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Tilgang 2021

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Tallene for 2021

1.1.20 Tilgang 2021

Relativamente ao instrumento para avaliar os sintomas positivos e negativos nos pacientes esquizofrénicos, foi utilizada a Brief Psychiatric Rating Scale (BPRS). A BPRS é um instrumento amplamente utilizado para avaliar os sintomas positivos, negativos e afectivos de indivíduos com perturbações psicóticas, especialmente na esquizofrenia. Provou-se que esta escala é particularmente valiosa na avaliação e registo da eficácia das intervenções psicológicas em doentes com perturbação moderada ou severa (Overall & Gorham, 1998).

Esta escala foi desenvolvida na década de 60, por Overall e Gorham, com o objectivo de avaliar as alterações na expressão de alguns sintomas, em pacientes submetidos a intervenções medicamentosas (Overall & Gorham, 1962). A mesma permite a avaliação de 18 sintomas psiquiátricos, sendo que a cada um é atribuído uma pontuação relativa à sua presença e gravidade. Quanto mais elevado for a pontuação, maior será a gravidade do sintoma.

O tempo esperado para aplicação desta prova está estabelecido entre 20 a 30 minutos. Como é uma entrevista não-estruturada, o investigador vai realizando cada grupo de perguntas ao sujeito, e consoante este vai respondendo, o técnico deve ir anotando a pontuação correspondente a cada sintoma, que varia entre 1 (não presente) e 7 (extremamente severo).

As dimensões avaliadas são: preocupação somática; ansiedade; depressão; tendências suicidas; sentimentos de culpa; hostilidade; humor exaltado; grandiosidade; desconfiança; alucinações; conteúdo insólito do pensamento; comportamento bizarro; negligência da própria pessoa; desorientação; desorganização conceptual; embotamento afectivo; ressonância afectiva; lentificação motora; tensão; ausência de colaboração; excitabilidade; distractibilidade; hiperactividade motora e maneirismos.

5.3. I-emotions

A I-emotions é uma plataforma informática desenvolvida pelo Prof. Dr. Freitas-Magalhães, na Universidade Fernando Pessoa no Porto, a qual tem por base uma extensa base de dados (F-M

Portuguese Face Database), que de uma forma muito geral é uma base de expressões faciais. A

F-MPF é constituída por expressões faciais exibidas por mais de cinco mil portugueses, de todas as faixas etárias. Disponibiliza, ainda, expressões faciais de indivíduos portadores de, por exemplo, lesões cerebrais, lesões esquelético-musculares, deficientes mentais e autistas (Freitas-Magalhães, 2009).

Para um maior rigor científico estas imagens foram codificadas através do FACS (Facial

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Wallace Friesen, e tem como principal objectivo analisar as unidades de acção muscular (Freitas- Magalhães, 2009).

Especificamente, a plataforma utilizada (I-emotions) reúne 16 fotografias, que representam 7 emoções básicas de uma mulher, 7 emoções básicas de um homem e 1 emoção neutra para cada um dos estímulos). As emoções básicas apresentadas nesta plataforma são: alegria, aversão, cólera, desprezo, medo, surpresa e tristeza.

6. Procedimento

Esta investigação iniciou-se com a escolha do tema, que teve por base o interesse pelo mesmo, a viabilidade da investigação, bem como pertinência da mesma. Após a escolha da temática iniciou-se a pesquisa bibliográfica, essencialmente através de suporte informático, recorrendo às bases de dados das revistas científicas da área, como a Schizophrenia Research ou a The American Journal of Psychiatry, mas também recorrendo a livros e manuais. Esta pesquisa teve em atenção a fidedignidade das publicações, bem como a data de publicação das mesmas, optando, sempre que foi possível pelas mais recentes. Além disso, esta pesquisa não foi realizada separadamente da recolha e do tratamento dos dados, mas sim ao longo de todo o estudo.

Após a referida pesquisa, e com base na mesma, procedeu-se à realização de uma fundamentação teórica, que teve como principais objectivos a exploração dos principais tópicos referentes a esta temática, aprofundar o conhecimento sobre o tema, bem como fornecer um background teórico para uma posterior análise dos resultados.

