Alguns livros didáticos de matemática passam por seleção e a coleção ou obra de alguns autores ficam disponibilizadas pelo Programa Nacional do Livro Didático no Brasil (PNLD) para a escolha nas escolas através do Guia do Livro Didático.
Para muitos professores e gestores educacionais é uma ferramenta que auxilia em sala de aula, por apresentar os conteúdos de forma resumida, sendo organizados em sequência e disponibilizando atividades diversificadas e por outras ferramentas ou recursos serem mais dificultosos de acessar ou de compreender o seu uso, tais como: vídeos, computadores, internet, jogos, teatro.
A preocupação do Estado Brasileiro com os livros didáticos, não é algo recente, segundo a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (ABRELIVROS), a trajetória do livro didático teve início em 1929 com a criação do Instituto Nacional do Livro (INL), contudo sua ação mais efetiva
[...] só em 1934, quando Gustavo Capanema torna-se ministro da Educação do governo do presidente Getúlio Vargas, o INL recebe suas primeiras atribuições: a edição de obras literárias para a formação cultural da população, a elaboração de uma enciclopédia e de um dicionário nacionais e a expansão do número de bibliotecas públicas. Em 1938, o livro didático entra na pauta do governo. O Decreto-Lei nº 1.006/38 institui a Comissão Nacional do Livro Didático para tratar da produção, do controle e da circulação dessas obras. Passados 11 anos (1934/1945), quando Gustavo Capanema deixa o MEC, não estavam concluídos o dicionário nem a enciclopédia, mas as bibliotecas cresceram para além do Rio de Janeiro e de São Paulo, graças à oferta de acervo oferecido pelo Governo Federal. (LORENZONI, 2016).
Segundo Carvalho (2008), em 1966, criou-se a Comissão do Livro Técnico e do Livro Didático (COLTED), com o objetivo de coordenar as ações referentes à produção, edição e
distribuição do livro didático. A Fundação Nacional do Material Escolar (FENAME), em 1976, passa a ser responsável pela execução dos programas do livro didático, e somente, em 1985 é criado o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) em substituição ao PLIDEF.
Através do site da Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) anualmente os professores de escolas públicas de todo o país tem acesso aos Guias de Livros Didáticos para a educação básica.
A escolha pelos livros didáticos, em particular de Matemática, acontece da seguinte forma: em determinado ano definido pela coordenação do PNLD, os professores dos anos finais do Ensino Fundamental (5ª a 8ª série ou 6º ao 9º ano) se reúnem para escolher a duas opções) de obra que será adotada pela escola (2ª opção caso FNDE não possa disponibilizar a opção escolhida), para trabalhar com os alunos dessa faixa etária durante os três anos seguintes; então no último ano de utilização dos livros, os professores se reúnem novamente para escolher os novos livros a serem utilizados durante mais três anos.
No entendimento sobre autores Centurion e Jakubovic (2012) os professores se apóiam no livro didático para fundamentar suas aulas ou desenvolver as atividades em sala de aula, pois dentro do universo de recursos e ferramentas, cabe ressaltar que o livro didático é uma das poucas ferramentas que passa por uma avaliação, divulgação e distribuição pelo MEC ostensiva no cenário das escolas públicas do Brasil. E envolvem os interesses de muitas organizações, algumas de cunho empresarial, como as editoras e outras envolvendo os interesses mais amplos da sociedade, como as associações vinculadas às categorias educacionais, em muitas situações com posicionamentos opostos, mas o fato que há muitos observadores que colaboram para tentar melhor a qualidade física e pedagógica do material.
Frente ao contexto dos múltiplos interesses envolvendo o livro didático distribuído nas escolas, observar o que acontece e analisar a utilização do livro didático de matemática em uma escola estadual do município de Ji-Paraná-RO, como ferramenta metodológica para um professor em sala de aula, nos aproxima mais da realidade e das possibilidades de seu uso. 4. O livro didático de matemática e as turmas do ensino fundamental na escola
Ao longo dos anos, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) sofreu várias modificações, mas a escolha do livro pelo professor, no contexto de sua escola, sempre foi
mantida, porque é ele quem vive a experiência da sala de aula, com suas conquistas e suas dificuldades.
Todas as escolas beneficiadas com o PNLD estão cadastradas no censo escolar realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
No ano de 2016, os professores de Matemática da escola objeto da pesquisa se reuniram para juntas escolherem dentre os livros recomendados pelo Guia do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), o livro de Matemática que seria adotado para os alunos de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental durante os anos de 2017, 2018 e 2019.
Inicialmente, os professores de matemática analisaram no Guia de Livros Didáticos as avaliações dos livros de Matemática disponíveis no portal do FNDE. Nessa análise, segundo a entrevista semiestrutura com o professor, a escolha foi por aquele que mais se adequava ao projeto político-pedagógico da escola; ao seu método de ensino; ao conteúdo curricular programático e a realidade sociocultural da instituição, narrativa que também encontramos nas orientações da secretaria estadual e nos documentos norteadores do MEC.
Na descrição do professor, eles se reuniram e apresentaram uns aos outros os livros que escolheram, dessa forma, se todos tivessem escolhido o mesmo livro, esse seria utilizado pela escola. Porém, nesse caso, foram apresentados mais de um livro pelos professores, que entrando em comum acordo decidiram pelo livro “Matemática nos Dias de Hoje – Na Medida Certa”, dos autores José Jakubovic e Marília Centurión, Editora LEYA.
O livro “Matemática nos Dias de Hoje” é apresentado no Guia como um livro que busca a contextualização dos conhecimentos matemáticos possibilitando discussões proveitosas entre aluno e professor voltados ao exercício da cidadania, destaca que as atividades exigem mais do aluno do que simplesmente uma repetição de métodos e aborda com frequência a História da Matemática. Além do livro do estudante, há o Manual do Professor, com uma parte intitulada Assessoria Pedagógica, que tem por objetivo orientar a prática docente e contribuir para uma formação continuada. Conjuntamente, é disponibilizado o Manual do Professor Multimídia e Objetos Educacionais Digitais (OED) destinados a formação do professor.
Obedecendo a estrutura dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática para as turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, o Guia traz as descrições da aplicação do livro divididos em cinco grandes Campos da Matemática, são eles: Números e Operações, Álgebra, Geometria, Grandezas e Medidas, e Estatística e Probabilidade.
A sequência dos conteúdos que foram adotadas nos livros didáticos das turmas do 6º e do 8º ano do turno matutino, também era a ordem que o professor de matemática ensinava, sendo que esses conteúdos foram divididos entre os quatro bimestres do ano letivo.
Essas duas turmas foram escolhidas por serem as turmas do Ensino Fundamental que o professor estava trabalhando durante o ano de 2017 e eram observadas semanalmente durante as aulas de Matemática.
A turma do 6º ano tinha em média 28 alunos sendo que aproximadamente 66% eram do sexo feminino. Sempre muito participativos durante as aulas, a maioria deles, aproximadamente 77% sempre traziam o livro didático para a escola e algumas vezes até cobravam o professor quando ele não era utilizado em sala.
A turma do 8º ano tinha em média 30 alunos sendo que aproximadamente 62% eram do sexo masculino. Pouco participativos e dispersos com conversa paralela, a minoria, cerca de 30% traziam o livro didático nas aulas de Matemática e raramente cobravam o professor da utilização do mesmo em sala.
5. A relação do professor na utilização do livro didático de matemática com o plano de