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The Ministry’s assessments

In document The Management of the (sider 51-55)

2.7 Investments in coal and

2.7.4 The Ministry’s assessments

A biossegurança é uma valiosa forma de controlo e prevenção de doenças nas explorações animais (Dewulf & Van Immerseel, 2018). O objetivo deste trabalho foi dar os contributos iniciais para a criação de um índice de avaliação de biossegurança em explorações de bovinos de carne em extensivo, incorporando na estruturação de tal índice não só o estado de arte de biossegurança atualmente existente, mas também as opiniões de indivíduos com conhecimento prático ou científico sobre implementação de biossegurança neste contexto produtivo.

Desta forma, neste trabalho é apresentada uma revisão bibliográfica de biossegurança na qual foi baseada a criação de um processo Delphi, cujos resultados serão agora discutidos em conjunto com os resultados obtidos na revisão sistemática de fatores de risco/protetores de doenças infeciosas com impacto na produção.

No primeiro subgrupo de aspetos de biossegurança do processo Delphi, associados maioritariamente ao contacto (direto ou indireto) entre animais, observou-se que os aspetos relacionados com o processo de seleção de animais que entram na exploração (“Seleção bovinos externos” e “Seleção de reprodutores”) foram dos que obtiveram maior percentagem de respostas na categoria “Concordo totalmente”, assim como o aspeto “Partilha de espaços”. A relevância conotada a estes aspetos reflete os resultados obtidos na revisão sistemática, na qual foram identificados um grande número de riscos que lhes estão associados. Os valores da medida de concordância de van der Eijk (A) obtidos para estes três aspetos foram também dos mais elevados, demonstrando homogeneidade nas opiniões dos participantes do Delphi.

A manutenção de uma manada fechada é recorrentemente reconhecida na bibliografia como uma das mais importantes medidas de prevenção da entrada de doenças na exploração (Mee et al, 2012; Nielsen & Toft, 2011), e os riscos associados à compra de animais externos foram dos identificados em maior número na revisão sistemática.

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Tabela 8 – Proposta de lista final de aspetos de biossegurança para um índice de avaliação de biossegurança de explorações de bovinos de carne em extensivo, com a distinção entre os aspetos da lista inicial que foram incluídos na lista final (a cinzento escuro) e os que foram excluídos da lista final (a cinzento claro), conforme os resultados da revisão sistemática e/ou do processo Delphi

Grupos de aspetos

de biossegurança Aspetos de biossegurança

Fatores de risco/protetores nº de estudos (OR min-OR máx) Delphi Concordância vs. Não concordância Introdução de efetivo

A taxa de reposição com animais externos 22 (0.12 – 116.78) 0.77

O processo de seleção da origem dos animais a introduzir e dos próprios animais a introduzir 14 (0.17 – 27.29) 0.96 Manutenção de uma área designada para quarentena e utilização da mesma para esse efeito 2 (1.1 – 16.172) 0.80

Contatos com outros animais

Possibilidade de contato direto dos bovinos com outros animais através dos limites da exploração 9 (0.54 – 18.3) 0.75 Haver ou não partilha de espaços (ex: alojamentos, comedouros/bebedouros, parques, pastagens,

meios de transporte) com outros animais 23 (0.44 – 15.1) 0.93

Ter registos atualizados de execução de um plano de controlo de pragas (roedores e insetos) 0 0.65 O processo de seleção da origem dos animais reprodutores que visitam a exploração 3 (1.45 – 3.45) 0.93 O maneio de animais que retornam à exploração (ex: por empréstimos e cobrições, por participação

em leilões, feiras, exposições) 3 (3.54 – 15.15) 0.91

Material, equipamentos e

veículos

Áreas da exploração onde é permitida a circulação dos veículos externos 0 0.91

Ter material e equipamento (ex: facas de casco, material de descorna, máquinas tosquiadoras, equipamento doseador, equipamento veterinário, material de injeção) de uso exclusivo na exploração, ou de uso exclusivo para cada grupo de animais

0 0.85

Manutenção do material, equipamento e veículos, no que toca à sua limpeza e desinfeção 0 0.91

