2.7 O RGANISERING OG PLANLEGGING
2.7.2 The Last Planner™ System
No período entre 1959 e 1963, Bori estava coordenando o Departamento de Psicologia em Rio Claro. Ao mesmo tempo, ela ainda mantinha alguma atividade na USP. Maria Helena Souza Patto, por exemplo, foi aluna de Bori já no curso de psicologia da USP “na primeira metade da década de sessenta ela nos deu uma disciplina chamada ‘Psicologia da Personalidade’”. João Claudio Todorov também afirmou ter sido aluno de Bori na disciplina Psicologia da Personalidade, na graduação em psicologia da USP e que em 1962, após já ter cursado a disciplina, foi para Brasília com ela e Gil Sherman.
Ela dava a disciplina de Psicologia da Personalidade na USP enquanto estava em Rio Claro, onde coordenava o Departamento de Psicologia na Faculdade de Pedagogia e teve, ao longo dos anos em que esteve lá, três professores assistentes: Nilce Mejias, Isaias Pessotti e Geraldina Witter. Sobre este período, Isaias Pessotti afirmou:
O João Dias que era o diretor, trabalhava com Geografia e História, que era uma cadeira única na Maria Antonia. Quando ele montou Rio Claro, ele sabia quem era bom em História, quem era bom em Geografia. Levou o Witter, o Witter levou a Geraldina, que era sua esposa, e a Carolina contratou a Geraldina. A Nilce Mejias ficou muito pouco tempo e Carolina, Geraldina e eu tocamos o barco.
Enquanto o grupo de Rio Claro desenvolvia suas atividades, Bori havia recebido a informação de que um professor norte americano chamado Fred S. Keller estava indo à Universidade de São Paulo para dar um curso. Segundo Isaias Pessotti, a informação que teria chegado até ela é que este professor era especialista em “auto-ensino”. Assim que o curso começou, Bori, Pessotti e Witter iam para São Paulo assistir ao curso e “a Carolina, com isso Então, ficou cada vez mais empolgada com o condicionamento operante” (Isaias Pessotti). O curso era sobre análise experimental do comportamento e, nele, os alunos eram levados a fazer sessões experimentais com ratos em uma caixa experimental improvisada. E muito do que se fazia e discutia durante o curso com o professor, era inserido no Departamento do Psicologia de Rio Claro. Lá foi montado um laboratório de psicologia experimental e, entre os equipamentos do laboratório estavam unidades de condicionamento operante feitas por Andreas Aguirre “que era marido de uma assistente da cadeira de Psicologia Educacional da Maria Antonia, marido da Maria José Aguirre. O Aguirre era meio mecânico e fez essas gaiolas” (Isaias Pessotti). Ainda seguindo o depoimento de Isaias Pessotti sobre estas caixas construídas por Andreas Aguirre e o uso que elas tiveram, encontra-se o seguinte relato:
Eram quatro gaiolas de passarinho adaptadas, aquele negócio... Um horror, mas funcionava. Então, se formaram os primeiros: Luiz de Oliveira, Herma Bauermeister, uma Eda não sei o que era freira na ocasião, são os primeiros aluninhos de Rio Claro que é o primeiro grupo de graduação, em pedagogia, que fazia laboratório com a gente
Geraldina Witter, ao descrever o laboratório, afirmou ter dois grupos de aparelhos. Um deles era formado pelos aparelhos fabricados pelo Andrés Aguirre e dedicados ao uso dos alunos. O outro grupo de aparelhos era formado por aparelhos importados da marca Grasson. Disse:
O laboratório de Rio Claro era bem montadinho sim. (...) Era bem montado tinha todas as coisas e nós tínhamos uns aparelhos modernos. Os modernão eram só para os escolhidos, nós professores. O Marcelino, era aluno nosso que podia usar. (...) a produção dos aparelhos sim era esse professor, esse marido da Maria José que fez todas as Skinner Box nossa. (...) Era tudo feito aqui. Agora, o que nós professores usávamos era da Grasson, importado da Grasson. A Carolina que trouxe.
Foi neste laboratório onde uma das linhas de pesquisa começou a ser desenvolvida no Brasil. Esta linha vem estudando condicionamento operante em abelhas, uma espécie de animal que até então nunca havia sido utilizado como sujeito experimental em pesquisas em análise experimental do comportamento. Os animais mais comumente usados eram ratos ou pombos. Parte dos equipamentos do laboratório de Rio Claro foi adquirida com financiamento para pesquisas sobre discriminação com abelhas que Isaias Pessotti iniciou. Assim ele descreve a aquisição dos equipamentos de Rio Claro:
Tinha um painel da Grasson-Stadon que eu consegui porque outro admirador da Carolina era o Kerr, das abelhas, geneticista. estava em Rio Claro. estava em Rio Claro e me encomendou um teste de inteligência para abelhas. (...)
Quando eu fiz o negócio com o Kerr, nós conseguimos o painel da Grasson-Stadon, com o fiozinho que o Sherman tinha ensinado a fazer. A ligar o circuito que era um relê, certo? Então, nós tínhamos um baita equipamento. Tudo isso num rack só. Como nós prometíamos caminhar na pesquisa com abelhas, ele nos deu equipamento da FAPESP e nosso laboratório ficou bom. Bom, mínimo!
