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Chapter 6: Educational movement within and outside the school…

6.1 Teacher attitude

6.1.3 The teachers’ approach

A psicofarmacologia é a parte da farmacologia voltada para o estudo dos efeitos das drogas que atuam no SNC, gerando alterações das funções mentais, principalmente quanto ao humor, emoções e atividade psicomotora. Estas drogas que atuam no SNC e que de alguma forma modificam o funcionamento cerebral são conhecidas como fármacos psicotrópicos (ALMEIDA; BARBOSA-FILHO, 2006).

A história da psicofarmacologia moderna inicia-se no final da década de 40, quando foram introduzidos os primeiros fármacos com a finalidade específica de tratar os transtornos psiquiátricos. O primeiro relato de tratamento da mania com lítio, realizado por Cadê ocorreu em 1949, seguido pela descrição dos efeitos antipsicóticos da clorpromazina em 1952, por Delay e Deniker. Os primeiros ansiolíticos foram o meprobamato (1954) e o clordiazepóxido (1957), seguido por uma ampla gama de benzodiazepínicos (GORENSTEIN; SCAVONE, 1999; BALDESSARINI, 2005).

Até o final da década de 50 já haviam sido descobertos cinco grupos de drogas capazes de promover efeitos clínicos em transtornos psiquiátricos: antipsicóticos (clorpromazina, haloperidol), antidepressivos tricíclicos (imipramina), antidepressivos IMAO (iproniazida), ansiolíticos (meprobamato e clordiazepóxido) e antimania (lítio) (GORENSTEIN; SCAVONE, 1999).

As funções do SNC são bastante complexas e a classificação dos fármacos psicotrópicos está muito longe de ser simples, dada a tamanha dificuldade em definir e medir os índices de função cerebral afetados por estas drogas, logo, ainda não existe uma

base única satisfatória e consistente para esta classificação (KATZUNG, 2003; BLOOM, 2006).

Com o intuito de contemplar o maior número de drogas que exercem efeito no SNC, Almeida e Barbosa-Filho (2006) classificaram as drogas psicotrópicas em:

Psicoanalépticos (estimulantes da atividade do SNC), que inclui as drogas que excitam o psiquismo, tais como: agentes convulsivantes, drogas inibidoras do apetite, estimulantes da vigília, estimulantes maiores e menores e drogas antidepressivas;

Psicolépticos (depressores da atividade do SNC), que inclui os neurolépticos (antipsicóticos), hipnóticos, ansiolíticos, analgésicos opióides, álcoois, anestésicos gerais e anticonvulsivantes;

Psicodislépticos (alucinógenos ou perturbadores da atividade do SNC), cujas drogas compreendidas nesta classe não têm uso terapêutico, e podem ser dividas em alucinógenos verdadeiros (ex: ecstasy, LSD e heroína) e alucinógenos secundários (ex: atropina e escopolamina);

Parapsicotrópicos, que correspondem aos medicamentos que não apresentam um perfil adequado a nenhuma das classes anteriores. São eles: estabilizadores do humor, drogas para o tratamento do alcoolismo e drogas antiparkinsonianas.

As principais e mais estudadas classes dos psicotrópicos são os psicolépticos e os psicoanalépticos, divididos em neurolépticos, antidepressivos, antiepilépticos (anticonvulsivantes), ansiolíticos, hipnóticos, relaxantes musculares, e analgésicos (CALIXTO et al., 2000; LIRA, 2001; POLATIN; DERSH, 2004).

2.3.1. PSICONANALÉPTICOS

2.3.1.1. Antidepressivos

Os antidepressivos são usados no tratamento da depressão e na elevação do humor – que é um dos vários sintomas desse distúrbio (ALMEIDA; BARBOSA-FILHO, 2006). Os antidepressivos podem ser classificados de acordo com a estrutura química ou as propriedades farmacológicas. A estrutura cíclica (anéis benzênicos) caracteriza os antidepressivos heterocíclicos (tricíclicos e tetracíclicos) (MORENO; MORENO; SOARESM, 1999).

