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3. Theoretical Frameworks

3.3 The Wider Context via Polanyi’s Great Transformation

De forma panorâmica, a Logoterapia fundamenta-se em três concepções: liberdade de vontade; vontade de sentido e sentido da vida, esta última, de acordo com Lukas (1989), caracteriza-se como a visão de mundo da referida teoria.

3.2.1 Liberdade de Vontade

A liberdade de vontade se opõe ao determinismo e a visão reducionista. Frankl se posiciona contra estas concepções chamadas por ele de pandeterminismo, pois alega em seus estudos que o homem apesar de não ser livre de suas contingências, possui a liberdade para tomar uma atitude diante de quaisquer que sejam as condições apresentadas (FRANKL, 2011). Conformar-se com a concepção de que o homem está sujeito a determinantes, seria reduzir a complexidade humana.

Durante uma entrevista, Huston C. Smith, de Harvard, perguntou-me se eu, como professor de neurologia e psiquiatria, não admitiria que o ser humano está sujeito a contingências e a determinantes. Eu lhe respondi que, como neurologista e psiquiatra, certamente que sim: eu tenho pleno conhecimento da dimensão das limitações humanas, sejam elas impostas por condições biológicas, psicológicas ou sociológicas. Mas acrescentei que, além de professor nessas duas áreas, também era um sobrevivente de quatro campos de concentração e que, como tal, me fazia testemunha do inesperado grau de capacidade, que sempre permanece de o homem resistir às piores situações, enfrentando-as corajosamente (FRANKL, 2011 p. 26- 27).

Para o autor, o homem não é livre das eventualidades que possam surgir na vida, mas é livre para tomar uma atitude diante delas. Nesse processo de posicionar-se frente às situações, o homem faz suas escolhas conscientes delas logo, a liberdade e a consciência não podem ser dissociadas, como são na psicanálise e na psicologia individual, pois, para a psicanálise o processo terapêutico consiste em trazer a consciência o que estava inconsciente e para a psicologia individual, o sintoma neurótico é compreendido como uma tentativa do indivíduo de livrar-se da responsabilidade (FRANKL 1989a).

Sendo assim, a Logoterapia e Análise Existencial compreendem o ser humano enquanto ser consciente e responsável, formando uma unidade ontológica. Tal unidade é mostrada por meio da palavra consciência, que pode ser entendida de duas formas no alemão: bewusstsein, que significa consciência psicológica e gewissen que se refere à consciência que estabelece julgamento valorativo (FRANKL, 2007). Este último tipo de consciência encerra a capacidade de apreender o sentido de uma situação em sua total unicidade

Com a finalidade de chegar a esta concepção de unicidade do ser humano, Frankl (1990) parte do princípio do surgimento da neurose, ele observa que o aparecimento da patologia, como compreendia na primeira formulação da psicanálise, era a passagem de certos conteúdos da consciência para o inconsciente por meio do recalque. Deste modo, o processo terapêutico consistia em trazer para o consciente os conteúdos inconscientes. Contudo, para a psicologia individual, o sintoma neurótico era compreendido como uma tentativa de livrar-se da responsabilidade (FRANKL 1990; FRANKL, 2007; AQUINO, 2013). Nota-se deste modo que estas duas teorias, a psicanálise e a psicologia individual, por enfatizarem apenas uma das dimensões do ser, apresentam uma visão parcial do indivíduo: uma a consciência e outra responsabilidade.

Frankl ao observar estes aspectos diferenciados das teorias acima citadas, chega a uma síntese ao formular a seguinte concepção: “ser eu, significa ser consciente e responsável” (FRANKL, 1990). Ao entender o homem como ser consciente e responsável, deve-se levar

em conta as seguintes questões: pelo que o ser humano é responsável e sobre quem ele é responsável? (FRANKL, 1992a), sobre tais perguntas, o próprio homem é que decide pelo que é responsável e perante quem. Assim, a liberdade de vontade pregada por Frankl parte do seguinte pressuposto: o indivíduo é livre para tomar atitude diante de quaisquer que sejam as condições apresentadas a ele, bem como é livre para decidir sobre o seu ser (FRANKL, 1989a; 2011).

3.2.2 Vontade de Sentido

A vontade de sentido para Frankl é a motivação primária do homem em buscar continuamente o significado para a sua vida (FRANKL, 1989b), como elucida Aquino (2013), o ser humano possui uma vontade de encontrar sentido no mundo objetivo, interpretando sua existência em um contexto de sentido.

Quando Frankl se refere à vontade de sentido ou desejo de sentido, não trata de um voluntarismo ou inclinação para o significado, a sua teoria concebe esta motivação como o interesse primeiro e último do ser humano. Desta forma, o autor posiciona-se de forma contrária aos estudos de Maslow (1908-1970), um psicólogo americano que formulou a hierarquia das necessidades humana, na qual apregoava que a satisfação das necessidades de sobrevivência é uma condição necessária e suficiente para continuar vivo e encontrar felicidade. A oposição de Frankl está em que tais satisfações não se constituem uma condição básica para a sobrevivência, bem como não é suficiente para proporcionar um sentido para a existência humana e pode não levar o homem a atingir a felicidade (FRANKL, 1992a).

