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The Non-Epistemic Notion

2 Discussion: Commitment in Perceptual Representation

1.2 The Non-Epistemic Notion

Os inibidores da comunicação podem ser superados, segundo Freire (1991), pela educação do usuário no processo de socialização, mas depende, sobretudo, dos agentes de informação.

Davenport e Prusak (1998) relacionam sete inibidores para a transferência do conhecimento, ou melhor, inibidores da comunicação. Os autores tratam os inibidores como atritos. São eles:

a) a falta de confiança mútua;

b) as diferentes culturas, vocabulários e quadros de referência; c) a falta de tempo e de locais de encontro;

d) o status direcionadas para os possuidores do conhecimento; e) a falta de capacidade de absorção pelos recipientes;

f) a crença de que o conhecimento é prerrogativa de determinados grupos; g) intolerância com erros e necessidade de ajuda.

Para resolver esses atritos, os autores propõem: construir relacionamentos e confiança mútua em encontros face a face; estabelecer um consenso de educação e discussão; criar locais para a comunicação; oferecer incentivos para o compartilhamento; propiciar tempo para o aprendizado; estimular a aproximação dos membros de um grupo; aceitar e recompensar a colaboração.

Existem várias estratégias para vencer barreiras da comunicação da informação, como, contatos, workshops, treinamento, relatórios técnicos, livros, artigos, produção, dentre outros, mas os métodos devem ser compatíveis com a cultura, uma vez que não é possível impor o mesmo modelo a culturas diferentes. (DAVENPORT; PRUSAK, 1998).

Para Wersig (1976), as barreiras na comunicação da informação podem ser ideológicas, econômicas, legais, de tempo, de eficiência, financeiras, terminológicas, de idioma, de capacidade de leitura, de consciência e conhecimento da informação e de responsabilidade.

51 As ideológicas referem-se às diferentes visões, o que é comum entre distintas comunidades, por exemplo, ações de um grupo de produtores rurais que obedecem a uma tradição típica de uma determinada região ou própria daquela comunidade. As barreiras econômicas referem-se ao valor de produção da informação, ao custo de publicação e ao uso e dependendo do valor da informação, cria-se a exclusão, a impossibilidade de acesso. As barreiras legais referem-se às restrições ao acesso e uso, o que também favorece determinados grupos em detrimento de outros. As barreiras relacionadas ao tempo ocorrem se a informação se torna obsoleta, e não mais útil para aquele momento, em virtude de mudanças de significado e atualizações contínuas. As barreiras relacionadas à eficiência relacionam-se ao esforço para informar o custo dos recursos empregados não compensados pelos resultados obtidos. As barreiras financeiras referem-se ao custo da informação, que também é uma variável econômica e dependente da situação de cada um. As barreiras relacionadas à terminologia referem-se ao código de linguagem utilizada pelo grupo, fator importante no contexto deste trabalho. As barreiras relacionadas ao idioma relacionam-se à necessidade de tradução para língua compatível. As barreiras relacionadas com a capacidade de leitura refere-se à capacidade do usuário em selecionar o material informativo, problema encontrado no meio rural onde ainda persiste o analfabetismo. As barreiras de consciência e conhecimento da informação atendem à demanda, apenas, com informação conhecida ou ampliação das suas fontes. As barreiras de responsabilidade relacionam-se à capacidade de uso e proteção da informação no trabalho que, muitas vezes, exige segurança e privacidade.

Certos eventos no grupo contribuem para o aparecimento de barreiras na comunicação. Os “fatos sociais” são exemplos desse tipo de evento. Para Bazerman (2006), os fatos sociais são eventos que as pessoas acreditam serem verdadeiros e que afetam o modo como elas agem em determinadas situações. Por exemplo, se um grupo de pequenos produtores rurais tem sua forma tradicional de manuseio do gado, eles podem rejeitar qualquer outra informação, mesmo sendo a mais adequada. O autor (2006) afirma que mesmo as informações socialmente reconhecidas como cientificamente comprovadas podem não ser percebidas por algumas pessoas como verdadeiras. Frequentemente, os fatos sociais estão

52 relacionados com a autoridade baseada em uma série historicamente desenvolvida por compreensões, acordos e instituições políticas, legais e sociais. Se os indivíduos continuam a acreditar na legitimidade desses acordos, eles irão acatar a autoridade em circunstâncias apropriadas, mas a autoridade pode deixar de existir se os indivíduos perdem a confiança nela.

