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Kaba (2012) apresentou uma pesquisa que analisa o ranking das 200 melhores universidades do mundo da Revista Times Higher Education (THE) do ano de 2009. Com base nessa análise, o estudo afirma que a THE reflete o fenômeno da hegemonia Anglo-Americana. Os Estados Unidos com 54 universidades e o Reino Unido com 29 dominaram a THE. Além disso, seis em cada dez universidades na lista das 200 melhores foram localizadas em países que foram parcial ou totalmente colonizados pelo Reino Unido. Entre os fatores citados por contribuir para que um país tivesse pelo menos uma universidade classificada na lista das 200 melhores estão: idade de uma instituição, dotação de uma instituição, o tamanho da população de uma nação, produto interno bruto (PIB) e PIB per capita, nível de comércio internacional (exportações/importações), a herança colonial, e o idioma (Inglês).

Kaba (2012) aponta que seria de se esperar que, como se tem no mínimo 238 países, territórios e entidades no mundo haveria uma distribuição quase igual das 200 melhores universidades entre quase todas estas nações. No entanto, não se deve pensar que esta será uma expectativa comum, especialmente no campo do ensino superior.

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Observa-se na Tabela 2.1 que apenas 32 (13,4%) de 238 nações tinham pelo menos uma instituição classificada entre as 200 melhores universidades do mundo. Verifica-se também o número e a porcentagem de universidades por nação na lista, a localização regional de cada nação, e a classificação de cada país no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 2009. Os Estados Unidos e o Reino Unido dominaram a lista, com 54 (27%) e 29 (15%) universidades respectivamente. A maioria desses 32 países foi classificada na lista de Top 50 (de um total de mais de 190 nações) de 2009 do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

A população total desses 32 países em julho de 2009 foi de 3,87 bilhões (57% da população mundial total de 6,79 bilhões: compilado e calculado com base nos dados do CIA World

Factbook, 2009). Vale notar que o tamanho da população de uma nação não deve ser muito

enfatizado porque tanto a China como a Índia tinham mais de 2,3 bilhões de pessoas em 2008, mas tiveram um total de apenas oito universidades combinadas na lista, enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido tinham uma população total de menos de 370 milhões em 2008, mas tiveram 83 universidades combinadas na lista. Além disso, os Países Baixos, com 16,7 milhões de pessoas tinham mais universidades na lista (11) do que a Alemanha, com mais de 80 milhões de pessoas com 10 universidades.

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Tabela 2.1 – As 200 Melhores Universidades por Nação Nação Instituições

(N) % Região Mundial Ranking IDH da ONU em 2009

Estados Unidos 54 27 Américas 13 Reino Unido 29 15 Europa 21 Canadá 11 5,5 Américas 4 Japão 11 5,5 Ásia 10 Holanda 11 5,5 Europa 6 Alemanha 10 5 Europa 22 Austrália 9 4,5 Austrália 2 China 6 3 Ásia 92 Suíça 6 3 Europa 9 Bélgica 5 2,5 Europa 17 França 5 2,5 Europa 8 Hong Kong 5 2,5 Ásia 24

Suécia 5 2,5 Europa 7 Coréia do Sul 4 2 Ásia 26

Dinamarca 3 1,5 Europa 16 Israel 3 1,5 Ásia 27 Nova Zelândia 3 1,5 Oceania 20 Índia 2 1 Ásia 134 Irlanda 2 1 Europa 5 Noruega 2 1 Europa 1 Rússia 2 1 Europa 71 Singapura 2 1 Ásia 23 Áustria 1 0,5 Europa 14 Finlândia 1 0,5 Europa 12 Grécia 1 0,5 Europa 25 Itália 1 0,5 Europa 18 Malásia 1 0,5 Ásia 66 México 1 0,5 Américas 53 África do Sul 1 0,5 África 129

Espanha 1 0,5 Europa 15 Taiwan 1 0,5 Ásia NA Tailândia 1 0,5 Ásia 87

TOTAL 200 100 - -

Fonte: Kaba (2012)

Kaba (2012) conclui sua pesquisa afirmando que a hegemonia anglo-americana parece ser relativamente bem sucedida porque um número crescente de nações no mundo, incluindo China, México, Quatar, Indonésia e Brasil estão implementando estruturas universitárias ou planos estratégicos tipo anglo-americanos.

