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O setor têxtil está subdividido entre as atividades de fiação, tecelagem, malharia e acabamento, para fins desse estudo apenas o setor de fiação será considerado. Neste segmento as fibras são convertidas em fios através de operações de agrupamento e torção.

A fiação, entendida no sentido amplo, abrange um conjunto de processos e operações necessárias à transformação de fibras em fio. Compreende os tratamentos dados à matéria- prima, segundo sua natureza e a finalidade do produto desejado. O processo de fiação pode ser realizado através de dois métodos: a) Fiação anel e; b) Fiação rotor.

A fiação anel é um importante sistema de fiação para fabricar fios finos de diferentes fibras na indústria têxtil, porém o alto consumo de energia elétrica e baixa produtividade são problemas pendentes nesse tipo de fiação (KAPLAN; KOÇ, 2010); já a fiação com sistema de rotor produz fios mais grossos com a transformação bem sucedida da fibra com velocidades mais elevadas (TANG, et al., 2006) e uma das vantagens desse sistema em relação ao anterior é a redução do desperdício.

O tipo de fiação usada no estudo de caso é a fiação com sistema de rotor, desse modo essa será o foco do estudo.

As etapas base do processo produtivo da fiação consistem na preparação a fiação (abertura do fardo da matéria-prima (Algodão/Poliéster); mistura; processo de cardagem; elaboração dos fios) e a fiação propriamente dita, através de processo de torção dos fios.

Para a realização do processo de transformação na fiação são necessárias as seguintes etapas: Abertura; cardas; passadores e os filatórios (Torção), conforme demonstra a Figura 8.

Figura 8 - Etapas do processo produtivo de fiação

Fonte: Adaptado de Tang et al. (2006).

A preocupação com o desenvolvimento e com a perspectiva da indústria são crescentes devido a dois principais fatores: fraco desempenho da indústria em nível global e o crescimento das vantagens que os países asiáticos possuem em relação aos demais (KAPLAN; KOÇ, 2010).

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Têxteis (ABIT), o setor têxtil no Brasil representa a sexta maior economia do mundo (2012), sendo de grande importância para a economia do país. Ao longo dos anos a geração de empregos formais foi sendo reduzida, porém ainda assim este segmento é responsável por uma parcela significativa da economia atual.

De fato, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 2012

(demonstrado na

Abertura dos fardos

Fiação Passadores Processo de cardagem Embalagem Entrada (Input) Matéria-prima Mão de obra Capital Energia Fios acabados Saída (Output)

Figura 9 a seguir), que nos últimos quatro anos a produção no setor têxtil vem caindo de

Figura 9 - Geração de empregos em vários segmentos

Fonte: IBGE (2012)

Esta redução vem sendo atribuída a perda de competitividade do segmento devido ao alto valor do processo de transformação da cadeia têxtil no Brasil. Abaixo é apresentado os cenários do segmento têxtil no período de 2002 à 2007 e 2007 à 2011.

Figura 10 - Fonte de crescimento da produtividade industrial por atividade entre 2002 á 2007

Entre os anos de 2002 à 2007 a indústria têxtil enquadrava-se num grupo crítico de segmentos cadentes apresentando desempenhos insatisfatórios, a atividade não representava uma liderança como fonte de crescimento da produção industrial do Brasil e se enquadrava no grupo de não líderes. Abaixo é apresentado o segundo cenário.

Figura 11 - Fonte de crescimento da produtividade industrial por atividade entre 2002 á 2007

Fonte: Bonelli e Pinheiro (2012)

Entre 2007 à 2011 o segmento têxtil passou do grupo dos não líderes para o grupo dos retardatários registrando crescimento negativo. Este é um segmento que foi fortemente atingido pelo aumento das importações (BONELLI; PINHEIRO, 2012).

Ao observar a tendencia de queda do segmento textil e de perda de competitividade devido ao alto custo de transformação, verifica-se a urgência em se tomar medidas que gerem redução de perdas e de custos ao longo do processo produtivo da cadeia têxtil para que de tal modo à indústria torne-se mais competitiva no mercado.

Fabricar fio de alta qualidade com custos razoáveis é o fator chave para que a organização mantenha-se competitiva. Países como China e Indonésia, produzem atualmente

o fio com preços muito inferiores aos demais países e este fato afeta negativamente os demais produtores que buscam alternativas para manter o custo competitivo. [10].

O custo de um fio é composto por vários fatores, tais como custo da matéria –prima; custo de energia; mão-de obra; capital e etc. Sendo nas fiação os principais custos: Matéria prima, capital e energia, respectivamente.

b) Aspectos ambientais:

As indústrias têxteis estão enquadradas como atividade potencialmente poluidora e utilizadora dos recursos naturais conforme estabelece a Lei n° 10.165/2000. Devido a este motivo, a indústria passa a ser contribuinte da TCFA – Taxa de controle e fiscalização Ambiental.

Ainda na lei n° 10.165/200 institui-se a obrigação do sujeito passivo da TCFA de entregar anualmente um relatório das atividades realizadas no ano anterior sendo sujeito a multa no caso de descumprimento.

c) Aspecto energético:

A energia é o terceiro maior custo do segmento têxtil sendo caracterizado como um recurso estratégico, portanto utilizá-la de forma racional é imprescindível às organizações em tempos onde a competitividade está muito acirrada entre os países. (KAPLAN; KOÇ, 2010)

Cada etapa do processo produtivo da fiação exige a utilização da energia elétrica que é utilizada em ar condicionado; iluminação; compressores, porém o maior consumo encontra-se em máquinas (sistema motriz).

Ao longo das etapas do processo produtivo o uso da energia está configurado conforme demonstra a Figura 12.

Figura 12 – Participação do uso da energia utilizada pelas máquinas em %

Cardas; 16,1%

Fiação ; 75,4%

Abertura; 2,2%

Passadores; 6,3%

Fonte: Kaplan e Koç (2010)

O processo produtivo da indústria têxtil implica em um consumo energético próprio, gerado a partir da transformação de sua matéria prima em produto acabado, desse modo, estudos foram realizados para verificar de forma genérica os potenciais pontos de perdas energéticas desse setor, conforme mostra a Figura 13 a seguir:

Figura 13 – Participação do uso da energia utilizada por uso final%

Sistema motriz; 78,40% Compressores; 2,62% Iluminação; 2,98%

Ar condicionado; 16,00%

Fonte: Adaptado de Kaplan e Koç (2010)

Os pontos indicados com maiores consumos de energia do setor têxtil, evidenciam as maiores oportunidades de otimização do consumo deste recurso. Então para o setor de fiação o maior percentual de consumo é representado pelo sistema motriz correspondendo a 78,4 %

do consumo total, os demais itens são referentes a ar condicionado (16%); iluminação (2,98%) e compressores (2,62%).

Para fins deste estudo serão analisadas duas das variáveis indicadas como pontos potenciais de consumo de energia elétrica que serão o sistema motriz e o sistema de iluminação.

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