• No results found

Eggbekken med tilhørende sidebekker

4 Tilløpsbekker mellom Udduvollbrua og Kvålsbrua

– arquitetura, superfície, tipologia e espaço

A cultura do morar se explica tanto pela localização quanto pela arquitetura oferecida, envolvendo diferentes fatores tais como: distribuição interna, técnicas construtivas e programa presentes no empreendimento. Os principais atributos empregados para criar a imagem de casa ideal foram agrupados em quatro categorias por Loureiro e Amorim (2005):

“1) a localização do imóvel, ressaltando as qualidades da vizinhança seja do ponto de vista histórico ou ambiental e paisagístico, e o acesso a serviços oferecidos na área; 2) o programa arquitetônico das unidades individuais, serviços e instalações comuns; 3) a altura do apartamento, ou o número de andares da edificação – esta categoria foi especialmente destacada, pois o processo de excessiva verticalização da cidade, concentrado, sobretudo, em alguns bairros habitados por população de maior renda, vem gerando debates sobre a qualidade urbana da cidade e sobre seu futuro; 4) o nome do edifício e do conjunto, que tanto evoca temas da história local (lugares, edifícios históricos, etc.), quanto glamour e fascinação (aristocracia, nobreza, etc.), ambos associados à conquista de status e diferenciação social.” (Loureiro e Amorim, 2005, s/p.).

Tramontano (1993; 2004) aborda transformações espaciais ocasionadas por reorganizações familiares, mudança do papel da mulher na sociedade e o trabalho no lar, que vêm gerando sobreposição de funções no espaço. Abordando ainda a questão da inserção de tecnologias e novas mídias no cotidiano e funcionamento das habitações, observa que vender a “singularidade” dos projetos e a integração de espaços é uma prática que se reforça:

“As multifaces do tema moradia, por si só, são suficientes para explicar as tendências à diversidade [...] No entanto, têm-se observado que, principalmente nas décadas mais recentes, outros aspectos vêm ampliando essa noção de diversidade, criando novas funções para os espaços domésticos, catalisando a necessidade de se repensarem os

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

espaços da habitação contemporânea.” (Brandão e Heineck, 2002, p.45 e 46).

O espaço individual representado por amplas aberturas, fluidez dos espaços e pé-direito duplo foi a situação observada em habitações unifamiliares projetadas por arquitetos principalmente nos anos 50 e 60 do século XX, situação que veio se modificando ao longo dos anos e perdida por grande parte da população que preferiu mudar-se para apartamentos, por vários fatores, entre eles, em busca de segurança (VILLA, 2008). Os chamados apartamentos-gardens presentes nos edifícios de espaço flexibilizado hoje são unidades localizadas no térreo e contemplam área privativa descoberta concretizando o desejo do paulistano de morar em uma casa dentro de um edifício. A diversidade de arranjos familiares bem como a violência urbana influem hoje diretamente na produção dos condomínios paulistanos:

“A combinação destes fatores contribuiu para dar ao condomínio vertical de apartamento o status de forma ideal da habitação. Proteção coletiva, alcançada por meio de estruturas de condomínio organizadas, substituiu a casa isolada individual como o símbolo de proteção e segurança, valores estes compartilhados e desejados por típicas famílias modernas. De fato, o apartamento alcançou o status da moradia contemporânea ideal, segura e prática, e o marketing habitacional parece saber isso. No contexto desta sociedade multifacetada, a publicidade tem um papel central, não somente ao transmitir imagens que reforçam a percepção das pessoas sobre suas necessidades, mas, também, introduzindo novas formas de viver.” (Loureiro e Amorim, 2005, s/p.). Na década de 1990, a cidade passou a abrigar arquitetura residencial fundamentando-se no modo de vida contemporâneo, que destaca escassez de tempo e demanda por praticidade, sem deixar de lado conforto e customização (VILLA, 2008). A arquitetura residencial paulistana, no entanto, sugere parte de sua produção como resposta ao marketing imobiliário voltado às necessidades dos clientes, verificando-se a exploração e resposta a várias destas necessidades com a oferta de espaços flexibilizados. Nos anos 2000 alguns fenômenos arquitetônicos -

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

conforme serão descritos a seguir - são indicadores de mudanças comportamentais de usuários e empreendedores em busca de espaços flexibilizados.