Pessoas

Áreas da exploração onde é permitida a circulação dos visitantes 1 (4.06) 0.78

Informação dada aos visitantes (incluindo condutores de veículos) sobre as regras de higiene e limpeza

a cumprir durante a visita à exploração 0 0.80

Formação dos trabalhadores em boas práticas de biossegurança 0 0.96

Disponibilizar vestuário, calçado, ou protetores de vestuário e calçado para uso exclusivo na

73 Tabela 8 (continuação)

Alimentos, água e outros abastecimentos

Manutenção de um local designado para armazenamento de alimento concentrado (exemplo: silos), e

utilização do mesmo para esse efeito 1 (1.54) 0.76

Manutenção de um local designado para armazenamento de feno e palha, e utilização do mesmo para

esse efeito 0 0.72

Fazer um controlo de qualidade da fonte de água da exploração

6 (1.38 – 5.3)

0.91 Haver possibilidade de acesso dos bovinos a fontes de água não controladas e/ou potencialmente

contaminadas 0.89

Possibilidade de contaminação com fezes dos comedouros e bebedouros 0 0.93

Gestão de resíduos e cadáveres

Aplicação ou não de estrume/chorume de outras origens

1 (30.5)

0.87 Manutenção de uma área designada para armazenamento de estrume/chorume de outras origens, e

utilização da mesma para esse efeito 0.89

Respeitar um período de tempo entre a distribuição de estrume/chorume e permissão de acesso dos

bovinos a esses locais 0.87

Manutenção de uma área designada para o armazenamento de cadáveres, e utilização da mesma para

esse efeito 0 0.93

Sanidade animal

A limpeza dos parques e dos animais 2 (0.28 – 6.38) 0.76

Ter registos atualizados da presença/ausência de doenças com interesse para o produtor no efetivo 29 (1.09 – 33.8) 0.93 Existência de uma área designada para isolamento de animais por doença ou suspeita de doença

(incluindo abortos), e utilização da mesma para esse efeito 1 (0.006) 0.96

Ter registos atualizados dos protocolos de tratamentos realizados na exploração 0 0.85

Ter registos atualizados de execução de um plano de desparasitação 0 0.91

Ter registos atualizados de execução de um plano de vacinação 2 (0.090 – 3.08) 0.96 O processo de seleção da origem de material biológico introduzido (transferência de embriões, sémen

para inseminação artificial, colostro e leite) 3 (0.19 – 0.69) 0.91

A divisão do efetivo na exploração (ex: número de grupos de produção e a sua organização em

diferentes áreas da exploração) 8 (0.21 – 34.41) 0.74

Seguimento de uma ordem pré-definida dos trabalhos de maneio animal (ex: começar pelo maneio dos animais mais jovens, seguido do maneio dos animais mais velhos, e terminando com o maneio dos animais em isolamento)

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Num estudo que procurou definir um “ranking de importância” de medidas de biossegurança aplicáveis em explorações de bovinos, com base na opinião de médicos veterinários e médicos veterinários especialistas em controlo de doenças, a manutenção de uma manada fechada foi considerada pelo grupo de médicos veterinários especialistas como a mais importante medida de biossegurança a implementar (Sayers et al., 2014a). Os resultados do processo Delphi contrastam com os deste estudo, visto que o aspeto “Taxa de reposição externa” não foi avaliado como um dos mais relevantes, apesar de ter sido considerado mais relevante por parte dos médicos veterinários do que pelos produtores na primeira ronda de questionários.

Ao compararmos as opiniões dos dois subgrupos de participantes na primeira ronda, verificamos que foi atribuída maior relevância para os oito aspetos de biossegurança por parte dos médicos veterinários do que por parte dos produtores, com particular discrepância para os aspetos “Quarentena”, Contacto direto com animais” e “Maneio no retorno”. Estes resultados podem ser indiciadores da falta de reconhecimento por parte dos produtores da importância que estes aspetos de biossegurança podem ter na prevenção e controlo de doenças na exploração.