Para obtenção da amostra foram efectuados pedidos formais a três instituições, nomeadamente, ao Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital São Francisco Xavier, ao Instituto São João de Deus – Casa de Saúde do Telhal, e ao Centro Hospitalar Psiquiátrico – Pólo Júlio de Matos. Esses pedidos consistiram numa explicação da proposta do estudo, tendo sido explicitada a pertinência do tema, os objectivos da investigação e os instrumentos a administrar.

Também foi realizado um pedido ao Laboratório da Expressão Facial da Emoção, da Universidade Fernando Pessoa, e mais especificamente ao Professor Doutor Freitas- Magalhães, para cedência de um instrumento (F-M Portuguese Face Database) que permitisse avaliar o reconhecimento das emoções faciais.

Após estarem concluídos todos os procedimentos formais, e ter obtido uma resposta favorável a todos os pedidos, quer pelas comissões de ética das várias instituições, quer pelo Prof. Dr. Freitas-Magalhães, deu-se início à investigação propriamente dita.

Relativamente ao grupo experimental, primeiramente foi pedido a cada sujeito, de forma individual, que lê-se e, caso concorda-se em participar na investigação, assina-se o referido consentimento. Foram esclarecidas as possíveis dúvidas que cada indivíduo pudesse apresentar a respeito das características da investigação, e explicados todos os

41 procedimentos da mesma. Seguidamente foi pedido a cada um que responde-se aos itens do questionário sociodemográfico que foram lidos pela investigadora, de forma a facilitar o correcto preenchimento de todas as questões.

Terminada a recolha dos dados pessoais e de alguns dados clínicos, deu-se inicio à aplicação da entrevista semi-estruturada (Brief Psychiatric Rating Scale). Nesta fase foi pedido a cada participante que responde-se às questões que se iam colocando. Conforme os sujeitos iam respondendo, procedeu-se à anotação das respostas e consequentemente à cotação de cada sintoma, tendo em conta a sua presença e gravidade, numa escala de 1 a 7. Esta fase teve como principal objectivo o levantamento da sintomatologia positiva e negativa, para posterior correlação com os resultados obtidos no reconhecimento de emoções faciais.

Por fim, foi pedido ao sujeito que, com base nas 16 imagens que lhe seriam apresentadas (7 emoções básicas de um homem, 7 emoções básicas de uma mulher, e 2 imagens de face neutra dos dois géneros, de indivíduos caucasianos tenta-se identificar e reconhecer a emoção correspondente a cada expressão facial. Este procedimento foi realizado com recurso a um computador e uma plataforma informática (i-Emotions). De forma a uniformizar a sua aplicação, cada participante foi posicionado a sensivelmente 70 cm do dispositivo informático, tendo o mesmo uma abertura que formasse um ângulo obtuso com sensivelmente 110º. Cada imagem foi apresentada ao sujeito por um período de 8 segundos, e seguidamente a investigadora pronunciava a seguinte questão “Que emoção vê nesta

imagem?”. A resposta do sujeito era anotada manualmente pela investigadora da seguinte

forma:

Não respondeu/não reconheceu a emoção = 0 Reconheceu outra emoção = 1

Reconheceu a emoção correcta = 2

Repetiu-se este procedimento para as restantes imagens apresentadas. Optou-se pela apresentação da sequência seguinte de fotografias: para o estímulo mulher: alegria, aversão, cólera, desprezo, face neutra, medo, surpresa e tristeza. Para o estímulo homem: alegria, aversão, cólera, desprezo, surpresa, medo, tristeza e face neutra.

Optou-se pela instrução acima referida para que o sujeito pudesse escolher livremente qual a emoção que considerava correspondente à expressão facial observada, não condicionando assim a sua resposta com uma lista de emoções preestabelecida. Segundo Oatley e Jenkins (2002), “quando os sujeitos escolhem livremente uma palavra para uma expressão contida numa fotografia, podem ocorrer resultados diferentes” e salientam que quando “(…) os estudos de pessoas que escolhem a partir de um conjunto fixo de fotografias e as fazem corresponder a um conjunto fixo de emoções, podem sobrestimar a precisão do reconhecimento das expressões como emoções especificas.”

