5.1 How do New Technology-Based Firms search for potential investors?
5.1.2 The impact of executive experience on search
As divergências em relação a Freud se mostram muito mais intensas na obra de Melanie Klein do que na de Sándor Ferenczi. Melanie Klein levantou muitas polêmicas ao desbravar a área da psicanálise infantil. Diante desse campo até então pouco explorado, a autora passou a construir novas noções e conceitos para tentar dar conta da realidade arcaica infantil.
Percebemos aqui que a noção de defesa é usada muito mais largamente, embora permaneça fiel ao seu propósito de evitação do desprazer, não é sem consequências esse foco que aqui é dado. O eu também é bastante ressaltado na obra de Melanie Klein e aqui se situa uma diferença fundamental: para ela o eu existe desde o início da vida pós-uterina, atuando como agente das defesas. Para Freud, por sua vez, a noção de defesa funciona como um princípio geral que orienta o psiquismo em consonância com o princípio do prazer, atuando inicialmente de forma quase reflexa, como ele descreve no Projeto para uma psicologia científica, e somente depois o eu se constitui e passa a assumir essa função de promover a defesa, criando mecanismos mais complexos à medida que se desenvolve.
Melanie Klein, ao buscar os fenômenos mais arcaicos, acaba se distanciando muito da visão freudiana do psiquismo. Freud, ao explorar a constituição do aparelho psíquico, ressalta o desamparo primordial, a impossibilidade de retornar a uma completude e a uma satisfação plena, focando assim nessa falta, que mobilizará os mais diversos feitos do homem. Melanie Klein, por outro lado, voltará seus estudos sobre o psiquismo muito mais para a questão das relações de objeto. Para ela, é o modo como o indivíduo se relaciona com seus objetos, como controla sua agressividade e medos em relação a ele, como supera tais entraves e alcança o amor genital, em suma, seu modo de se relacionar que o determina.
Alguns mecanismos de defesa que são abordados por Melanie Klein já haviam sido descritos por Freud, no entanto, na visão da autora, eles adquirem novos nuances. É o caso da negação, que já foi explorada anteriormente. É fundamental ressaltar que essa visão diferenciada traz consequências dramáticas para o entendimento dos casos clínicos. No caso da negação, o sentido usado por Klein difere tanto do de denegação (suspensão intelectual do recalque), como também do de renegação, que diz respeito mais especificamente à negação da diferença sexual. O enfoque dado pela autora nos mecanismos arcaicos se relaciona também com sua antecipação do complexo de Édipo para o primeiro ano de vida. O supereu não seria seu herdeiro, mas sim formado como uma medida defensiva do eu, processo que se inicia a partir das primeiras introjeções orais do bebê.
Podemos perceber, então, que Klein desenvolve uma visão completamente diferente das instâncias do psiquismo. O isso acaba não tendo tanto destaque quanto o eu e os novos termos que ela adota, como mundo interno e self. Não é a toa que o recalque não adquire tanto relevo quanto teve na obra de Freud, pois o que está em questão é o que aconteceria antes dele. No entanto, para Freud, o recalque não somente é constitutivo do núcleo original do inconsciente, como também é essencial para a direção do tratamento. Assim, podemos perceber que Freud busca ter acesso ao inconsciente através daquilo que retorna do recalcado e aparece na clínica sob a forma de sonhos, esquecimentos, atos falhos e sintomas. Enquanto isso, a clínica kleiniana explora principalmente as ansiedades infantis, buscando aplacá-las e, por conseguinte, eliminar os mecanismos defensivos que estejam atuando em relação a elas de forma excessiva.
Assim, os objetivos específicos do processo analítico acabam sendo diferentes para Melanie Klein e para Freud. Como já vimos, este afirma que o objetivo é garantir ao eu as melhores condições possíveis para o seu funcionamento, ou seja, solucionando inibições e sintomas, que representam uma função do eu que foi alterada e um território perdido para o inconsciente devido ao recalcamento. Embora a noção de defesa tenha papel fundamental na obra freudiana, ele acaba não lidando diretamente com ela no processo analítico. Ela se mostra fundamental para o funcionamento psíquico saudável, mas também pode acarretar sofrimentos se for excessiva. As intervenções freudianas não seguem, no entanto, no sentido de reduzi-las, mas sim estão sempre voltadas para o desvelamento do inconsciente. Na prática kleiniana, a descoberta de sucessivos mecanismos de defesa contra as ansiedades assume papel central. Para ela, o papel do analista consiste em analisar tais ansiedades e diminuir os mecanismos de defesa, conduzindo o paciente a um fortalecimento do eu e a uma possibilidade de amar mais plenamente seus objetos.
Feito esse percurso sobre a perspectiva kleiniana, no capítulo a seguir será explorada a crítica de Lacan tanto da posição clínica de Melanie Klein como também de Ferenczi.
5 CRÍTICA AOS PÓS-FREUDIANOS E A QUESTÃO DA DEFESA PARA LACAN
―Na sua própria opinião, que ele não transmite,
é que a origem da fala reside na canção, e as origens da canção na necessidade de preencher com som a imensa e muito vazia alma
humana.‖ (J. M. Coetzee)
Este capítulo será dividido em duas partes. A primeira delas discorrerá sobre o início do ensino de Lacan e sua crítica aos pós-freudianos através do retorno à obra freudiana e à primazia da linguagem. Será explorada a crítica que o autor faz às análises das defesas, focando em seus pontos de vista acerca dos estudos e propostas técnicas dos dois psicanalistas pós-freudianos aqui estudados.
Em um segundo momento do capítulo, será pesquisada a própria questão da defesa na obra de Lacan, centrando principalmente em como o desejo se constitui como uma defesa contra o gozo. Diante da extensão deste trabalho e o tempo exíguo, essa parte da pesquisa será breve.