2. Background and on-going debates about GM rice
2.3 The ongoing debates about GM rice in China
Tal como feito com o TG anel viário, o termo conjunto residencial merece verificação dos componentes em separado, apesar da fácil apreensão do sentido do adjetivo que figura como segundo formante do termo. O DC não apresenta as definições. Já o DE diz que conjunto vem do latim conjunctus, sendo sua definição aproximada a de junto: “unido, pegado, próximo, chegado, anexo”. O mesmo dicionário não traz residencial e por ser esta palavra adjetivo do substantivo residência + -al, é mais claro colocar a etimologia desta como vindo do latim médio residentia. Estes vocábulos têm sua origem no verbo residir, que é o mesmo que fixar residência, morar, segundo o DE. Para o DH, residencial é algo “reservado para habitações particulares”, lugar “ocupado como residência” ou “próprio para residência”. Já com relação ao termo conjunto, o DH diz ser algo “que ocorre ao mesmo tempo;
concomitante, simultâneo”, “somado, reunido”, “situado em local próximo, adjacente, contíguo”, todos como adjetivos e “certa quantidade de elementos vistos como um todo” ou “reunião de objetos, utensílios, roupas etc. destinados a um mesmo fim”, como substantivos. A definição toponímica de conjunto residencial pega emprestado o valor de substantivo de conjunto e o valor adjetival de residencial, formando a seguinte definição: reunião de residências próximas ou juntas umas das outras, quase sempre com as mesmas características de construção. Corrobora a definição a encontrada em Ferreira (1995), que embora seja dada como específica do domínio da arquitetura, é importante: “Agrupamento organizado e ordenado de casas ou edifícios de habitação que constituem uma unidade, ou por haverem sido projetados em conjunto ou porque formam uma unidade de vizinhança.”
2.2.2.6 Córrego
Dentre os TGs aqui estudados, alguns são referentes aos AF, tal como o termo córrego, relativo à hidrografia. De acordo com o DC córrego é o mesmo que riacho, sendo este, segundo o mesmo dicionário, “curso d’água menor do que um rio”, definição também do DH “pequeno rio”. Para o DE, córrego vem do latim corrugus “corrente” e significa o mesmo que riacho, cuja origem é o castelhano riacho, um diminutivo irregular de rio. No que tange ao DH, córrego aparece como “fenda ou sulco aberto na terra pelas águas correntes; corga”, “via estreita e funda entre montes, cadeia de montanhas etc.; corgo, desfiladeiro” e “pequeno rio com fluxo de água bastante tênue; corgo, riacho”. Aqui, mais uma vez, encontra-se córrego e riacho como sinônimos, sendo isso efetivamente o que ocorre, no Brasil. No entanto, cabe salientar que a realidade brasileira contempla o uso em determinadas regiões do
TG córrego e em outras do genérico riacho. No município de São Bernardo do Campo, há o genérico córrego, mas não o seu sinônimo riacho, considerando a escala 1:50.000 e o Compêndio Estatístico. Além disso, o DH traz uma relação de sinônimos e variantes: arroio, corga, levada, regato, riacho, ribeira, ribeirada, ribeirão, ribeiro, sanga, veia, veio, o que aumenta o número de possibilidades de escolha dos TGs35. Com isso, a definição toponímica do termo é: curso de água corrente de largura pequena, menor que um rio e geralmente em área urbana, por vezes canalizado ou coberto por intervenção humana.
2.2.2.7 Estrada
Em um passado não muito distante, o aumento populacional de determinadas cidades fez com que os caminhos (caminho que vai para o mar, depois caminho do mar) e as estradas (estrada do Vergueiro, depois avenida Senador Vergueiro), perdessem o TG primitivo. Muito embora isso tenha acontecido, o genérico estrada, por exemplo, fica na Toponímia quando há um recorte temporal da nomeação, quando são examinados locais que os possuem preservados (estrada dos Alvarengas36, em São Bernardo do Campo) ou pelo uso como sinônimo de rodovia.
Estrada, para o DC é o “caminho para homens, animais e veículos” e segundo o DE estrada é o “caminho relativamente largo”, do latim strãta –ae. Para o DH, estrada é “via mais larga que um caminho, transitada por pessoas, animais e/ou veículos” e “qualquer caminho para circulação de seres ou meios de transporte”. Este mesmo dicionário traz o termo estrada de rodagem, como sinônimo de rodovia, ou seja, estrada e rodovia somente serão sinônimos
35 Somente um Glossário completo dará conta de todas as relações possíveis entre os termos listados como sinônimos e variantes. Neste trabalho será tratada somente da relação entre córrego / riacho com ribeirão. 36 Estrada dos Alvarengas está fora do corpus de análise.
se forem lugares específicos para a circulação de veículos automotores. Por isso, a definição de estrada é: caminho relativamente largo para homens, animais e veículos.
