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Outros óleos vegetais Azeite
41 Os óleos vegetais são um produto com elevado consumo e tradição no mercado chinês, sendo que o azeite representa uma ínfima parte da utilização, apesar de um aumento consistente no seu consumo (Zhou Z., 2012).
Factores de Mudança no Consumo de Óleos Vegetais
O crescimento económico estonteante, em paralelo com um apertado controlo de natalidade, aumentou o poder de compra do consumidor Chinês. Neste sentido, enquanto os gastos em alimentação aumentaram, o peso destes na estrutura de gastos do consumidor chinês baixou.
Este fenómeno ocorre também devido à maior vontade da população de ter um estilo de vida mais ocidentalizado (Monteiro, 2012), com uma crescente preocupação com a saúde, factor que facilita a escolha do azeite como gordura a utilizar.
Urbanização
O forte crescimento urbanístico na China é um dos principais fenómenos socioeconómicos da actualidade mundial.
Este fenómeno é responsável pelo aumento do rendimento da população, que está exposta ao estilo de vida urbano, modificando o seu comportamento, nomeadamente no respeitante a hábitos de consumo.
Desde o início do século que a urbanização foi assumida como uma das estratégias nacionais para o desenvolvimento económico (KIEP, 2013). Em 2011 a taxa de urbanização na China foi de 50,6%. Prevê-se que esta taxa seja de 60% em 2020 e 70% em 2030 ( CIA Factbook, 2011).
Neste momento, de acordo com dados do Dept. of Commerce (2013) em 2011, e pela primeira vez, a população rural é menor que a população citadina, respectivamente 657 milhões e 691 milhões, sendo os seus rendimentos médios per capita de 1105€ para a população rural, e de 3454€ para a população urbana, o que demonstra a grande disparidade de rendimentos neste binómio.
42 A urbanização acelerada do país contribui para o aumento do rendimento disponível e portanto também para o consumo de produtos de maior valor. Segundo o KIEP (2013) em 2011, o mercado de consumo aumentou 4,7 vezes comparado a 2000.
Deste modo, o consumo citadino levou ao aumento do consumo em todo o país, pelo que, é expectável que a crescente urbanização continue a estimular mudanças na estrutura alimentar da população.
Lifestyle
A vertiginosa urbanização, aliada à adesão à OMC, aumentou a quantidade de oportunidades para indivíduos e empresas ocidentais. O estilo de vida, nomeadamente da franja mais nova da população, procura imitar os seus congêneres Americanos e Europeus, apesar da estrutura da pessoa e da sociedade serem bastante diferentes.
Deste modo, e nomeadamente nos centros das grandes cidades Chinesas é já bastante habitual encontrar diversos restaurantes de ocidentais ou com comida ocidental. Estes negócios fizeram com que uma parte da população frequente estes restaurantes, familiarizando-se com os hábitos alimentares do ocidente.
Nos dias que correm, e apesar de ainda não ser ainda um hábito generalizado, também cada vez mais Chineses cozinham refeições que demoram menos ou quase nenhum tempo a preparar, como saladas ou sanduíches. Neste aspecto, a percepção de qualidade de um óleo vegetal importado (nomeadamente quando comparado aos óleos vegetais baratos produzidos internamente) facilita a escolha do consumidor pelo azeite (Fitchett, 2012).
Organização e Marketing
Outro ponto fundamental na mudança de hábitos alimentares na população Chinesa é a organização e marketing dos seus produtos alimentares.
A entrada de distribuidores de referência internacional como a Wal-Mart, actualmente com 284 lojas (http://www.wal-martchina.com), Carrefour, com 247 lojas (http://www.carrefour.com.cn) e ainda o 7-Eleven com 1999 lojas na China
43 (http://corp.7-eleven.com), para além de aumentar a oferta de produtos menos habituais no mercado Chinês, incrementou a qualidade das lojas e contribuiu para a evolução da conservação dos alimentos, em loja e durante o transporte, aumentando a oferta disponível de alimentos à população.
Outro ponto bastante relevante é o de que esta evolução do mercado e a crescente preocupação com a saúde por parte dos consumidores, levou as marcas de óleos vegetais locais a publicitar os benefícios para a saúde dos seus produtos, fazendo com que o mercado se segmente e se desenvolva para marcas superiores, encaminhando-se no sentido do mercado do azeite.
Estrutura da população
Dado o tamanho da sua população, qualquer variação per capita na procura de um produto, tem grande impacto nas vendas. Assim, a variação na estrutura da população Chinesa é um factor decisivo no mercado de produtos alimentares.
44 Fonte: United Nation Statistics Division, http://unstats.un.org
Neste momento, o fenómeno do “Pequeno Imperador”, onde a criança é o epicentro familiar faz com que haja uma crescente importância dos produtos para crianças, como leite em pó ou enxovais; criando um mercado sem paralelo em volta da figura infantil.
Outro mercado em crescimento é o do segmento idoso, devido também à “one child
policy” de Deng, fazendo com que produtos como clínicas privadas ou centros de dia,
tenham tido um grande crescimento nos últimos anos e que sejam uma aposta de futuro de empresas nacionais e estrangeiras naquele mercado em particular.
Azeite na China
Os óleos vegetais são uma das bases da mais prática e habitual alimentação Chinesa, fenómeno que, conjugado com as crescentes preocupações com a saúde, tenderá a que as gorduras vegetais menos saudáveis sejam substituídas por produtos mais sadios, tornando o azeite o principal substituto destas. Embora as vendas de azeite neste mercado não sejam tão significativas quando comparadas a outros mercados em expansão como o Brasil ou Angola, a penetração neste mercado tem elevado potencial devido ao grande aumento da classe média.
Gráfico 8 - Vendas a Retalho de Azeite na China em milhões de Euros
Fonte: Euromonitor. (2011) 20 30 40 50 60 70 80 2006 2007 2008 2009 2010 2011 M ilh õ e s d e €