• No results found

The People

In document Exploring the Becoming of (sider 78-89)

Tal como para as canetas de ponta de feltro, fez-se um teste inicial de extração com DMF para as canetas de tinta permanente. A extração foi bem-sucedida, mas pouco tempo após extração, o extrato tornou-se incolor. Na tentativa de preservar a cor, adicionou-se ácido acético glacial diluído, o que levou à preservação parcial de cor do extrato até à sua eluição.

Com o método de extração definido, passou-se para o teste de eluição. Devido ao reduzido número de amostras de canetas de tinta permanente em estudo, utilizaram-se todas na realização do teste. Como teste inicial utilizou-se a mesma fase móvel que nas eluições das canetas anteriores - Acetato de etilo, Etanol e H2O. Como se pode verificar pela figura 5.10 e 5.11, obteve-se um perfil de eluição com algumas irregularidades. Estas irregularidades apenas afetaram os primeiros 20mm de eluição, nos quais se verificou uma concentração excessiva no centro da banda da amostra e uma eluição normal nas bordas da mesma, dando origem a uma eluição em forma de “V” ou em alguns casos “U”.

Como é observável, as irregularidades não afetaram todas as amostras de forma igual, sendo a amostra relativa a FOK1 a menos afetada.

De forma a tentar evitar as irregularidades foi realizada uma nova eluição, figura 5.12, utilizando solventes de extração diferentes – Etanol, ácido acético e água. O resultado desta eluição foi pior que o já obtido, pois as irregularidades mantiveram-se mas, como o solvente evaporou-se mais rapidamente que o DMF, as bandas formadas foram mais estreitas, revelando menor detalhe.

Figura 5.10 – Teste inicial de eluição para as tintas de canetas de tinta permanente.

Figura 5.11 – Exposição do teste inicial de eluição para as tintas de canetas de tinta permanente a radiação UV a comprimento de onda de 365nm.

Como as condições de extração diferentes não exibiram resultados melhores, optou-se por continuar o trabalho experimental com os solventes de extração iniciais. Contudo, para garantir que os valores de Rf das eluições não afetadas pelas irregularidades se mantinham, foi realizado um último teste, no qual se analisa individualmente uma amostra de caneta, uma amostra de corante e uma mistura dos dois. Como se pode verificar na figura 5.13, o corante adicionado não sofre alterações além do erro associado aquando da sua mistura com as amostras de tintas que revelam irregularidades.

Com os testes de extração e eluição efetuados iniciaram-se os testes de limite de deteção, repetibilidade e reprodutibilidade (Anexo B). Estes foram realizados em simultâneo para as tintas de caneta permanente azuis e pretas, devido ao baixo número de amostras disponíveis e à dificuldade de acesso às mesmas.

Da análise de limite de deteção optou-se pela recolha de 10 x 2mm de amostra, pois apresentava boa discernibilidade visual e sem indícios de concentração excessiva.

Dos ensaios de repetibilidade e reprodutibilidade obtiveram-se os seguintes valores de desvio padrão e desvio padrão relativo:

Figura 5.13 – Efeito da presença de irregularidade no valor de Rf de um corante adicionado. (figura escurecida para melhor perceção de cor)

Tabela 5.21 - Valores referentes aos ensaios de validação para as canetas de tinta permanente

Repetibilidade Reprodutibilidade Reprodutibilidade operadores Análise por placa Análise por posição Análise por placa Análise por posição Análise por placa Análise por posição Desvio padrão 0,019 0,025 0,012 0,024 0,016 0,033 Desvio padrão relativo 4,61% 5,94% 2,82% 5,49% 3,69% 6,81%

Após validação do método de análise, analisaram-se as tintas de canetas de tinta permanente. Contudo, devido à presença das irregularidades mencionadas torna-se difícil calcular os valores de Rf para as bandas afetadas. Deste modo, na tabela 5.22, na qual se apresentam os valores de Rf obtidos, estão marcadas as bandas cujo valor de Rf não pôde ser calculado devido à presença de irregularidades.

Tabela 5.22 -- Valores de Rf para as canetas de tinta permanente azuis de referência interna FOB1 e FOB5 e pretas de FOK1

a FOK30.

FOB

1 FOB5 FOK1 FOK5 FOK6 FOK9 FOK13 FOK17 FOK21 FOK2 5 FOK29 FOK30 AMARELO 0,90 CINZENTO 0,75 AMARELO 0,72 AZUL-ESCURO 0,68 CASTANHO 0,62 AMARELO 0,62 0,61 0,61 AMARELO 0,58 0,58 ALARANJADO 0,60 ACASTANHAD O 0,57 ROSA ESCURO 0,56 CASTANHO 0,49 * AMARELO 0,48 AZUL 0,49 0,46 0,50 0,48 0,49 0,48 0,48 0,49 AZUL CLARO 0,47 AMARELO 0,445 NpC AZUL 0,40 NpC 0,40 NpC 0,38 NpC NpC AZUL * NpC VIOLETA NpC

Na zona da eluição demarcada por * o resultado da eluição foi um conjunto, quase formando um gradiente, de bandas de diferentes cores com separação mínima. Estas podem ser aproximadas às seguintes cores e valores de Rf:

Tabela 5.23 – Valores de Rf para a zona de eluição de baixa distinção da caneta de tinta permanente pretas FOK25

FOK25

ROSA 0,48

VERDE ACASTANHADO 0,44

AZUL CLARO 0,41

De uma forma geral pode verificar-se que, quer as tintas azuis quer as tintas pretas das canetas de tinta permanente, têm como base compostos de cor azul. No caso das tintas pretas, são adicionados compostos de outra cor para dar a tonalidade preta, tal como o observável amarelo. Contudo, é observável o uso de outras misturas de compostos para atingir a cor preta.

Da exposição a radiação UV (Anexo C) pôde observar-se com maior clareza o efeito da irregularidade. Esta aparenta afetar, para além da banda azul, a banda respetiva ao composto extraído do papel. Contudo, sem informação adicional de quais os componentes que constituem estas tintas e qual o composto do papel, não é possível descobrir qual a causa das irregularidades.

In document Exploring the Becoming of (sider 78-89)