4.5.1 Condição de Moradias
Os indicadores de condições de moradia podem ser efetivos para observar se o desenvolvimento está ocorrendo de forma sustentável. Serão analisados: relação de domicílios com água encanada, domicílios com energia elétrica e domicílios com instalação adequada de esgoto. A partir desses indicadores será possível avaliar se o desenvolvimento das microrregiões tende a ser sustentável, já que as questões ambientais estão interligadas com as condições de vida da população.
Microrregião de Araranguá
Na microrregião de Araranguá, conforme mostra a tabela 45, os indicadores relacionados às condições de moradia se encontram favoráveis, com exceção dos domicílios com instalação de esgoto adequado, que ainda apresentam índices relativamente baixos.
Os domicílios com água encanada, que em 1991 eram representados por 90,97% do total, no ano de 2000 já representavam quase a totalidade de todos os domicílios, 98,89%.
TABELA 45: Indicadores de Moradia – Microrregião de Araranguá 1991 e 2000 (%)
Indicadores 1991 2000
Domicílios com água encanada 90,97 98,89
Domicílios com energia elétrica 98,45 99,81
Domicílios com instalação de esgoto adequado 57,17 77,33
Fonte: Dados primários: IPEA-DATA. Elaboração da autora.
Um melhora ainda mais acentuada está no indicador relacionado à energia elétrica. Em 1991, este era encontrado em 98,45% de todas as residências, e em 2000 passou para 99,81%. Onde se pode apontar que houve investimentos no setor de infra- estrutura da microrregião.
Não tão representativo, mas com uma evolução de melhoria ainda maior que os outros indicadores já mencionados, estão as instalações de esgoto adequado na microrregião. Em 1991 apenas 57,17% dos domicílios possuíam esse benefício e em 2000 alcançou 77,33% do total.
Microrregião de Chapecó
A microrregião de Chapecó não apresenta os indicadores tão favoráveis qaunto os da microrregião de Araranguá, porém a evolução de melhoria durante o período de 1991 a 2000 foi bem mais expressiva.
Em 1991, pouco mais de 70% dos domicílios possuíam água encanada, em 2000 esse indicador já era encontrado em quase 90% de todas as casas, uma evolução de 23,9% em menos de 10 anos. O que representa maior qualidade de vida para os residentes e redução de doenças provocadas pelo consumo de água inadequada.
TABELA 46: Indicadores de Moradia – Microrregião de Chapecó 1991 e 2000 (%)
Indicadores 1991 2000
Domicílios com água encanada 72,17 89,38
Domicílios com energia elétrica 81,34 94,35
Domicílios com instalação de esgoto adequado 46,42 40,94
Fonte: Dados primários: IPEA-DATA. Elaboração da autora.
Em 1991 a proporção de domicílios que possuíam energia elétrica era de 81,34%. Em 2000 aumentou para 94,35%.
Do outro lado está o indicador que apresenta as instalações adequadas de esgoto, que na microrregião de Chapecó, menos da metade da população está provida desse benefício, o que se faz perceber que fortes investimentos devem ser feitos uma vez que, más condições sanitárias estão diretamente ligadas com as condições de saúde da população.
E para agravar a situação, a microrregião de Chapecó teve redução no indicador, em 1991, 46,42% das residências possuíam instalações adequadas de esgoto e no ano de 2000 baixou para 40,94%, o que representa um sinal de alerta para as instituições públicas.
Microrregião de Florianópolis
A microrregião de Florianópolis, conforme mostra a tabela a seguir, apresenta excelentes índices para os indicadores de domicílios com água encanada e energia elétrica. No ano de 2000 praticamente toda a população da microrregião era beneficiada com esses serviços.
No entanto, os problemas atuais estão relacionados à escassez da água. Devido ao crescimento da população nos meses de verão, diversas áreas da região costumam sofrer com problemas de abastecimento.
TABELA 47: Indicadores de Moradia – Microrregião de Florianópolis 1991 e 2000 (%)
Indicadores 1991 2000
Domicílios com água encanada 97,61 99,14
Domicílios com energia elétrica 98,74 99,70
Domicílios com instalação de esgoto adequado 38,78 46,85
Fonte: Dados primários: IPEA-DATA. Elaboração da autora.
Em contrapartida, o indicador que se refere aos domicílios com instalação de esgoto adequado, os índices são alarmantes. Em 1991, apenas 38,78% dos domicílios possuíam instalações sanitárias adequadas. Em 2000 o índice apresentou relativa melhora, porém ainda assim, menos da metade da população não possui esse benefício. Por ser uma região litorânea, grande parte da rede de esgoto é despejada em mares, aumentando a poluição das águas, praias e lençóis freáticos.
A microrregião de Florianópolis enfrenta outro grave problema no que se refere às condições de moradias que é a questão da sazonalidade. No período do verão, quando a população quase triplica, o excesso de dejetos sanitários é lançado nos rios da região que desembocam no mar, comprometendo a balneabilidade das praias e a saúde os moradores e dos turistas que freqüentam a região.
Fossas e sumidouros domiciliares para esgotos domésticos devem ser evitados. Na maioria dos casos, devido à proximidade com o nível do mar e o tipo de solo que predomina na região de Florianópolis, estas soluções acabam contaminando as praias e o lençol freático. Universalizar os serviços de captação e tratamento de esgotos que hoje atinge menos da metade dos moradores do município, e também fiscalizar, localizar e lacrar as ligações clandestinas. Criar um setor de análise e fiscalização dos projetos hidrossanitários para orientar e fiscalizar os novos loteamentos e construções garantindo instalações adequadas. Desenvolver sistemas de tratamento descentralizado, comunitários. Implantar sistemas biológicos automatizados com desinfecção e eliminando a necessidade de grandes áreas. Controlar mais rigorosamente as empresas “Limpa-Fossas” quanto a volumes coletados pontos de lançamento e tratamento utilizado.
Dessa maneira, com o crescimento demográfico na microrregião e o aumento dos dejetos líquidos poluentes, o crescimento sustentável estaria menos vulnerável e o bem- estar da população em relação às condições de moradia estaria garantido.
Microrregião de Tijucas
A tabela 48 mostra que os indicadores na microrregião de Tijucas vieram contribuindo para uma melhora expressiva. Em 1991, mais de 90% dos domicílios possuíam água encanada e rede de energia elétrica adequada. Em 2000 esses benefícios chegaram a mais de 95% de todas as residências.
TABELA 48: Indicadores de Moradia – Microrregião de Tijucas 1991 e 2000 (%)
Indicadores 1991 2000
Domicílios com água encanada 91,23 96,92
Domicílios com energia elétrica 97,66 99,50
Domicílios com instalação de esgoto adequado 42,16 70,5
Fonte: Dados primários: IPEA-DATA. Elaboração da autora.
As instalações de esgoto adequado também tiveram acentuada melhoria no ano de 2000, onde se deduz que houve um aumento no número de habitações ligadas à rede de coleta e tratamento de esgotos adequado, combate às ligações clandestinas na rede pluvial,
a recuperação e o saneamento de rios e lagoas, reduzindo significativamente as doenças infecto-contagiosas, melhorando a qualidade de vida da população da região.