“Controlo de pragas” foi um dos aspetos considerados menos relevantes de entre os 33 aspetos de biossegurança, bem como um dos aspetos onde se observou menor nível de concordância entre opiniões (A=0.65). Resultados semelhantes foram obtidos no estudo de Shortall et al. (2017), no qual a medida de biossegurança “controlo de pragas” foi classificada como abaixo da média relativamente à sua eficácia na prevenção de entrada de agentes infeciosos na exploração. A dificuldade de implementação de um plano de controlo de pragas eficaz nos espaços abertos que caracterizam os sistemas em extensivo podem justificar estes resultados.

No segundo subgrupo de aspetos de biossegurança, que inclui a maioria dos aspetos associados à importância de fómites na transmissão de doenças, “Circulação veículos externos” e “Material e equipamento” foram avaliados com uma relevância alta. No entanto, denotou-se que na primeira ronda o subgrupo de médicos veterinários considerou estes dois aspetos muito mais relevantes que os produtores. O mesmo padrão de respostas foi observado para o aspeto “Circulação de visitantes”, apesar deste aspeto ter sido considerado menos relevante nas opiniões gerais do que os dois primeiros. “Limpeza/desinfeção materiais” foi um dos aspetos de biossegurança deste subgrupo considerados mais relevantes, observando-se em ambas as rondas que a percentagem de respostas “Concordo totalmente” dadas pelos produtores, foi consideravelmente superior à percentagem de respostas dadas pelos médicos veterinários nessa mesma categoria. A elevada valorização dada pelos produtores aos conceitos de limpeza e desinfeção foi também observada num estudo sobre

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as atitudes e comportamentos de produtores de bovinos, no qual o conceito de biossegurança foi predominantemente associado ao uso de limpeza e desinfeção para a prevenção de transmissão de doenças via contactos indiretos (Brennan & Christley, 2013). Apesar de veículos, materiais e equipamentos serem reconhecidos como potenciais vias de transmissão indireta, não foi identificado nenhum fator de risco/protetor que demonstrasse associação significativa entre estes fómites e a presença de doenças ou agentes infeciosos. O mesmo sucedeu com a limpeza e desinfeção deste conjunto de fómites, para a qual não foram encontrados quaisquer fatores de risco/protetores que evidenciassem a sua importância na prevenção e controlo de doenças. O facto de não ter sido identificada evidência científica que suporte a importância destes e de outros aspetos de biossegurança vem reforçar a importância de recorrer à opinião de indivíduos com conhecimento sobre o tema, visto que podem contribuir com informação que a bibliografia científica não pode ainda providenciar. Desta forma, o estudo comparativo entre ambas as fontes de informação utilizadas neste projeto – evidência científica e Delphi – é relevante para uma tomada de decisão informada sobre quais os aspetos de biossegurança devem ser incluídos como critérios de avaliação no índice.

Os produtores também avaliaram como mais relevantes os aspetos relacionados com o armazenamento de abastecimentos (“Armazenamento alimento concentrado” e “Armazenamento palha”) do que os médicos veterinários, contudo estes aspetos foram dos considerados menos relevantes nas opiniões gerais. Esta avaliação é concordante com os resultados da revisão sistemática, na qual foi identificado apenas um fator de risco significativamente associado a estes aspetos (Fávero et al., 2017a).

Na primeira ronda, médicos veterinários atribuíram uma relevância a “Regras de higiene/limpeza” e “Vestuário/calçado” ligeiramente superior à atribuída pelos produtores, visto que uma maior percentagem de respostas dos médicos veterinários se concentrou nas categorias de “Concordo totalmente” e “Concordo parcialmente”. Apesar de não terem sido identificados fatores de risco/protetores para o aspeto “Regras de higiene/limpeza”, o impacto do uso assíduo de vestuário e calçado protetor por parte de visitantes foi evidenciado como fator protetor para várias doenças na revisão sistemática (van Schaik et al., 2001; Van Schaik et al., 2002).

“Formação em biossegurança” foi dos aspetos avaliados como mais relevantes em todo o questionário, não só nas opiniões gerais como em ambos os subgrupos de participantes, sendo também um dos aspetos com o valor da medida de concordância de van der Eijk mais elevado (A=0.96). Estes resultados devem ser interpretados com cautela, tendo em conta que a presença da palavra “biossegurança” neste aspeto (o tema geral do questionário apresentado), pode ter influenciado os participantes a atribuírem maior relevância ao mesmo.