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Durante a administração do instrumento enfatizaram-se os seguintes aspectos: a) a participação voluntária dos sujeitos; b) a não existência de respostas certas ou erradas; c) o incentivo para não omitir nenhuma resposta; d) o tratamento dos dados ser anónimo e confidencial.

No que diz respeito ao grupo experimental, o procedimento foi semelhante, apenas possuiu dois aspectos distintos, nomeadamente, o questionário sociodemográfico, tal como foi explicitado na parte dos instrumentos não possuía os itens relativos aos dados clínicos e a estes sujeitos não foi aplicado a BPRS, já que, como pertencem ao grupo experimental, não se espera que estes sujeitos apresentem qualquer sintomatologia indicadora de perturbação psicótica.

Na fase de cotação das respostas dos sujeitos, para posterior introdução na base de dados e análise estatística foram realizados os seguintes passos:

Análise empírica das respostas - nesta fase eram contados todas as respostas

que referiam o nome correcto e exacto da emoção visionada.

Análise da terminologia – este segundo passo visou a análise de nomes que

seriam sinónimos das emoções visionadas (por exemplo: tristeza/melancolia).

Análise do conteúdo da resposta e repetição das mesmas – nesta última frase

procurou-se interpretar as respostas às quais não estava directamente associada o nome de uma emoção, mas que, ou pela sua repetição, o pelo próprio conteúdo, se relacionavam de certa forma com a emoção representada. Assim, e tendo por base a teorética de Ekman e Freitas-Magalhães, procurou-se entender o significado mais lato ou abrangente de cada emoção e a partir daqui perceber se as respostas dos sujeitos se enquadrariam ou não na emoção observada. Após recolhidos todos os dados procedeu-se ao tratamento estatístico, descrição e análise dos resultados, que passarei a descrever pela ordem aqui enumerada.

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Resultados

A análise estatística foi realizada através do programa Statistical Package for the Social

Sciences (SPSS), versão 19.0 para Windows, já que o mesmo permite uma grande variedade de

operações.

O principal objectivo que se pretende através da realização deste estudo seria tentar perceber se existem diferenças entre a população diagnosticada com perturbação esquizofrénica e a população normativa, no que respeita ao reconhecimento de emoções básicas através da expressão facial.

Após este objectivo, a realização da presente investigação visou ainda a obtenção de algumas respostas a respeito de outras variáveis, que naturalmente se desdobravam em torno do objectivo principal supracitado. Assim, pretendeu-se verificar como é que os vários sintomas (avaliados através da BPRS) se correlacionavam com o reconhecimento das diferentes emoções.

Outra variável que foi utilizada na análise estatística diz respeito ao estado clínico dos pacientes, ou seja, se os mesmos se encontravam em internamento ou em ambulatório e se existiriam diferenças entre estes dos subgrupos no reconhecimento das diversas emoções.

Também, através de alguns dados sociodemográficos pretendeu-se avaliar as correlações existentes, para isso foram utilizadas as variáveis idade e género, a fim de verificar possíveis diferenças na identificação das expressões faciais.

Relativamente ao estímulo apresentado, o género do mesmo (feminino ou masculino), bem como a emoção apresentada, também foram tidos em consideração. Através destas variáveis procurou-se analisar se existiriam diferenças no reconhecimento entre as diferentes emoções, bem como entre as 8 emoções do estímulo feminino e as 8 do estímulo masculino.

Apresentadas todas as variáveis que foram tidas em consideração na análise estatística serão descritos todos os resultados obtidos. Contudo, antes de procedermos à descrição sequencial de todos os objectivos acima propostos, esta parte será introduzida com a exposição dos resultados obtidos através da BPRS, bem como as subsequentes diferenças inter-grupos.

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