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Thiery, J., et al., Perforin pores in the endosomal membrane trigger the release of endocytosed granzyme B into the cytosol of target cells

suppression of autoimmune encephalomyelitis. Science, 1994

76. Thiery, J., et al., Perforin pores in the endosomal membrane trigger the release of endocytosed granzyme B into the cytosol of target cells

Dos 17 melhores operadores de controle de processo contínuo pesquisados, 16 deles (94,11%) possuem uma história de incorporação ao processo produtivo – ou seja – não iniciaram suas atividades no sistema automatizado que hoje utilizam, mas sim na área de produção, experimentando (pelo corpo físico), concretamente, os equipamentos, as matérias-primas, os incidentes, eventos, panes, etc.

A escolha de qual seria o “melhor operador”, em cada empresa, foi feita pelos colegas de trabalho por meio de entrevista estruturada, com base em critérios objetivos de desempenho em controle de processo contínuo, como os que são descritos por Bainbridge (1987). Assim, os 17 melhores (envolvendo 4 empresas diferentes) foram tomados para estudo sistemático com base em critérios rigorosos de eficiência no controle de processo contínuo descritos na literatura.

Após a seleção pelos pares, foi feita uma análise minuciosa, mediante técnicas da AET, que permitiram confirmar a maior eficiência dos operadores tomados para estudo em relação aos demais. Foi feita uma análise histórica da atuação dos operadores no controle de processo contínuo, com base em suas intervenções sobre o processo, estudadas em detalhes, o que permitiu confirmar o que a definição pelos pares havia apontado.

Em suas verbalizações, transbordam termos e expressões que remetem à história de incorporação à área. Essas expressões são indicativas da existência de esquemas sensoriomotores que hoje apóiam a ação de controlar o processo de produção pelo intermédio de um sistema automatizado.

As metáforas conceituais, ou esquemas-imagem (“image-schenata”) não são estruturas arbitrárias, mas sim embasadas na experiência física e cultural dos operadores.

A estrutura de seus conceitos espaciais emerge de sua experiência espacial, ou seja, sua interação com o ambiente físico da produção. Os conceitos da produção que emergem dessa forma são os conceitos vividos ou vivenciados nas mais fundamentais experiências. A seguir, são apresentadas as verbalizações correspondentes a cada “Image-schema” descrito na literatura. Verifica-se que esses padrões, chamados “image-schemata”, emergem através da atividade sensório-motora quando o operador manipulava objetos, orientava seu corpo espacialmente e temporalmente e direcionava sua atenção perceptiva a determinados objetos.

As verbalizações abaixo, conforme os princípios da AET, foram tomadas no contexto real de sua ocorrência, no momento em que a situação se desenrolava. Em algumas situações, foram apuradas com base na reconstituição minuciosa da situação à qual diziam respeito. O objetivo era tão somente verificar a presença de imagens metafóricas que permitem uma ação mais precisa e eficaz sobre o processo produtivo.

Alguns exemplos de esquemas-imagem citados e descritos na literatura: “container; path; force; parth-whole; centre-periphery; link; mass-count; near-far”, conforme já citado e descrito na revisão da literatura. Vejamos como se materializam na linguagem e na ação dos operadores:

1 – “The Link image schema” (Esquema-imagem de ligação)

“A temperatura do forno está ligada na vazão de ar dos ventiladores da grelha” (Operador da cimenteira).

“ A fumaça preta indica que o forno não foi fechado direito. (...) Eu amarro a fumaça no problema do forno. Eu sei que uma coisa vem junto da outra” (Operador da siderúrgica).

“ A grelha é feita de placas e essas placas desgastam assim … umas gastam mais que as outras, e aí tem que trocar” (Operador da cimenteira).

“O dangueiro tem que deixar o pé do eletrodo sempre com carga, como se a carga fosse uma parte do eletrodo” (Operador da siderúrgica).

“Um eletrodo desse é feito de blocos de grafite que se desgastam na reação” (Operador da siderúrgica).

