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The real economy

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Mais uma vez as crises que rondam o petróleo geram a necessidade de novos critérios para seleção e uso dos recursos naturais. Por volta da década de 60 houve a necessidade de se reduzir o consumo de energia, fazendo surgir uma série de estudos para avaliar os impactos gerados pela indústria e seus derivados. Empresas, como a Coca-Cola, custearam estudos para aprimorarem suas embalagens. Nascia então a discussão sobre as embalagens de “uma vida” e das “retornáveis”, e, por conseguinte, sobre o ciclo de vida dos produtos. Nascia aqui a Análise do Ciclo de Vida dos Produtos – ACV.

Com a evolução das ACV, verificou-se discordâncias nos resultados entre vários métodos. Afim de otimizar e padronizar tal ferramenta, as normas ISO (International Organization for Standardization) passaram a gerir os critérios de avaliação das interferências do processo industrial no meio ambiente.

Com base em CHEHEBE22 (1998), entre 1991 e 1993 iniciaram-se estudos dentro da ISO para elaboração de normas internacionais sobre meio ambiente e ACV. Isso geraria padrões internacionais legais quanto aos impactos ambientais gerados pelo desenvolvimento e comercialização de produtos. Países como Áustria, Canadá, Finlândia, França, Alemanha, Japão, Holanda, Inglaterra, Noruega, Suécia e Estados Unidos já vinham utilizando estes conceitos, porém, de maneira personalizada e particular. Além de governos, empresas já empregam a ACV, como a Kodak, Eletrolux, General Eletric – GE, Volvo, Ford, General Motors – GM, Mercedes-Benz, etc.

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Segundo CHEHEBE (1998, p.8), “as normas ISO definem requisitos gerais para a condução das ACV’s e estabelecem critérios éticos para a divulgação dos resultados ao público. O propósito dessas normas é fornecer às empresas ferramentas para a tomada de decisão bem como a avaliação de alternativas sobre métodos de manufatura. Elas podem, também, ser usadas para das apoio às declarações de rótulos ambientais ou para selecionar indicadores ambientais”.

Estes aspectos apresentados acima podem ser verificados na seqüência a seguir, com base em PEREIRA (2001, p.112)23, onde são apresentadas a abordagem ambiental e a norma ISO correspondente, tanto para as empresas quanto para os produtos.

Para a Empresa:

Sub-comitê – Sistemas de gestão ambiental; ISO 14.001 e ISO 14.004.

Sub-comitê 2 – Auditoria Ambiental;

ISO 14.010, ISO 14.011, ISO 14.012 e ISO 14.015.

Sub-comitê 4 – Avaliação de Performance Ambiental; ISO 14.031.

Para o Produto:

Sub-comitê 3 – Rótulo Ambiental;

ISO 14.020, ISO 14.021, ISO 14.022, ISO 14.023, ISO 14.024 e ISO 14.025.

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Sub-comitê 5 – Avaliação do Ciclo de Vida;

ISO 14.040, ISO 14.041, ISO 14.042 e ISO 14.043.

Sub-comitê 6 – Termos e Definições. ISO 14.050.

Como foram apresentadas no tópico “Peso, materiais e reciclagem”, as questões sobre a reciclagem tem se tornado significativas. Nesse caso, os materiais recicláveis mostram- se imprescindíveis, especialmente na economia de energia. CALLISTER (2002, p.531) mostra que para a reciclagem de alumínio, advindos de latas de bebidas e outros produtos descartados, economiza-se aproximadamente 28 vezes de energia no que seria necessário para produzir a mesma quantidade através de matéria-prima virgem.

Para o mesmo autor, um material ideal deveria ser, na melhor das hipóteses, reciclável, e, no mínimo, biodegradável ou descartável. Todos esses fatores influenciam diretamente na concepção de novos produtos. Mais adequada às demandas da Engenharia, a ASM tem contribuído junto ao Design, especialmente em verificações sobre as possibilidades de materiais e processo para execução de produtos.

Estudos baseados em ACV têm demonstrado que valores de energia gastos para obter um produto a partir de matéria-prima virgem são maiores que aquelas gastas para produzi-lo com resíduos reciclados.

