1 Innledning
1.3 Tidligere arbeider
A investigação científica é constituída de reflexões, escolhas e decisões o que “não significa arbitrariedade, nem simples coleta, mas sim construção científica do documento cuja análise deve possibilitar a reconstituição ou a explicação do passado” 44.
Desde as evidências, construí a periodização, tomando como referência a data mais recuada e encontrada da prática de ginástica na instituição escolar de Fortaleza. Desta forma, inicio com a ginástica no Ateneu Cearense, em 186545, registro
encontrado na obra de Rodolfo Teófilo (1931).
Ademais, o recuo à época decorre, em primeiro lugar, da busca das matrizes filosóficas do projeto pedagógico da Educação Física. O fenômeno, todavia, não atua isoladamente, pois há sempre acordos, convergência/ conveniências de interesses com outras instituições. Deste modo, são idéias que ultrapassam a barreira de um tempo
43 Ver PILATTI (2006).
44 LE GOFF 1995, p. 32. 45 TEÓFILO (1931 e 1979).
fragmentado e que tornam o recorte pouco frutífero para compreensão dos acontecimentos.
Expandi a periodização, não de maneira desnecessária, mas tentando alcançar a extensão dos laços do objeto investigado, além de chegar a uma Educação Física já consolidada na escola cearense, apesar do que assinala a historiografia nacional.
Sobre o corte histórico na delimitação da pesquisa, não pode simplesmente expressar a precisão matemática. Na dificuldade de seguir uma evolução linear do tempo, optei por uma seqüência simultânea da história, quando possível, em razão da coexistência de idéias diferentes, tempo e espaço muitas vezes unidos pelo processo investigativo.
Dentre as possibilidades de abrangência espacial, entendo que só conhecendo a história da Educação Física em Fortaleza, a qual não está restrita à institucionalização, é que possibilita a compreensão da inserção desta disciplina na escola. Sobre a escolha pelo estudo regional equivale àquilo que Viavaschi se refere:
(...) acreditamos que nossos estudos realizados ao nível da história regional possam apresentar episódios e ações, nomeadamente ocultados pelas generalizações das análises macro, não se tratando de privilegiar o particular em relação ao total, mas recuperar o que, à primeira vista, apresenta-se como imperceptível na totalidade de um fenômeno mais universal. Sempre contando que esta apreciação de uma perspectiva particular não poderá estar isolada de uma conjuntura mais ampla, onde as relações são formadas dialeticamente (...) (2003, p. 142).
Essa investigação está fundamentada na pesquisa documental, entendendo-a como a “expressão de toda a manifestação humana” 46, seja pela música, literatura,
pintura, arquitetura, fotografia e documentos escritos; lembrando que, “qualquer que seja a escolha do historiador por uma determinada linguagem, ela deve ser pensada e apresentada não como o real, mas como uma representação do real” 47.
Para “apreender e incorporar essa experiência vivida”48, dialoguei com a
literatura nacional e regional, que tem o privilégio mais agudo de observar os
46 VIEIRA, PEIXOTO, KHOURY, 1991, p.75. 47 Ib. Idem.
pensamentos, hábitos, costumes, crenças, moda, enfim, ricos registros do Brasil da época; daí dialogar com a história.
Além do mais, é na literatura que se encontra a riqueza do dia-a-dia de uma época, muitas vezes, desmistificando uma lei, um decreto ou um parecer oficial que não sai do “papel”, tendo pouca ou quase nenhuma aplicabilidade no quotidiano de uma cidade; no entanto, cabe o seguinte alerta: “é preciso estar atento às metáforas, imagens etc., pois os recursos da linguagem são recursos históricos”49.
Ressalto a existência de obras que não se encaixam nesta seleção, mas não podem ser desconsideradas, como, por exemplo, o estudo sociológico de Freyre (2000). Trabalho também com os jornais locais e da época, como, por exemplo, A República (1898, 1925), O Cearense (1871), O Povo (1932,2006) e o Unitário (1935), pois a leitura desse material fornece rastros da vida cotidiana, costumes, práticas sociais e discursos portadores das constantes batalhas partidárias que projetaram, protestaram e idealizaram projetos educacionais e corporais.
Para Cavalcante50, ”o jornal possibilitava uma espécie de retorno ao passado,
que poderia ser caracterizado pela nítida sensação de estar a vivê-lo”, todavia, o trato com esse material necessita de alguns cuidados51, entre os quais as “distorções” na
investigação.
Além disso, é importante pensar essa linguagem, sem esquecer as demais, insertas no âmbito social e como experiência de grupos sociais, portanto, mensageira de um projeto político. Lembro ainda que não se trata de “estabelecer o estatuto de verdade desses discursos buscávamos desvendar o lugar social de onde cada jornal falava” 52.