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Atentando nas opiniões gerais para os aspetos “Qualidade fonte de água”, “Acesso a outras fontes de água” e “Fezes em comedouros/bebedouros”, é possível observar que todos foram avaliados com uma relevância alta. Nos dois primeiros aspetos, a opinião dos participantes vai de encontro aos resultados da revisão sistemática, na qual foram encontradas várias associações significativas entre o tipo de fontes de água e a presença de várias doenças (Campos et al., 2017; O´Doherty et al., 2014; Roussel et al., 2005).

No terceiro subgrupo de aspetos de biossegurança, relativos à biossegurança interna na exploração (práticas de maneio animal), observa-se que nas opiniões gerais da segunda ronda, os aspetos relativos ao uso de estrume/chorume na exploração (“Armazenamento estrume/chorume”, “Estrume/chorume externo” e “Acesso a zonas estrumadas”), foram avaliados com uma relevância média. Os aspetos avaliados como mais relevantes foram “Armazenamento de cadáveres”, “Isolamento” e “Plano de vacinação”, que também apresentam dos valores da medida de concordância de van der Eijk (A) mais elevados de entre os 33 aspetos (A=0.93, A=0.96 e A=0.96, respetivamente).

Os resultados obtidos no Delphi para “Plano de vacinação” não são surpreendentes, podendo demonstrar o grau de confiança e importância que, tanto produtores como médicos veterinários, depositam neste tipo de abordagem preventiva para controlo de agentes infeciosos na exploração. A vacinação é de facto uma medida amplamente recomendada para várias doenças (Mee et al., 2012; Wells, 2000), e o seu impacto na ocorrência de doenças foi evidenciado em alguns estudos (Ferreira et al., 2017; Graham et al., 2013; Tiwari et al., 2009). Apesar dos seus benefícios, um plano de vacinação não deve ser utilizado como a única ou principal ferramenta de controlo de uma doença, devendo ser aplicadas simultaneamente mais medidas de biossegurança que auxiliem na prevenção da introdução e/ou disseminação do agente etiológico (Laureyns et al., 2010; Lindberg & Houe, 2005).

É interessante observar que foi atribuída uma elevada relevância ao aspeto “Isolamento”, ainda que na bibliografia apenas ter sido identificado um fator protetor associado ao isolamento de animais doentes (Ferreira et al., 2017).Opiniões semelhantes a estas foram constatadas por Shortall et al. (2017), em cujo estudo o isolamento de animais foi considerado uma medida de biossegurança eficaz por parte de médicos veterinários e produtores de bovinos.

O facto de sistemas de produção extensivos não apresentarem instalações fechadas, como as existentes nos sistemas de produção intensivos, pode ser visto como impeditivo para a implementação e controlo de certas medidas de biossegurança. Esta observação foi feita por médicos veterinários num estudo realizado por Shortall et al. (2016), e talvez possa justificar porquê o aspeto “Limpeza parques/animais” não ter sido avaliado como maior relevância, especialmente por este subgrupo de participantes.

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O aspeto “Registo de doenças” foi avaliado com uma relevância alta, e apresenta um valor da medida de concordância de van der Eijk (A) entre os mais altos de todos os aspetos de biossegurança (A=0.93). Estes resultados do Delphi são concordantes com os resultados da revisão sistemática, visto que este foi o grupo de aspetos de biossegurança para o qual foi identificado o maior número de associações entre fatores de risco/protetores e ocorrência de doenças. Nas opiniões gerais, os aspetos “Plano de desparasitação” e “Material biológico externo” foram considerados bastante relevantes, e apresentam um nível de concordância igual (A=0.91). No entanto, na bibliografia não foi identificado nenhum fator associado a desparasitação, e é interessante constatar que apenas foram evidenciados fatores protetores associados ao uso de material biológico externo. À luz do nível de controlo e prevenção sanitária que é atualmente implementada em locais de recolha de material biológico, como por exemplo sémen (CE,1998; CSS, 2016) e embriões (Thibier, 2010), este tipo de resultados não é tão surpreendente, visto que a maioria dos riscos de transmissão de doenças são mitigados graças às medidas de biossegurança que são aplicadas no local de origem do material biológico.