2.2.2.8 Jardim
Muitas vezes, ao estudar os TGs da Toponímia, ocorre uma ressemantização. Isso acontece, por exemplo, com o TG jardim. Como já apontado, um município possui divisões administrativas chamadas de bairros e estes, por sua vez, são subdivididos. Desta subdivisão, há vilas, parques, jardins e conjuntos residenciais, entre outros, tidos quase sempre como sinônimos. Na origem, segundo aponta o DE jardim vem do francês jardin, do antigo fart, derivado do frâncico gard, significando “terreno onde se cultivam plantas ornamentais. O DC não apresenta o termo e o DH o tem como sendo “terreno onde se cultivam flores e plantas ornamentais para lazer ou estudo”, “área de uma composição paisagística de um projeto arquitetônico ou urbanístico, na qual se cultivam plantas ornamentais” e “país, região que apresenta vegetação abundante, fértil e harmoniosa”. O vocábulo deve ser tratado como ressemantizado face à perda do sentido original de terreno onde se cultivam plantas ornamentais, por exemplo. No caso do TG da Toponímia, jardim é: uma das subdivisões de um bairro, geralmente com vegetação fértil, abundante e harmoniosa.
Porém, é preciso ter atenção para o fato do TG jardim, em uso específico como parte de um topônimo, poder ser usado na nomeação, geralmente data pelo município, mesmo que o local não tenha as condições parecidas a um jardim. O uso, neste caso, confere status social ao local. É por esse motivo que há, no município de São Bernardo do Campo, o jardim dos Meninos, cujas ruas são, geralmente, desvinculadas do contexto de um jardim. Nomes de
flores, plantas diversas, árvores seriam comuns em uma subdivisão de um bairro com o nome de jardim. No entanto, isso nem sempre acontece.
2.2.2.9 Largo
TG bastante comum em áreas urbanas, largo, conforme o DE vem do latim largus, adjetivo que tem o sentido de “que tem extensão transversal relativamente ampla, espaçoso, extenso, considerável, demorado”. Certamente houve uma passagem entre o adjetivo e o substantivo largo, pois este é considerado como um local que tem, geralmente, as características de amplitude, tal como o adjetivo fornece. Sobre a definição apontada pelo DC além de aparecer largo como “de grande largura, amplo” consta o sentido de “praça”, que de certa maneira se aproxima ao sentido toponímico. No entanto, convém fixar que largo e praça não são sinônimos. Já para o DH, largo é “que tem grande extensão perpendicular ao comprimento (no plano horizontal) ou à altura (no plano vertical)”, “de grande extensão; amplo, extenso” e “num traçado urbanístico, área de dimensão mais espaçosa do que as ruas que intercepta”. Com tudo isso, a definição toponímica do termo é: lugar mais amplo que as ruas ou avenidas que nele terminam ou que por ele passam, geralmente em centros urbanos e próximos a construções religiosas.
2.2.2.10 Parque
Mais uma possível subdivisão de um bairro, o termo parque tem a etimologia, de acordo com o DE, vinda do francês parc, derivado do baixo latim parricum, significando “bosque cercado onde há caça, terreno arborizado que circunda uma propriedade, jardim público”. O DC não apresenta o termo e o DH diz ser “terreno relativamente extenso, cercado e arborizado, destinado à recreação”, “grande jardim murado” e “jardim público arborizado para lazer”. Destas definições compreende-se o genérico em parque do Ibirapuera. Porém, ao considerar parque Santo Antônio e sabendo que este não possui o mesmo tipo de construção que há no parque do Ibirapuera, é necessário ver uma outra acepção do termo. Há, neste caso, o uso de parque com um sentido novo, como uma das partes de um bairro. Por isso, parque, de acordo com a definição toponímica, é: uma das subdivisões de um bairro, geralmente arborizado e com praças para lazer; jardim público arborizado para lazer.
2.2.2.11 Praça
Praça, por sua vez, de acordo com o DC é “área urbana, geralmente quadrangular, para onde convergem várias ruas”. Já o DE diz ser “lugar público cercado de edifícios, largo, mercado, feira” e sua etimologia está vinculada ao latim vulgar plattea, de platea. Para o DH, praça é “área pública sem construções, dentro de uma cidade; largo” e “área urbana arborizada e/ou ajardinada, para descanso e lazer; jardim público”. Face ao exposto, a definição toponímica é: área urbana arborizada ou ajardinada, para descanso e lazer, podendo
a ela convergir várias ruas ou por ela passar uma ou mais ruas.
2.2.2.12 Ribeirão
O DC é breve na definição de ribeirão, ao dizer que é um “riacho grande”. A vinculação etimológica, segundo o DE é com o latim riparius, cujo significado é ribeiro + -ão. O DH coloca ribeirão como “curso de água maior que um regato, mas menor que um rio”. A definição toponímica do termo é: curso de água maior que um regato ou córrego, mas menor que um rio.
