Questionamos o público participante da pesquisa quanto aos elementos que influenciam na delimitação da temática de interesse e, por sua vez, dos termos que utilizam durante o processo de busca da informação, quanto a isso, obtivemos os seguintes retornos:
Quadro 17 – Fatores intervenientes na seleção dos tópicos de pesquisa
DOCENTES (DO) DISCENTES (DI)
Fatores Percentuais Fatores Percentuais
Leitura de trabalhos que abordam o mesmo assunto 77,8% Instrução do professor orientador 45,8% Não é permitido marcar mais de uma
opção
11,1% Leitura de trabalhos que abordam o mesmo assunto
41,7%
Todas as anteriores 11,1% Conversa com
colegas de laboratório
12,5%
Entendemos que os materiais pesquisados pelo público do PPGFIS para conhecimento dos descritores representativos de suas necessidades de informação, na maioria, são artigos científicos de revistas eletrônicas localizadas em base de dados especializadas, conforme poderemos constatar adiante. Inferimos que estes trabalhos são analisados no que tange aos objetivos, procedimentos metodológicos e resultados com o intuito de verificar como os estudos são indexados, de modo a otimizar a exploração da temática relacionada e colaborar para condução otimizada da pesquisa.
Logo, a escolha pela opção “Leitura de trabalhos que abordam o mesmo assunto” por parte dos docentes (77,8%) e discentes (41,7%), advém de consultas empreendidas para observação das perspectivas perseguidas pelos autores, a fim de promover a construção de abordagens particulares que colaborem para o desenvolvimento das subáreas inseridas nas linhas de pesquisa do PPGFIS.
Interpretamos que, as opiniões “não é permitido marcar mais de uma opção” (11,1%) e “todas as anteriores” (11,1%) levantadas pelos professores, consolidam nossa compreensão acerca da participação dos pares enquanto mediadores nos processos de construção do conhecimento. De fato, o contato com outros pontos de vista no cotidiano do departamento de Física, em eventos com pesquisadores de outras instituições ou durante a atuação em comitês editoriais de periódicos, pode suscitar a reflexão e a reordenação dos esquemas individuais que agem no reconhecimento dos tópicos de busca.
Neste seguimento, 45,8% dos discentes demonstraram que as instruções fornecidas pelos docentes constituem referências preponderantes no delineamento das questões de pesquisa. Isto porque, consoante Choo (2006 p. 164): “Uma fonte tem mais probabilidade de ser considerada confiável quando há indícios de ela forneceu dados precisos, quando o indivíduo já a utilizou ou quando outra fonte bem considerada a recomendou.”
Interpretamos que este cenário se evidencia em função destes indivíduos possuírem um conhecimento progressivamente atualizado sobre o estado da arte da área, a partir de seu empenho pessoal e das redes estabelecidas nas situações indicadas acima. Daí a intervenção mediadora dos professores nos níveis de identificação e localização, pois a indicação de fontes de informação, no âmbito das especialidades com as quais têm trabalhado, para os estudantes, otimiza o início da pesquisa por parte destes. (KUHLTHAU, 1994; 2004a).
Como o docente define seus tópicos prioritariamente por leituras, depreendemos que tem experiência no direcionamento satisfatório de suas buscas ao conseguir localizar em tempo hábil o que necessita com base na produção científica analisada. Logo, haja vista os discentes terem seus trabalhos subjacentes aos projetos dos laboratórios ou grupos de
pesquisa, os professores responsáveis por estes e que atuam nas pós-graduação como orientadores, entre outros, constituem agentes mediadores que vislumbram com seus orientandos o despontar de seus estudos, inclusive, por meio da eleição dos termos que permitirão a exploração de suas problemáticas.
Quanto à participação dos colegas de laboratório (12,5%), pensamos que a convivência diária entre eles possibilita o desenvolvimento conjunto de suas propostas, pelo fato de estarem descobrindo os percursos a serem seguidos e, portanto, compartilhando seus êxitos e dificuldades. Isto lhes permite o desencadeamento de suas propostas de forma conjunta, sobretudo, se estiverem vinculados a mesma modalidade (mestrado ou doutorado).
Mediante o explicitado, percebemos que as pessoas são efetivas mediadoras na construção do saber através da disponibilização de seus repertórios para desvelamento das propostas uns dos outros no contexto do PPGFIS. Justifica-se, então, a majoritária atribuição do nível “bom” pelo público deste em relação ao seu nível de desenvoltura na estruturação de questões baseadas em suas necessidades de informação. Isto porque, apoiados em Dudziak (2003), constatamos que os professores e estudantes têm conseguido eleger tópicos de busca correspondentes, principalmente, em razão da interação cotidiana estabelecida entre esses sujeitos.