“Todavia, no que se refere ao mercado imobiliário paulistano dos anos mais recentes, nota-se uma oferta inicial de edifícios cujas unidades residenciais apresentam inovações. Seja devido a alterações em sua organização funcional ou pela presença de dispositivos espaciais incomuns no contexto da produção local, esses apartamentos representam um distanciamento em relação ao modelo convencional- mente adotado para essa produção.” (ZANETTI e TRAMONTANO, 2008, pp.2).

Hoje o conceito da flexibilidade parece se atrelar a uma prática que vem ao encontro de anseios de um nicho mercadológico, orientado pelo apelo representado por um produto que se fundamenta na imagem de singularidade e exclusividade, gerando um espaço adaptável às necessidades de qualquer comprador.

Figura 10 - Fachada frontal do edifício Simpatia236. Fonte: Autora (2012). A linguagem e soluções espaciais utilizadas reproduzem projetos totalmente flexíveis na década de 2000, agregando-lhes o apelo da exclusividade, o que é reforçado pelo fato de se destinarem a camadas de renda média e alta da população paulistana, quem pode pagar pelo valor de mercado que estes exemplares possuem. O valor é alto em parte pelo design diferenciado e em parte pelo valor da construção - de 10 a 20% maior se comparado a um edifício convencional (ZARVOS, 2010). Um exemplo de comparação é o apartamento de 114m² no edifício Simpatia236 localizado na Rua homônima custar R$ 1.240.000,00, cerca de R$10 880,00/m² (site

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

imobiliária Axpe5), enquanto o valor médio do metro quadrado de venda no bairro é de R$ 6.616,85/m2 (Site Ibiubi)6.

Figura 11 - Imagem interna do apartamento a venda de 133m² no edifício Simpatia236. Fonte: http://www.axpe.com.br/imovel/apartamento-contemporaneo-diferente-de-tudo-o-que-existe-por-ai/

(acessado em Jun 2012).

O material publicitário produzido para a venda de apartamentos flexíveis é completo, constando de plantas, cortes, elevações e perspectivas permitindo uma melhor compreensão do edifício e das diferentes opções de plantas, apresentadas completamente decoradas e propondo acabamentos, mobiliário e objetos que estão na moda. Nos stands de venda, não são apresentados apenas folders, mas um material completo a respeito do projeto e seu entorno, possibilitando interação com base em tecnologias e manuseio de livretos em formatos especiais, com materiais e dobraduras diferentes das empregadas pelo mercado imobiliário.

Repletos de imagens, o conteúdo dos livretos permite associar diferentes estilos de vida aos empreendimentos. Diferentemente das estratégias de venda praticadas para a maior parte dos apartamentos da cidade, realizadas mediante visita

5 Site http://www.axpe.com.br/imovel/apartamento-contemporaneo-diferente-de-tudo-o-

que-existe-por-ai/ - acessado em 15 Junho 2012.

6 Site http://www.ibiubi.com.br/imoveis/dados-mercado/são-paulo+sao-paulo+vila-madalena/ - acessado em 15 Junho 2012.

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

ao apartamento decorado, os empreendimentos em estudo não se utilizam desta estratégia de apresentação, que além de dispendiosa poderia atrapalhar a compreensão das diferentes possibilidades de espaços flexíveis das unidades de um mesmo edifício.

Figura 12 - Exemplo de caderno de vendas - Edifício Fidalga727 da IdeaZarvos.Fonte: http://www.ec.vc/?cat=66 (Acessado em Ago 2011).

Esta forma de publicidade enfoca a exclusividade do produto aos futuros usuários e todo um ideário que tem esse tom - a questão de sua inserção na cidade, em bairros bem localizados do ponto de vista da mobilidade, oferta de equipamentos e serviços, e em sua arquitetura flexível presente em edifícios de pequeno porte, projetados por arquitetos brasileiros renomados e premiados, projetando espacialidade diferenciada da produção comum de mercado imobiliário.

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

Figura 13 - Site do edifício Simpatia, valorizando a produção arquitetônica. Fonte:http://www.marcosgrignani.com/clientes/simpatia236/ (Acessado em Abr12).

