5.3 Forutsetningene for bruk av VAS: kommunikasjon, tillit og tid
5.3.4 Tid
As primeiras camadas dos solos apresentam maiores proporções de carbono orgânico, de forma geral, principalmente pela entrada de carbono da biomassa vegetal. Nestas camadas ocorre maior atividade biológica, com predominância de respiração aeróbia, pela proximidade com a atmosfera. O carbono orgânico consumido por esta atividade biológica é considerado mineralizável devido à sua pronta disponibilidade, sendo o compartimento que mais se aproxima do “carbono lábil”.
Na Figura 8 observam-se as curvas que representam a evolução de CO2, que por sua vez representa a atividade biológica, em amostras do
horizonte O dos solos amostrados no transecto 2, perfis 1, 3, 4, 5 e 14. As curvas apresentam comportamento bastante semelhante, com cinco fases bem distintas. Numa primeira fase, aparentemente de adaptação a um novo microambiente, a atividade evolui lentamente, produzindo pouco CO2,
até aproximadamente 96 horas. De 96 até 144 horas, aproximadamente, ocorre forte incremento da atividade microbiana, que a partir daí volta a evoluir lentamente até um novo incremento, que ocorre 312 horas depois e vai até 360 horas. Novamente a atividade tende a aumentar lentamente ou mesmo estabilizar-se. Assim, observam-se três fases de estabelecimento e duas de crescimento acentuado.
Quadro 6 - Carbono orgânico e suas frações em solos do Parque Estadual do Ibitipoca, município de Lima Duarte, MG
Identidade COO COT PPI FW B AF AH Hu Total AH/HF AF + AH/Hu
____________________________________________________________ % ____________________________________________________________ P1 – CAMBISSOLO HÚMICO Distrófico latossólico
O 26,1 46,9 52,2 1,8 11,4 19,8 52,1 83 1,7 0,6 A1 7,4 11,8 15,7 1,6 18,3 27,6 44,9 91 1,5 1,0 Bi 1,1 1,8 7,1 1,6 40,7 41,5 21,4 104 1,0 3,8
P2 – CAMBISSOLO HÚMICO Distrófico léptico
A1 2,0 2,4 6,7 1,2 35,3 27,3 39,9 103 0,8 1,6 Bi 0,9 1,2 5,0 1,3 43,1 31,0 17,2 91 0,7 4,3 BC 0,3 0,5 5,0 1,8 58,6 33,1 40,3 132 0,6 2,3
P3 – NEOSSOLO LITÓLICO distrófico
A1 1,7 1,9 2,3 1,1 31,6 44,7 15,7 92 1,4 4,9
P4 – NEOSSOLO LITÓLICO distrófico
O 2,6 3,8 4,2 1,5 21,1 32,5 36,1 90 1,5 1,5 A1 2,1 1,7 1,9 0,8 19,2 63,2 26,3 109 3,3 3,1
A2 1,3 1,2 1,6 0,9 41 53,0 2,6 97 1,3 36,2
P5 – CAMBISSOLO HÚMICO Distrófico típico
A1 6,3 6,8 11,9 1,1 25,5 42,8 38,3 107 1,7 1,8 Bi 0,7 0,8 5,1 1,2 53,9 53,8 12,1 108 1,0 8,9
P6 – CAMBISSOLO HÁPLICO Tb Distrófico léptico
A1 1,7 2 3,5 1,2 34,6 52,3 16,8 104 1,5 5,2
E 1,1 1,4 1,6 1,3 21,1 98,0 4,4 124 4,6 27,1
Bi 0,6 0,8 1,8 1,2 42,6 60,2 3,1 103 1,4 33,2
P7 – CAMBISSOLO HÁPLICO Tb Distrófico típico
A1 1,8 2,2 2,9 1,2 32,8 31,9 19,9 85 1,0 3,3 E 1,0 1,5 2,3 1,5 21,9 43,9 19,5 85 2,0 3,4 Bi 0,3 0,6 1,3 2,0 12,6 76,4 15,1 107 6,1 5,9
P8 – NEOSSOLO LITÓLICO Distrófico
A1 1,7 1,9 4,1 1,1 35,4 95,3 23,4 154 2,7 5,6
P12 – NEOSSOLO LITÓLICO Húmico típico
A1 3,2 2,8 3,1 0,9 23,5 36,8 26,2 87 1,6 2,3
P10 – ORGANOSSOLO HÁPLICO
A1 3,1 3,7 4,5 1,2 18,3 42,5 41,3 102 2,3 1,5 E 3,0 3,1 4,0 1,0 9,5 58,0 32,2 100 6,1 2,1
P11 – ESPODOSSOLO FERROCÁRBICO Órtico
O 6,8 7 1,0 17,8 28,9 61,4 108 1,6 0,8 A1 3,3 3,2 4,1 1,0 16,1 25,0 31,1 72 1,6 1,3 E 3,2 3 3,6 0,9 13,3 28,3 31,7 73 2,1 1,3 Bh 3,2 2,4 3,1 0,7 14,1 40,1 21,5 76 2,8 2,5 Bhs 0,5 0,9 1,6 1,8 - - - - - - Bs1 1,1 1,1 1,8 1,0 - - - - - -
COO = carbono orgânico oxidável; COT = carbono orgânico total; PPI = perda por ignição; FW B = fator de recuperação; AF = ácidos fúlvicos; AH = ácidos húmicos; Hu = humina.
