2. Theory
2.5 Metaphor in/and translation
2.5.1 The translatability of metaphor – a prescriptive approach
Nas Figura 2, 3, 4 e 5 estão representados as variações da densidade de fluxo de fótons fotossinteticamente ativos (DFFFA), da temperatura do ar, temperatura da folha e da umidade relativa do ar registrado pelo aparelho de trocas gasosas durante a execução da medida ao longo do dia, em ambiente protegido no dia 8 de novembro de 2010.
A temperatura do ar manteve-se em torno dos 35°C nos horários de início e término da avaliação, 8 e 18h, chegando a 41°C às 12h. Comportamento semelhante foi registrado para temperatura da folha, que obteve nos horários das 8 às 18h a temperatura variando em torno de 34°C e um pico de 41°C às 12h, coincidindo com o pico da temperatura do ar. Já a umidade relativa manteve-se em torno dos 54% nos horários das 8 e 18h chegando a 41% às 12h, mostrando uma variação inversamente proporcional à temperatura.
A análise do comportamento da taxa de assimilação de CO2 (Figura 6) ao longo do
dia demonstrou que as plantas de melão rendilhado obtiveram maior assimilação na parte da manhã, apresentando um pico às 11h. Esses resultados concordam com os obtidos para condutância estomática (Figura 7), indicando maior abertura estomática nos períodos no qual as plantas de melão rendilhado obtiveram os maiores valores de assimilação de CO2.
A maior abertura estomática no período das 10 e 11h está relacionada com a alta densidade de fluxo de fótons fotossinteticamente ativos(DFFFA) também encontrado nesse intervalo. Isso deve-se ao fato, da luz ser um dos fatores mais importantes no processo da abertura estomática, quando as plantas estão em boas condições de suprimento de água (LARCHER, 2006).
O comportamento da condutância estomática das plantas de melão rendilhado mostra que esse híbrido é sensível às condições ambientais uma vez que houve uma queda a partir das 12h quando foram registrados os maiores valores de temperatura e os menores valores de umidade relativa do ar. Esses resultados sugerem que a queda na taxa de assimilação de CO2, que também ocorreu em torno das 12h, está relacionada com o
Figura 2 - Densidade de fluxo de fótons fotossinteticamente ativos (DFFFA, μmol m-2 s-1)
dentro do cultivo protegido, no período das 8 às 18 horas. FCA/UNESP São Manuel- SP, 8 de novembro 2010.
Figura 3 - Temperatura do ar (°C) dentro do cultivo protegido, no período das 8 às 18 horas. FCA/UNESP São Manuel- SP, 8 de novembro de 2010.
Figura 4 - Temperatura da folha de plantas de melão rendilhado, no período das 8 às 18 horas. FCA/UNESP São Manuel- SP, 8 de novembro de 2010.
Figura 5 - Umidade Relativa do Ar(%) dentro do cultivo protegido, no período das 8 às 18 horas. FCA/UNESP São Manuel- SP, 8 de novembro de 2010.
Figura 6 - Taxa de assimilação de CO2 (A, μmol m-2 s-1) de plantas de melão rendilhado, no
período das 8 às 18 horas. FCA/UNESP São Manuel- SP, 8 de novembro de 2010.
Figura 7 - Condutância estomática (gs, mol m-2s-1) de plantas de melão rendilhado, no
Figura 8 - Taxa de transpiração (E, mmol m-2 s-1) de plantas de melão rendilhado, no período das 8 às 18 horas. FCA/UNESP São Manuel- SP, 8 de novembro de 2010.
Figura 9 - Concentração interna de CO2 na folha (Ci, μmol mol-1) de plantas de melão
rendilhado no período das 8h às 18h horas. FCA/UNESP São Manuel- SP, 8 de novembro de 2010.
Figura 10 - Eficiência do uso da água (A/E, μmolCO2 (mmol H2O)-1) das plantas de melão
rendilhado, no período das 8h às 18h horas. FCA/UNESP São Manuel- SP, 8 de novembro de 2010.
