O MobiTags [CBL+09] é um sistema social móvel, desenvolvido com o objectivo de in-
centivar o envolvimento das pessoas para com uma colecção open storage de um museu. Neste tipo de colecção, os objectos que de uma outra forma estariam armazenados, são expostos em estruturas com o mínimo de informação e organização. Com o intuito de ajudar os visitantes a organizar e a explorar de forma colaborativa colecções deste tipo, o MobiTags integra um sistema de tags, um mapa interactivo e informação relativa aos objectos.
De acordo com [HBM03], a navegação social utilizando a actividade dos outros para efectuar escolhas, complementa a navegação semântica. Por outro lado, a nave- gação espacial não se limita a um só espaço. As pessoas definem os espaços através da forma como os usam e a experiência que deles retiram. Desta forma, utilizando o sistema de tags como ferramenta de navegação social, os mapas da colecção como ferramenta de navegação espacial e as informações detalhadas dos objectos da colec- ção como informação semântica, o MobiTags, como indicado em [CBL+09], integra a
navegação social, espacial e semântica, de modo a permitir o estudo da forma como as pessoas se movimentam entre estes modos num sistema social móvel, enquanto enri- quecem as suas experiências em colecções open storage de museus. Para tal, foi utilizada como caso de estudo uma pequena colecção, existente no Herbert F. Johnson Museum of Art, na Cornell University. Constituída por 51 objectos expostos em vitrinas, a co- lecção ocupava apenas um piso do museu, dividida em três espaços distintos: African Corner, Lobby e Workshop. Os objectos eram maioritariamente artefactos ancestrais.
Figura 2.18: Imagens da aplicação MobiTags [CBL+09] em modo paisagem, onde são
apresentadas as informações semânticas
Relativamente ao funcionamento do sistema MobiTags, este é executado como uma aplicação web num Apple iPod Touch, utilizando a biblioteca CiUI do JavaScript, de forma a fornecer um feedback visual através de navegações animadas e caching para me- lhorar os tempos de resposta. Sendo um sistema móvel, um dos problemas apontados
em [CBL+09] relativamente à sua utilização num museu, é o facto de poder vir a dis-
trair o utilizador do espaço físico, podendo interferir com a exploração do mesmo. No entanto, conforme indicado em [CBL+09] esse problema é ultrapassado, uma vez que
a aplicação é executada num iPod Touch, o que permite ao MobiTags tirar partido dos sensores de orientação existentes no iPod. Assim, são fornecidas diferentes visões da colecção, umas em modo retrato (com o iPod na vertical) e outras em modo paisagem (com o iPod na horizontal), o que obriga o utilizador a estar de certa forma atento. Ou seja, caso a aplicação se encontre em modo paisagem, são então apresentadas as informações espaciais relativas à colecção, como indica a figura 2.18: um mapa com a visão geral do museu, indicando o posicionamento das três subcolecções. Caso a aplicação se encontre em modo retrato, são apresentadas ao utilizador as informações semânticas relativas a um determinado objecto, como se verifica na figura 2.19: uma página com uma visão geral do objecto (à esquerda), uma página dedicada ao objecto, com a sua informação expandida (ao centro) e uma página que permite a exploração, a votação e a associação de tags ao objecto (à direita).
Figura 2.19: Imagens da aplicação MobiTags [CBL+09] em modo retrato, onde são
apresentadas as informações semânticas
Nas páginas com informação espacial, é permitido ao utilizador efectuar operações de zoom aos mapas, o que permite alternar entre subcolecções, tal como obter uma vi- são da lista dos objectos que constituem uma subcolecção. Ao ser seleccionado um objecto dessa lista, é carregada em modo retrato uma página de informação, com uma informação geral do objecto, obrigando o utilizar a rodar o iPod. A partir dessa página é possível aceder às informações detalhadas do objecto, bem como ao sistema de tags que permite a votação e a atribuição de novas tags. No entanto, caso o utilizador se- leccione uma tag apresentada nessa página, é possível visualizar uma lista de objectos associados a essa tag, bastando para isso rodar o iPod de forma a regressar ao modo paisagem.
2. TRABALHO RELACIONADO 2.3. Tecnologia para museus Uma vez implementado o sistema MobiTags, foi então iniciado o estudo à forma como as pessoas se movimentavam entre a navegação social, espacial e semântica. O estudo teve como base uma avaliação efectuada durante onze dias, a um conjunto de pessoas que visitaram o museu durante o período de avaliação. Aos participantes desse estudo, após uma breve descrição sobre o MobiTags, apenas lhes foi solicitado que utilizassem o sistema sem qualquer restrição de tempo, durante a sua visita ao museu. No final, cada participante respondeu a um pequeno questionário. Para além dos participantes terem sido observados à distância, o MobiTags registou a utilização do dispositivo num pequeno log com as acções semânticas em torno da escolha de tags e dos objectos, bem como com os elementos espaciais e os aspectos sociais resultantes do sistema de votação e de atribuição de tags.
Através da combinação destes dados qualitativos e quantitativos, foi então criada uma imagem de como as pessoas utilizaram o MobiTags, o que permitiu concluir-se em [CBL+09] que o sistema se mostrou promissor no que diz respeito ao suporte de
colecções open storage em museus. As pessoas utilizaram as tags não só para seleccionar objectos mas também para pensar sobre a arte.
Outra das conclusões, é o facto de que adicionar tecnologia às práticas correntes altera as experiências das pessoas. Deste modo, os dispositivos devem direccionar ex- plicitamente a atenção das pessoas para o mundo real, utilizando, por exemplo, indi- cações precisas para uma observação concreta de um pormenor do objecto de arte. No que diz respeito às relações entre as características espaciais e semânticas existentes no sistema MobiTags, estas permitiram o desenvolvimento de estratégias de exploração por parte das pessoas, que melhor se relacionavam com a sua personalidade. Por fim, apesar de não existirem nas interfaces qualquer tipo de indicadores sociais, as pessoas sentiram fortemente a presença de outras através das suas tags, um fenómeno estu- dado em [TBC07], o que permitiu fornecer uma forma de compreensão colaborativa da colecção.
Este é um dos sistemas mais importantes em termos de trabalho relacionado. Em- bora seja um sistema executado num dispositivo móvel, integra uma série de meca- nismos semelhantes aos propostos por esta dissertação e que permitem explorar uma colecção de arte, ao mesmo tempo que incentiva a participação activa dos visitantes. Ao contrário da solução proposta, este sistema é executado num contexto mais pessoal, acabando por influenciar directamente o percurso e a experiência de um visitante. No entanto, com a introdução de semelhantes mecanismos na solução proposta, prevê-se que os visitantes retirem igual proveito dos benefícios apresentados, potenciado pela utilização de tais mecanismos num contexto social.