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3.1 Tillaging av plasmid

3.4.3 Tillaging av kompetente celler

Não quero mais Essas tardes mornais, normais Não quero mais Video-tapes, mormaço, março, abril Eu quero pulgas mil na geral Eu quero a geral Eu quero ouvir gargalhada geral Quero um lugar para mim, pra você Na matiné do cinema Olympia Tom Mix, Buck Jones Tela e palco Sorvetes e vedetes Socos e coladas Pernas e gatilhos Atilhos e gargalhada geral Do meio-dia até o amanhecer Na matiné do cinema Olympia

Cinema Olympia Caetano Veloso

O Cine Educativo foi uma experiência com cinema em Serra Branca, fundada pelo padre João Marques Pereira. Esta iniciativa tratou-se de uma proposta para ser implementada junto à população com finalidades ligadas à educação. Além de se constituir em uma opção de lazer, também funcionou como meio de obtenção de recursos para a manutenção do Colégio Estadual de Serra Branca109, igualmente criado pelo padre Marques.

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O fato do padre ter sido o responsável pela sua criação demonstra a preocupação da Igreja Católica em se manter como orientadora das práticas de lazer em Serra Branca. Isso sugere o desejo de controle, considerando que esta instituição tinha hegemonia no que se referia à prática religiosa dos fiéis. Embora existissem praticantes de outros credos, o catolicismo era a religião que prevalecia entre a população. Atestam isso, os depoimentos sobre a festa da Padroeira da qual já tratamos no capítulo anterior.

É importante salientar que esta não foi a única iniciativa de instalação de um cinema em Serra Branca. Ainda entre os anos de 1948 e 1950, os senhores Antônio José de Souza e José Torreão Mota abriram uma sala de cinema no município. Alguns desentendimentos entre os dois, entretanto, teriam levado ao fechamento desta sala, como informa Sousa (2008). Nas entrevistas que realizamos, contudo, apenas uma entrevistada relembrou esta primeira experiência – Dona Rita Rangel dos Santos, afirmando que chegou a frequentar esta sala. Os demais ou sabiam da existência dela, mas não a conheceram, ou não tinham registros de memória de sua existência.

Neste tópico, utilizamos os depoimentos dos seguintes moradores: • Luiz Gonçalves110

, em 08/10/2009, ao Projeto de História Local; • Margarida Antonino da Silva111

, em 11/06/2011; • Severino Ramos112

, em 10/06/2011.

O Cine Educativo foi instalado pelo padre João Marques por meio da obtenção de subsídios junto ao deputado federal Plínio Lemos113, segundo Dona Margarida. Sobre o seu surgimento, encontramos uma referência no Livro de Tombo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Atentando para a data – 10 de julho de 1966 –, constatamos que é precedida, em três meses, pela inauguração da eletricidade na cidade, que ocorreu em 9 de abril de 1966. Consta no Livro que “Foi inaugurado o cine educativo de Serra Branca, localizado no salão da escola profissional Pio XII [...] exibindo a película – EGYPCIO, como operador Luiz Gonçalves de Lima” (p. 97).

Alegria e Duarte (2005) destacam o papel atribuído ao cinema no Brasil, sobretudo, a partir dos anos 30 do século XX: o de recurso educativo voltado para as massas, tendo como 110 Ver nota 78. 111 Ver nota 79. 112 Ver nota 32. 113

Plínio Lemos foi um político paraibano, natural do município de Areia, no brejo paraibano, que ocupou diversos cargos públicos ao longo de sua vida. Sua relação com Serra Branca é anterior à criação do Cine Educativo. Ele também foi o responsável, como deputado federal, pelo convênio firmado entre o Estado da Paraíba e o Governo Federal, em 7 de dezembro de 1962, para a construção do prédio do Ginásio Comercial Wamberto Torreão em Serra Branca (SOUSA, 2008).

objetivo a construção e a consolidação de uma identidade nacional. Neste sentido, o que se buscava era uma pedagogia cinematográfica que conseguisse por fim à preguiça e desenvolver a inteligência daqueles considerados ignorantes pela elite intelectual nacional114.

A característica que privilegiou o cinema em detrimento de outros recursos educativos foi o fato de ele poder ser levado a todo o país, considerando as amplas dimensões territoriais do Brasil, unindo imagens em movimento, coloridas e/ou em preto e branco, e sonoridade, rompendo distâncias, além de se constituir em símbolo da modernização e do progresso, mas o foco no cinema recaiu, principalmente, sobre sua linguagem. Neste sentido, não havia uma problematização sobre os conteúdos dos filmes exibidos, o seu emprego era interessante porque atraía e facilitava o contato com as massas (ALEGRIA E DUARTE, 2005, p. 4).