A condutância estomática também influenciou as taxas de transpiração que tiveram o comportamento semelhante às taxas de assimilação de CO2. Houve aumento gradativo de
liberação de vapor d’água à medida que ocorria a abertura estomática no período da manhã. A transpiração também teve um pico no horário das 11h da manhã no qual a abertura estomática era máxima. .
Em experimentos com plantas de pepino enxertadas e não enxertadas, o comportamento em relação às trocas gasosas ao longo do dia foi semelhante, mostrando que é no período da manhã, entre as 10h e 12h, que as plantas possuem maior taxa de assimilação de CO2 e de transpiração coincidindo com a maior abertura estomática
(AMARO, 2011). O mesmo também aconteceu em plantas de tomateiro, conduzidas em ambiente protegido no qual a partir da medida do dia inteiro foi determinado o período das 10 às 11h onde as plantas tinham maior assimilação de CO2 e maior transpiração devido à
maior abertura estomática (RAMOS et al., 2011a).
Não houve economia de água pelas plantas de melão rendilhado ao longo do dia, como pode ser observado na Figura 10, na qual a eficiência do uso d’água só foi tornar-se
alta às 18h quando o fechamento estomático foi quase total diminuindo assim a taxa de assimilação de CO2 e a taxa de transpiração das plantas.
A partir desses resultados, foi determinado o período das 10 às 11h para realizar as avaliações de trocas gasosas, período onde as plantas de melão rendilhado tiveram maior abertura estomática e consequentemente maior taxa de assimilação de CO2 e taxa de
5.3 EFEITOS FISIOLÓGICOS DOS FUNGICIDAS NO DESENVOLVIMENTO DAS PLANTAS DE MELÃO RENDILHADO
Os índices SPAD encontrados nas folhas do ápice das plantas tratadas com fungicidas apresentaram incremento quando as mesmas foram comparadas às testemunhas. As plantas tratadas com boscalida apresentaram maior índice SPAD retardando o amarelecimento das folhas atrasando assim a senescência, exceto na primeira avaliação (36DAT) na qual apesar de não diferirem estatisticamente, as plantas tratadas com a mistura de piraclostrobina + boscalida foram as que apresentaram maior teor de clorofila.
Tabela 3 – Índice SPAD das plantas de melão rendilhado, com aplicação de diferentes fungicidas aos 36, 44 e 58 dias após o transplante das mudas (DAT).FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010.
Avaliações
Tratamentos 36DAT 44DAT 58DAT
Testemunha 51,91a 43,02b 41,26b
Azoxistrobina 60g ha-1 49,32a 42,42b 42,52b
Boscalida 75g ha-1 52,22a 50,46a 46,98 a
Piraclostrobina 50g ha-1 54,18a 46,81ab 48,40 a
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g
ha-1 55,62a 45,44b 46,74 a
C.V(%) 6,41 5,58 4,66
O maior índice SPAD possivelmente representando maior teor de clorofila provavelmente refletiu nas trocas gasosas, levando as plantas tratadas com boscalida a obterem nas três avaliações apresentadas as maiores taxas de assimilação de CO2 (Tabela 4, 6 e 8)e de eficiência do uso d’água, na primeira e segunda, (Tabela 5 e 7) e maior eficiência de carboxilação na primeira avaliação (Tabela 5).
