Este projecto de investigação teve como ponto de partida o estudo sobre o contributo do portefólio no desenvolvimento dos alunos, e concomitantemente no sucesso dos mesmos, na disciplina de Inglês, nomeadamente ao nível das competências reflexivas. Apoiado teoricamente na teoria construtivista e em princípios da aprendizagem auto- regulada, proporcionou-se, aos alunos, um conjunto de tarefas individuais e cooperativas de planificação, monitorização e avaliação das aprendizagens.
Apesar das limitações, de entre as quais assumem particular relevância as relativas à observação e documentação da experiência, a análise e tratamento da informação recolhida e ao tempo para efectuar esta diversidade de tarefas, assim como as dificuldades sentidas no apoio aos alunos nas dificuldades sentidas perante o desenvolvimento de tarefas desconhecidas, para eles, até ao momento, ao mesmo tempo que se pretendia que desenvolvessem competências de auto-regulação, parece possível concluir que o uso de portefólios apresenta diversas potencialidades.
Acredita-se que a maior conclusão que se pode retirar deste estudo é que os processos de reflexão são, benéficos e representam um valioso contributo para uma educação que se quer cada vez mais participada e responsável. Salienta-se ainda que perante determinadas situações, poderá existir uma sensação de menor segurança e aptidão para proporcionar ao aluno um apoio mais adequado, tendo este trabalho também constituído um precioso contributo no desenvolvimento profissional e pessoal da investigadora. Assim, a auto-supervisão de experiências pedagógicas é necessária à melhoria do uso do portefólio, principalmente por se tratar de uma metodologia pouco enraizada nas práticas educativas em Portugal.
A análise de toda a informação recolhida através dos vários instrumentos de recolha de dados permite retirar um conjunto de inferências.
• Enorme empatia que a grande maioria dos alunos revelou em relação ao portefólio, e a vontade explícita em continuar a utilizá-lo.
• Progresso ao nível de competências reflexivas e de auto-regulação individual, ao longo da intervenção pedagógica, perceptível quando se comparam os dados recolhidos nas primeiras aulas e depois no final.
• Progresso no desempenho global dos alunos, que no final da intervenção pedagógica se traduziu numa turma mais empenhada, motivada, interessada e participativa.
• Progresso ao nível das aprendizagens relativas ao Saber-Ser / Saber Estar dos alunos.
O conjunto dos dados relativos ao desempenho dos alunos aos níveis do Saber- Ser / Saber-Estar e cognitivo dos alunos conduz a outras conclusões:
• Os alunos com melhor sucesso académico tendem a ser também os que apresentam melhor desempenho ao nível do Saber-Ser / Saber-Estar o que leva a concluir, com alguma prudência, que estas duas competências estão intimamente relacionadas e foram mutuamente desenvolvidas.
Este projecto de investigação-acção, relacionado com as implicações do uso do portefólio de aprendizagem no desenvolvimento de competências, pretende ser um contributo para educadores interessados em inovar e, essencialmente, facilitar o processo de aprendizagem dos seus alunos.
Os resultados do projecto indiciam que, pelo seu poder motivador, o portefólio pode contribuir para o enriquecimento da prática lectiva, desde que seja utilizado com criatividade e enquadrado numa pedagogia para a autonomia, podendo ter um visível impacto na dinâmica do processo de educação dos alunos, quer em termos de aproveitamento, quer em termos de empenho, interesse e trabalho autónomo. Trata-se de um instrumento que pode incentivar os alunos a aprender, sem que suscite dificuldades de articulação com os conteúdos programáticos estipulados.
Com efeito, os alunos que participaram neste estudo aderiram com grande entusiasmo ao uso de portefólio, apercebendo-se da sua utilidade para contribuir na melhoria do processo individual da aprendizagem da língua estrangeira. As expectativas e o entusiasmo que manifestaram levou-os à superação de diversas dificuldades, incrementando um sentimento de confiança, tendo-se tornado desinibidos face ao erro e, ainda, desenvolvendo uma predisposição para a monitorização e experimentação de novas formas de acção na aprendizagem da língua inglesa. Progressivamente, as aulas de inglês, foram-se tornando “especiais” dado que foram criados espaços onde os alunos reflectiam sobre os seus próprios processos cognitivos, tornando-se agentes cada vez mais activos da sua própria aprendizagem.
Entende-se que o uso de portefólios, apesar das potencialidades que apresenta, requer tempo, esforço e persistência, tanto da parte dos alunos quanto do professor. Este terá de ser um prático reflexivo, aberto ao diálogo juntamente com os alunos e predisposto
a analisar o seu trabalho como parte de informação indispensável à melhoria das suas práticas. Em suma, e como ficou demonstrado nesta experiência, o uso de portefólios promove e exige a auto-supervisão continuada dos processos de educação em línguas.
Esta postura auto-supervisiva aproxima o ensino da prática investigativa e combate a sua estagnação, ao mesmo tempo que facilita uma aproximação a uma pedagogia para a autonomia, na qual um dos principais princípios orientadores será a centralização do ensino na aprendizagem. É aqui que o uso de portefólios constitui uma mais-valia, para professores e alunos.
Com base na presente investigação é possível apresentar sugestões para futuras pesquisas que suportadas pelos mesmos princípios teóricos, poderão colmatar eventuais erros cometidos, conduzir a resultados melhor fundamentados e trazer outros contributos à melhoria da qualidade da aprendizagem da língua inglesa.
Desde logo, considera-se interessante que pudesse ser dada continuidade a este tipo de estudo, no sentido de aprofundar os efeitos das estratégias experimentadas, por se considerar que a questão temporal é muito pertinente no processo de construção de portefólios, já que este pressupõe modificações, adaptações sucessivas para aperfeiçoar modos de concretização, assim como tempo para a apropriação e consolidação, pelos alunos e professores, de novas práticas pedagógicas.
Destacam-se, em seguida, sugestões para investigações futuras que se consideram pertinentes:
A. Uma investigação longitudinal com uma ou mais turmas, desde o 5º ano até ao final do 6º ano, na disciplina de inglês;
B. Um estudo alargado a todas as turmas do mesmo ano de escolaridade na disciplina de inglês, em determinada escola, proporcionando aos alunos e professores uma partilha mais alargada de experiências;
C. Um estudo com uma turma, mas alargado a várias disciplinas no mesmo ano lectivo, permitindo explorar o portefólio como estratégia multi/ inter/transdisciplinar.
D. Uma investigação com uma amostra alargada de professores de inglês, através da qual se possa inferir a percepção dos professores sobre a importância do portefólio no desenvolvimento de competências diversas.
E. Um estudo de análises de conteúdo da nova reorganização curricular para o ensino da língua estrangeira, que identifique espaços de mudança facilitadores da introdução, na sala de aula do portefólio de aprendizagem.
Este e outros tipos de estudos possibilitariam uma melhor compreensão de uma prática cujos contornos são ainda largamente desconhecidos no contexto português, abrindo caminho a processos de implementação mais fundamentados e, possivelmente, mais generalizados nas escolas