Atualmente os antidepressivos, preferencialmente, são classificados em função da ação farmacológica, mais útil na prática clínica porque os antidepressivos de nova geração não compartilham estruturas comuns. Podemos dividi-los de acordo com o mecanismo de ação proposto, aumentando a eficiência sináptica da transmissão monoaminérgica (particularmente de neurônios noradrenégicos e/ou serotonérgicos). Medicamentos antidepressivos produzem aumento na concentração de neurotransmissores na fenda sináptica através da inibição do metabolismo, bloqueio de recaptura neuronal ou atuação em autoreceptores pré-sinápticos (BEZCHLIBNYK-BUTLER; JEFFRIES, 1999; MORENO; MORENO; SOARES, 1999)

Os medicamentos de uso clínico podem ser divididos em tricíclicos (imipramina e amitriptilina), tetracíclicos (metralindol, mianserina), agentes heterocícilicos (amoxapina e bupropiona), inibidores seletivos da recaptação de neurotransmissores (por exemplo, a fluoxetina, paroxetina e sertralina, que inibem seletivamente a recaptura de serotonina) e inibidores da monoamina oxidase (maclobemida, fenelzina e tranilcipromina). Todos eles exercem seus efeitos terapêuticos aumentando seletivamente as aminas biogênicas neurotransmissoras em múltiplas vias no SNC (SAWYNOK; ESSER; REID, 2001; BLIER; ABBOT, 2001; ALMEIDA, 2006).

2.3.2. PSICOLÉPTICOS

2.3.2.1. Neurolépticos

Os neurolépticos ou antipsicóticos são fármacos utilizados principalmente no tratamento de pacientes com psicose ou outras doenças psiquiátricas graves marcadas por agitação ou comprometimento do pensamento (BALDESSARINI; TARAZI, 2005).

Embora esses termos sejam frequentemente usados como sinônimos eles possuem uma ligeira, porém importante, diferença na sua conotação. O termo “neuroléptico” enfatiza as ações neurológicas dos fármacos, que se manifestam como efeitos adversos do tratamento (efeitos extrapiramidais). O termo “antipsicótico” denota a capacidade desses fármacos de abolir a psicose e aliviar a desorganização do processo mental nos pacientes esquizofrênicos (STANDAERT; GALANTER, 2009).

São classificados em neurolépticos clássicos ou típicos e os de nova geração ou atípicos (GOLDURÓZ; BARBOSA, 2006). Os neurolépticos típicos são aqueles que atuam bloqueando principalmente os receptores dopaminérgicos chamados D2, além dos

receptores muscarínicos do sistema colinérgico, atuando por antagonismo farmacológico na via mesolímbica, via essa postulada como causadora de sinais e sintomas das psicoses. Estão incluídos nessa classe de fármacos o haloperidol e a clorpromazina. Já os neurolépticos atípicos são definidos farmacologicamente como antagonistas da serotonina- dopamina, sendo menos específicos que os neurolépticos típicos por bloquearem mais de um sistema. Além disso, apresentam menos efeitos extrapiramidais (atuam com menor especificidade na via nigroestriatal) e possuem eficácia sobre os sintomas negativos da esquizofrenia (STHAL, 2000). Os cinco principais antipsicóticos atípicos incluem a clonazina, a olanzapina, a quetiapina, a ziprasidona e a risperidona (STANDAERT; GALANTER, 2009).

2.3.2.2. Antiepilépticos

O termo antiepiléptico é usado como sinônimo de anticonvulsivante para descrever fármacos usados para tratar epilepsia (que não causa convulsões necessariamente) bem como distúrbios convulsivos não-epilépticos (RANG et al, .2007).

Os antiepilépticos são fármacos que, quando administrados por um período prolongado, diminuem a incidência e/ou severidade da ocorrência das convulsões em pacientes com epilepsia. Estas drogas são usadas, principalmente, para supressão das convulsões epilépticas sem comprometimento do SNC e sem depressão respiratória (SCHLINGER; POLING, 1988; OLIVEIRA et al., 2001).

Os antiepilépticos atualmente disponíveis incluem quatro categorias: fármacos que aumentam a inibição mediada pelos canais de sódio (fenitoína, carbamazepina, ácido valpróico e lamotrigina), fármacos que inibem os canais de cálcio (etossuximida), fármacos que aumentam a inibição mediada pelo GABA (benzodiazepínicos - diazepam, lorazepam, midazolam, clonazepam; e barbitúricos – fenobarbital) e fármacos que inibem os receptores do glutamato (felbamato) (GRIFFIN; LOWENSTEIN, 2009).

