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B. Kvalitative resultater

5. Drøfting

5.4 Hindringsfaktorer for læring

5.4.2 Akademisk utvikling

Após este dia retornei mais outro sábado. Este foi decisivo para o encerramento do trabalho nessa localidade. Ao chegar no horário acertado me vi sozinha esperando pelos professores na porta do Campus da UERN. Antecipadamente, encaminhei e-mail a todos e em particular, á UERN, solicitando recurso audiovisual e a abertura das dependências pelo funcionário responsável, porém não obtive nenhuma justificativa das razões pelas quais que se encontravam as portas da UERN fechadas e nenhum funcionário para atender.

Diante disso, retornei de lá refletindo muito acerca do o que tinha motivado todo esse descaso e resistência e o que tinha sido de importante e válido aos professores nos encontros. Desse dia em diante se instalou um silêncio! Então, resolvi partir para os contatos via e-mails na intenção de poder motivá-los a contar suas histórias de vida na continuidade dos temas que faltavam serem narrados, outros a serem completados, outros precisando de esclarecimentos etc. Essa foi uma estratégia que pensei ser adequada para garantir a continuidade do trabalho, resguardar a privacidade, e manter a participação, mesmo de forma a distância.

Foram várias tentativas, e dessas consegui algumas mais, por parte do professor João que sempre se mostrou interessado e participativo em todos os momentos. Devo ter tido muitos erros ao realizar este trabalho. Considero que não faltou preparo teórico e planejamento da pesquisa, literatura sobre o assunto, (aportes teórico-metodológicos), condições de realização (deslocamentos, material pedagógico, atividades), interesse e disposição para o trabalho e tudo o que fosse de melhor e mais favorável ao grupo de professores para juntos termos segurado e enfrentado a ponta do fio e os nós (SHIGUNOV NETO; MACIEL, 2002).

Mas nem tudo ficou perdido e nem tudo se perdeu! Mesmo diante de todas as adversidades e resistências, também houve aceitação e comprometimento, pois as narrativas emergidas em cada encontro pelos professores são autorais ao que pensam, vivem e experienciam na realidade de suas vidas. A partir disso é que é

gerado todo o repertório de histórias a contar e com as quais cada um a dimensiona a ponto de mostrar-se ou não pela linguagem que o descreve em relação a como se percebe na interação consigo mesmo e com seus pares. Isso implica dizer que uma coisa é os professores terem narradas as suas histórias de vida e outra é como são interpretadas essas histórias de vida para que venha a se tornar um corpus de conhecimentos a gerar outros e novos conhecimentos.

Diante deste olhar e interpretação acerca da paisagem, os sujeitos e a construção do ambiente do diálogo na pesquisa assentados nesta segunda porta que teve como objetivo empreender a descrição e análise dos procedimentos estabelecidos e experienciados na pesquisa em face da construção de um dossiê biográfico. Este está na intenção de por um lado organizar, sistematizar, refletir, revelar o conjunto das informações colhidas durante todo o processo em que se esteve mergulhada no campo de investigação. E por outro, como fonte, instrumento e/ou ferramenta para estudos e pesquisas no campo da pesquisa-formação revelando o que se passou na pesquisa, esta planejada de acordo com os vários teóricos que trabalham com os procedimentos metodológicos centrados nos ateliês biográficos de projeto e de escrita de si (JOSSO, 2004; DELORY-MOMBERGER, 2008); Biografia Educativa (DOMINICÉ, 1994) e outros.

Em relação aos ateliês biográficos de projeto e de escrita de si eles têm as seguintes etapas: 1) momento de informação sobre o procedimento, os objetivos do ateliê e os dispositivos adotados; 2) a segunda etapa corresponde à elaboração, à negociação e à ratificação coletiva do contrato biográfico; 3) terceira e quarta etapas, que se desenvolvem em dois dias, são consagrados à produção da primeira narrativa autobiográfica e à sua socialização; 4) quinta etapa é a da socialização da narrativa autobiográfica; 5) a sexta etapa, duas semanas depois, é um momento de síntese(DELORY-MOMBERGER, 2008 p. 100-103). Segui na pesquisa com alguns ajustes das etapas para serem trabalhadas nos ateliês (auto)formativos, conforme proposto por DELORY-MOMBERGER (2008).