Os livros de memória também foram fontes importantes, pois acolhi escritores que narraram Fortaleza nos seus escritos, como, por exemplo, Mozart Soriano Aderaldo (1988), Antonio Bezerra de Meneses (1982), Raimundo de Menezes (2000), Eduardo Campos (1985,1996), Raimundo Girão (1956, 1979, 1984), Gustavo Barroso (2000), Barão de Studart (Revista do Instituto do Ceará, 1938 e Amaral, 2002) Hugo Vitor (1945), Edigar de Alencar (1980) e João Brígido (2001).
Os periódicos consultados foram: Revistas do Instituto do Ceará (1897-1898, 1899, 1912, 1927, 1938, 1945, 1950, 1955, 1959,1965), Revista da 49 Ib. Idem, p. 22.
50 CAVALCANTE. [S.D.], p.1.
51. Ob. Cit.[S\D].
Academia de Letras (1909-1910), Álbum de Fortaleza (1931), Ceará Ilustrado (1925), e o Almanach do Ceará (1922), Ba-ta-clan (1926).
Também examinei impressos criados por alunos e professores e que, em muitos casos, circulavam fora do âmbito escolar. Destaco a obra da Professora Anna Facó, “Minha Palmatória” – que pode ser considerada um manual dirigido às professoras, além da Revista do Colégio Castelo Branco, Terra da Luz (1936-1940); a Revista do Grêmio Literato do Colégio Cearense do Sagrado Coração, Verdes Mares (1923-1939) e a Revista Escolar do Instituto de Humanidades (1911).
Recorri, ainda, ao registro fotográfico (IMOPEC, 2002) pelos seguintes motivos: primeiro, para compor uma memória iconográfica e, segundo, por acreditar que se trata de uma riqueza imensurável de representações simbólicas; e, terceiro, para compor o cenário da época.
Para Vasquez, as fotografias são: ”espaços que se revestem de um sentindo simbólico imenso para os indivíduos e grupos” 53, no entanto, vale o seguinte alerta:
A imagem por si não recupera a realidade. O que ela faz é trazer para sua mente associações de imagens. Em realidade o enquadramento da foto e do filme corresponde ao recorte oferecido pelo documento. Daí ser importante analisar, examinar os planos das fotos (ou dos filmes) e entender o porquê de tal enquadramento e não do outro. Da mesma forma, ter em mente que há sempre um campo conceitual mediando a relação espectador – fotógrafo, por exemplo, (VIEIRA, PEIXOTO, KHOURY, 1991, p.23).
Entre os documentos oficiais consultados estão: Collecção das Leis do Império do Brasil. (Tomo XVIII); Estudos Sobre o Ceará (Campanha de Inquéritos e Levantamento do Ensino Médio e Elementar, 1955); Relatório apresentado ao Exmo.sr. Presidente do Estado do Ceará pelo Dr. Pedro Augusto Borges pelo Secretário dos Negócios do Interior Miguel Ferreira de Mello (1903); Relatório apresentado ao Exmo.sr.dr. Antonio Pinto Nogueira Accioly pelo Secretário de Estado dos Negócios do Interior José Pompeu Pinto Accioly (1907); Relatório apresentado ao Exmo.sr.dr. Antonio Pinto Nogueira Accioly Presidente do Estado do Ceará pela Secretaria de Estado dos Negócios do Interior José Pompeu Pinto Accioly (1908), Juízo da 3ª Vara Criminal de Fortaleza. O Habbeas Corpus das Banhistas: A Prostituta Estudada à Luz do Direito por Virgilio Augusto de Moraes Filho. Do Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros (1925); Documento da Diretoria Geral da Instituição do Ceará – 53 VASQUEZ, 2002, p. 32.
Lygia de França Amora – 2ª oficial para o Senhor Diretor da Escola Normal Pedro II IN Estado do Ceará, Diretoria Geral de Instrução Pública, Fortaleza, N. 595(1933); Documento do Exmo. Senhor Secretário do Interior e de Justiça (1933); Decreto N. 3.347, de 26 de Novembro de 1864; Decreto n. 11. 479, de 10 de fevereiro de 1915. As ementas do curso de Educação Física da Universidade de Fortaleza-UNIFOR (1990), Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA (Sobral, 2002); Faculdade Integrada do Ceará – FIC (2002); Faculdade de Educação-FACED/UFC (1994).
Por fim, consultei a internet como importante comunicação em rede, que não se limita apenas às fontes secundárias, mas também disponibiliza fontes primárias em sites institucionais, governamentais ou não, tais como: Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 24 de fevereiro de 1891 – D.O.U. de 24 de fevereiro de 1991(www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/22/1891.htm); Biblioteca Nacional (http:// www.bn.com.br), Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel Center for Research libraries (www.crl.edu/content/almanak2.htm), entre outros.
A intenção dessa escolha está na possibilidade de explorar as potencialidades das informações nelas contidas ou subentendidas, bem como compensar as dificuldades encontradas, seja pela má conservação ou até mesmo pela ausência de documentos que impediam a elaboração, análise e produção do conhecimento histórico.