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O papel jornal produzido a partir das aparas requer 25% a 60% menos energia elétrica que a necessária para obter papel da polpa da madeira. O papel feito com material reciclado reduz em 74% os poluentes liberados no ar e em 35% os despejados na água, além de reduzir a necessidade de derrubar árvores. Na reciclagem do vidro é possível economizar, aproximadamente, 70% de energia e 50% de água. Para os plásticos, economiza-se até 88% de energia em comparação com a produção a partir do petróleo e preserva-se esta fonte esgotável de matéria-prima.

Para a aplicação correta das ferramentas voltadas ao Eco-Design, a sociedade, e suas exigências, têm-se mostrado decisivos na incorporação, por parte das indústrias, dos conceitos de sustentabilidade.

CALLISTER (2002, p.530), através do ciclo de vida (Figura, 2.23), destaca que, “os materiais desempenham um papel crucial no conjunto tecnologia/economia/meio ambiente.”

Figura, 2.23 – Esquema do “ciclo dos materiais”. Segundo o mesmo autor, 15 bilhões de toneladas de matéria-prima, em escala mundial, são extraídas da Terra por ano. Algumas são renováveis, outras não.

Fonte: adaptação, CALLISTER (2002, p.530),

Síntese e processamento Materiais Engenhirados Projeto, fabricação e montagem do produto Aplicações:

Agricultura; construção; meio ambiente; defesa; informação/comunicações;

transporte; energia; saúde; extração/produção. Resíduos Reciclagem/ reutilização Matérias-primas Planeta Terra

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A ACV permiti identificar as fases mais críticas do ciclo de vida de um dado produto, facilitando assim a tomada de decisões para reduzir os efeitos negativos de uma determinada fase do processo. Esta ferramenta compreende etapas que vão desde a retirada da natureza das matérias-primas elementares à disposição do produto final. Essa técnica é também conhecida como análise do berço ao túmulo.

A utilização da ACV possibilita aperfeiçoar o produto sob as questões econômicas e de sustentabilidade, devido à redução da energia e do desperdício com matéria-prima. Da mesma forma, procura integrar tecnologia do produto/qualidade ambiental/valor agregado. A ACV ainda auxilia em, segundo CHEHEBE (1998, p.13):

• a identificar oportunidades de melhoramentos dos aspectos ambientais do sistema de produção;

• na tomada de decisão, por exemplo, no estabelecimento de prioridades ou durante o projeto de produtos e processos;

• como parte do processo para avaliar a seleção de componentes feitos de diferentes processos;

• na avaliação da performance ambiental;

• na estratégia de marketing frente aos selos e rótulos ambientais.

CHEHEBE (1998, p.18) classifica o sistema de rotulagem em três tipos:

Tipo I – De caráter voluntário. Indica que o produto é considerado ambientalmente preferível.

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Tipo III – Rótulo com informações ambientais sobre o processo de fabricação. Feita por terceiros e com base na ISO 14.000 e na ACV. Essa última mostra-se a mais confiável e eficiente na comercialização de produtos realmente competitivos.

Pode-se afirmar, de maneira geral, que a ACV é uma avaliação do equilíbrio das “entradas” e “saídas” ao longo de seu ciclo de vida. Como mostra a Figura, 2.24.

Segundo a ISO (GOERGEN, 2002, p.2), “a ACV é a compilação e valoração das entradas e saídas e dos impactos ambientais potenciais de um sistema de produto, através do seu ciclo de vida, conforme um conjunto sistemático de procedimentos. Este método é composto por quatro etapas: definição de objetivo e escopo, inventário do ciclo de vida, avaliação de impactos e avaliação global (interpretação).

Este método é composto de quatro etapas: definição de objetivo e escopo, inventário do ciclo de vida, avaliação de impactos e avaliação global (interpretação). Como mostra a Figura, 2.25. Extração de Materiais Matérias-primas Componentes Montagem Uso Reaproveitamento Descarte Materiais Energia Água Ar ENTRADAS Produtos Sub-produtos Líquido, gás Lixo sólido SAÍDAS Outras = Transporte

Figura, 2.24 – Entradas e Saídas do ciclo de vida do produto. Fonte: adaptação, RAMOS. Op. Cit. 2001. P.85.