Tabela 4 - Taxa de assimilação de CO2 (A, μmol m-2 s-1); condutância estomática (gs, mol m-2 s-1),
concentração interna de CO2 na folha (Ci, μmol mol-1), taxa de transpiração (E, mmol m-2 s-1) em
plantas de melão rendilhado aos 36 DAT, sendo os tratamentos: T1–testemunha; T2–azoxistrobina 60g ha-1; T3–boscalida 75g ha-1; T4–piraclostrobina 50g ha-1; T5–boscalida (37,5g ha-1) +
piraclostrobina (25g ha-1). FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010
Tratamentos A gs Ci E
Testemunha 11,29c 0,285a 257,47a 6,31ab
Azoxistrobina 60g ha-1
12,73c 0,252a 247,55a 6,25ab
Boscalida 75g ha-1 22,66a 0,252a 221,50a 4,70b
Piraclostrobina 50g ha-1 18,44b 0,285a 255,21a 6,66 a
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g ha-1 18,58b 0,285a 240,63a 6,81 a
C.V(%) 6,95 19,28 12,88 14,06
Tabela 5 - Eficiência do uso da água (A/E, μmolCO2 (mmol H2O)-1) e eficiência de carboxilação
(A/Ci) em plantas de melão rendilhado aos 36 DAT, sendo os tratamentos: T1–testemunha; T2– azoxistrobina 60g ha-1; T3–boscalida 75g ha-1; T4–piraclostrobina 50g ha-1; T5–boscalida (37,5g
ha-1) + piraclostrobina (25g ha-1). FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010
EUA A/ Ci Tratamentos Testemunha 1,82b 0,045c Azoxistrobina 60g ha-1 2,11b 0,0525bc Boscalida 75g ha-1 4,88a 0,102ª Piraclostrobina 50g ha-1 2,79b 0,0725bc
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g ha-1 2,72b 0,0775ab
Tabela 6 - Taxa de assimilação de CO2 (A, μmol m-2 s-1); condutância estomática (gs, mol m-2 s-1),
concentração interna de CO2 na folha (Ci, μmol mol-1), taxa de transpiração (E, mmol m-2 s-1) em
plantas de melão rendilhado aos 44 DAT, sendo os tratamentos: T1–testemunha; T2–azoxistrobina 60g ha-1; T3–boscalida 75g ha-1; T4–piraclostrobina 50g ha-1; T5–boscalida (37,5g ha-1) +
piraclostrobina (25g ha-1). FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010
Tratamentos A gs Ci E
Testemunha 6,84c 0,210a 219,40a 3,61 a
Azoxistrobina 60g ha-1 10,44bc 0,211a 162,70a 4,02 a
Boscalida 75g ha-1 16,27a 0,180a 159,60a 2,89 a
Piraclostrobina 50g ha-1 11,92abc 0,167a 246,99a 2,31 a
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g ha-1 14,83ab 0,180a 137,18a 2,89 a
C.V(%) 19,32 36,06 37,62 31,19
Tabela 7 - Eficiência do uso da água (A/E, μmolCO2 (mmol H2O)-1) e eficiência de carboxilação
(A/Ci) em plantas de melão rendilhado aos 44 DAT, sendo os tratamentos: T1–testemunha; T2– azoxistrobina 60g ha-1; T3–boscalida 75g ha-1; T4–piraclostrobina 50g ha-1; T5–boscalida (37,5g
ha-1) + piraclostrobina (25g ha-1). FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010
EUA A/ Ci Tratamentos Testemunha 1,89b 0,032b Azoxistrobina 60g ha-1 2,68b 0,067ab
Boscalida 75g ha-1 6,22a 0,110ab
Piraclostrobina 50g ha-1 6,90a 0,0575ab
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g ha-1 5,55a 0,137ª
C.V(%) 17,89 18,64
Tabela 8 - Taxa de assimilação de CO2 (A, μmol m-2 s-1); condutância estomática (gs, mol m-2 s-1),
concentração interna de CO2 na folha (Ci, μmol mol-1), taxa de transpiração (E, mmol m-2 s-1) em
plantas de melão rendilhado aos 58 DAT, sendo os tratamentos: T1–testemunha; T2–azoxistrobina 60g ha-1; T3–boscalida 75g ha-1; T4–piraclostrobina 50g ha-1; T5–boscalida (37,5g ha-1) +
piraclostrobina (25g ha-1). FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010.
