3 PASSIV MEDVIRKNING
3.6 Tilknytningskravet – hva utløser handleplikt?
3.6.6 Tilknytning til fornærmede
O presente trabalho teve como primeiro objectivo adaptar e validar, numa amostra portuguesa, a Parent-Adolescent Communication Scale (PACS; Barnes & Olson, 1985). Esta escala, amplamente utilizada a nível internacional, acede às perceções de crianças e adolescentes relativamente à comunicação aberta e aos problemas de comunicação estabelecidos com as figuras parentais. Concretamente pretendia-se avaliar a validade de constructo e a validade concorrente da adaptação portuguesa da PACS e analisar a sua sensibilidade.
Os resultados revelaram um bom ajustamento da adaptação portuguesa da PACS, quer para a versão da comunicação com a mãe quer para a versão da comunicação com o pai, e confirmaram a estrutura fatorial originalmente proposta. A escala apresentou também boa consistência interna nas duas dimensões de comunicação para cada versão. Os resultados obtidos com uma amostra de 186 crianças e adolescentes sinalizados e não sinalizados à CPCJ permitem concluir que a adaptação portuguesa da PACS apresenta boas qualidades psicométricas ao nível da sua validade fatorial e fiabilidade, suportando assim a validade do constructo de comunicação pais-filhos e sugerindo a adaptação portuguesa da PACS como uma medida válida desse constructo (H1 confirmada).
Decorrente do primeiro objetivo, foi também analisada a validade concorrente com a Escala de Satisfação com a Vida (ESV, adaptado de Diener et al., por Neto, 1993). Os resultados desta análise suportam a validade concorrente da adaptação portuguesa da PACS (H2 confirmada) na medida em que corroboram a evidência de que uma comunicação aberta estabelecida com as figuras parentais encontra-se positivamente associada com a satisfação com a vida das crianças e adolescentes sinalizados e não sinalizados à CPCJ (Cava et. al., 2014; Levin et al., 2012).
Finalmente, foi analisada a sensibilidade da adaptação portuguesa da PACS por exploração dos dados em função do sexo e da idade das crianças e adolescentes sinalizados e não sinalizados à CPCJ. A análise realizada para verificar eventuais diferenças nas dimensões de comunicação em função do sexo não permitiram confirmar a replicação dos resultados observados no estudo da escala original (Barnes & Olson, 1985) e em outros estudos (e.g.,
dado que não se observaram diferenças significativas em nenhuma das dimensões da comunicação para com nenhuma das figuras parentais, em função do sexo dos filhos. A escala não se mostrou sensível às diferenças de sexo (H3 não confirmada). Estes resultados contrariam a investigação que suporta que as raparigas estabelecem uma comunicação significativamente mais aberta e menos problemática com as figuras parentais (e.g., Bumpus & Hill, 2008; De Goede et al., 2009; Keijsers & Poulin, 2013; McNaughton, 2000). Para além disso, e considerando que os estilos comunicacionais variam em função do sexo do progenitor (Barnes & Olson, 1985; Jiménez & Delgado, 2002), os resultados parecem também refutar o papel preferencial atribuído à mãe na comunicação entre pais e filhos (e.g., Barnes & Olson, 1985; Jackson et al., 1998; Jiménez & Delgado, 2002; Lanz et al., 1999; McNaughton, 2000). Deste modo estes resultados parecem contribuir para a reflexão quanto ao progressivo envolvimento da figura paterna nas atividades e interações com os filhos na medida em que uma comunicação harmoniosa entre pai e filhos, marcada por um tom emocional positivo, parece ser facilitada por uma maior participação do pai nos cuidados à criança (e.g., Monteiro, Veríssimo, Santos, & Vaughn, 2008).
Relativamente às análises realizadas para verificar eventuais diferenças nas dimensões de comunicação em função da idade, os resultados vão de encontro ao esperado de que, face ao processo de autonomia e independência que caracteriza o desenvolvimento das crianças e adolescentes, quanto maior a idade do filho (e.g., adolescentes vs. crianças), menor comunicação aberta quer com a mãe quer com o pai (H4 confirmada). Ainda que, contrariamente ao esperado, quanto maior a idade do filho (e.g., adolescentes vs. crianças), menores os problemas de comunicação com a mãe, a PACS mostrou-se sensível às diferenças de idade.