A difusão de informações através de veículos de comunicação de massa não é uma proposta para a educação das elites nacionais: é um projeto de facilitação da educação do povo, visando à produção de um novo país. O que se pretendia, então, era elevar o nível geral de informação do “Jeca Tatu” ignaro, viabilizando a integração interna e um melhor desempenho junto ao contexto das nações, em âmbito externo (ALEGRIA E DUARTE, 2005, p. 4).

Como recurso didático integrando um projeto nacional, o cinema passou a ser divulgado e utilizado, pelo Estado brasileiro, com uma proposta bem deliberada de instrução, como já mencionamos, e é interessante também, que ressaltemos, como fizeram os autores citados, que se tratava de uma tentativa de inculcar determinados valores e ideias que definissem o povo brasileiro, portanto, focado no “povo”, nas “massas”, que precisavam de orientações advindas das elites, do ponto de vista destas, claro.

Além das iniciativas por parte do próprio Estado brasileiro de disseminar o cinema pelo país, a Igreja Católica foi outra instituição que buscou adotar o cinema como expediente de fonte de conhecimento, valores e instrução. Um exemplo disso, segundo Alegria e Duarte (2005), foi a instalação, ainda nos anos 1920, de uma sala de cinema pela Obra Social Católica em Salvador. Para os autores, o que se pretendia era trabalhar os filmes como “fonte de inspiração para a formação de valores morais cristãos” (p. 4).

A Carta Encíclica Vigilanti Cura, de 1936, foi um documento elaborado pela Igreja

Católica115 que pretendia combater os “abusos das representações cinematográficas”, versando especificamente sobre esta arte. Era imperioso, então, evitar que o cinema se

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Entre os intelectuais apontados por Alegria e Duarte (2005), que defendiam o uso do cinema como um importante meio de instrução, estão Edgar Roquette Pinto, Afrânio Peixoto, Jonatas Serrano e Francisco Venâncio Filho.

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A elaboração deste documento foi feita durante a atuação do Papa Pio XII (entre 1939 e 1958) e foi assinado em 29 de junho de 1939 por este.

transformasse em “escola de corrupção” e se constituísse em “um precioso instrumento de educação e elevação moral”. Para a Igreja, o lazer era considerado um importante e necessário aspecto da vida, mas não podia, de modo algum, oferecer riscos a uma boa conduta. Extraímos uma longa, mas interessante e elucidativa citação deste documento na qual podemos observar considerações sobre o lazer.

Necessidade do lazer, mas sadio e moral

Não há negar que o recreio corporal e espiritual, em suas múltiplas manifestações do progresso moderno, tornou-se necessário para os que se cansam nas ocupações e cuidados da vida, mas ele deve ser digno e por isto são e moral; deve elevar-se ao nível de fator positivo de nobres sentimentos. Um povo que, em seus momentos de repouso, se entrega a prazeres que ferem o pudor, a honra, a moral, divertimentos que constituem uma ocasião do pecado, especialmente para a mocidade, corre o perigo de perder sua grandeza e seu poder.

Importância do cinema como divertimento

É indiscutível que, entre estes divertimentos, o cinema adquiriu, nos tempos modernos, uma importância máxima, por ter-se estendido a todas as nações. Não é necessário registrar que milhões de pessoas diariamente assistem às representações do cinema; que se abrem locais para semelhantes espetáculos cada vez em maior número, em meio de todos os povos de alta cultura ou só meio civilizados; que o cinema se tornou a forma mais popular de recreação, não só para os ricos, mas para todas as classes da sociedade.

O poder de influência do cinema

Não há hoje um meio mais poderoso para exercer influência sobre as massas, quer devido às figuras projetadas nas telas, quer pelo preço do espetáculo cinematográfico, ao alcance do povo comum, e pelas circunstâncias que o acompanham (Carta Encíclica Vigilanti Cura, 1939).

O lazer é pensado na perspectiva de descanso da mente e do corpo das atividades do trabalho e, deste modo, é imprescindível para vida do trabalhador, mas, sobre ele deveria recair o cuidado (vigilância, controle) da Igreja. Além disso, o documento ressalta a disseminação do cinema entre diferentes povos e sua influência junto às massas, seja pelo custo, seja pela tecnologia empregada por meio da qual o filme “fala” pela sucessão das imagens, facilitando a compreensão com “alegria e sem esforço”, e, quando aliado à música e à voz aprofundava-se o encantamento dos espectadores. Ainda como lazer, o cinema era encarado como recreação, sendo divertido pela linguagem de fácil compreensão. A excitação e o prazer engendrados por ele eram o foco da atenção da Igreja Católica, pois podia ser perigoso, levando os sujeitos a se corromperem e cederem aos vícios. Isso o tornava tão atrativo para as pessoas, sobretudo às menos instruídas.