Tratamentos A gs Ci E
Testemunha 9,76c 0,105a 173,13a 4,11ª
Azoxistrobina 60g ha-1 14,60bc 0,117a 135,27a 4,45ª
Boscalida 75g ha-1 23,03a 0,167a 161,51a 6,54ª
Piraclostrobina 50g ha-1 19,55ab 0,127a 104,95a 4,88ª
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g ha-1 17,86ab 0,130a 132,54a 5,05ª
C.V(%) 16,13 32,96 30,15 28,30
Tabela 9 - Eficiência do uso da água (A/E, μmolCO2 (mmol H2O)-1) e eficiência de carboxilação
(A/Ci) em plantas de melão rendilhado aos 58 DAT, sendo os tratamentos: T1–testemunha; T2– azoxistrobina 60g ha-1; T3–boscalida 75g ha-1; T4–piraclostrobina 50g ha-1; T5–boscalida (37,5g
ha-1) + piraclostrobina (25g ha-1). FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010
EUA A/ Ci
Tratamentos
Testemunha 2,51a 0,060b
Azoxistrobina 60g ha-1 3,65a 0,112ab
Boscalida 75g ha-1 3,55a 0,157ab
Piraclostrobina 50g ha-1 4,11a 0,202 a
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g ha-1 3,61a 0,160ab
Em trabalho realizado por Amaro (2011), em plantas de pepino japonês enxertada e não enxertada a aplicação da mistura de boscalida + piraclostrobina nas plantas não enxertadas mostrou-se mais eficiente no aumento do índice de clorofila nas folhas. Porém nas plantas enxertadas o resultado para o teor de clorofila concorda com o obtido nesse trabalho, uma vez que o boscalida aplicado isoladamente foi suficiente para influenciar maior índice de clorofila. Segundo Amaro (2011), o índice de clorofila tem estreita relação com a quantidade de nitrogênio na planta, uma vez que este é um de seus principais elementos constituintes; portanto a atividade da nitrato redutase é estritamente ligada a essa característica.
Assim, a atividade nitrato redutase (Tabela 18) acompanhou os resultados apresentados pelas trocas gasosas e índice de clorofila, mostrando sua atividade alta com a aplicação isolada de boscalida na última avaliação (80DAT), momento no qual a assimilação de nitrogênio era muito importante pois as plantas de melão rendilhado estavam investindo no desenvolvimento de seus frutos.
Tabela 10 - Atividade da nitrato redutase (NR, μg nitrito min-1 g-1), em plantas de melão rendilhado, com aplicação de diferentes fungicidas aos 36, 57 e 80 dias após o transplante das mudas (DAT). FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010.
NR atividade (μg nitrito min-1 g-1)
Tratamentos 36DAT 57DAT 80DAT
Testemunha 33,54b 31,16b 50,46ª
Azoxistrobina 60g ha-1 33,61b 41,36ab 48,25ª
Boscalida 75g ha-1 38,23ab 35,99ab 55,69ª
Piraclostrobina 50g ha-1 40,54ab 42,18ab 55,67ª
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina
25g ha-1 48,39a 44,26a 49,72ª
C.V(%) 18,63 14,68 18,08
O boscalida também mostrou-se eficiente em aumentar a atividade da nitrato redutase no início do desenvolvimento das plantas de pepino, tanto para plantas enxertadas, quanto para não enxertadas, e junto com o aumento no índice de clorofila promovido pelo fungicida houve
aumento na taxa de assimilação de CO2, condutância estomática e transpiração, além de eficiência do uso da água e eficiência de carboxilação aos 43DAT (AMARO, 2011).
A aplicação de boscalida também influenciou o sistema antioxidativo constatado na primeira avaliação (36 DAT), pois as enzimas antioxidativas, SOD e POD, diferindo estatisticamente nos tratamentos, apresentaram alta atividade agindo como protetor contra o estresse (Tabela 11). Na segunda avaliação(Tabela 12), aos 57DAT, a POD continuou tendo alta atividade acompanhada da CAT e essa persistiu com a sua atividade alta até a última avaliação(70DAT) (Tabela 13). Nas últimas avaliações, ocorreu diminuição da atividade da enzima SOD em relação aos outros tratamentos, confirmando assim que essa enzima é a primeira na linha de defesa contra o estresse, produzindo substrato para a ação da POD e a CAT que conseguiram controlar o estresse das plantas, uma vez que essas continuaram a ter as maiores taxas de assimilação de CO2, característica muito afetada caso as plantas estivessem passando por um processo intenso de estresse.