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Definição de OBJETIVOS e ESCOPO.

na elaboração dos OBJETIVOS, deve-se definir: ° as razões de se conduzir uma ACV; ° para que serão utilizados os resultados;

° quais decisões irão tomar como base os resultados obtidos;

° quais informações serão necessárias – nível de detalhe e propósito; ° aplicação interna (empresa) ou externa (mercado) dos resultados da ACV.

ESCOPO deve ser suficientemente abrangente para que os objetivos identificados sejam atingidos. Para tanto, define-se:

° sistema que será avaliado (produto, processo ou material); Estrutura da Análise do Ciclo de Vida

° Desenvolvimento e melhorias do produto

° Planejamento estratégico

° Elaboração de políticas públicas

° Marketing ° Outros Definição do Objetivo e Inventário Avaliação de Impactos Interpretação Aplicações Diretas

Figura, 2.25 – Fases da aplicação da ACV, segundo a ISO 14.040. Fonte: adaptação, GOERGEN, Lissandra Regina. et. al. Op. Cit. 2001. P.2.

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101 ° tempo (vida média do produto);

° definição da unidade funcional (unidade de massa, de volume, etc).”

Objetivo e Escopo – esta etapa tem por objetivo definir os principais parâmetros para a

ACV. Assim, define-se o propósito da ACV: que materiais; os limites do estudo, entre outros fatores.

Inventário – esta procura quantificar as entradas/saídas (energia e matéria-prima,

resíduos, etc.) ou seja, balanço de massa e energia de todas as entradas e saídas do sistema sob análise. Isso sob os limites estabelecidos no início da ACV.

RAMOS (2001, p.87) acrescenta ainda para o inventário três critérios para a seleção das variáveis, que são:

• balanço de massa – representam o percentual de massa total refere-se às entradas no ciclo de vida do produto;

• balanço energético – representam o percentual de energia total gasta durante o ciclo de vida do produto;

• importância para o meio ambiente – estabelece parâmetros e pontuação entre as variáveis que compõem o ciclo de vida do produto e os impactos gerados.

Avaliação de Impactos Ambientais – nesta etapa são identificados os pontos críticos

do ciclo. Aqui são referenciados valores aos dados obtidos com o inventário. Segundo GOERGEN (2002, p.3), “a avaliação de impactos visa avaliar a magnitude e o significado dos impactos ambientais, com base nos dados do inventário, dentro das metas e dos objetivos propostos. Esta análise é efetuada de acordo com uma estrutura metodológica e científica que deve ser claramente descrita.” (...) “A melhoria ou ganho ambiental pode ocorrer quando se identifica e avaliam-se os impactos ambientais passíveis de melhoria.”

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Para o desenvolvimento desta fase há softwares (SimaPro, Eco-Indicador) de apoio para balanço ecológico.

Interpretações da ACV – aqui são identificados, definidos e relatados os pontos mais

favoráveis para maximização do processo e por conseguinte, redução dos impactos ambientais. O resultados dessa fase gera uma série de recomendações.

A identificação de oportunidades para o aprimoramento ambiental é o principal propósito na condução de uma ACV. As melhorias podem ser alcançadas através de medidas como, por exemplo, otimização do processo, promoção do desenvolvimento sustentável e seleção de matérias-primas ecologicamente amigáveis.

Para atender às tendências de mercado, onde produtos sustentáveis é a referência, a ACV mostra-se útil. Mesmo apresentando-se tão complexa, como afirma RAMOS (2001, p.88), verifica-se que a ACV, bem como a ASM, auxiliados pela AV compreende um importante contexto para desenvolvimento de produtos mais competitivos, não apenas sob as questões ambientais e técnicas, mas, também pelo uso. Essa ferramenta, especialmente a ACV permite compreender de maneira global a trajetória dos produtos e materiais.

Capítulo 3

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