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Os dados foram processados utilizando-se os programas estatísticos SPSS 13.0 e Stata 7.0. Os grupos foram descritos em suas características sócio-demográficas e psicométricas, mediante a média e o desvio-padrão para variáveis contínuas e percentuais para as variáveis categóricas.

Os resultados das escalas utilizadas foram organizados em tabelas e analisados estatisticamente. Para as variáveis qualitativas ou categóricas, foram utilizados o teste Qui-Quadrado de Pearson, e o teste exato de Fisher, este último aplicado quando uma das “caselas” continha valor menor ou igual a 5. Nas análises com mais de dois grupos, quando necessário, o fator de Correção de Yates foi empregado, afim de detectar as diferenças entre os subgrupos.

Para as variáveis contínuas, o teste de Kruskal-Wallis e a Análise de Variância (ANOVA) foram utilizados, quando havia mais de dois grupos a serem analisados. No caso da ANOVA, em situações onde ocorreram diferenças significativas entre os grupos avaliados, o fator de correção de Bonferroni foi empregado. Os testes t de Student e Mann-Whitney U foram usados, quando havia apenas dois grupos. Múltipla Análise de Variância (MANOVA) foi também realizada, visto que esta pesquisa avaliou muitas variáveis dependentes, que não poderiam ser adequadamente analisadas através de uma análise unifatorial.

Técnicas de regressão múltipla foram utilizadas, objetivando determinar até que ponto as variáveis explicativas significativas conseguiriam prever o resultado da variável dependente. Foi utilizada a Análise de Regressão Logística Binária, quando houve duas

variáveis dependentes. A Análise de Regressão Logística Multinominal foi utilizada, quando havia mais de duas variáveis categóricas dependentes. Nesta análise, um dos grupos é utilizado como referência (Tabachnick e Fidell, 2001).

Uma Análise de Cluster K-Means foi empregada para detectar possíveis agrupamentos entre todos os agressores sexuais da amostra. O objetivo desta análise é formar grupos bastante diferentes entre si, mas organizar cada grupo com o máximo de homogeneidade interna. Segundo Aldenderfer e Blashfield (1984), o número de clusters utilizado deve ser adequadamente justificado nas análises realizadas, e uma das justificativas apontadas pelos autores é a replicação de trabalhos científicos já previamente publicados.

O nível de significância adotado foi de 5%.

A amostra foi organizada em grupos, utilizando-se como critérios a idade da vítima (agressores sexuais de crianças, adolescentes e de adultos), bem como a quantidade de vítimas envolvidas (agressores sexuais de 01 vítima, de 02 vítimas e de 03 ou mais vítimas). Comparações entre agressores de crianças do gênero masculino e feminino, bem como comparações entre agressores de adolescentes do sexo masculino e feminino foram também realizadas.

Quanto ao agrupamento dos agressores sexuais conforme o número de vítimas envolvidas, utilizamos o termo “serial” para se referir aos agressores sexuais que vitimizaram três ou mais pessoas ao longo da vida, até o momento da avaliação. O termo “serial” tem sido recentemente e timidamente referido em publicações científicas, mas tem se propagado abundantemente na literatura policial e na criminologia. Segundo Stevens (2001), os estupradores seriais (“serial rapists”) podem ser definidos como os

agressores sexuais que vitimizam três ou mais pessoas ao longo da vida. Outros autores, como Siegel (2004), não definem agressores sexuais seriais por um número mínimo de vítimas, mas pelo comportamento recorrente de constranger pessoas ao ato sexual, por meio de violência ou grave ameaça.

Desta forma, os grupos foram avaliados quantitativamente, de acordo com os seguintes itens:

a) Dados sócio-demográficos e fatores relacionados ao crime (idade do agressor, estado marital, grau de instrução, renda mensal, raça, história de reincidência criminal, orientação sexual, história de abuso sexual, idade da vítima, presença de vítimas relacionadas, aceitação do fato típico).

O termo “vítimas relacionadas” refere-se às vítimas cujo relacionamento com o agressor é suficientemente próximo a ponto de impedir um relacionamento sexual socialmente aceitável, tais como filhos, sobrinhos, enteados, netos. Todavia, esposas ou amásias também são consideradas relacionadas. Alguns autores determinam um período de pelo menos 2 anos de relacionamento entre o agressor e a vítima, nos casos de padrasto - enteados, para se definir uma vítima como “relacionada” ( Hanson e Thornton, 2000).

b) História de reincidência criminal.

Crimes realizados no passado do apenado foram registrados, a partir das informações do seu prontuário jurídico. Não somente foram investigados os Crimes Sexuais, bem como outros crimes praticados.

c) Problemas com álcool e / ou drogas.

Um dos objetivos gerais deste trabalho foi avaliar o consumo inadequado de bebidas alcoólicas e outras drogas entre agressores sexuais. Problemas com álcool foram assim definidos, quando o sentenciado respondeu afirmativamente a mais de 2 questões do questionário CAGE. Problemas com drogas foram assim definidos, quando o apenado respondeu afirmativamente a mais de 6 perguntas do questionário DAST. Quando os apenados responderam afirmativamente a mais de 2 perguntas do CAGE E a mais de 6 perguntas no DAST, eles foram considerados apresentando problemas com álcool E drogas.

d) Pedofilia entre agressores sexuais.

Baseando-se na presença dos 3 critérios diagnósticos do DSM-IV-TR (APA, 2002), os apenados foram categorizados como portando ou não o quadro de Pedofilia.

e) Múltipla Análise de Variância (MANOVA) para variáveis contínuas dependentes. Em virtude da utilização de muitas variáveis contínuas na análise, uma Múltipla Análise de Variância foi eleita, antes da realização dos testes univariados.

f) Análise de Regressão Logística Binária ou Multinominal.

Dependendo da quantidade de variáveis categóricas dependentes existentes, a Análise de Regressão Logística Binária ou a Multinominal era eleita. As variáveis

independentes foram escolhidas para a Análise de Regressão Logística, somente se elas haviam representado significância estatística nas análises unifatoriais.

g) Tipologia dos agressores sexuais.

A análise de Clusters K-Means foi empregada para detectar possíveis agrupamentos entre todos os agressores sexuais da amostra.