Destarte, esses procedimentos metodológicos têm em si duas práticas complementares: a da autobiografia, do trabalho realizado sobre si mesmo num ato de fala que, dito ou escrito, é sempre um ato de escrita de si; e a da heterobiografia, isto é, o trabalho de escuta/leitura e compreensão da narrativa autobiográfica feito pelo outro. No caso do grupo de professores de Matemática essas práticas tiveram momentos de tensões e resistências quando não aceitaram realizar a socialização e

síntese das narrativas. Perguntou-se por que daquela atitude e responderam: professora não queremos contar nada de nossas vidas aqui na sala, principalmente porque todos nós nos conhecemos e cada um sabe a vida de cada um (Professor Manoel, 2010).

Mesmo assim os encontros deram continuidade e seguimos com outra estratégia pela via das atividades pedagógicas como descritas anteriormente. A partir disso iniciávamos realizando uma atividade e posteriormente era liberado o tempo restante de duas horas para a escrita do tema que seguia o bloco temático (PARIS, p. 90-91).

De tudo o que foi realizado três hipóteses podem ser consideradas em relação ao interesse e participação dos professores envolvidos na pesquisa: o plano inicial de realizar os ateliês (auto)formativos de escrita de si nos encontros, não obteve frequência total porque era esperado outro plano pelos professores, quer dizer, que fossem desenvolvidas estratégias de ensino de Matemática. Outra, do plano inicial houve em parte a realização dos ateliês (auto)formativos, até quando não mais atingia os interesses do grupo em participar da escrita de si, mas somente querer aprender (aqui no sentido da educação bancária) estratégias para o ensino de Matemática e por fim a hipótese que do plano inicial fazia acontecer a escrita de si, porém isto implicava outras atitudes como: o compartilhamento, diálogo e reflexão das narrativas, o que não foi receptivo para outros e novos ateliês, haja vista que não houve em parte, o consentimento de realização da socialização e síntese pelos participantes.

Diante de tais situações extraídas da observação no desempenho dos professores de Matemática consegui desdobrar o trabalho em forma de roda de conversa como outra perspectiva metodológica para a efetivação e concretização dos objetivos da pesquisa proposta. Neste sentido, a seguir assento nova porta que dá acesso ao alpendre46 das narrativas: professores falam de si e contam suas histórias. Neste ambiente me encontro com os professores de Matemática do município de Nova Cruz, os quais se prontificaram em participar deste momento pela

46Alpendre pode ter várias definições e significados. No Dicionário da Língua Portuguesa - s. m.

cobertura saliente de uma só água, sustentada por um lado e encostada pelo outro à parede mais alta; telheiro; varanda, terraço, área de serviço. Uma faixa pavimentada sobre a qual avança o beiral do telhado para proteção do sol e da chuva. No prefácio do livro Alfabetos da alma (2006), Maria da Conceição de Almeida se utiliza da metáfora Um alpendre lilás para a educação, onde traz para a reflexão a dimensão espaço-tempo das concepções e práticas da educação que precisam ser iluminadas com um facho de luz nos porões escuros do ensino (FARIAS, 2006, p. 11).

possibilidade de tentarem superar a resistência em contar suas histórias de vida e formação nos encontros anteriores e ao mesmo tempo se disponibilizarem a viverem novas experiências que venham convergir no melhoramento da sua (auto) formação e aos desafios enfrentados na sala de aula.

Para isso foi elaborado um roteiro de entrevista semi-estruturada a fim de dar sequência aos blocos temáticos que não tinham sido realizados e nem concluídos no decorrer dos encontros realizados e nem pelos os que não foram desenvolvidos, o que este fato concorreu para a configuração das hipóteses supracitadas.

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4 ABRINDO A TERCEIRA PORTA: O ALPENDRE DAS RODAS DE CONVERSAS

4.1 NO ALPENDRE DAS NARRATIVAS: PROFESSORES FALAM DE SI E