Cesar (2011, p.50) confirma a existência de barreiras socioeconômica entre produtores e técnicos quando assinala:

Muitas vezes, desenvolvemos tecnologias que acabam não sendo utilizadas pelos produtores, seja porque sua realidade socioeconômica não se ajusta à tal tecnologia, seja porque ele, simplesmente, não foi envolvido no processo que a originou.

Habermas (2002) por sua vez, explica que o ambiente social e as características psicológicas do indivíduo podem interferir na comunicação da informação. De acordo com o autor, cada indivíduo possui diferentes visões, fruto das experiências acumuladas durante toda a sua vida e que, mesmo compartilhando as mesmas visões, o indivíduo ainda mantém certas experiências subjetivas, o que pode isolar ou aproximar indivíduos e grupos. A visão individual influencia as interpretações das coisas. Deve-se cuidar para que a informação não seja classificada como certa ou errada, pois tanto pode isolar como aproximar indivíduos e grupos e, também deve-se evitar declarações falsas.

As diferentes culturas criam barreiras significativas para a comunicação em virtude da particularidade de cada grupo. Para explicar os aspectos culturais que interferem na comunicação, optou-se pelos conceitos de cultura de Morin (2003), de Davenport e Prusak (1998) e de Maturama (1999) .

Morin (2003) divide a cultura em dois capitais: o capital cognitivo e técnico e o capital mitológico e ritual. O capital cognitivo e técnico corresponde a práticas, saberes, regras, e o capital mitológico e ritual correspondem a crenças, normas, proibições e valores adquiridas pelos indivíduos.

Um exemplo de capital cognitivo e técnico, proposto pelo autor, é a experiência, o conhecimento acumulado ao longo do tempo, de um indivíduo ou de um grupo. Para Davenport e Prusak (1998), experiência refere-se ao que foi feito e o que aconteceu no passado, com base nos quais pode-se olhar e entender novas

53 situações e estabelecer relações entre aquilo que está acontecendo e que aconteceu no passado.

Um exemplo de capital mitológico e ritual são as crenças, estruturas cognitivas básicas. As crenças podem resultar da experiência e interferem na maneira como é recebida uma informação e, consequentemente, na mudança de atitude dos indivíduos. (MORIN, 2003).

Maturana (1999) considera a cultura como uma rede de conversações que constitui e define uma maneira de convivência humana como uma rede de coordenação de emoções e ações. O autor afirma que, como animais sociais e linguísticos, não se pode falar de nada fora do referencial social, cultural e linguístico de um grupo. Somente se a informação recebida for confrontada com o referencial existente, e o individuo for capaz de perceber diferenças entre o que existia e o adquirido, a barreira da comunicação pode ser rompida.

Resume-se, no quadro 1, as barreiras na comunicação citadas pelos autores. Observe-se que as barreiras culturais são referenciadas praticamente por todos os autores. A barreira ideológica, mencionada por Wersig (1976), tem também forte influência cultural. A falta de confiança, a capacidade de leitura, os fatos sociais, as crenças e experiências foram citadas por dois ou mais autores.

Quadro 1 – Barreiras na comunicação

54 Significa que, na comunicação da informação, deve-se observar o nível de compreensão do receptor, escolhendo o tipo de linguagem adequado conforme seu referencial de vida, sobretudo sua história, suas práticas, cultura, crenças e valores.

Conclui-se que a confiança, cultura, crença, valores, normas e comportamentos, vocabulário e quadros de referência, discutidos anteriormente, são determinantes para o sucesso de absorção da informação. Os inibidores podem ser identificados e minimizados, por meio de conversas efetivas, segundo Maturana (1997), Flores (1995) e Echeverria (1998).

Maturana (1997) afirma que conversar provém do latim cum (com) e versare (dar voltas). Portanto, o falar constitui-se em atos para interagir. Flores (1995) declara que nada ocorre sem a linguagem, sem falar ou escutar. Por sua vez, Echeverria (1998) afirma que todos são seres linguísticos e que a linguagem nasce da interação entre seres humanos. Por isso, a linguagem favorece a conversação na mediação, contribuindo para vencer as barreiras da comunicação.