Baty (2014) apresenta algumas críticas aos rankings apresentados por THE voltadas para o pequeno tamanho e representatividade da amostra utilizada para o levantamento da reputação acadêmica das Universidades. Todas estas preocupações foram subsequentemente destacadas por Rauhvargers (2011), que observou que os pontos de reputação no sistema de ranking

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THE-QS (usado entre 2004 e 2009) foram baseados em um pequeno número de respostas: 9.386 em 2009 e 6.534 em 2008; na realidade, as 3.000 ou mais respostas de 2009 foram simplesmente adicionadas às de 2008. Rauhvargers (2011) também afirma que o número de respostas é pequeno em comparação com os 18 mil endereços de e-mail usados.

Os novos rankings do THE (publicados em setembro de 2010; outubro de 2011; outubro de 2012 e outubro de 2013) reconhecem uma gama mais ampla de atividades de diferentes universidades do mundo. Portanto, os rankings THE ainda buscam capturar toda a gama de atividades das universidades: pesquisa, ensino, transferência de conhecimento e internacionalização (Baty, 2014).

Corroborando com a pesquisa de Kaba (2012), segundo reportagem publicada em Exame (2014), as instituições de ensino superior norte-americanas e britânicas dominam o ranking de universidades do grupo britânico Quaquarelli Symonds (QS). No topo, aparece o

Massachusetts Institute of Technology (MIT), seguido pela Universidade de Cambridge e pelo Imperial College of London. A cidade com mais instituições entre as 100 melhores do mundo

foi Londres, com 5 da lista.

Da América do Sul, nenhuma instituição garantiu classificação entre as 100 melhores. A USP, em 132º lugar, foi a mais bem classificada. A brasileira caiu cinco posições na comparação com a edição do ranking de 2013.

O grupo QS leva em conta seis indicadores para classificar as instituições: reputação da universidade entre acadêmicos (40% da nota final), a reputação entre empregadores (10% da nota final), o número de professores em comparação ao de alunos (20% da nota final), o número de pesquisas citadas em publicações de referência (20% da nota final), o número de alunos estrangeiros (5% da nota final) e o número de professores estrangeiros (5% da nota final). Apresenta-se na Tabela 2.2 o ranking das 20 melhores universidades do mundo segundo a pesquisa publicada em Exame (2014).

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Tabela 2.2 – As vinte melhores universidades do mundo

Ranking Nota Nome da universidade País de origem 1 100.0 Massachusetts Institute of Technology (MIT) Estados Unidos 2 99.4 University of Cambridge Reino Unido 2 99.4 Imperial College London Reino Unido 4 99.3 Harvard University Estados Unidos 5 99.2 University of Oxford Reino Unido 5 99.2 UCL (University College London) Reino Unido 7 98.3 Stanford University Estados Unidos 8 97.1 California Institute of Technology (Caltech) Estados Unidos 9 96.6 Princeton University Estados Unidos 10 96.5 Yale University Estados Unidos 11 95.5 University of Chicago Estados Unidos 12 95.3 ETH Zurich (Swiss Federal Institute of Technology) Suíça

13 94.5 University of Pennsylvania Estados Unidos 14 94.1 Columbia University Estados Unidos 14 94.1 Johns Hopkins University Estados Unidos 16 92.9 King’s College London (KCL) Reino Unido 17 92.8 University of Edinburgh Reino Unido 17 92.8 Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne Suíça

19 92.6 Cornell University Estados Unidos 20 92.4 University of Toronto Canadá Fonte: Adaptado de Exame (2014)

Observa-se nas Tabelas 2.1 e 2.2 que países da América do Sul não aparecem nos rankings apresentados. Diante do posicionamento atual das universidades brasileiras no cenário mundial, há a necessidade do desenvolvimento de novas metodologias e técnicas de divulgação de informação vinculadas à rede mundial (Internet) visando ao reconhecimento global. Com esta estratégia, tenta-se buscar alternativas para melhorar a classificação geral das universidades brasileiras no ranking internacional.

Lelis (2009) sugere em sua pesquisa a consolidação de uma linha de pesquisa vinculada à Educação sob o foco da Engenharia Civil, articulando-a com os demais cursos da universidade aderentes à temática. Buscou-se então utilizar esta sugestão como uma das principais motivações no desenvolvimento deste trabalho.

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