Tabela 11- Atividade da superóxido dismutase (SOD, U mg-1 de proteina), atividade da
peroxidase (POD, μmol de purpurogalina min-1 mg-1 de proteína) e atividade da catalase (μKat
μg-1 de proteina) em plantas de melão rendilhado, aos 36 dias após o transplante (DAT), com
aplicação de diferentes fungicidas. FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010.
36DAT
Tratamentos SOD POD CAT
Testemunha 3612,05ab 118,36b 4,62ª
Azoxistrobina 60g ha-1 6686,37ab 301,20b 5,38ª
Boscalida 75g ha-1 9264,46a 891,11a 5,27ª
Piraclostrobina 50g ha-1 2709,93b 290,72b 7,12ª
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g ha-
1
4503,03ab 201,55b 4,16ª
Tabela 12- Atividade da superóxido dismutase (SOD, U mg-1 de proteina), atividade da
peroxidase (POD, μmol de purpurogalina min-1 mg-1 de proteína) e atividade da catalase (μKat
μg-1 de proteina) em plantas de melão rendilhado, aos 57 dias após o transplante (DAT), com
aplicação de diferentes fungicidas. FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010.
57DAT
Tratamentos SOD POD CAT
Testemunha 12155,25a 1986,06ab 1,26b
Azoxistrobina 60g ha-1
18589,32a 2393,95a 0,87b
Boscalida 75g ha-1 8629,24a 3079,49a 4,16ª
Piraclostrobina 50g ha-1 10412,78a 2442,41a 1,67b
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g
ha-1 17343,32a 1159,51b 1,64b
C.V(%) 21,11 27,71 12,45
Tabela 13- Atividade da superóxido dismutase (SOD, U mg-1 de proteina), atividade da
peroxidase (POD, μmol de purpurogalina min-1 mg-1 de proteína) e atividade da catalase (μKat
μg-1 de proteina) em plantas de melão rendilhado, aos 70 dias após o transplante (DAT), com
aplicação de diferentes fungicidas. FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010.
70DAT
Tratamentos SOD POD CAT
Testemunha 939,60b 1714,52a 1,16b
Azoxistrobina 60g ha-1
1120,7b 1625,35a 0,69b
Boscalida 75g ha-1
1420,49b 1822,86a 2,9ª
Piraclostrobina 50g ha-1 1593,15b 1963,85a 0,81b
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g
ha-1 7455,10a 1919,47a 1,3b
Resultado semelhante foi encontrado por Amaro(2011) no qual a aplicação do boscalida incrementou o sistema antioxidativo nas plantas enxertadas no início da produção dos frutos, resultando em maior atividade da SOD, POD e uma das maiores de CAT; no ápice da produção, a atividade das enzimas permaneceu entre as mais altas caindo no final da produção dos frutos.
A influência positiva do boscalida nas características citadas refletiu positivamente na produção dos frutos, uma vez que esses foram os que apresentaram maior massa quando comparados aos demais tratamentos (Tabela 14). Esse fato ocorreu possivelmente em função das altas taxas de assimilação de CO2, disponibilizando mais fotoassimilados, alta atividade da nitrato redutase, fixando o nitrogênio utilizado na produção dos frutos e a diminuição do estresse através do aumento da atividade das enzimas antioxidativas. Esse resultado também foi encontrado na produção do pepino japonês enxertado no qual o tratamento com boscalida foi o segundo maior em incremento na produção dos frutos chegando a 40% em relação à testemunha (AMARO, 2011).
Tabela 14- Massa de frutos (g) de melão rendilhado sendo os tratamentos: T1–testemunha; T2– azoxistrobina 60g ha-1; T3–boscalida 75g ha-1; T4–piraclostrobina 50g ha-1; T5–boscalida (37,5
ha-1) + piraclostrobina (25g ha-1). FCA/UNESP, São Manuel-SP, 2010.
