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KAPITTEL 2: METODE

2.2 Kvalitativt intervju

2.2.2 Tilgang til informasjon og kunnskap basert på intervju

Com base nas informações obtidas pelo inventário de prospecção, foi reali- zada a otimização do estoque da colheita. De modo geral, a colheita deve ser feita de forma a atender a uma intensidade de corte previamente estabelecida, e que permita uma nova intervenção após o ciclo de corte.

2.1.1. Intensidade de corte

A determinação da intensidade de corte seguiu obrigatoriamente os níveis de intervenção estabelecidos pela Portaria no 54/97 (IEF, 1997): “As intervenções programadas não podem exceder a 60% da área basal existente para as tipologias florestais e contatos/enclaves, por classe diamétrica e por espécie ... bem como não podem ser deixadas clareiras que permitam a colonização por espécies pioneiras.”

Dessa forma, a partir da distribuição diamétrica encontrada foram calculadas duas novas distribuições: uma para o estoque remanescente, atendendo às exigências da legislação; e outra para o estoque passível de colheita.

As espécies com uma densidade de um indivíduo por hectare, por serem consideradas raras (KAGEYAMA e GANDARA, 1993), assim como as árvores ‘desconhecidas’, e as espécies protegidas por legislação específica não participaram da colheita. A fazenda Paciência utiliza um diâmetro mínimo para serraria de 40 cm,

exceção à espécie Xylopia sericea, que é explorada com um diâmetro a partir de

20 cm.

2.1.2. Elaboração de mapas de localização, exploração e planejamento da colheita

O planejamento da colheita fundamentou-se no inventário a 100%. Os dados obtidos pelo inventário foram trabalhados em um sistema de informações geográ- ficas. Para isto utilizou-se do programa ArcView®, desenvolvido pela Enviromental Systems Research Institute Inc.

A digitalização das áreas limítrofes da fazenda e do talhão de exploração, bem como das estradas, dos rios e das curvas de nível, foi executada com o uso de uma mesa digitalizadora SUMMAGRID III® e do programa Cartalinx®.

As seguintes características da fazenda compõem a base cartográfica digital para a otimização da colheita:

Limites do talhão e da propriedade: foram digitalizados e armazenados em

um sistema de dados vetoriais. Tiveram suas coordenadas definidas e transformadas para o sistema de coordenadas UTM.

Localização das árvores: foram representadas na forma vetorial, tendo cada

árvore sido representada por um ponto com coordenadas UTM definidas. Cada informação espacial (árvore) apresentou os seguintes atributos associados: nome científico, DAP, altura total e comercial, aproveitamento do fuste, avaliação da copa e do fuste, inclinação natural, presença de cipós e volume.

Modelo digital de elevação: a partir do mapa planialtimétrico da fazenda

Paciência, disponibilizado pelo Instituto Estadual de Florestal de Minas Gerais, IEF- MG, foi gerado o modelo com a representação do relevo (MDE).

Malha viária: estradas confrontantes com o talhão de exploração foram

digitalizadas e estruturadas na forma vetorial.

Hidrografia: o mesmo procedimento descrito para a malha viária foi empre-

gado para os cursos d’água presentes no talhão de exploração.

As análises com base nos níveis de informação criados permitiram orientar as operações de colheita, quanto a:

- Áreas problemáticas: locais com ocorrência de afloramentos rochosos, grande concentração de cipós, bambus e capim, assim como áreas perto de clareiras.

- Áreas críticas: áreas onde a derrubada da madeira deve ser orientada no sentido de evitar danos às árvores que farão parte da próxima colheita, às árvores- matrizes e às espécies com poucos indivíduos.

- Derrubada das árvores e otimização das trilhas de arraste seguindo, o gradiente de declividade do terreno e da menor distância até as estradas florestais que servem à unidade de produção.

Dessa forma, os mapas produzidos para o planejamento da colheita consoli- daram as informações de áreas protegidas, malha viária da propriedade, mapeamento das árvores que farão parte da próxima colheita e daquelas que deverão ser prote- gidas e desenho das trilhas de arraste.

Para localização do talhão de exploração no 8 na carta topográfica da fazenda Paciência, foi utilizada uma ortofoto digital cedida pela Companhia Energética de Minas Gerais, CEMIG.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Intensidade de corte

Os 24,25 ha do talhão de exploração no 8 da fazenda Paciência possuem uma área basal de 158,01 m2 e 1.032,39 m3 de volume comercial, distribuídos em 2.707 árvores de 68 espécies arbóreas (Quadro 4A).

