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The quality-driven craftsman: skills and tacit knowledge

Chapter 3: Theories

3.3 The quality-driven craftsman: skills and tacit knowledge

Características gerais

O níquel pertence ao grupo X da tabela periódica, sendo em sua forma pura um metal duro e branco-prateado, com propriedades que o tornam muito desejável para a formação de ligas com outros metais, principalmente ferro, cobre, crômio e zinco (ATSDR, 2005).

Na crosta terrestre, sua concentração média é de 0,0086%, sendo geralmente encontrado no meio ambiente combinado com enxofre e oxigênio, constituindo minérios de sulfeto ou óxido (ATSDR, 2005).

O níquel está presente no solo, água, ar e biosfera em concentrações traços. Os solos agrícolas podem conter entre 3 e 1000 mg/kg. Os níveis naturais do metal encontrados na água doce variam de 2 a 10 µg/L e de 0,2 a 0,7 µg/L na água do mar. Níveis atmosféricos do metal em áreas remotas variam entre menos de 0,1 e 3 ng/m3. (Cetesb, 2012b).

Fontes e usos

As principais fontes naturais de níquel são erupções vulcânicas e erosão de solos e rochas. Fontes antropogênicas de níquel estão relacionadas a atividades de mineração e de indústria que fazem uso desse metal. Ele também pode ser liberado para a atmosfera por usinas termoelétricas que utilizam óleo e carvão e incineradores de lixo. (ATSDR, 2005; Cetesb, 2012b).

O níquel emitido no ambiente por fontes naturais ou antropogênicas circula por todos os compartimentos ambientais por meio de processos químicos e físicos, além de ser biologicamente transportado por organismos vivos. O transporte e distribuição do níquel particulado entre os diferentes compartimentos é fortemente influenciado pelo tamanho da partícula e condições meteorológicas. O tamanho da partícula depende da fonte emissora. As partículas finas permanecem por longo tempo na atmosfera e são levadas a grandes distâncias, enquanto as de tamanho grande depositam-se nas proximidades da fonte de emissão (ATSDR, 2005; Cetesb, 2012b).

Nos rios, o níquel é transportado como partículas precipitadas com material orgânico; nos lagos, a forma iônica é predominante associada com material orgânico. O metal pode ser depositado nos sedimentos por processo de precipitação, complexação, absorção em argila e agregado à biota, não sendo, entretanto, acumulado por organismos aquáticos em quantidades significativas (Cetesb, 2012b).

Esse metal é principalmente utilizado para a fabricação de aço inoxidável, na galvanoplastia do crômio para conferir adesão do crômio ao ferro e como catalisador em algumas reações de hidrogenação, como na fabricação da margarina e manteiga a partir de gorduras líquidas. Também é usado na produção de ligas, baterias alcalinas, moedas, pigmentos inorgânicos, próteses clínicas e dentárias (Cetesb, 2012b).

Exposição humana e efeitos à saúde

A população geral está exposta ao níquel pelo ar, ingestão de água e alimentos ou contato com a pele. A exposição dérmica pode causar dermatite de contato, muito comum no uso de bijuterias e adereços de roupas contendo o metal. Outra importante via de exposição ao níquel é o tabaco. Alguns alimentos como cacau, amendoim, alface, espinafre e castanhas são fontes importantes de níquel. Outras fontes de exposição a esse metal incluem prótese, implantes, pinos intraósseos, válvulas cardíacas e as próteses dentárias (Cetesb, 2012b; Oliveira, 2003).

A exposição ocupacional ocorre principalmente por via respiratória e o metal é inalado principalmente na forma de poeiras de compostos insolúveis de aerosóis formados a partir das soluções dos compostos solúveis e de vapores de carbonila de níquel. As atividades mais comuns que acarretam exposição ocupacional ao níquel são a mineração, a moagem e a fundição dos minérios, a partir de sulfetos e óxidos e a utilização de produtos primários de níquel, tanto na produção de aço inoxidável e de ligas quanto em fundições (ATSDR, 2005; Cetesb, 2012b).

O níquel inalado é absorvido principalmente nos pulmões, sendo que sua deposição no trato respiratório depende do tamanho das partículas. A taxa de absorção a partir da inalação na corrente sanguínea varia entre 20 a 35% e a

meia vida plasmática é de 20 a 34 horas. O níquel iônico dissolvido na água apresenta taxa de absorção maior quando comparado ao disponível em alimentos (Oliveira, 2003).

Não há um órgão específico no organismo humano onde o níquel é depositado; porém, as maiores concentrações desse metal encontram-se no tecido esquelético, fígado, rim e glândula pituitária. No caso de exposições crônicas, o pulmão pode ser um órgão de acúmulo importante (Oliveira, 2003).

O efeito adverso à saúde mais comumente associado à exposição ao níquel é a dermatite de contato, causada por uma reação imunológica local, considerando-se que de 10 a 20% da população é sensível a esse metal (ATSDR, 2005).

Além disso, alterações do sistema imunológico também foram observadas após exposição por via inalatória e oral. Os efeitos do níquel no sistema reprodutivo ainda não estão bem estabelecidos, sendo que existem evidências de alterações induzidas por este metal em estudos com animais (ATSDR, 2005). Outros efeitos que podem estar associados à exposição ao níquel são a nefrotoxicidade e alterações hormonais (Oliveira, 2003).

Trabalhadores que consumiram acidentalmente água contendo 250 ppm de níquel apresentaram dor de estômago e alterações sanguíneas (aumento de glóbulos vermelhos) e renais (perda de proteínas na urina). Essa concentração é 100.000 vezes maior do que a encontrada normalmente na água potável. Efeitos graves como bronquite crônica, diminuição da função pulmonar e câncer nos pulmões e seios nasais, foram observados em trabalhadores de refinarias e indústrias de processamento de níquel (Cetesb, 2012b).

O principal composto capaz de causar intoxicação aguda por níquel é a carbonila de níquel, utilizado durante o processo de refino de petróleo. A inalação de vapores desse composto causa efeitos neurológicos e pulmonares graves que podem levar ao óbito (Oliveira, 2003).

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o níquel metálico e ligas como possíveis cancerígenos para o ser humano (Grupo 2B) e os compostos de níquel como cancerígenos para o ser humano (Grupo 1) (Cetesb, 2012b).