A “sociedade do espetáculo a qual, dominada pelos valores do mercado, subordina tudo ao seu valor de impacto midiático” (MAHFUZ, 2011) tem o discurso do arquiteto muitas vezes apropriado para agregar valor aos apartamentos. A publicidade em torno da variedade de plantas e fachadas relega ao segundo plano a questão da qualidade do espaço e sua fluidez. O comprador do imóvel muitas vezes não o adquire pensando em qualidades e valorização do edifício como parte da cidade, mas opta por um conceito que se atém à unidade residencial.

A escolha de um imóvel para compra se explica por muitos fatores, conforme citação no início do capítulo (LOUREIRO e AMORIM, 2005); Otávio Zarvos (2009), no entanto, diz acreditar que no futuro as pessoas perceberão que seus apartamentos fazem parte de projetos que possuem qualidade arquitetônica mais amplamente definível, com técnicas e benefícios que serão perceptíveis e valorizados pelo usuários a longo prazo. A divulgação desta qualidade será feita não apenas pelo

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

marketing de vendas, mas pelo aumento dos exemplares desta produção diferenciada na cidade, impulsionada pelo desejo de parte da população, em ter um imóvel com valor cultural, de design para a época.

O diferencial dos empreendimentos deste filão do mercado se caracteriza por aspectos arquitetônicos que vão além da fundamental participação do usuário final no processo de coordenação dos componentes móveis - que devem responder às suas necessidades para concluir o programa do apartamento de planta livre.

Conforme afirmou Serapião (2009), seguem algumas prescrições desta produção:

- execução por construtoras de pequeno e médio porte especializadas em obras com arquitetura e acabamentos sofisticados;

- torres únicas de escala reduzida devido a implantação em lotes de pequena metragem, remanescentes da especulação imobiliária;

- lotes bem localizados em bairros da zona oeste de São Paulo, do ponto de vista da mobilidade, oferta de equipamentos e serviços;

- poucas unidades residenciais;

- variação no tamanho das unidades;

- térreos com os chamados “apartamento-casa”, dúplex ou não, com jardins privativos nos recuos laterais e de fundo;

- arquitetura como objeto diferenciado, estimulando a compra devido a projetos assinados por jovens arquitetos atuantes no mercado imobiliário convencional;

- fachadas diferenciadas em relação ao que se observa na paisagem paulistana atual;

- emprego de materiais diferenciados nos acabamentos;

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

- nome do edifício coincidente com o da rua e número em que se localiza, como artifício de singularidade.

Os nomes dos edifícios sendo simples demonstram sua força em afirmar sua condição de um edifício inserido em um contexto real, não fazendo analogias a paraísos ou lugares distantes. É um contraponto muito forte em relação aos edifícios do mercado imobiliário comum, se assumir enquanto trecho da urbe.

O valor arquitetônico desta produção consiste na adoção da flexibilidade total como estratégia funcional, na qual não apenas os espaços são multifuncionais e a planta livre organizada de maneira fluida, mas as áreas molhadas são localizáveis em diferentes setores da planta. Este benefício é garantido por pisos elevados, por baixo dos quais toda a tubulação é encaminhada. Em alguns projetos esse recurso é adotado no apartamento todo, garantindo ampla autonomia de subdivisão do espaço aos futuros moradores.

O procedimento geral é a demarcação na laje de setores de serviço próximos às prumadas de esgoto, como é o caso do Edifício Aimberê 1749, projeto de Andrade e Morettin, localizado à Rua Aimberê, no bairro de Sumaré e analisado a seguir neste trabalho, no qual apenas as áreas molhadas possuem piso elevado para conduzir a distribuição dos ramais necessários até os pontos de saída de água. Nas novas áreas molhadas a tubulação é encoberta por muretas de drywall ao longo de todo o apartamento, muitas vezes com largura e altura de 20 cm, o que prejudica a estética.

A materialidade e a construção dos edifícios desempenham papel de grande importância para o processo de flexibilização do espaço residencial. Já na década de 1970, Tibau descreveu a relação entre pré-fabricação e flexibilidade:

“Realmente, a industrialização da construção, os novos materiais que estão surgindo e inclusive a pré-moldagem em usina, de elementos estruturais e de vedação em concreto protendido, leve e fácil montagem, permitem o desenvolvimento de novas técnicas construtivas possibilitarão e facilitarão cada vez mais, as organizações espaciais e

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

formais móveis, dinâmicas, de curta duração e totalmente reaproveitáveis.“ (TIBAU, 1972, pp. 31).