2.2.2.13 Rio
O outro TG relativo à hidrografia que aparece no corpus é o genérico rio. Este, de acordo com o DC é um “curso d’água natural, maior do que um riacho ou um córrego etc. e que desemboca no oceano, num lago ou noutro rio”. Sua etimologia, conforme o DE é do latim rivus, que significa “curso de água natural”. O DH dá a definição de rio como “curso de água natural, mais ou menos torrencial, que corre de uma parte mais elevada para uma mais baixa e que deságua em outro rio, no mar ou num lago”. A definição toponímica é: curso de água natural, maior do que um ribeirão e que deságua em outro rio, no mar ou num lago.
2.2.2.14 Rodovia
O termo rodovia é, de acordo com o DC “via terrestre designada para o tráfego de veículos autônomos que se move sobre rodas. O mesmo que estrada de rodagem”. Para o DE, rodovia é do século XX e trata-se da junção de roda + via, sendo a etimologia de roda rota – ae e de via via, ambas do latim, como se fosse o caminho por que se transita sobre rodas. O DH traz rodovia como “via destinada ao tráfego de veículos que se movem sobre rodas; autovia, estrada de rodagem”. Por isso, a definição toponímica é: caminho relativamente largo, destinado ao tráfego de veículos que se movem sobre rodas.
2.2.2.15 Rua
O TG mais encontrado no corpus é rua. O DC não apresenta o termo. Já segundo o DE, rua é a “via pública para a circulação urbana, total ou parcialmente ladeada de casas”, do latim ruga, “caminho, via”, com provável influência do francês rue. O DH define rua como “via pública urbana, geralmente ladeada de casas, prédios, muros ou jardins”. A definição toponímica, portanto, é: via pública para a circulação urbana, geralmente menor que uma avenida, geralmente ladeada de casas, prédios, muros ou jardins.
2.2.2.16 Travessa
Da mesma forma que ocorreu no termo anterior, o DC não apresenta definição para o termo travessa. Já para o DE, travessa é “rua transversal entre duas mais importantes”, cuja origem é do latim trasverse, a partir do feminino do substantivo travesso. O DH coloca travessa como “rua secundária transversal”. Para a Toponímia, a definição é: rua ou caminho secundário, menor ou do mesmo tamanho de uma rua, que liga duas ruas mais importantes.
2.2.2.17 Via
O TG via, de acordo com o DC é “caminho; direção; estrada; mão; direção de trânsito numa rua ou numa estrada. Uma auto-estrada tem geralmente duas vias. Cada via possui uma ou mais faixas de trânsito”. Com relação à etimologia do termo, o DE diz que via vem do latim via, cujo significado é caminho. Para o DH, via é “caminho que parte de um ponto conduzindo a outro ponto” e “obra viária que se estende ligando localidades, urbanas ou interurbanas, destinada ao trânsito de veículos e/ou pedestres; avenida, caminho, estrada, rua”. No caso em questão, como o topônimo que gerou a análise do genérico é via Anchieta e sabendo da evolução do nome desde o passado até os dias de hoje, faz-se necessário relacionar o genérico via a caminho, deixando de lado os demais sinônimos. Por isso, a definição do termo é: caminho viário destinado geralmente a veículos automotores, que liga dois lugares e que é quase sempre maior que uma rua, travessa ou avenida.
2.2.2.18 Viela
Para o DH, viela é “via ou rua estreita; travessa, beco”. O DE coloca viela como sendo o mesmo que beco. Já o DC não apresenta nem o termo viela nem o termo beco. É necessário diferenciar viela ou beco, aqui tidos como sinônimos, de travessa, pois esta pressupõe uma ligação entre duas ruas, ao passo que vielas e becos podem não ter saída. Por isso, a definição toponímica de viela é: rua estreita e pequena, por vezes sem saída.
2.2.2.19 Vila
O último dos genéricos do corpus é o termo vila, já citado por ser uma das partes em que se pode subdividir um bairro. Segundo o DC, vila é “Sede distrital; localidade onde a autoridade distrital tem a sua sede; localidade com o mesmo nome de distrito a que pertence e onde está sediada a autoridade distrital, excluídos os distritos das sedes municipais.” Para o DE, vila é o mesmo que “povoação, cidade” e que provém do latim villa. Já o DH apresenta vila como sendo “povoação de categoria inferior a uma cidade, mas superior a uma aldeia” e “qualquer conjunto de casas agrupadas”. A partir destas definições, vila é, toponimicamente: uma das subdivisões do bairro, composta geralmente por um conjunto de casas agrupadas, com características próximas uma das outras.