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A percepção adquire contornos alicerçados nas ações concretas experienciadas pelo homem em suas atividades cotidianas. Nesse sentido, afirma Piaget (1983, p. 6-7), que [...] “toda percepção chega a conferir significações relativas à ação aos elementos percebidos e é pois, da ação que convém partir”.

Não se pode negar que a percepção faz parte da reflexão que se faz sobre o que está ao alcance das atividades humanas, seja no campo imagético, dos signos, das formas e de tudo que o ser humano tem contato por meio dos órgãos dos sentidos. Nesse contexto, da percepção que se dá pelas relações do homem com o meio, assevera Monteiro (2006, p.58), que “É certo que os signos – as imagens – que formamos na mente não partem apenas de percepções visuais, mas de qualquer percepção com as quais tenhamos contato, sejam visuais, olfativas, auditivas, táteis ou mesmo degustativas”.

Com as mudanças paradigmáticas que vêm ocorrendo na sociedade, definindo e redefinindo as práticas e modo de viver dos sujeitos que a compõem, as instituições educacionais e a própria sociedade buscam formas para atender às necessidades de construção do conhecimento, que se torna fundamental para o homem no atual modelo social em que estamos inseridos. Tendo em vista que a globalização é uma realidade e com ela surge a necessidade de se redefinir os modelos de educação, tanto da Educação a Distância como da presencial, como formas de atendimento que resulte na qualidade do ensino disponibilizado pelas instituições para a sociedade, o que tem despertado as instituições de ensino e pesquisadores interessados em compreender esses modelos de ensino, bem como, as teorias que os alimenta, conforme aponta Vitorino (2005, p. 3):

O interesse teórico e prático neste tema, confirma a necessidade de criação de teorias sobre as práticas em EaD, a partir da percepção dos alunos, de modo a subsidiar a criação e melhorias de sistemas de EaD – os quais incluem em geral os componentes aluno, docente, comunicação e estrutura e organização.

Observa-se que muito embora a educação a distância tenha se firmado como um modelo de ensino, a autora assinala para algo importantíssimo na prática docente, que é a necessidade de teorias direcionadas a essa prática a partir da percepção dos alunos, dando a entender que as teorias consubstanciadas pelas percepções promovem melhorias para o sistema e na qualidade de ensino. No entanto, o alcance dessas melhorias “...implica conhecer e integrar as percepções dos alunos às propostas pedagógicas, exigindo um esforço de conhecimento dessas percepções que por si só já são um esforço de inovação e de flexibilidade acadêmica das Universidades” (Vitorino, 2005; p.8).

Conhecer a percepção dos alunos de educação a distância no ensino superior pode até ser preocupante, uma vez que, geralmente, os gestores das instituições de ensino são resistentes a pesquisas que busquem ouvir os estudantes com o propósito de extrair informações sobre o modelo pedagógico adotado pelas instituições em suas atividades docentes. Mas as instituições e os pesquisadores em educação, que estão imbuídos do sentimento da gestão democrática e participativa, não vêem problemas com a realização de pesquisas em instituições de ensino e não acham que essas pesquisas provocam preocupações e, nem tão pouco constrangimentos, por ter consciência que na educação a distância os alunos possuem um perfil diferente e são capazes de contribuir na construção do conhecimento.

Peters (2006, p. 37), afirma que:

No caso dos estudantes da educação a distância, trata-se, [...] de uma clientela especial. Ela é diferente da do estudo com presença, porque por via de regra se trata de adultos um pouco mais velhos. Sua idade média situa-se entre 20 e 30 anos, sendo que para cima dificilmente se coloca um limite.

Mas não é só a percepção dos alunos que devem ser levadas em consideração em pesquisas sobre modelos pedagógicos de educação a distância. Os professores também são sujeitos por exigência do processo ensino-aprendizagem em qualquer modalidade de ensino, em especial na EaD, que vem se configurando com muitas inovações tecnológicas.

As inovações tecnológicas, que são disponibilizadas no mercado como produtos midiáticos, exigem do professor a capacidade de se colocar diante de novas situações e desafios, que surgem nas atividades docentes cotidianas, para realizar as suas funções seguro do que está fazendo.

Nessa perspectiva, Espíndola (2008, p.2) afirma que

No processo de integração de inovações, os professores experimentam diversos sentimentos e preocupações, passando por uma série de desafios. Estes desafios se relacionam com suas percepções sobre o processo de ensino, com o objeto de ensino em si e com os aspectos tecnológicos da inovação. Considerando o processo de integração da tecnologia como um processo de transformação da prática docente, procuramos compreendê-lo a partir dos desafios e preocupações enfrentadas pelo professor durante essa mudança.

Trabalhar com educação a distância exige do professor conhecimento das TIC, haja vista que nas atividades docentes em EaD, o uso dessas tecnologias faz parte do cotidiano do professor. Espíndola et al (2008, p. 2) afirmam que, “Estudos no campo da tecnologia educacional sugerem que os professores passam por diversos estágios quando integram tecnologias ao ensino”.

Em todas as modalidades de ensino existem problemas alheios à vontade dos participantes do processo educacional. Quando se trata de EaD, os problemas parecem ser mais acentuados, tendo em vista que os participantes do processo de ensino- aprendizagem lidam diretamente com as TIC e, muito embora, interajam uns com os outros, os problemas de ordem tecnológica surgem constantemente. Espíndola et al afirmam que em pesquisas realizadas sobre atividades em EaD, utilizando a internet foi verificado o panorama seguinte:

Os autores identificaram dificuldades percebidas pelos professores nas suas práticas tradicionais, como a distribuição do conteúdo e acesso aos materiais, a comunicação entre os atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem e as atitudes e participação dos alunos nas atividades do curso. Por outro lado, identificaram problemas percebidos pelos mesmos professores durante a mudança para o modelo de ensino baseado na Internet, como o gasto de tempo para aprender a produzir materiais, a impossibilidade de usar o material já existente e sua adaptação, além de problemas técnicos a serem enfrentados (2008, p.3).

Mas, como entender os modelos de EaD sem uma investigação das experiências dos sujeitos envolvidos no processo educacional? Para responder essa

interrogação, Vitorino (2005; p.10) afirma que “Uma abordagem focada na percepção

do aluno baseia-se na crença de que o professor não pode ensinar, mas apenas

facilitar a aquisição do conhecimento”.

Ademais, em uma pesquisa científica, a voz dos sujeitos precisa ser ouvida. “Muitos estudantes aduzem aspectos relativamente isolados de suas vivências [...]

Mostram como suas observações são variadas e específicas depois de uma experiência de apenas uns poucos meses” (PETERS, 2004, p.211).

A singularidade existente na percepção dos alunos em uma pesquisa que propõe compreender um modelo pedagógico de uma instituição de ensino a distância e considerando, ainda, que a percepção dos professores tem igual valor para o aprofundamento de compreensão, essa percepção deve ser analisada cuidadosamente no que se refere a utilização de recursos tecnológicos no processo de ensino- aprendizagem. Espíndola (2008, p.3), “analisou as percepções de professores sobre o papel e o valor do uso das TICs nas suas atividades de ensino”. Essa análise tinha como propósito compreender a partir da percepção dos professores, como eram desenvolvidas suas atividades pedagógicas em EaD no processo de ensino-aprendizagem.