Os empreendedores de edifícios flexíveis contemporâneos contratam construtoras especializadas em edifícios exclusivos, e os constroem segundos técnicas construtivas especificadas nos projetos, visando a construção seca, com estrutura modulada, fachada pré-moldada e divisórias em dry-wall, atingindo um patamar satisfatório enquanto desenvolvimento técnico e relação custo-benefício aos usuários. Tais características apresentam um impulso tecnológico, o que é positivo e necessário para desenvolver a qualidade e aperfeiçoamento do mercado da construção civil e da mão de obra paulistana.

Figura 14 - Fachada Edifício Fidalga 772 deixa aparente seus componentes industrializados na fachada. Fonte: Autora (2011).

Uma outra característica dos projetos de espaço flexível contemporâneos é o posicionamento dos caixilhos, que contando com dimensões diferenciadas conferem movimento a fachada, permitindo servir a mais de um ambiente, como uma sala e quarto, ou mesmo banheiro, conforme a possibilidade e necessidade de insolação, ventilação e modo de abertura e fechamento.

Até então concentrada em empreendimentos em sua maioria localizados no setor sudoeste da cidade, a produção arquitetônica de espaços flexibilizados, motivada pelo interesse das construtoras em agradar e conquistar novos clientes – vem migrando para outras regiões, como as zonas Sul e Leste. Isto vem sendo

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

observado em lançamentos – ocorridos principalmente no ano de 2011 - ofertando plantas com diferentes opções de layouts e outros ainda, priorizando o uso misto, conforme observado em panfletagem nas ruas, revistas de vendas do setor imobiliário e sites de construtoras – vide imagens abaixo.

Constatou-se também que os bairros que recebem esta produção em geral passam por um atual processo de gentrificação, tal qual explica Zuquim (1989) a respeito dos artistas e endinheirados alterarem a ocupação do antigo bairro de galpões na cidade de Nova Iorque. Em São Paulo o fato se dá claramente a nova ocupação da Vila Madalena, antigamente bairro de classe baixa, em sua maior parte operários e pequenos artistas, agora a nova situação social e urbana do bairro, com uso comercial e áreas de lazer privado, dá espaço para ocupação deste nicho de mercado.

Figura 15 - Lançamento “Red” no bairro do Tatuapé da construtora Even e projeto de Konigsberger Vannucchi Arquitetos, possui diversas tipologias e mais de uma possibilidade de layout em cada uma delas. Fontes: http://imoveisdomingues.com.br/index.php?option=com_content&view=category& layout =blog &id=41&Itemid=58 – Acesso Novembro 2011.

Não é apenas a cidade de São Paulo que apresenta estes projetos arquitetônicos residenciais diferenciados da produção de mercado imobiliário convencional. Essa produção, impulsionada pelo interesse de incorporadores “mais generosos” (WILHEIM, 2008, s.p.) em novas formas de investimento que não a

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

saturada produção comum de mercado, se mostra presente em outros estados brasileiros, como por exemplo em Minas Gerais com o edifício Montevidéu 285 do escritório Vazio Arquitetura e Estúdios Capelinha, de Carlos Alberto Maciel, ambos em Belo Horizonte, e no Rio Grande do Sul, com o edifício Amélia Teles 315 em Porto Alegre do Smart!Lifestyle Design, além também da presença em outros países vizinhos, como Argentina, com a construção do edifício Once de Adamo-Faiden em Buenos Aires, e no Chile, com a produção de conjuntos de interesse social do escritório Elemental.

Figura 16 - Code Campo Belo da construtora Even e projeto de Jonas Birger, com apartamentos de diferentes tipologias e possibilidades de layout em uma mesma planta com inserção e, ou supressão de paredes em dry-wall. Fonte: http://www.even.com.br/sp/sao-paulo/campo-belo/residencial/code- campo-belo – Acesso Novembro 2012.