De acordo com a intensidade de corte estabelecida pela legislação do Estado de Minas Gerais, o volume colhido deve significar no máximo uma redução de 60% da área basal, por espécie e por classe diamétrica. A partir da distribuição da área basal verificada no inventário de prospecção, foi criada uma nova distribuição que contemplasse a exigência expressa na lei, utilizando para isto a amplitude de classes de diâmetro de 10,0 cm (Quadro 13A). Por meio da redução de 60% da área basal, ficaram disponíveis para a colheita 592,63 m3 (57,4%) de volume comercial. Nesta nova distribuição, todas as espécies que apresentavam apenas um indivíduo por classe diamétrica foram excluídas da lista de espécies passíveis de colheita, já que não pode haver uma supressão maior do que 60% da área basal por classe diamétrica e por espécie, são elas: Platymiscium pubescens, Ocotea sp., Croton urucurana, Zanthoxylum sp., Zanthoxylum petiolare, Rauwolfia sellowii, Guarea macrophylla, Xylosma salzmanni, Rapanea ferruginea, Inga sp., Eriotheca candolleana, Guatteria villosissima, Miconia cinnamomifolia, Jacaranda macrantha, Lamanonia ternata, Casearia gossypiosperma, Casearia ulmifolia, Cedrela sp., Ficus citrifolia, Aspidosperma sp. e Colubrina rufa.

Seguindo a recomendação de KAGEYAMA e GANDARA (1993), as espé- cies com densidade menor ou igual a um indivíduo por hectare são consideradas raras, portanto foram retiradas da lista das árvores passíveis de colheita. O mesmo ocorreu com as árvores da categoria das ‘desconhecidas’. Como não foi possível identificá-las, é preferível retirá-las da lista das árvores passíveis de colheita, do que incorrer em uma provável perda da diversidade florística do talhão. Assim, o volume comercial disponível para a colheita nos 24,25 ha diminuiu para 546,74 m3 (Quadro 14A). As seguintes espécies se enquadravam no conceito descrito por KAGEYAMA e GANDARA (1993), e por isto foram excluídas da lista de espécies passíveis de colheita: Pseudopiptadenia contorta, Plathymenia foliolosa, Seguieria americana, Nectandra rigida, Zeyheria tuberculosa, Rollinia laurifolia, Cecropia hololeuca, Matayba elaegnoides, Sorocea bonplandii, Moraceae 1, Solanum leucodendron, Cecropia glaziovi, Ocotea corymbosa, Zanthoxylum rhoifolium, Guettarda viburnoides, Peschiera laeta, Miconia calvescens, Ocotea odorifera, Casearia decandra, Aspidosperma subincanum, Bathysa meridionalis, Piptadenia laxa, Melanoxylum brauna, Chorisia speciosa, Schefflera morototoni, Xylopia brasiliensis, Maclura tinctoria, Machaerium brasiliense, Carpotroche brasiliensis, Eugenia leptoclada, Casearia sylvestris, Ficus luschnathiana e Byrsonima sp.

Uma outra restrição imposta sobre as árvores a serem colhidas é o diâmetro mínimo das toras usadas na serraria. Para a utilização racional e o melhor aprovei- tamento na serraria da fazenda Paciência, o diâmetro mínimo das árvores deve ser de 40 cm e para a espécie Xylopia sericea, devido à facilidade de manuseio da madeira

e da existência de mercado específico, este diâmetro é de 20 cm. Então, uma nova distribuição diamétrica foi criada (Quadro 15A) para atender a essas prerrogativas. O volume comercial disponível para a colheita passou para 264,1 m3, distribuídos em 606 árvores (Quadro 15A). Com esta última restrição, as espécies disponíveis para a exploração são: Xylopia sericea (531 árvores), Piptadenia gonoacantha (32), Apuleia leiocarpa (25), Anadenanthera colubrina (13), Platypodium elegans (4) e Machaerium nictitans (1). Todas estas seis espécies são consideradas comerciais na

região da Zona da Mata mineira, portanto não é necessário realizar nenhuma outra restrição sobre o estoque de madeira a ser explorado.

Do ponto de vista legal, a colheita desses 264,1 m3 está dentro dos limites estabelecidos pela Portaria no 54. Porém, a restrição de que “... não podem ser deixadas clareiras que permitam a colonização por espécies pioneiras” dificilmente

será alcançada se não houver um acompanhamento, no campo, das atividades relacionadas com a exploração. Dessa forma, essa restrição será simulada no próximo tópico, utilizando para isto o programa ArcView®.