M assa (g/ fruto) Tratamentos Testemunha 719,39c Azoxistrobina 60g ha-1 686,35bc Boscalida 75g ha-1 881,44 a
Piraclostrobina 50g ha-1 821,34abc
boscalida 37,5g ha-1 + piraclostrobina 25g ha-1 853,44ab
C.V(%) 10,13
Sirtoli (2011) estudou a aplicação de doses de boscalida em pepino japonês enxetado e não enxertado e os resultados de produtividade não apresentaram diferenças estatísticas significativas, no entanto, as plantas enxertadas produziram 11,58% a mais do que as plantas não enxertadas, o que na prática, é considerável ao produtor. Esse aumento pode ser resultado
das maiores taxas de assimilação de CO2, Eficiência do Uso da Água, Eficiência de Carboxilação da Rubisco, menor concentração interna de CO2 na câmara subestomática, menor estresse oxidativo, aumento na quantidade de proteínas solúvel total e maior atividade da enzima nitrato redutase. O efeito fisiológico do boscalida tanto em pepineiro enxertado como não enxertado foi obtido com as doses de 75 e 100 g i.a. ha-1.
Dentre os fungicidas, a azoxitrobina foi o menos eficiente, pois as plantas tratadas apresentaram menor taxa de assimilação de CO2 ao longo do ciclo (Tabela 4,6 e 8). Isso possivelmente se deve ao fato das folhas também apresentarem o menor índice SPAD o que pode refletir em menor teor de clorofila (Tabela 3) característica que pode influenciar a assimilação de CO2. Além disso, foram nessas plantas que foi encontrada a menor atividade da nitrato redutase (Tabela 10) na primeira e na última avaliação, resultando possivelmente em menor fixação de nitrogênio. As enzimas antioxidativas, de um modo geral, também obtiveram atividade baixa em todas as avaliações (Tabela 11,12 e 13) para SOD, POD e CAT. Todos esses fatores, possivelmente, influenciaram a formação dos frutos provenientes das plantas tratadas com azoxitrobina, pois foram os que apresentarem a menor massa.
Discordando dos dados encontrados nesse trabalho, Kaneko & Ishii (2009) observaram que a aplicação de azoxistrobina nos fungos Fusarium graminearum e Microdochium nivale aumentou a formação das espécies reativas de oxigênio, incrementando a atividade da SOD e CAT . A aplicação de azoxistrobina em trigo também contribuiu para o atraso no processo de senescência das folhas, estimulando a atividade da SOD e POD, retardando a produção de superóxido (O2o-), além de funcionar como um protetor contra o estresse (WU & VON TIEDEMANN, 2001).
A mistura dos fungicidas piraclostrobina + boscalida assim como o boscalida aplicado isolado influenciou no aumento do índice SPAD das folhas como pode ser observado na Tabela 3. Isso possivelmente refletiu nas trocas gasosas uma vez que a assimilação de CO2 foi alta, porém não mais alta que as plantas tratadas apenas com boscalida. Além disso, foram nas plantas tratadas com a mistura que a atividade da enzima nitrato redutase foi mais alta na primeira e na segunda avaliação, 36 e 44DAT, porém essa atividade foi ultrapassada pelas plantas que tiveram a aplicação do boscalida isolado na última avaliação (70 DAT), momento em que a fixação do nitrogênio era importante para o crescimento dos frutos (Tabela 10).
O sistema antioxidante sofreu influência positiva quando as plantas foram tratadas com a mistura de piraclostrobina e boscalida ocorrendo na primeira coleta (36DAT) a atividade mais alta das enzimas, SOD, POD e CAT quando as mesmas foram comparadas aos outros tratamentos (Tabela 11). A SOD manteve sua atividade elevada nas outras duas coletas, aos 57
e 70DAT, enquanto que a atividade da POD e da CAT foram ultrapassada pelos outros tratamentos na coleta aos 57DAT (Tabela 12). Na última coleta, aos 70DAT, a enzima POD aumentou sua atividade novamente como pode ser observado na Tabela 13.
O maior índice SPAD possivelmente refletiu em elevada taxa de assimilação CO2 e na alta atividade do sistema antioxidante de um modo geral, buscando assim controlar o estresse das plantas; isso acabou refletindo na massa dos frutos uma vez que o segundo melhor tratamento para essa característica foram encontrados nas plantas tratadas com a mistura de piraclostrobina + boscalida. Esses dados concordam com os obtidos nas plantas de pepino japonês não enxertadas, que tiveram com mistura dos fungicidas aumento na produção total dos frutos de 17%, resultado proveniente de alto índice SPAD na planta, aumento nas trocas gasosas além de alta atividade da enzima nitrato redutase (AMARO, 2011).