“Divisão do efetivo” foi um dos aspetos de biossegurança com menor percentagem de respostas na categoria “Concordo totalmente”, assim como um dos aspetos com um nível de concordância mais baixo (A=0.74). Estes resultados contrastam com os resultados da revisão sistemática, na qual foi encontrado um número considerável de fatores de risco/protetores associados a este aspeto. Esta diferença entre opiniões e bibliografia pode ser justificada pelo facto de a revisão sistemática ter abrangido estudos realizados em produção bovina em geral, sem especificar o sistema de produção. Tendo em conta que muitos dos estudos incluíram explorações de bovinos em sistema intensivo, bem como explorações de produção de leite, é possível que na ótica de produtores e médicos veterinários de bovinos de carne em extensivo, a divisão do efetivo não seja tão relevante para este contexto produtivo. Face à baixa relevância atribuída ao aspeto “Divisão de efetivo”, não é surpreendente que os participantes tenham também atribuído uma baixa relevância ao aspeto “Ordem maneio animal”, ainda que ligeiramente superior à atribuída ao primeiro.

Ao longo da revisão bibliográfica, foi possível constatar a escassez de bibliografia que disponibilize recomendações de biossegurança especificamente definidas para a produção de bovinos de carne em extensivo. O mesmo se verificou durante a revisão sistemática, na qual o número estudos epidemiológicos para levantamento de fatores de risco de doenças infeciosas com impacto na produção bovina, realizados neste contexto produtivo em particular, foi bastante reduzido.

Durante o levantamento de fatores de risco/protetores na revisão sistemática, é possível que o facto de a seleção ter sido restringida aos fatores para os quais foram encontradas

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associações em análise multivariada, tenha sido um fator que limitou o número de resultados obtidos.

Para além do mais, a revisão apresentada neste trabalho não teve por objetivo ser exaustiva, mas sim providenciar exemplos demonstrativos da importância das várias recomendações de biossegurança na transmissão de doenças infeciosas que impactam a produtividade de bovinos de carne. Posto isto, ainda que para alguns aspetos de biossegurança não tenham sido identificados fatores de risco/protetores significativos, não deve ser especulado a partir destes resultados que tais aspetos de biossegurança não têm impacto na prevenção e controlo de riscos sanitários. Adicionalmente, a interpretação da importância dos fatores de risco/protetores identificados na revisão deve ser feita com cautela, mantendo em mente que os contextos produtivos onde foram evidenciadas associações significativas com certas doenças podem diferir do contexto produtivo do presente trabalho. Este tipo de diferenças, como a região, prevalência de doença e o sistema de produção, podem afetar a epidemiologia dos vários agentes etiológicos nas explorações, e assim alterar a importância dos vários fatores de risco (Dubey et al., 2007; Puerto-parada et al., 2018).

Sendo o processo Delphi um método participativo cujos critérios de seleção de participantes não se baseiam em amostras estatisticamente representativas, as opiniões recolhidas neste trabalho podem não ser representativas das populações de participantes que foram incluídos no mesmo (médicos veterinários e produtores de bovinos de carne em extensivo).

A possibilidade de perda de participantes entre rondas é uma das limitações do método Delphi, um cenário que se observou também neste trabalho. Apesar da taxa de participação do subgrupo de produtores ter sido mais baixa que a do subgrupo de médicos veterinários em ambas as rondas, a diferença foi particularmente evidente na segunda ronda, na qual apenas participaram 5 produtores. Este facto deve ser tido em conta aquando interpretação das opiniões deste subgrupo na segunda ronda, visto que as respostas obtidas são provavelmente pouco representativas do conjunto de produtores que participou na primeira ronda.

A tendência para um aumento de concordância de opiniões que tipicamente caracteriza o Delphi observou-se em 21 dos 33 aspetos de biossegurança postos à consideração dos participantes. Desta forma, devido ao facto de a grande maioria dos aspetos de biossegurança terem sido avaliados com uma relevância alta (grande percentagem de respostas nas categorias “Concordo totalmente” e “Concordo parcialmente”), e ao fato de os níveis de concordância obtidos também terem sido altos (A ≥ 0.75), apenas três dos 33 aspetos não atingiram concordância nas opiniões dos participantes.

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