A proposta aqui é a de utilização de jogos e atividades lúdicas da forma mais ampla possível. Tudo isso deve estar ao serviço do aluno/jogador, abrindo-lhe oportunidades, além de sua visão de modelos e protótipos. Seu acesso ao conhecimento se dará por desafios, reflexões, interações e ações.
O que nos interessa de imediato é o manuseio, ou seja, o acesso e o contato livre com o material proposto, visando o domínio do conhecimento. Assim, acredita-se que o ato de jogar ou brincar com tal material se transforma em um meio de exercitar um certo conhecimento, como ocorre em um jogo convencional, quando
2 Ludoteca/experimentoteca significam duas formas especializadas de acervos do tipo biblioteca. A
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as dificuldades impostas pelas regras são superadas e o mecanismo do mesmo, aprendido.
Brincando, o aluno/jogador se apropriará ludicamente do conhecimento veiculado pelo jogo ou pela atividade, ou ainda pelo brinquedo. Essa apropriação lúdica ocorrerá se a representação simbólica deste, adquirir características lúdicas para os jogadores. Essas características podem ser sugeridas pela apresentação do material em suas regras implícitas, mas devem principalmente ser encaradas de uma maneira que os jogadores possam interagir com todas as especificidades dos materiais em suas regras explícitas.
Em um outro aspecto, salienta-se que brincar é um processo de interação, que se estabelece entre brinquedo/material/jogo e jogador, ou seja, quem determina que um certo material é um brinquedo, é o sujeito da ação e não o material. A interação entre sujeito/objeto, ou melhor, jogador/idéia é que irá determinar as possibilidades e as potencialidades lúdicas e didáticas do material.
Baseado nestas discussões, apresenta-se a partir deste momento, os jogos e atividades lúdicas construídos, testados, discutidos e avaliados nesta tese. A metodologia própria de cada jogo, bem como as regras para jogá-lo, serão apresentadas em capítulos específicos para cada um deles. Aqui, procura-se classificar cada jogo em um dos níveis de interação propostos, facilitando sua identificação, bem como se descreve a forma de avaliação da eficácia do uso de jogos e atividades lúdicas para se ensinar conceitos químicos.
3.3.1 Forma de Apresentação dos Jogos
Cada jogo, em seu respectivo capítulo, terá uma introdução do conceito a ser explorado pelo mesmo. Serão considerações didáticas sobre ele, além de comentários que exploram a dificuldade/facilidade de apresentá-los aos alunos, bem como sua forma de exploração pelos livros didáticos.
Além dessa introdução, serão apresentados os objetivos do jogo para com o conceito e para com os alunos envolvidos, além, é claro, do problema a ser
que tenham conotação lúdica, enquanto a experimentoteca pode ser entendida como uma biblioteca de instrumentos didático-pedagógicos.
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resolvido. A seguir, as regras implícitas e explícitas serão apresentadas e discutidas, juntamente com o material utilizado em cada uma das atividades e o procedimento utilizado na aplicação. Em alguns casos, as regras explícitas são o próprio procedimento.
Os resultados e discussão no que se refere a aplicação do jogo seguem-se ao procedimento até que, finalmente, se apresentem algumas conclusões. Eventuais falhas na aplicação dos jogos, bem como falhas diretamente ligadas ao modelo, serão discutidas no mesmo tópico, além de propostas relacionadas a variações na forma de jogar ou se discutir a transposição conceitual do jogo para o conceito pretendido.
3.3.2 Os Jogos Utilizados, Conceitos Explorados e Níveis de Interação
a) O jogo do Equilíbrio Químico: Este é um jogo classificado no primeiro nível de interação, onde há a manipulação de materiais que funcionem como simuladores. Não há competição, porém há regras estabelecidas de utilização. Como há o uso de bolas de isopor, este jogo será detalhadamente explorado no capítulo reservado para jogos que utilizam bolas de isopor. Como sugere o título do jogo, o conceito pretendido é o de Equilíbrio Químico. Neste caso, há aspectos relacionados ao terceiro nível de interação, considerando-se que os alunos são os construtores dos brinquedos que serão utilizados.
b) O jogo da Lei de Lavoisier: Também classificado como jogo do primeiro nível de interação, sendo explorado no mesmo capítulo do jogo do Equilíbrio Químico, o que sugere a utilização de bolas de isopor. Neste jogo, explora- se a “Lei da Conservação das Massas, proposta por Lavoisier.
c) Jogo do Reagente Limitante: Outro jogo do primeiro nível de interação e que usa bolas de isopor. Consta no mesmo capítulo dos jogos dos itens
a e b. Neste caso há a demonstração de aspectos relacionados ao reagente que
limita uma reação química e como tal fato acontece.
d) Jogo da Ligação Metálica: Pertencente ao primeiro nível de interação. É o último jogo a ser apresentado no capítulo de bolas de isopor e discute
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criticamente o modelo que atualmente explica o que ocorre em uma ligação metálica em nível médio de ensino.
e) Ludo Termoquímico: Este jogo está classificado no segundo nível de interação, no qual há uma competição propriamente dita. Este jogo explora vários conceitos relacionados à perda e ganho de energia, energia de formação e equação química. A principal característica deste jogo é a utilização de tabuleiros e cartas o que o levou a ser discutido em um capítulo à parte. Como se trata de um jogo de tabuleiros, há várias possibilidades de jogá-lo o que implica em uma série diferenciada de regras explícitas, que podem ser criadas pelos próprios alunos, o que nos remete novamente ao terceiro nível de interação.
f) Histórias em Quadrinhos: Em um outro capítulo serão apresentados os personagens e as histórias envolvidas em cada nível de ensino proposto: fundamental e médio.
Cabe salientar que cada um dos jogos apresentados em seus respectivos níveis de interação, teve suas regras explícitas e implícitas testadas antes da aplicação dos jogos, dirimindo dúvidas e eventuais dificuldades que poderiam surgir em relação à interpretação das regras, quando da aplicação em sala de aula. Notou-se que este fato foi de fundamental importância no decorrer do trabalho e no andamento das atividades, no que se refere às aplicações realizadas nos três níveis de ensino. A explicação das regras implícitas em cada jogo ajuda sobremaneira no esclarecimento das próprias regras explícitas em se tratando do próprio uso do modelo como um jogo, um brinquedo ou um acessório ao jogo.
3.3.3 Ambientes de Aplicação dos Jogos
Os jogos dos três primeiros níveis de interação foram aplicados em escolas de nível médio da cidade de São Carlos, SP, por alguns professores que participavam do Programa Pró-Ciências no DQ, UFSCAr. Em Guaxupé, MG, os jogos foram aplicados em uma escola pública no período noturno e em uma escola particular no período vespertino.
O quarto nível de interação, bem como os três primeiros, foram explorados em escolas públicas e particulares do período matutino das cidades de
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Goiânia e Trindade, ambas no estado de Goiás. As histórias em quadrinhos, pertencentes ao quarto nível de interação foram aplicadas também em nível fundamental nas mesmas cidades, em escolas particulares no período matutino.
Os jogos dos três primeiros níveis de interação também foram aplicados em nível superior, na disciplina Química I no primeiro ano de Licenciatura em Ciências da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guaxupé (FAFIG), e também na disciplina Química Geral para Engenharia de Alimentos no primeiro ano de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás (UFG). No primeiro caso, o período foi o noturno, no segundo caso, matutino.