3 – “The Centre-periphery image schema” – (Esquema-imagem centro-periferia)

“ O dangueiro tem que ficar esperto porque o material vai se esparramando em volta do eletrodo, e ele tem que ir empurrando ele para o meio novamente. Eu vejo isso também aqui na tela, mas principalmente na fumaça” (Operador de siderúrgica).

4 – “The Mass-count image schema” (Esquema-imagem massa-conteúdo)

“A medida que o material vai caindo na grelha, ela vai enchendo e o material vai pesando mais a grelha e ela vai ficando mais lenta” (Operador da cimenteira).

“O lingote vai enchendo e a panela vai ficando mais leve. O operador da ponte tem que ser bom no controle da panela” (Operador da siderúrgica).

5 – “The Stand-verticality-horizontality image schema” (Esquema-imagem acima verticalidade-horizontalidade)

“O material vai caindo na grelha e vai formando um monte que sobe, cresce para cima… É o boneco de neve. Ele avacalha a temperatura do sistema” (Operador da cimenteira).

“O material fundido vai rolando e forma uma lâmina fina em cima do lingote, e vai enchendo e subindo até a borda, mas sem transbordar” (Operador da siderúrgica).

“A medida que ela balança, ela vai levando o material para longe da boca do forno” (Operador da cimenteira).

7 – “The Full-empty image schema” (Esquema-imagem cheio-vazio)

“A panela vai esvaziando e o lingote vai enchendo” (Operador de siderúrgica).

“Se a grelha vai enchendo, tem que fazer esvaziar; e a gente vai movendo o material para frente para ela esvaziar, senão atrapalha a temperatura do forno” (Operador da cimenteira).

8 – “The Movement, activity and functionality image schemata” (Esquema-imagem movimento, atividade e funcionalidade).

“Eu vou entrando para dentro das telas do sistema e tenho que ajustar um parâmetro já votando pra trás e indo corrigindo as mudanças que ele mesmo já vai causando nos outros” (Operador da siderúrgica).

“Eu levanto a temperatura baixando a vazão de ar e ficando de olho no balanço da grelha, que não pode acumular material senão sobe a temperatura de novo...” (Operador da cimenteira).

9 – “The Balance image schema” (Esquema – imagem balanço)

“O forno tem que ficar equilibrado e para equilibrar ele tem que controlar o recuperador; quando o recuperador oscila ela faz alterar a temperatura e a pressão do sistema todo” (Operador da Cimenteira).

Os registros de discursos dos operadores, analisados de acordo com o contexto das situações de entrevista, mostram que a compreensão conceitual ou a abstração do operador de processo contínuo ocorre como uma metáfora da compreensão do próprio movimento deste no trabalho – Os conceitos e proposições na mente são como que metáforas de movimentos e atos provenientes do corpo que atua no processo de

Esta espécie de sistema metafórico projeta-se na linguagem e na ação do trabalho enquanto meios de raciocinar, de planificar a ação e de gerar compreensão para inúmeras situações no trabalho. A compreensão de uma proposição no trabalho envolve estar situado, contextualmente, atuante (incorporado, en-agido) em um espaço definido. Estar atuante, “ser-no-mundo”, “estar-na-ação”, sob certos limites dados na materialidade de tempo (temporalidade do processo de produção) e do espaço (no qual se desencadeiam os atos, os gestos do corpo físico e os modos operatórios). Os esquemas que operam nesta atuação-incorporação o fazem de modo a tornar o mundo da produção - ou o “mundo de cada um”, que contém a organização da ação como estrutura da situação e como fruto da experiência - passível de inteligibilidade e compreensão; passível, também, de intercompreensão com outros agentes aí acoplados, situados e atuantes numa mesma rede, também, de intersubjetividade e cognição compartilhada.

Verificou-se que a busca por tomar indicadores indiretos para o controle de processo ocorre para que os esquemas-imagem possam ser supridos de conteúdo cognitivo e exerçam a sua função de viabilizar uma ação mais eficiente por parte dos operadores. É com base nos indicadores de produção que não estão nas telas que a ação se apóia. Muitas das situações envolvem a utilização de câmeras que fornecem imagens do interior do processo de produção, suprindo os operadores de farto material necessário para a tomada de decisão e para a ação mais rápida e ágil sobre o processo.