Porém posteriormente Maslow concordou com Frankl quando afirmou que a vontade de sentido é o que primariamente concerne ao homem (MASLOW, 1966). O próprio autor enquanto estava no campo de concentração sofreu privações que o impediam de satisfazer suas necessidades básicas como: fome, sono, sede, segurança, entre outros, sendo movido a permanecer vivo, não pelo prazer, nem pelo poder, mas apenas pela vontade de sentido, conseguindo orientar sua existência para além de si mesmo, dando um “sim” a vida independente da situação.

O desejo de sentido ocorre independente de qualquer outra necessidade humana, de modo que a satisfação ou frustração de outros tipos de necessidades podem incentivar o homem a procurar o significado em sua vida. Pintos (2006) afirma que esta vontade versa em

uma força unificadora e integradora do homem cuja ausência e frustração geram o vazio existencial resultando em desorientação e apatia, ou seja, a vontade de sentido caracteriza-se em um “para que” da existência do cotidiano ou em situações de adversidade.

Portanto, a consciência de um sentido para a vida é a condição necessária para a sobrevivência. Esta motivação consiste em orientar a própria existência para algo ou alguém, o que denomina de autotranscendência da existência humana. Frankl (1991) coloca que o homem só se torna homem e só é completamente ele mesmo, quando fica absorvido pela dedicação a uma tarefa (realiza valores criativos), quando se esquece de si mesmo no serviço a uma causa ou no amor a uma pessoa (concretiza valores vivenciais), ou quando consegue transformar o sofrimento inevitável em uma realização ou conquista (realiza valores atitudinais).

Sendo assim, na logoterapia, o ser humano não deveria buscar diretamente a felicidade, mas um motivo para ser feliz e a partir da realização de um sentido para a vida, a felicidade surge como efeito. O sentido nesta perspectiva é um fim em si mesmo. Quando o homem não atinge um sentido, volta-se para os seus próprios interesses, poder e prazer, gerando o vazio existencial. Logo, a descoberta de sentidos, representa a mola propulsora da motivação humana, o homem só pode sobreviver quando dá uma orientação a sua vida (FRANKL, 1988). Ao utilizar as palavras de Santo Agostinho, Frankl (2011) ressalta que o coração do homem não descansa até que se encontre e se realize o sentido da sua vida.

3.2.3 O Sentido da Vida

O sentido da vida pode ser visto sob diferentes aspectos: o sentido na vida, ou o sentido do momento que compreende um significado frente àquela circunstância, isto é, torna- se específico para cada ser humano; o sentido da vida que está relacionada à orientação atribuída à vida como um todo e o sentido do mundo ou do universo (FRANKL; LAPIDE, 2005; FRANKL, 2011; AQUINO, 2013). No que se refere ao primeiro aspecto de concepção sobre o sentido (sentido na vida), ele difere de homem para homem, de dia para dia, de hora para hora, ele possui o caráter relativo na medida em que se relaciona a uma pessoa específica, que está envolvida em uma determinada situação (FRANKL, 2011).

O sentido é encontrado fora do homem, isto é, no mundo, assim como está relacionado à presença de valores que o ser humano possui, em outras palavras, realizar sentido corresponde à realização de valores (AQUINO, 2013).

... ser humano significa ser em face de um sentido a ser preenchido e de valores a concretizar. Isto é, trata-se de viver nesse campo de tensão estabelecido na relação existente entre a realidade e os ideais a serem materializados. O homem vive por seus ideais e valores, e a existência humana não é autêntica, a menos que seja vivida de maneira auto transcendente (FRANKL, 2011, p. 69).

Conforme os pressupostos da teoria existem três formas de encontrar sentido na vida: Por meio dos valores vivenciais como a capacidade de amar, Frankl denomina em sua ontologia que nesse processo emerge a dimensão do homo amans, que seria vivenciar algo ou alguém; mediante a realização dos valores criativos (trabalhar, criar uma obra), demonstrando a dimensão do homo faber e por fim, outro momento que pode se encontrar sentido é através dos valores atitudinais, ou seja, diante do sofrimento, quando já não há condições de criar nem vivenciar, o homem pode criar sentido por meio de atitudes suportando a dor inevitável, esta condição é nomeada de homo patiens (FRANKL, 1992a; PETER, 1999; AQUINO, 2013).

No que se refere ao sentido da vida, este aspecto abrange a existência no geral, o autor alega que este não é possível de ser captado se não no final da vida, quando se cumpre ou não todos os sentidos particulares. Conforme visto, Frankl (1989b) coloca que não é o homem que se pergunta acerca do sentido de sua existência, mas o ser humano é interrogado pelas próprias circunstâncias da vida e é ele que deve responder as questões que esta lhe impõe, tais respostas são dadas através de atos.

O sentido do mundo por sua vez, seria o significado completo da vida, da existência no universo, denominado de suprassentido, esta orientação é encontrada diante da morte e do sofrimento inevitável, quando o ser humano é impelido a tomar consciência da responsabilidade sobre o seu existir no mundo. Aquino (2013) afirma que para esta última abordagem do sentido, a análise existencial não obtém uma resposta por ser uma pergunta mais abrangente.