Com base na evidência empírica acerca da relação entre a comunicação pais-filhos e vários aspetos do ajustamento psicológico das crianças e adolescentes, pretendeu-se também analisar a relação entre as dimensões da PACS e os problemas de comportamentos de internalização e de externalização percecionados pelos pais das crianças e adolescentes sinalizados e não sinalizados à CPCJ. Foram encontradas diferenças em ambos os grupos, quer ao nível da comunicação aberta com o pai que era significativamente maior no grupo não sinalizado, quer ao nível dos problemas de internalização e dos problemas de externalização
que eram significativamente maiores no grupo sinalizado. Foi ainda observado que quanto mais comunicação aberta com a mãe, menos problemas de comunicação com esta e mais comunicação aberta com o pai; e quanto mais comunicação aberta com o pai, menos problemas de comunicação com este; e, para além disso, quanto mais problemas de comunicação com a mãe, mais problemas de comunicação com o pai e mais problemas de ajustamento psicológico, quer de internalização quer de externalização e, finalmente, quanto mais problemas de internalização mais problemas de externalização.
No seguimento destes resultados, formulou-se um modelo preditivo entre a comunicação pais-filhos e o ajustamento psicológico e, posteriormente, testou-se o papel moderador da sinalização/não sinalização à CPCJ na relação entre a comunicação pais-filhos e o ajustamento psicológico, controlando a idade das crianças e adolescentes. Os resultados revelaram um ajustamento muito bom de ambos os modelos (i.e., modelo preditivo simples e modelo de moderação). O teste do modelo preditivo simples revelou que a comunicação aberta estabelecida com as figuras parentais prediz efetivamente menos problemas de externalização (e.g., Meschke & Juang, 2014; Zhiwen, Xiaoming, & Stanton, 2011), apenas na comunicação estabelecida com o pai; e que os problemas de comunicação com as figuras parentais predizem mais problemas de externalização e de internalização (Xiao et al., 2010), apenas na comunicação com a mãe (H6 confirmada). No entanto, embora se tenham verificado relações significativas ao nível dos grupos, não se verificou moderação significativa da sinalização (H7 e H8 não confirmadas) na relação entre a comunicação pais- filhos e o ajustamento psicológico. Ou seja, o facto das crianças e adolescentes estarem ou não sinalizados à CPCJ não afeta a relação entre a comunicação pais-filhos e o ajustamento psicológico.
Esta investigação apresenta, porém, algumas limitações. Quanto à amostra, não só o recurso a uma amostragem de conveniência diminui o seu poder de generalização (Santos, 2005) como a reduzida dimensão torna desejável que estudos futuros sobre a comunicação entre pais e filhos em Portugal reúnam amostras de maior dimensão e integrem participantes de outras áreas geográficas. De igual forma, o facto de a amostra contemplar apenas a perspetiva de crianças e adolescentes entre os oito e os 16 anos, implica que a generalização
Relativamente aos instrumentos, dado incluírem medidas de autorrelato, são suscetíveis à desejabilidade social (Morsbach & Prinz, 2006). Em estudos futuros seria importante considerar, relativamente à comunicação pais-filhos, não só a perceção dos filhos mas também a perceção das figuras parentais; e quanto ao ajustamento psicológico, a concordância da perceção de ambos os progenitores.
Apesar das limitações existentes, este estudo prima por constituir-se uma primeira adaptação da PACS à população portuguesa, proporcionando um contributo ao nível da avaliação da comunicação pais-filhos em Portugal. O facto dos resultados do presente estudo evidenciarem a adequação da estrutura proposta da PACS sobre a perceção da comunicação dos filhos com ambas as figuras parentais numa amostra portuguesa permite, por um lado, a comparação entre a comunicação estabelecida com os pais e a comunicação estabelecida com as mães e, por outro lado, a discriminação de duas dimensões distintas da comunicação (comunicação aberta, problemas de comunicação), possibilitando a avaliação do seu impacto em várias áreas do funcionamento familiar e do desenvolvimento da criança e do adolescente. Ao nível da intervenção com famílias (e.g., a terapia familiar que opta por estudar a relação entre os diversos membros da família através da análise da sua comunicação), esta comparação possibilita não só a identificação de diferenças entre os contributos que ambos os progenitores dão para a comunicação familiar, mas também o reconhecimento das dimensões da comunicação que necessitam de ser trabalhadas, de forma distinta, com o pai e com a mãe.
A existência de uma escala em português de avaliação da comunicação entre pais e filhos, ao permitir um melhor conhecimento das dinâmicas de comunicação das famílias portuguesas, facilitará assim o estudo da população geral e de populações consideradas de risco pelas suas características (e.g., com crianças e jovens sinalizados a um sistema de proteção).
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