Fonte: Elaboração própria
8.
C
OMPARAÇÃO ENTRE OS RESULTADOS DOS NÚCLEOS TESTADOSOs capítulos anteriores testaram os núcleos de inflação tradicionais (MACS, NEX e NDP) e suas combinações, além dos núcleos estimados via persistência e frequência de reajuste de preços. Todas essas metodologias passaram por teste de viés e foram avaliadas quanto à capacidade de determinar a tendência da inflação e de prevê-la.
Entre os núcleos tradicionais, o teste utilizado para verificar a ausência de viés reprovou apenas o núcleo estimado via dupla ponderação, conforme apresenta a tabela 3. O exercício de combinação das três medidas tradicionais, resumido na tabela 7, mostra, entretanto, que a combinação viesou o resultado de duas das três metodologias de combinação apresentadas. Já entre os núcleos estimados via frequência e persistência, apenas quatro dos 14 avaliados mostraram-se não viesados, conforme tabela 12.
Avaliando a performance desses indicadores quanto à capacidade de revelar a tendência da inflação, verificou-se que entre as medidas tradicionais, o destaque cabe ao núcleo calculado por médias aparadas com suavização. As médias das metodologias mais tradicionais foram melhores, especialmente, as calculadas pelo Erro quadrático Médio (EQM) e pela Média Aritmética (MA), conforme resume a tabela 8. Entre os núcleos calculados via persistência e frequência, nenhum superou as medidas tradicionais, mas comparando-as às medidas agregadas, pode-se dizer que apenas
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 ja n /0 7 ab r/ 0 7 ju l/ 0 7 o u t/ 07 ja n /0 8 ab r/ 0 8 ju l/ 0 8 o u t/ 08 ja n /0 9 ab r/ 0 9 ju l/ 0 9 o u t/ 09 ja n /1 0 ab r/ 1 0 ju l/ 1 0 o u t/ 10 ipca kpss_nt4
59 dois dos 14 critérios avaliados apresentaram desvio da tendência da inflação próximo do registrado pelas médias dos núcleos tradicionais, conforme apresenta a tabela 15.
Na atividade de previsão, o menor EQM foi verificado para o núcleo calculado via persistência pelo método DFGLS4. Entre as medidas tradicionais, o melhor resultado ficou com o núcleo calculado por médias aparadas. Considerando os núcleos agregados, a metodologia que estima a média aritmética dos núcleos tradicionais, revelou o menor erro, conforme ilustram as tabelas 8,11 e 20.
9.
C
ONCLUSÃOO principal objetivo dessa dissertação foi o de estabelecer uma base consistente para julgar o desempenho das principais medidas de núcleo de inflação. O ponto de partida foi reavaliar a linha de corte de 20% utilizada pelo núcleo estimado por médias aparadas com suavização, mas uma vez comprovada à precisão estabelecida por esta linha de corte, todas as medidas mais tradicionais estimadas pelo BC foram avaliadas à luz de testes estatísticos e econométricos sugeridos pela literatura.
Nesta dissertação também foram apresentados pontos inéditos ou pouco explorados na literatura sobre núcleos de inflação. O primeiro foi a combinação de núcleos, pois ainda que os critérios adotados para combiná-los mereçam críticas, surge aqui uma nova metodologia que amadurecerá para futuras discussões. Além disso, foram apresentados novos núcleos baseados na
persistência13 e na freqüência dos reajustes de preços. Esses, por sua vez, não foram comparados com
os estimados pelas metodologias mais tradicionais analisados nos capítulos cinco e seis. Nesta dissertação houve uma separação proposital dessas medidas, para que fosse possível organizar os estudos e avaliar o desempenho das metodologias novas e antigas. No entanto, não há razão para separá-los em estudos e análises futuras, pois o que se pretende é avaliar a capacidade de tais núcleos em orientar a política monetária.
13
Em setembro de 2011, o relatório de inflação do BC apresentou novos núcleos orientados pela persistência do reajuste de preços. Para mais detalhes ver Da Silva Filho e Figueiredo (2011).
60 No início dos testes, havia a expectativa de que uma medida emergiria como dominante entre os testes efetuados com os núcleos, e embora fosse desejável confiar em uma única medida de núcleo para executar uma infinidade de tarefas, as evidências não ofereceram suporte para esta realidade.
Pelos resultados apurados nesta dissertação, a melhor escolha para uma medida de núcleo dependerá do que se espera que ela faça. Se, por exemplo, o objetivo do Banco Central for o de ancorar as expectativas dos agentes econômicos, a estimativa da inflação via núcleo deverá ser amplamente divulgada ao público. Neste contexto, uma alternativa para aumentar a credibilidade deve partir de uma metodologia fácil e verificável pelos agentes econômicos. Por outro lado, se o núcleo for utilizado como uma meta intermediária, o Banco Central poderia escolher um núcleo calculado por métodos mais sofisticados.
Alguns autores como Lafliche (1997), por exemplo, sugerem que o mais correto seria usar um conjunto de indicadores estimados por critérios distintos. Quando esses critérios apontarem para uma mesma direção, a medida de núcleo poderá ser considerada como um instrumento confiável para as decisões de política monetária. No entanto, se ocorrerem conflitos entre os critérios deve-se examinar as razões da divergência para determinar a melhor trajetória para a política monetária. Esta saída parece adequada, mas examinar a divergência entre núcleos estimados por critérios distintos e por modelos complexos não constitui tarefa fácil.
Deste modo, parece adequado aproveitar a capacidade informativa de cada indicador, utilizando esta seara de núcleos para objetivos distintos, que foram chamados inicialmente neste trabalho de propriedades, mas que podem ser titulados de função primordial de cada medida de núcleo de inflação.
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10.
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