2.3.2.3. Ansiolíticos e Hipnóticos

Os ansiolíticos e hipnóticos são drogas utilizadas no tratamento dos sintomas da ansiedade e no tratamento da insônia, respectivamente. Apesar dos objetivos clínicos serem diferentes, as mesmas drogas são frequentemente, usadas para ambas as finalidades. Os principais grupos de fármacos são os benzodiazepínicos (diazepam e clordiazepóxido),

buspirona (agonista do receptor 5-HT1A), antagonistas dos receptores beta-adrenérgicos

(propranolol); zolpidem (hipnótico que atua de forma semelhante aos benzodiazepínicos, porém sem grande atividade ansiolítica), barbitúricos (fenobarbital e pentobarbital, embora estejam obsoletos como ansiolíticos e hipnóticos), e outras drogas (hidrato de cloral, meprobamato e metaqualona) (SCHATZBERG; COLE; DEBATTISTA, 2003; ARGUROPOULUS; SANDFORD; NUTT, 2000).

Os benzodiazepínicos exercem um efeito ansiolítico através da inibição das sinapses no sistema límbico, uma região do SNC que controla o comportamento emocional e que se caracteriza por uma alta densidade de receptores GABAA. Eles também são prescritos para

o tratamento da insônia por facilitarem o início do sono e aumentarem a duração global do sono (FORMAN et al., 2009).

2.3.2.4. Relaxantes Musculares

Os relaxantes musculares incluem as drogas que não possuem efeitos periféricos no tônus muscular, mas sim efeitos no SNC, que causam relaxamento muscular, incluindo-se nesse grupo o baclofeno, mefenesina e alguns benzodiazepínicos (SCHOFFERMAN, 2003).

Dos Santos Jr. (1995) afirma que o uso desses medicamentos induz a um relaxamento central dos músculos pela supressão parcial dos impulsos nervosos para os músculos estriados. Esta modulação da contração muscular é atingida pela ação do medicamento no SNC. Estes compostos afetam a atividade neural associada com os reflexos de estiramento muscular (OKESON, 1996). No entanto, segundo Dionne (1997), não está claro se os relaxantes musculares (RM) agem somente no SNC ou se também possuem uma atividade de relaxamento específica.

2.3.2.5. Analgésicos de Ação Central

Os analgésicos de ação central ou analgésicos opióides são substâncias naturais, semi-sintéticas ou sintéticas que agem no cérebro, no tronco encefálico, na medula espinhal e nas terminações nervosas periféricas aferentes primárias, sua principal característica é a de aumentar o limiar da dor neuronal ao estímulo nocivo ou até mesmo erradicar a sensação dolorosa. Foram identificados pelo menos três tipos de receptores no SNC, onde os opióides se acoplam, a saber: receptores opióides mu ( ), kappa (κ) e sigma (σ)

(ALMEIDA; BARBOSA-FILHO, 2006; ALMEIDA; OLIVEIRA, 2006a; GRIFFIN; WOOLF, 2009).

O termo “opióide” é habitualmente empregado para substâncias de natureza sintética ou peptídica com ação semelhante à morfina, enquanto que “opiáceo” representa uma terminologia mais antiga, sendo aplicado a sustâncias naturais ou semi-sintéticas isoladas do ópio como a morfina e codeína. Entretanto, alguns autores relacionam o termo opióide de forma ampla a todos os compostos que estão relacionados com o ópio, o suco leitoso extraído da Papaver somniferum L. (papoula) (GUTSTEIN; AKIL, 2005; RANG et al., 2007).

Os seus efeitos variam de benéficos, como a analgesia, sensação de bem-estar e calma, até colaterais, como dependência, tolerância, sedação, náuseas, constipação e depressão respiratória, sendo necessário o conhecimento da dose e duração do tratamento adequado p evitar estes efeitos (GANGAROSA; MAHAN; CIARLONE, 1991). Segundo vários autores, (GANGAROSA; MAHAN; CIARLONE, 1991; OKESON, 1996; TUCKER; DOLWICK, 1996; TORTAMANO, 1997) os opióides são mais úteis em condições de dores agudas, quando há exacerbação da dor musculoesquelética, já que produzem menos efeitos colaterais quando usados num curto período de tempo (DOS SANTOS JR., 1995).

A morfina, a codeína (metilmorfina) e seus derivados semi-sintéticos constituem os opióides mais amplamente utilizados para o controle da dor. Tipicamente a morfina é considerada o opióide de referência com o qual os outros opióides são comparados. Os antagonistas dos receptores opióides são utilizados para reverter os efeitos colaterais potencialmente fatais da administração de opióides, especificamente a depressão respiratória. A naloxona, que é um desses antagonistas, é um derivado sintético da oximorfona, e utilizada através da administração por via parenteral (GRIFFIN; WOOLF, 2009).