas, os quais são os seguintes:
1. Domínio
• Resultados de negócio: quais os resultados de negócio é importante afetar?
• Fatores críticos de conhecimento: quais são os fatores críticos que influenciam os resultados de negócio?
• O que fazer (e não fazer): o que fazer (e não fazer) para afetar os fatores críticos?
• Qual a vantagem para o membro da comunidade: como encontrar valor na comunidade?
• Que influência quer se ter: se fosse possível mudar as coisas (recursos, procedimentos, atividades, tecnologias, entre outros), que coisas seriam?
2. Prática
• Que conhecimento compartilhar: Que conhecimento os membros da CoP têm? Que tipo de conhecimento? Quem o tem? Quem precisa dele?
• Que conhecimento desenvolver: Que conhecimento os membros da CoP não têm?
• Que conhecimento documentar: De que documentos, ferramentas e outros artefatos precisa-se?
• Oportunidades para ajuda e pensamento mútuos: Em que fóruns é preciso interagir e construir conhecimento?
• Projetos de comunidade: Deve-se empreender projetos específicos de aprendizado para desenvolver determinada prática?
• Gerenciando a base de conhecimento: De que repositórios precisa-se e como eles serão gerenciados?
3. Comunidade
• Espaços públicos: Que tipos de eventos? Com que frequência? • Espaços privados: Que tipos de interconexões? Como promovê-
las?
• Coordenação: Quem organizará a comunidade?
• Liderança de pensamento: Quem são os líderes de pensamento? Como envolvê-los? Há necessidade de visões externas?
• Participação: Todos os membros estão aqui? Quem mais deveria estar? Que tipo de membros? E os novos membros?
• Princípios de direção: O que estimulará a energia, a presença, a confiança, a participação?
Hunter (2005) também formula algumas perguntas que contribuem para compreender o valor das CoPs. Percebe-se que o entendimento correto destas questões poderá contribuir para o desenvolvimento das CoPs. São eles:
1. O que é uma comunidade?
• Quais são as questões que a comunidade entende e se preocupa?
• Quais são as linguagens e as abordagens que os membros da comunidade compartilham?
2. Quem faz parte da comunidade?
• Quais participantes interagirão entre si e construirão fortes relacionamentos?
3. O que a comunidade faz?
• Que informações e valores os membros da comunidade compartilham?
• Quais ferramentas e conhecimentos eles estão, apaixonadamente, construindo?
4. Como o fato de ser online impacta a comunidade?
• Quais ferramentas desenvolvem a interação da comunidade? • Como as interações online mudam o crescimento da comunidade?
Após as considerações sobre os estágios de desenvolvimento e os fatores críticos de sucesso de CoPs, observa-se que, na sequência, são abordados alguns fundamentos referentes a aprendizagem em CoPs.