y = 0,3601x + 0,3527 R2 = 0,9308 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 0 10 20 30 40 50 COT (%) N (%)
Figura 6 - Regressão linear entre carbono orgânico total (COT) e nitrogênio (N), em amostras de solos selecionadas no Parque Estadual do Ibitipoca, município de Lima Duarte, MG.
y = 17,365x - 42,396 R2 = 0,7393** y = 2,4112x - 7,3151 R2 = 0,568** 0 20 40 60 80 100 120 140 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 COM (g/kg) P e K (mg/ d m3) P K
Figura 7 - Regressão linear entre carbono orgânico mineralizável (COM) e concentrações de fósforo (P) e potássio (K) em amostras de solos selecionados no Parque Estadual do Ibitipoca, município de Lima Duarte, MG.
A atividade biológica no horizonte O dos solos sob mata (P1-O, Figura 8) se destaca das demais quantitativamente. Este resultado é esperado, uma vez que a vegetação de maior porte e produtividade neste ambiente é conseqüência da melhoria das condições para o crescimento da vegetação. A fração argila neste solo é maior que nos demais, o que contribui para a sua estruturação, ainda que incipiente, e, por conseguinte, para a atividade biológica.
O horizonte Bh do perfil 11 (Figura 8) mostrou baixa atividade biológica, talvez pela baixa atividade de microrganismos anaeróbios nativos. Os horizontes O dos perfis 3 e 4 apresentaram comportamento quantitativo bastante semelhante, o que era esperado, pela igualdade entre os ambientes e por se tratar de dois Neossolos Litólicos Húmicos distróficos.
A exemplo do que foi discutido para a Figura 8, os comportamentos da evolução de CO2 dos solos do transecto 1, representados na Figura 9
(perfis 6 O, A1 e 2A; 7 O, A1 e 2A; 8 O; e 16 O), foram ainda mais semelhantes entre si. As diferenças se mostram na última fase, em que as amostras retiradas em maiores profundidades (A1, 2A) tenderam a liberar menos CO2 do que as amostras mais superficiais, provavelmente em razão
da menor população de microrganismos em amostras mais profundas e menor disponibilidade de carbono.
De forma geral, observa-se correlação entre o carbono orgânico mineralizável (COM) e a fertilidade do solo. Fósforo e potássio se correlacionaram com o COM e apresentaram regressão linear significativa (R2 = 0,7393 e 0,568, respectivamente, Figura 7). Esses resultados estão de acordo com CERRI et al. (1992), que mostram a relação direta entre o nível de atividade da biomassa microbiana e a fertilidade do solo.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264 288 312 336 360 384 408 432 456 480 504 528 552 576 600 624 648 672 696 720 744 768 P1-O P3- O P4-O P5- O P14- O P14- Bh Horas CO2 (g/kg)
Figura 8 - Evolução de CO2 em amostras do solo do transecto 2, Pico do Pião, no Parque Estadual do Ibitipoca,
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264 288 312 336 360 384 408 432 456 480 504 528 552 576 600 624 648 672 696 720 744 768
P6-O P6-A1 P6-2A P7-O
P7-A1 P7-2A P8-O P16-O
Horas
CO2 (g/kg)
Figura 9 - Evolução de CO2 em amostras do solo do transecto 1, Pico do Ibitipoca, no Parque Estadual do
3.6. Caracterização mineralógica da fração argila
Em todos os solos observou-se presença de caulinita, que foi predominante no perfil 1, Cambissolo Húmico Distrófico latossólico, desenvolvido de xisto; no perfil 2, Cambissolo Húmico Distrófico léptico; e no horizonte Bs1 do perfil 11, Espodossolo Ferrocárbico Órtico. Nos demais solos, houve considerável proporção de minerais 2:1 do grupo das ilitas/micas e vermiculitas com hidróxi-entrecamadas (VHE), denotando a resistência desses minerais à alteração em condições de acentuado intemperismo e a forte presença de micas (sericitas) nos quartzitos do Ibitipoca.
Cabe destacar, ainda, a coexistência de gibbsita, quartzo e ilita no perfil 5; Cambissolo Húmico, no perfil 6; e Cambissolo Háplico, no horizonte Bs1 do perfil 11, ilustrando ao mesmo tempo o elevado grau de intemperismo e a presença de quartzo mais coloidal nos solos de natureza arenosa e quartzosa, onde tal fato é comum (BENITES, 1998). De todos os solos, o perfil 1 foi o que mostrou a melhor definição de pico de gibbsita, por se tratar de solo desenvolvido de material pelítico aluminoso, com baixo teor de sílica (xisto biotítico).
A gibbsita (traços) presente em Bs do Espodossolo e ausente no Bh acima indica neogênese in situ através da precipitação de complexos MO- Al, em virtude da flutuação do nível freático.