Saunders e Ramalho (2000) e Marques et al. (2011) afirmam que, em cada fase da vida, a alimentação modifica-se e isso não é diferente na gestação. A respeito disso, nos questionários, as mulheres afirmaram ter ocorrido algumas mudanças nas rotinas, na alimentação e nos costumes durante a gestação e que continuaram durante o período da amamentação. A propósito das informações sobre alimentação durante a gestação, as 53 (100%) respondentes disseram ter recebido alguma forma de conselho. Quanto às fontes dessas informações, encontram-se na Figura 224.
Figura 2. Fontes, para as respondentes do questionário, de informações sobre alimentação na gestação.
Conforme exposto na Figura 2, foram apontadas, como fontes prioritárias de informação: o médico (por 38 mulheres - 72%); outros locais e pessoas (37 - 70%); livros (29 - 55%); grupo de grávidas (16 - 30%); revistas (14 - 26%); o enfermeiro (a) (4 - 8%); televisão (3 - 6%); e o jornal (2 - 4%) e). Como essa questão era passível de mais de uma resposta, a soma total foi maior que 100%.
24 A questão abria possibilidade de assinalar mais de uma resposta, resultando em somas maiores do que
100%. 0% 20% 40% 60% 80%
Para as gestantes e parturientes participantes da pesquisa, a mídia25 não aparenta ser uma influência marcante como fonte de informações específicas à gestação, quando esta é tratada no formato de revistas, jornais e televisão. Não obtivemos dados sobre outras fontes de obtenção de informação, como a internet que pode ter sido incluída nas respostas sobre outros locais de conhecimento, porquanto, quando questionadas sobre se seguiam alguma dieta e onde haviam recebido o conselho, as respondentes mencionaram a internet26 como fonte de informação, conforme descreveremos mais adiante nos trechos coletados no questionário.
Quanto aos resultados obtidos com a pergunta que solicitava que mencionassem se seguiam alguma dieta específica, 34% (18) das respondentes assinalaram que tinham alguma forma de dieta, contra 66% (35) que não tinham. Um resultado próximo foi encontrado quando perguntamos às gestantes e às parturientes se tiveram algum profissional acompanhando a sua dieta: 30% (16) disseram que sim e 70% (37), que não (Figura 3).
Figura 3. Questão sobre se seguiam alguma dieta e se possuíam acompanhamento profissional.
No que tange à questão aberta referente a quem recomendou a dieta, houve respostas discursivas dadas por essas mulheres.27
As que disseram “sim” se expressaram conforme exposto no Quadro 1.
Quadro 1. Seguem dieta e quem recomendou.
“Acompanhamento de nutricionista por recomendação médica.”
25Entendemos como mídia tradicional, meios de comunicação de massa, como televisão, jornais, revistas, conforme teorizado por Moles (1967). A internet, classificamos como outra forma de mídia.
26
Acreditamos que, na internet, coexistem diversas fontes de informação advindas de médicos, artigos científicos, formas tradicionais e opiniões.
27 A questão referente a quem recomendou era aberta, o que permitiu a coleta de informações, pois,
mesmo respondendo não seguir alguma dieta, na pergunta seguinte, as gestantes e as parturientes preencheram com alguma resposta, como exposto no Quadro 2.
34% 66% 30% 70% 0% 20% 40% 60% 80% Sim Nao
Segue alguma dieta especíbica?
Tem algum médico(a), enfermeiro(a) ou
nutricionista acompanhando sua dieta?
“Dieta por causa da diabetes durante a gravidez.” “Nutricionista e médica.”
“Médico e como sou nutricionista aplico meus conhecimentos.” “Nutricionista.” (7 respostas)
“Médico (a)” (3 respostas ) “Obstetra”
“Endocrinologista”
“Eu sou ovo lacto pisci vegetariana.”
“Sou vegetariana e sigo uma dieta ayurvédica por conta própria. (Sou terapeuta ayurvédica e professora de yoga para gestantes).”
Por sua vez, as gestantes e parturientes que disseram “não” se manifestaram conforme apresentamos no Quadro 2.
Quadro 2. Não seguem dieta e quem recomendou. “Não sigo.”
“Sou estudante de nutrição e aprendi na graduação o que é uma alimentação saudável e os nutrientes importantes durante a gestação, sendo isto o que eu procuro seguir.”
“Não sigo uma dieta específica, mas procuro comer pequenas porções várias vezes ao dia. Procuro ingerir um pouco de cada nutriente e beber bastante água. Geralmente minha fonte informações é a internet.” “Grupo no facebook.”
“Busco muitas informações em portais de bebê e especializados em gravidez, que dão dicas de todos os aspecto de alimentação e bem estar na gravidez, ali busquei informações que poderiam melhorar a minha alimentação, sem seguir um dieta específica.”
“Pesquisas na internet, conselhos familiares e principalmente, conselhos de amigas nutricionistas. Pretendo consultar um nutricionista em breve.”
“Nutricionista/ endocrinologista.”
“Minha ginecologista me orienta sobre os alimentos.” “Nutricionista”
“Não sigo nenhuma dieta mas evito doces, refrigerantes e café.”
“Amigos com ponto de vista naturista em general, sobre alimentação, modo de vida, etc.” “Ninguém” (8 respostas)
“Sem dieta específica.” (6 respostas)
Os percentuais referentes às respostas positivas às duas perguntas apresentadas na Figura 3 diferem, porque houve mulheres que declararam (“sim”) e que seguiam uma dieta específica, mas que foram impulsionadas por decisões individuais e ideológicas, o mesmo ocorrendo com as respostas das mulheres que se disseram vegetarianas, como descrito no Quadro 1. Já as demais afirmaram que seguiam uma dieta por indicação médica ou de nutricionista. Nas respostas negativas (“não”), expostas no Quadro 2, algumas mulheres mencionaram recomendação de nutricionista, endocrinologista ou médico, ao mesmo tempo em que responderam que não realizavam uma dieta, ou seja, não seguem as suas indicações.
Houve uma recorrência da resposta sobre o uso da internet como forma de consulta e informação, nos formatos de site e comunidade virtual (Facebook).
Nas respostas discursivas dadas nos questionários, é possível perceber a influência dos conselhos do médico, tanto na Figura 3, quando este foi a fonte mais utilizada, assim como nos trechos dos questionários que apresentamos nos quadros 1 e 2. Nesses trechos, as participantes da pesquisa mencionam várias dietas seguidas por orientação de algum profissional de saúde, ao mesmo tempo em que sugerem que existe um empoderamento: algumas delas afirmam que não seguem alguma dieta, mas alegam ter recomendações de algum profissional de saúde, demonstrando um cuidado com a alimentação por conta própria e com o auxílio da internet como forma de conhecimento.