Magalhães e Ruão (2018) mencionam autores que entendem que a comunicação de ciência é tão antiga quanto a própria ciência, uma vez que a comunicação, a disseminação, ou a divulgação da ciência são fenómenos que têm vindo a ser desenvolvidos desde o século XVII (p. 199).
À luz da perspetiva de Burns et al. (2003), a comunicação de ciência pode ser definida como “o uso de capacidades, meios, atividades e diálogos apropriados” (p. 191) capazes de produzir uma ou mais das cinco respostas individuais da ciência. Estes são vistos como sendo as ferramentas e “facilitadores do processo da comunicação de ciência” (p. 194). As “várias capacidades pessoais são a base intangível da comunicação de ciência” (Burns et al., 2003, p. 194). Além disso, há um número crescente de cursos de comunicação de ciência que “ensinam capacidades mais abrangentes que permitem aos profissionais de ciência comunicarem de forma mais eficaz entre si e com o público em geral” (p. 194). Considera-se que “uma ampla variedade de meios e atividades é necessária para atender a uma grande diversidade de personalidades, estilos de aprendizagem, contextos sociais e educacionais que as pessoas trazem para a sua experiência com a ciência” (Burns et al., 2003, p. 195). Sobre o diálogo, Burns et al. (2003) referem que “todos os profissionais de ciência são desafiados a serem comunicadores de ciência e a dialogarem com os seus pares, com o público e com os mediadores” (p. 195). Contudo, e para que esse diálogo aconteça, é importante perceber que em qualquer comunicação eficaz há uma necessidade de feedback, até mesmo nos meios que tradicionalmente se baseavam numa comunicação linear (Burns et al., 2003, p. 195). É preciso ainda
ter em conta que com uma mudança de contexto pode haver uma alteração de significado e que é necessário um diálogo claro, consistente, apropriado e interativo (p. 195).
A comunicação de ciência desempenha um papel fundamental na sociedade moderna. Muitos dos seus resultados são de longo prazo e, portanto, tornam-se difíceis de reconhecer e avaliar. Sobre isto, Ruão et al. (2012) explicam que os resultados e respostas da comunicação de ciência “podem não ser fáceis de estudar cientificamente, uma vez que eles ocorrem inevitavelmente no ‘mundo real’ e não nas condições controladas de um laboratório” (p. 177). Para responder a estas limitações da comunicação de ciência surgiu a definição ‘AEIOU’, na qual a consciencialização, prazer, interesse, opinião e compreensão são importantes respostas pessoais à comunicação de ciência (p. 198).
A comunicação de ciência procura aumentar a consciencialização e a compreensão pública de ciência, a literacia e a cultura científica através da construção de respostas ‘AEIOU’ nos seus participantes (Burns et al., 2003, p. 198). Além disso, capacita o público a atingir “‘um interesse pela ciência, uma confiança para falar sobre isso e uma disposição para se envolver com a ciência onde e quando ela cruzar os seus caminhos’” (p. 198). A comunicação de ciência fornece capacidades, meios, atividades e diálogo para capacitar o público em geral, mas também mediadores e profissionais de ciência, para interagirem uns com os outros de forma mais eficaz (Burns et al., 2003, p. 198).
Burns et al. (2003) incluem no seu raciocínio a ideia de que “a comunicação de ciência é normalmente vista como a atividade dos profissionais de comunicação” (p. 190), como os jornalistas ou até mesmo os próprios cientistas, ou como “a promoção da compreensão pública de ciência” (p. 190). Do mesmo modo, Ruão et al. (2012) veem a comunicação de ciência como “o conjunto de atividades de comunicação desenvolvidas pelos jornalistas, relações públicas ou pelos próprios cientistas para promover informação e interação com a ciência” (p. 172).
Magalhães e Ruão (2018) afirmam que “nos últimos anos, tem-se afirmado uma visão mais ampla do que pode e deve ser a comunicação de ciência” (p. 198). De uma forma geral, Granado e Malheiros (2015) entendem a comunicação de ciência como “todas as atividades que visam comunicar o saber científico, os resultados da investigação científica ou informação sobre o contexto em que esta é feita, em todas as áreas, independentemente dos públicos considerados” (p. 16). Sobre esta visão, Magalhães e Ruão (2018) dizem que para Granado e Malheiros (2015) “tudo é comunicação da ciência” e por isso, “não fazem diferenciação quanto ao contexto em que se produz esta comunicação, às ferramentas utilizadas para veicular a informação, ou aos objetivos que se pretendem alcançar” (Magalhães & Ruão, 2018, p. 199).
Burns et al. (2003) mencionam a ideia de Bryant que definiu a comunicação de ciência como “os processos pelos quais a cultura e o conhecimento da ciência são absorvidos pela cultura da comunidade em geral” (p. 191). Esta interpretação identifica os aspetos culturais intangíveis da comunicação de ciência e apresenta-a como um processo contínuo. Contudo, a comunicação de ciência “não é apenas um processo” (Burns et al., 2003, p. 191), uma vez que para que seja eficaz “deve ter sempre objetivos predeterminados e apropriados” (p. 191).
Ruão et al. (2012) defendem que “a comunicação da ciência deve ser um diálogo para produzir respostas dos cidadãos à ciência” (p. 177). A comunicação de ciência não se baseia apenas em “encorajar os cientistas a falar mais sobre o seu trabalho” (p. 177), mas é necessário haver um diálogo entre os cidadãos e a ciência. No entanto, apesar das inúmeras definições críticas ao modelo linear, “a comunicação de ciência é implicitamente definida como um processo de transferência do cientista para o público (via media)” (Burns et al., 2003, p. 192). Por esta razão, este revela ser “um impedimento significativo à eficácia da comunicação de ciência dentro do modelo contextual da ciência e da sociedade” (Burns et al., 2003, p. 192).
A definição de comunicação proposta por Burns et al. (2003) realça a importância da “construção de significado” (p. 196). O que se pretende mostrar é que o significado individual dos factos da ciência é “influenciado pelas condições sociais, culturais e políticas em que foram produzidos e promovidos” (p.196). Por isso, sem o significado social, os factos da ciência não têm sentido e utilidade para a sociedade, tornando-se fundamental envolver ativamente todos os participantes na comunicação de ciência. Esta, por sua vez, é “o processo que permite a negociação de significados com diferentes públicos, através da criação da compreensão e da consciencialização do trabalho científico” (Ruão et al., 2012, p. 171).
Em jeito de resumo, Granado e Malheiros (2015) definem sumariamente a comunicação de ciência como a área que “cobre todas as atividades onde a ciência se cruza com a comunicação” (p. 16), sendo esta uma definição bastante vaga e genérica do termo. É ainda importante realçar a história relativamente curta da comunicação de ciência, enquanto área de estudo, apesar de constituir um campo de grande importância de prática e pesquisa (Burns et al., 2003, p. 191).