Caberia à Igreja exercer uma fiscalização sobre a produção cinematográfica com o intuito de aproveitar o cinema em benefício próprio, difundido a moralidade cristã, evitando, dessa forma, que ele se tornasse um meio de propagação da depravação. Sob influência da

Encíclica Papal mencionada começaram a surgir os cineclubes pelo Brasil116, movimento este que ganhou impulso, principalmente, na década de 1950. Assim, a partir das orientações estabelecidas pela Igreja na Vigilanti Cura, os filmes a serem exibidos deveriam possuir uma orientação humanista, que despertassem valores de respeito, solidariedade, decência, dentre outros peculiares desta instituição.

Nesse contexto, podemos relacionar a experiência com o cinema em Serra Branca, especificamente, o Cine Educativo, na década de 1960, à proposta de difusão de valores cristãos e da construção e transmissão de uma moralidade condizente com eles. Portanto, reiteramos que, embora não tenhamos identificado uma organização sistemática, um planejamento detalhado de como esta experiência foi articulada em Serra Branca, nem a existência de um cineclube que discutisse a produção cinematográfica, como existiu em outras regiões do estado e/ou do país, acreditamos que, pelo fato de ter sido gerida pela Igreja na figura do padre João Marques, ela era ideologicamente orientada pelos princípios desta instituição e coerente com os objetivos dispostos na bula papal mencionada.

O Sr. Luiz Gonçalves, que ajudou o padre Marques na fundação do Cine Educativo, comentou que o cinema pertencia à Paróquia e que, como era da confiança do padre Marques, este lhe atribuiu a administração do cinema, tornando-se o responsável pela manutenção da sala de cinema e pela obtenção dos filmes a serem exibidos. Ele também relatou a partir de qual situação esta iniciativa foi pensada.

Aí quando eu tava construindo o colégio, Colégio Wamberto Torreão117, a gente tinha muita vontade de vê alguma coisa, a televisão não funcionava bem, não assistia filme por televisão porque não dava pra ver, a imagem era gerada no Recife, chegava lá muito distorcida, né? Aí eu digo: “Vamos comprar uma máquina de cinema”. Eu comprei uma máquina de cinema, indicada por um amigo meu, o Expedito, a um policial lá em Campina Grande. Comprei uma máquina novinha 16mm, não me lembro como é o nome do cara, mas era uma máquina muito boa 16mm. Daí eu passei, juntei naquele prédio onde é o cinema hoje lá, aquele prédio que pertenceu a paróquia. Comprei as cadeiras, aquelas cadeiras que eu comprei ali de segunda mão, eu comprei de um cinema que havia fechado em Pocinhos (Luiz Gonçalves, 64 anos).

Podemos inferir que a existência de salas de cinema pelo interior do Estado já era um fato, o que confirma o que foi dito anteriormente a respeito das mesmas. Alguns depoentes

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Embora a Igreja tenha influenciado o surgimento dos cineclubes, a presença de pessoas com formação ideológica à esquerda neste movimento não era incomum, como adverte Bastos (2009), que menciona, inclusive, o Clube do Cinema de Salvador do qual emergiu Glauber Rocha.

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A construção do prédio onde funcionaria o Colégio Comercial Wamberto Torreão se deu entre 1963 e 1965. O Sr. Luizinho ficou à frente do cinema até o ano de 1969, quando resolveu viajar para São Paulo onde residiu até 2009.

falaram da existência de televisão em praça pública, o que foi comum em cidades do interior, que serviam para agregar a população que assistia à programação disponível na época. Essas reuniões acabavam se tornado importantes momentos de socialização, entretanto, em Serra Branca essa iniciativa surge nos anos 1980, portanto, posterior ao nosso recorte temporal.

De acordo com o Sr. Luiz Gonçalves, portanto, o Cine Educativo surgiu como possibilidade de dinamizar o lazer no município, considerando que a televisão era um bem adquirido por uma minoria da população e a imagem não apresentava tanta qualidade como atualmente. O ingresso da população à diversão no cinema era garantido por meio da cobrança de um valor acessível na entrada, conforme atestam os entrevistados, o Sr. Luiz Gonçalves e D. Margarida. Isso foi um aspecto discutido por Alegria e Duarte (2005) quando abordaram as sessões exibidas em uma sala na cidade de Salvador, ainda nos anos 1920, uma vez que o objetivo era instruir a população pobre que não tinha acesso a um sistema educacional de qualidade, era necessário reduzir os custos dos preços de ingresso para garantir que os grupos sociais menos favorecidos frequentassem o cinema.

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