Essa percepção ratifica a posição de Wilson (1981) acerca da concepção dos indivíduos enquanto canais propícios para satisfação das necessidades de informação, além da noção de interferência levantada por Almeida Júnior (2015), uma vez que o conhecimento é oriundo de uma construção pessoal que se desenvolve, também, na relação do homem consigo e os espaços em que está inserido. Assim, a delimitação do problema informacional e a definição dos percursos da pesquisa, passam a ser resultantes de uma construção condicionada também pela visão do outro.
Podemos verificar o explicitado na perspectiva de Marchionini (1997) sobre as estratégias que compõem o PBI: analíticas e de navegação. As primeiras são oriundas do planejamento do estudo no tocante à seleção dos termos de busca, reestruturação contínua deste processo e verificação dos resultados provenientes, podendo contar com o auxílio de “intermediários” que viabilizem a realização destas ações em prol dos questionamentos levantados pelos indivíduos. Já as segundas integram estes momentos ao perpassarem toda a pesquisa, tendo em conta estarem relacionadas à interação do usuário com os sistemas de informação que, em nosso entendimento, podem equivaler a pessoas, unidades de informação, bases de dados, repositórios institucionais, ferramentas livres de pesquisa na internet, entre outros. Transpondo nossa compreensão para o contexto do PPGFIS, ponderamos que este
cenário congrega mediações: a) formais estabelecidas durante as orientações, avaliações de artigos, discussões em eventos, reuniões de comissões de periódicos, órgãos institucionais de pesquisa, contatos com a BCF e fontes de informação digitais e b) informais no decorrer dos diálogos cotidianos estabelecidos entre os docentes e discentes.
Assimilamos que essas convivências influenciam na confiabilidade, foco e otimismo apontados pelos sujeitos da pesquisa, no tocante às tarefas que envolvem as buscas preliminares que culminam com a identificação da temática global correspondente às necessidades de informação percebidas, assim como na escolha do modo como o assunto será estudado. Assim, acreditamos que a realização destas ações indicadas por Kuhlthau (1991; 1993; 1999; 2004a; 2004b) têm sido satisfatórias, dado que sentimentos de caráter mais negativo (dúvida e insegurança), na fase de seleção, não foram predominantes; o que evidencia o caráter efetivo das predições construídas em decorrência dos seguintes requisitos apontados pela autora: atendimento de interesse particular (relação significativa com experiências anteriores); critérios institucionais (relação com as linhas do PPGFIS e atuação nos laboratórios ou grupos de pesquisa); informação acessível e tempo disponível (otimizados pelas parcerias destacadas).
Os pensamentos prospectivos dos professores e estudantes constituem, dessa maneira, aliados decisivos na condução exitosa de suas investigações, já que suas concretizações se apresentam positivas diante dos objetivos para os quais atentam. Fazendo uma analogia com o pensamento de Choo (2006) sobre a atividade de sondagem, acentuamos que a seleção tenciona analisar sistematicamente a produção científica na área de interesse, a fim de verificar propostas que possam ser relevantes para o estudo conforme cada etapa de seu desenvolvimento, bem como os termos que as representam.
Nesse sentido, concebemos que a seleção acompanha e possibilita a consecução de todo o processo de busca da informação. Por isso, ao passo que este vai se desenvolvendo, a atividade vai se tornando mais esclarecida em função da formulação findar na determinação de descritores específicos que mobilizam o engendramento da pesquisa e, consequentemente, a exposição de resultados e discussões que respondem às finalidades definidas inicialmente. Em suma, a seleção pensada como uma atividade contínua, progressivamente qualitativa e específica, possibilita aos docentes e discentes perceberem que a abordagem poderá circunstanciar a compreensão acerca de seus problemas informacionais.
Portanto, tomando Kuhlthau (1993) como base, interpretamos que as previsões oriundas deste movimento, influenciam substancialmente na percepção do que será útil e conveniente em termos de informação e, por conseguinte, na escolha dos locais para pesquisa,
fontes de informação, estratégias de busca e demais habilidades decorrentes. Estes são os pontos que poderão ter sua compreensão aprofundada adiante no âmbito das reflexões referentes às etapas de exploração, formulação e coleta que serão trabalhadas a seguir.