Fagan (2007) verificou que com a aplicação de piraclostrobina na cultura da soja houve aumento da taxa de assimilação de CO2, principalmente na primeira fase do desenvolvimento da cultura, aumentando também o índice de clorofila nas folhas e produção de grãos. Além disso, a aplicação da piraclostrobina incrementou a atividade da nitrato redutase, também na fase inicial do desenvolvimento.
Esses dados concordam com os encontrados nesse trabalho em relação ao aumento da taxa de assimilação de CO2 (Tabela 4,6 e 8), do índice SPAD nas folhas (Tabela 3) e da atividade da enzima nitrato redutase (Tabela 10). Esses dados também concordando com os encontrados por Dunne (2005), no qual as estrobilurinas melhoraram o metabolismo do nitrogênio e inibiram a síntese do etileno, além de retardar o amarelecimento das folhas pela degradação da clorofila, atrasando a senescência. Beck et al. (2002) também relataram que a aplicação de estrobilurinas em trigo, livre de doença, aumenta a atividade fotossintética e fluorescência da clorofila, além de retardar a senescência, resultando em maior produção.
Aplicação de estrobilurinas, como kresoxim-methyl, piraclostrobina, azoxistrobina, trifloxistrobina e picoxistrobina, diminuíram a taxa de assimilação líquida de CO2, taxa de
transpiração, condutância estomática em trigo, cevada e soja possivelmente pela redução da produção de ATP, provocada pelo bloqueio do transporte de elétrons no complexo do citocromo bc1, pode ter prejudicado o funcionamento normal do metabolismo nas células- guarda, reduzindo o turgor, e, consequentemente, a abertura estomática, uma vez que o potencial osmótico das células-guarda é limitado pela produção de ATP. A proporção de
Fv/Fm também diminuiu, o que indica que as estrobilurinas inibiram a fotossíntese diretamente, talvez independentemente do que possa ter ocorrido nos estômatos (NASON et al., 2007).
5.5 EFEITOS FISIOLÓGICOS NA PÓS COLHEITA DOS FRUTOS DE MELÃO RENDILHADO
Como a maioria dos resultados presentes na literatura foram obtidos em experimentos em grandes culturas, como soja, milho, trigo, feijão e cevada, sendo encontrados poucos relatos sobre efeitos fisiológicos em hortaliças, o estudo da pós colheita de frutos está começando, existindo ainda muitas controvérsias nesse assunto e poucos dados sobre esses efeitos em plantas sadias.
A colheita dos frutos de melão rendilhado foi realizada no dia 23 de dezembro de 2010, 81 dias após o transplante das mudas, com uma colheita única. Depois de colhidos, os frutos foram levados para o laboratório para as análises pós colheita.
Os resultados referentes à acidez titulável dos frutos de melão rendilhado podem ser observados na Tabela 15. Observa-se que os frutos das plantas testemunhas foram os que apresentaram maior valor para essa característica.
Sabe-se que os teores de ácidos orgânicos nos frutos são influenciados por vários fatores, entre eles o estádio de maturação, nutrição e condições climáticas. Após o amadurecimento, durante a colheita e no armazenamento, a quantidade de ácidos orgânicos tende a cair, em função dos processos respiratórios, pois ocorre a oxidação e a conversão em açúcares (CHITARRA e CHITARRA, 2005).
Kohatsu (2007) observou a acidez titulável, ao longo do período de armazenamento, de frutos provenientes de plantas de melão rendilhado, tratadas com reguladores vegetais; na primeira avaliação após a colheita não houve diferença estatística entre os tratamentos, apesar das plantas controle apresentarem maior valor para essa característica assim como neste trabalho.
Segundo Araújo (2005) a perda de acidez é desejável em grande parte dos frutos e marcante no processo de amadurecimentoApós a colheita e durante o armazenamento, a concentração de ácidos orgânicos tende a cair na maioria dos frutos, devido à larga