Pode-se dizer que este laboratório ganhou alguma repercussão para além da própria FFCL de Rio Claro. Isto porque Frederico Guilherme Graeff, médico, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) relatou ter ido conhecer o laboratório de Rio Claro e aprender como se pesquisava na área de comportamento operante: “Nessa ocasião, aliás, acho
que até antes disso eu me interessei por essa área e, naturalmente, a Professora Carolina foi pioneira na área de Comportamento Operante. E ela e o Isaias estavam em Rio Claro, o Isaias na ocasião estava inclusive fazendo aquele treinamento de abelhas”. Graeff também tinha contatos com o professor Kerr e por isso, ele foi a Rio Claro e, posteriormente, para o Laboratório de Psicologia Experimental de São Paulo que Gil Sherman estava montando.
Além do laboratório, foi em Rio Claro onde ocorreu a primeira utilização, no Brasil, da instrução programada. As primeiras traduções na área começaram a ser feitas, os primeiros testes dos materiais produzidos e uma versão da máquina de ensinar. Segundo Isaias Pessotti, quando o Keller, em 1961, falou sobre programação de ensino, Bori teria se interessado e começado a planejar seu uso, já que esta teria sido sua motivação para o curso da USP. Geraldina Witter afirmou que a primeira utilização do curso programado no Brasil ocorreu em uma espécie de parceria desenvolvida com Rodolpho Azzi na Universidade de São Paulo:
muitas das coisas a gente testava em Rio Claro para ver se aquelas instruções estavam boas não? E a gente tinha um... Bosque, era Roberto Bosque um secretário nosso lá que era muito eficiente, excelente datilógrafo. Sabe aquele livro do Holland e Skinner que é de instrução programada? Foi tudo digitado lá em Rio Claro. A gente testava com os nossos alunos e usava nas nossas aulas e na forma de apostila e o Rodolpho tentando traduzir. Depois ele fez a versão final, a gente mostrava aonde não funcionou e nossos alunos foram os nossos participantes.
a gente fez as primeiras tentativas, os primeiros ensaios tanto de curso programado, como de instrução programada...
Então, a gente fez aquilo, testava primeiro em Rio Claro, depois o Rodolpho testava, retestava aqui [em São Paulo]...
Ainda segundo Geraldina Witter, Rodolpho Azzi retestava a tradução em alunos bolsistas da América Latina que estudavam psicologia em um curso interamericano na faculdade de educação:
Então nós imprimíamos, fazíamos as cópias tudo em Rio Claro e de Rio Claro vinham os pacotes. A Carolina trazia os pacotes para São Paulo e ele testava lá, e então, a gente foi ajeitando. Às vezes era questão de tradução, às vezes a palavra era nova e a pessoa não conhecia e foi fazendo a adaptação.
Quanto a máquina de ensinar utilizada em Rio Claro, ela comenta a contribuição de Andreas Aguirre e descreve as características da versão brasileira da maquina:
A primeira máquina de ensinar foi até o marido da Maria José Aguirre, ele tinha muita competência e habilidade, ele fez a primeira máquina de ensinar que era uma caixinha de madeira. A nossa datilógrafa, naquela época era datilografia, ele cortava as tiras de
papel, datilografava naquela... colava as tiras de papel e o aluno lia, respondia num buraquinho que tinha aqui, rodava, se ele estava certo ele ia adiante senão... Era a máquina de ensinar nossa de madeira.
Todas estas atividades estavam sendo realizadas em Rio Claro, no ano de 1962, quando Bori recebe um convite de Darcy Ribeiro para criar o Departamento de Psicologia da recém-criada Universidade de Brasília. O convite que recebeu foi estendido aos professores assistentes em Rio Claro e outros que foram para Brasília dar continuidade ao trabalho que estava sendo feito. Sobre a preparação do departamento de Brasília, Geraldina Witter contou que ficou encarregada de estudar os cuidados com ratos em laboratório: “Como é que ia conseguir os ratos, a qualidade de vida, o que é que precisava, onde a gente podia arranjar os ratos. Então li sobre ratos”. Além de aprender sobre os cuidados com ratos, ficou de comparar os primeiros livros que comporiam a biblioteca do departamento.
então ela [Carolina Bori] me deu outra tarefa que era comparar os primeiros 1000 livros de psicologia para a biblioteca de Brasília, da parte da Psicologia. Então, lá fui eu para as livrarias daqui pegar os catálogos para importar livros e ver o que a gente queria. Para isso, eu tive primeiro que ter uma ideia geral do que é que a gente ia dar e quem era o psicólogo que a gente ia formar, para eu ir buscar os livros que precisava comparar.
Então, eu acabei comparando 1500 livros, primeiro tinha um tanto, mas, então, a gente era bastante, era amigo dos livreiros... Então a gente conseguiu comparar, fazer a compara.
Apesar de todo seu envolvimento para a criação do departamento de Brasília, Geraldina Witter teve alguns problemas pessoais que dificultaram sua ida para Brasília.
Em 1964, então, Bori deixou a FFCL de Rio Claro e a Universidade de São Paulo para dar início a um momento de sua carreira que gerou grande entusiasmo em todos que foram trabalhar com Bori devido à possibilidade de criar algo que fosse relevante para o desenvolvimento do país.