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dos responsáveis pelos alunos de forma ativa e acolhedora. A troca entre pares, a ajuda mútua entre professores, o grupo de apoio pedagógico e o colegiado de professores, com os frequentes encontros entre professores e pais, vêm ajudar e apoiar os propósitos da inclusão de todos na comunidade. O grupo de apoio terapêutico e pedagógico é composto por especialistas de formação antroposófica e um médico escolar. Para uma educação terapêutica, Rudolf Steiner proferiu 12 palestras em Dornach, Suiça, em 1924, onde formalizou alguns princípios em seu ‘Curso de Pedagogia Terapêutica’, para pedagogos e médicos. Este é o título de seu livro traduzido e editado no Brasil em 2005, pela Federação das Escolas Waldorf. Depois disso, a Terapia Social Antroposófica teve continuidade em 1938, na Inglaterra, com o impulso de Karl König. Este médico inovou com uma política de ensino para crianças com e sem deficiências na mesma sala de aula. A obrigatoriedade de atendimento educacional para crianças com necessidades especiais ainda não existia na maioria dos países naquela época (LIRA, 2007).

Ita Wegman, médica antroposófica que trabalhou junto com Rudolf Steiner, citou: “o médico que deseja curar, no verdadeiro sentido, deve ter viva dentro de si a arte da educação em seu mais amplo sentido.” Desse modo, Steiner e Wegman, que desenvolveram juntos a medicina antroposófica, tratavam essa relação entre saúde e educação: medicina para educar e educação para curar (Wegman, apud MARASCA, 1999, p. 7). Na Europa, a educação terapêutica e terapia social antroposófica recebem o nome de ‘pedagogia curativa’2

. A profissionalização nessa área é de nível superior em quatro anos, correspondendo no Brasil ao que poderia ser psicopedagogia. No Brasil existe a Federação das Entidades de Educação Terapêutica e Terapia Social com base antroposófica, que cuida e fornece informações sobre cursos, dois centros de formação e onze instituições que atendem jovens, adultos e

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crianças com distúrbios graves de desenvolvimento, deficiência física e mental, e distúrbios comportamentais (FEWB, 2013). Enquanto que o professor de classe se dedica para a harmonia dos três grandes níveis da alma, com o pensar, o sentir e o querer, o pedagogo terapeuta procura focar mais para as polaridades em desequilíbrio, de maneira a desenvolver capacidades para vivenciar o que é mais verdadeiro no próprio ser. A deficiência de desenvolvimento é vista na Antroposofia não como um mal em si, mas como um desequilíbrio em forma extrema de algo natural que reside em todos nós.

Nas instituições de educação terapêutica e terapia social, o currículo escolar é como na pedagogia Waldorf, porém adaptado. Bastante ênfase é dada aos elementos do ritmo e da forma, da arte e da criatividade, da ação e da praticidade no ensino. E a música está lá, tão presente como no currículo Waldorf.

A pedagogia social antroposófica ou pedagogia de ‘convívio’ é assim considerada para pessoas jovens e adultas que necessitam de cuidados especiais. São oferecidas oficinas terapêuticas de artesanatos, utilizando a marcenaria, tecelagem, olaria, agricultura, costura, jardinagem ou culinária. Objetiva-se que o adulto neste convívio possa compreender o sentido do seu trabalho, o que está fazendo e o seu resultado no âmbito social. Sob os princípios antroposóficos da pedagogia terapêutica, norteados pelo Dr. Norbert Glas e Eyleen Hatchins, a professora Waldorf inglesa, Audrey McAllen, desenvolveu um método a partir de suas experiências e observações de dificuldades dos seus alunos, tais como motoras e outras dificuldades de aprendizagem. McAllen lançou em 1974 o seu livro, que leva o nome do método: Extra Lesson (MARASCA, 1999).

As diferenças são incluídas dentro do ambiente de sala de aula, assim como os diferentes temperamentos, talentos, diferenças culturais e dificuldades de aprendizagem, dislexias, dificuldades psicomotoras, entre tantas síndromes. Estas são preferencialmente trabalhadas em classe, “salvo impossibilidades graves que são direcionadas para classes especiais.” (MARASCA, 1999, p. 74).

A

presença de um médico escolar na instituição é um diferencial da Pedagogia Waldorf. Ele auxilia os professores nas decisões sobre alunos e procedimentos, orientações aos pais e

também participa das reuniões pedagógicas do colegiado de professores. Pelo fato do convívio íntimo entre os alunos e pais, entre o primeiro ano até uma classe mais adiantada, de preferência até o 8°ano, o professor de classe tem tempo para observar o crescimento da turma como um todo, conhecendo tanto os alunos como os familiares, suas condições culturais e materiais, possibilitando uma ação pedagógica mais individualizada (MARASCA, 2009).

A permanência da unidade da classe, abrangendo alunos com a mesma faixa etária, é considerada importante no desenvolvimento das atividades pedagógicas e do próprio desenvolvimento da criança e do grupo da classe. Seguindo-se este princípio, a repetência só se dá após avaliação entre os pais, professores e o médico escolar.

A avaliação não é somente quantitativa, não se baseia somente em provas ou exames de avaliação de rendimento, mas também numa avaliação qualitativa considerando a visão anímica trimembrada do querer, sentir e pensar do aluno, bem como suas transições e principalmente respeitando as capacidades desenvolvidas na biografia e fases de cada setênio. Os alunos são avaliados pela participação, crescimento individual e sadio, pelo trabalho que consegue realizar, pela capacidade de integração no grupo, seus passos de desenvolvimento e mediante o conhecimento que o professor tem sobre eles. Desta forma, nenhum aluno é “penalizado por um rendimento insuficiente”, como reflete Marasca (MARASCA, 1999, p. 79).

O autor Macedo (2007), licenciado em Matemática, Pedagogia e bacharel em Direito, afirma em sua monografia do Curso Normal de Professores Waldorf de São Paulo, que a pedagogia Waldorf é essencialmente inclusiva e holística, por considerar os aspectos de desenvolvimento humano de maneira global, não só intelectual mas também espiritual, incluindo a educação artística e musical como parte fundamental para a formação e aprendizagem do indivíduo.

Neste sentido, mesmo que não haja menção explícita sobre a proposta Waldorf e a inclusão como política pedagógica, aos moldes do que vem sendo discutido sobre a inclusão de alunos com necessidades especiais, podemos afirmar que a

própria pedagogia de Rudolf Steiner surgiu a partir das perspectivas de inclusão.