O destaque desta produção na mídia se deve a agilidade da atuação de sua coordenação de marketing e ao interesse da população em compreender porque este fenômeno está presente em tantos locais ao mesmo tempo. A resposta desta nova tendência que se consolida pontualmente na América Latina, oposta a exemplos tais como edifícios pretensamente denominados “neoclássicos”, encontra-se na caracterização projetual: planta livre, adaptável a multiplicidade do morar contemporâneo, incluindo a possibilidade de alteração da localização de áreas molhadas em seu interior, janelas amplas, metragens diferenciadas, atendendo a

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

diferentes tipos de usuários, emprego de tecnologias novas favorecendo o custo final do metro quadrado, a ocupação de lotes remanescentes das cidades consolidadas, boa localização nas metrópoles, pouca área de uso comum – quando existente – fator que possibilita diminuir o valor de condomínio, poucas unidades em um mesmo edifício, favorecendo a organização condominial.

Os novos apartamentos flexíveis se diferenciam positivamente do restante da produção de mercado, estruturando-se enquanto edifício de maneira econômica e resgatando a importância do projeto arquitetônico voltado aos conceitos e qualidades abandonadas ao longo dos anos pela produção de residenciais. Wilheim (2008) afirmou que a produção residencial paulistana parecia ser projetada por apenas uma pessoa, que com a “mão escondida”, apresentava as mesmas soluções singelas a todos os projetos e não tinha nem seu nome publicado nos encartes de venda. Entretanto, conforme ele mesmo afirmou, e a caracterização neste capítulo apresentou, as mãos que tem projetado para o mercado estão se mostrando, com a produção voltando a ter nome e sobrenome, além de peso diante dos futuros usuário, o fato é positivo, ainda que somente em um nicho do mercado, e por conta de uma ideia cultural de um novo modo de morar na cidade, conforme melhor explicado no capítulo a seguir.

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

3 RETOMADA DA FLEXIBILIDADE NO MERCADO IMOBILIÁRIO

A abertura do mercado imobiliário para o desenvolvimento da produção residencial de planta flexível traduz situações específicas da economia. Períodos de baixo investimento na construção civil afetam diretamente o setor, enquanto que quando a economia está aquecida, movimentos de incentivo à construção civil e negócios imobiliários se expressam em booms imobiliários (SAMPAIO, 2010; FONSECA, 2004). Nestes momentos, como o presenciado desde 2007 e que se estende, com variações, até o século XXI, o mercado imobiliário permite a abertura de espaço para investimento em inovações e tecnologias, pois tenta avançar em relação às tipologias consagradas e massificadas, que não mais atendem as necessidades de seus compradores, ansiosos por novos produtos diferenciados.

“A paisagem por si só já demonstra rapidamente o que acontece neste clima de mudança. A arquitetura e o projeto urbano viram-se, portanto, diante de oportunidades novas e mais amplas de diversificar a forma espacial do que antes. Formas urbanas dispersas, descentralizadas e desconcentradas são hoje muito mais factíveis tecnologicamente do que antes. Em segundo lugar, as novas tecnologias (particularmente os modelos computadorizados) dissolveram a necessidade de conjugar a produção em massa flexível de “produtos quase personalizados” que exprimem uma grande variedade de estilos” (JENCKS apud HARVEY, 1992, pp.77).

A demanda do mercado geral seja de clientes particulares ou empresas, e principalmente o mercado imobiliário, pressiona os profissionais a se adequarem ao pensamento contemporâneo. Cada vez mais os fluxos e produtos gerados pela maneira “diagramática de projetar” (SOMOL, 1999) são as respostas procuradas pela sociedade, que busca exclusividade, qualidade e rapidez, justificando assim a movimentação específica deste nicho de produção estudado, que assim como outros, atinge um publico específico, a exemplo dos condomínios-clube aos quais se contrapõem.

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ALINE TRIÑANES MACHADO

MESTRADO - FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO MACKZENZIE

A manipulação da arquitetura, dos espaços e fluxos, ou seja, a compreensão da cidade como um processo ativo em meio a conexões urbanas, indicando a presença das redes de informações é essencial para a movimentação desses interesses capitalistas:

“A ênfase na interatividade entre os lugares rompe os padrões espaciais de comportamento em uma rede fluida de intercâmbios que forma a base para o surgimento de um novo tipo de espaço, o espaço de fluxos.” (CASTELLS, 2000, p.423).

Quanto a retomar conceitos, Ghirardo (2006) sugere a questão de que às vezes é melhor retroceder um passo nos processos de criação e de produção visando à qualidade, a permanecer na inércia sem um desenvolvimento, o que seria um retrocesso. Edson Mahfuz (2011), assim como Helio Piñon (2008), deixa claro que o