3.3 The Kaminsky method
3.3.2 The shape parameter
Tomando por base o segundo instrumento do sistema de avaliação “SAMES – Lar” – características de organização e funcionamento (ICOF) - fez-se uma breve análise sobre características de organização e funcionamento da residência.
No que respeita à comunicação e interação, verifica-se que existe um excelente relacionamento entre as pessoas envolvidas nesta instituição: entre colaboradores; entre
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a direção e os colaboradores; entre os colaboradores, direção e os residentes; entre os residentes e os familiares; entre os colaboradores/direção e os familiares dos residentes e entre os próprios residentes. Esta interação é possível devido à boa comunicação entre as pessoas.
Os elementos com funções de direção estão sempre disponíveis para atender os colaboradores e os residentes – as diretoras e a equipa técnica não estão fechadas nos gabinetes, mas em permanente contacto com as pessoas. Neste aspeto é importante referir que o gabinete da diretora técnica situa-se no rés-do-chão em frente à sala de convívio principal e tem sempre a porta aberta; a sua secretária está posicionada em frente da porta, de forma a ver os residentes e a ser vista por eles; sempre que algum residente pretende falar com ela, aproxima-se e entra sem qualquer receio.
No que toca aos residentes e, para além do acesso direto a todos os colaboradores e responsáveis da Residência, têm também um regulamento interno que lhes é entregue aquando da celebração do contrato. Mais ainda, por forma a promover a participação dos idosos, foram organizadas reuniões mensais com os residentes, denominadas “Tertúlia dos Residentes”, nas quais participam os que são cognitivamente capazes e a direção técnica, onde eles podem opinar sobre os serviços e dar sugestões de melhoria a nível da alimentação, lavandaria, atividades físicas, socioculturais e de convívio, decoração dos espaços, queixas sobre residentes ou mudanças de quartos, etc.; expõem as suas opiniões, vontades e reclamações e a direção os escuta para poder tomar as várias decisões
Para além da comunicação, há outros aspetos sobre os quais a instituição implementou algumas regras ou condutas importantes para a boa vivência dos residentes no lar. Podem-se citar alguns exemplos, como a permissão que é dada aos residentes de trazerem alguns bens pessoais para o seu quarto/ apartamento e de alterarem a disposição da mobília. É permitido também ter um disco elétrico ou uma máquina de café no quarto, no entanto, os residentes não os pedem e os que têm não usam, porque preferem pedir a bebida (chá, leite, ou café) às colaboradoras porque dizem que “pagam para serem servidos”. Há outros comportamentos que não são proibidos mas desencorajados como fechar as portas dos quartos à chave (há respeito e ninguém entra nos quartos sem bater à porta), evitando assim, a possível criação de
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espaços-refúgio referenciados na teoria de Fisher. Outra orientação de utilização do espaço é dissuadir os residentes a não deixar de tomar o pequeno-almoço para ficar na cama até mais tarde, caso contrário ficariam muito tempo sozinhos nos seus quartos (para evitar o isolamento e as más práticas de tomar as refeições).
Para garantir a segurança e o bem-estar de todos os residentes, há comportamentos proibidos nesta instituição, como por exemplo, beber álcool no quarto e ter animais no quarto.
Constatamos que a manutenção do conforto e decoração dos espaços não é responsabilidade única dos colaboradores da residência, mas também dos próprios residentes, sendo totalmente desencorajado estragar os edifícios e a mobília e outros objetos.
Outro aspeto a salientar é o horário das refeições. Há dois horários para cada refeição: o primeiro turno do almoço é às 11h30 e o segundo às 12h30; quanto ao jantar, o primeiro horário é às 18h30 e o segundo às 19h30; o lanche é servido às 16h00. Esta situação possibilita aos residentes escolherem o que mais lhes convém, não tendo todos de tomar as refeições à mesma hora e proporciona um certo grau de liberdade e de diferenciação, preservando de certa forma, a identidade de cada residente. Isto vai ao encontro do que diz Mallon: “…nos lares de idosos, o desafio das sociedades contemporâneas, joga-se com uma intensidade mais forte que no outro lado: cada um consiga preservar mais a sua independência e autonomia no contexto de vida coletiva” (Mallon, 2000: 241).
No que toca às saídas ao exterior dos residentes autónomos, eles têm total liberdade (quanto ao local e horário), no entanto, e por questões de segurança e não de controlo, é-lhes pedido que sempre que saiam, informem as colaboradoras da residência.
Outra questão importante está relacionada com as visitas dos familiares. A residência dispõe de espaços interiores (salas e quartos) e de jardins, onde os residentes e os seus familiares podem conviver num contexto de maior intimidade; por outro lado, também não são impostos horários rígidos às visitas, o que permite que os familiares visitem os residentes com mais frequência, pois podem vir no fim dos seus horários de
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trabalho. Apenas é pedido que não façam muito barulho se for uma hora mais tarde para não perturbar o descanso de todos. Deste modo, verifica-se a existência de condições para os familiares visitarem e passar o máximo tempo possível com os residentes para promover o convívio inter-geracional, as relações de afeto e de cumplicidade e o bem- estar psicológico das pessoas - o sentimento de serem amadas e não serem esquecidas pela sua família e amigos.
A existência destas regras é necessária para uma boa vivência na instituição, no entanto, não significa, como refere Goffman (1996), que os idosos tenham sido despojados da sua personalidade e que tenham de seguir todos os mesmos padrões de comportamento – mortificação do eu.