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Allegiance and Sympathy: Concern, Fear, Pity, and Anger for Mother

3.2 Mother! and the Cue Approach: Character-Directed Emotions

3.2.2 Allegiance and Sympathy: Concern, Fear, Pity, and Anger for Mother

A proposta de Goldman é muito atacada. Por um lado, seu veritismo é criticado por evidencialistas; por outro, seu confiabilismo externalista é criticado por defensores de teorias internalistas de justificação e conhecimento.128 Novamente, não pretendemos mostrar essa disputa, nem definir uma resposta em poucas palavras. Nosso enfoque é em agência epistêmica e vamos nos ater ao que é relevante para isso. Faremos uma exposição sucinta das críticas de Feldman e das respostas de Goldman, interlocutores constantes desse debate na Epistemologia, o qual condiciona as concepções e possibilidades de agência epistêmica.

Relembremos o trecho já citado de Feldman, acerca da questão central em Epistemologia:

Considere a sugestão que o sujeito deve buscar e considerar toda evidência relevante. Ela pode ser uma boa ideia, mas quando a minha questão é o que eu deveria crer agora, buscar mais evidência não é uma das minhas opções. Suponha que eu não tenha pensado muito cuidadosamente sobre alguma proposição, mas a pouca evidência que tenho sugere que a proposição é verdadeira. Pergunto, “Eu deveria acreditar naquela proposição agora?” Se você me disser que eu deveria buscar mais evidência, então minha questão original permanece sem resposta. Talvez eu deveria buscar mais evidência ou pensar sobre a questão depois, mas até ter a chance para fazer isso, o que deveria crer? O que eu deveria acreditar agora? É essa última questão, penso, que é a questão epistêmica central, e essas questões sobre agência epistêmica são claramente irrelevantes para ela (FELDMAN, 1988, p. 250).129

Ele coloca a agência epistêmica, bem como a busca da verdade, através de novas evidências, como algo secundário. A consideração de evidências é a questão central – e isso é notório pela afirmação de que a suspensão de juízo é um problema para os veritistas, uma vez que ela não consiste em sucesso epistêmico.

Assim, Feldman faz uma crítica mais forte. Além de não caracterizar a busca da verdade como uma condição necessária, ela não é suficiente em Epistemologia.

128 Para um panorama da disputa entre internalismo e extarnalismo em Epistemologia, ver Internalist vs. Externalist Conceptions of Epistemic Justification, de George Pappas, na SEP, disponível em: <http://plato.stanford.edu/entries/justep-intext/>.

129 No original: “Consider the suggestion that one ought to seek and consider all relevant evidence. That may be a good idea, but when my question is what I should believe now, seeking more evidence just isn't one of my options. Suppose I haven't thought very carefully about some proposition, but the little evidence I have seen suggests that the proposition is true. I ask, “Should I believe that proposition now?” If you tell me that I should seek more evidence, than [sic] my original question remains unanswered. Perhaps I should seek more evidence or think about the matter further, but until I have a chance to do that, what should I believe? What should I believe now? It is this latter question, I think, that is the central epistemic question, and these issues about epistemic agency are quite clearly irrelevant to it”.

Como Ahlstrom-vij cita: “[…] Feldman não é cético somente sobre a necessidade de verdade ou de conducência à verdade para o sucesso epistêmico, mas também sobre isso ser suficiente” (2010, p. 41).130

Ahlstrom-vij (2010) cita Feldman (2002, p. 377-379), que compara os objetivos epistemológicos da verdade, do conhecimento e da justificação, mostrando que a última é a principal. Ali, Feldman dá exemplos que mostram que há casos de legítimo interesse epistemológico em que o sucesso não implica a verdade, nem conhecimento – como a já citada suspensão de juízo, e também os casos de crença acidentalmente verdadeira, que atingem a verdade mas não tem valor epistêmico.

As considerações epistêmicas de Feldman são exclusivamente sobre o cumprimento do dever, através da consideração adequada das evidências. Quaisquer procedimentos de coleta e tratamento de evidência, bem como o sucesso na aquisição da verdade, são tratados como questões práticas:

Outros casos também sugerem que considerações epistêmicas não determinam quais atividades de coleta de evidência são apropriadas. Para alguém que me diz que eu deveria buscar evidência adicional sobre alguma proposição, posso apropriadamente responder que há coisas melhores para fazer com meu tempo. Talvez seria melhor para mim brincar com minha filha ou levar meu cachorro para passear. Mas essas considerações são práticas, não epistemológicas. Não há nunca quaisquer considerações puramente epistemológicas que decidam essas questões práticas. A questão estrita sobre o que eu deveria crer agora, a questão que quero focar, é a questão epistemológica central (FELDMAN, 1988, p. 251s).131

Goldman (2010) cita Feldman (2000) para caracterizar a posição evidencialista, na qual estão baseadas as críticas de Feldman ao veritismo de Goldman:

O princípio evidencialista especificado aqui implica que alguém pode colocar-se em um estado altamente racional ao livrar-se de tanta evidência quanto possa e depois suspender o juízo sobre virtualmente tudo que vier à mente [...] Ao acreditar muito pouco, ele será então altamente racional, de acordo com os padrões evidencialistas [...] Mas aquela parece ser exatamente a conclusão certa. Uma vez que a pessoa tenha perdido sua evidência, ela não

130 No original: “[…] Feldman is not only skeptical about the necessity of truth or truth-conduciveness for epistemic success, but also about it being sufficient”.

131 No original: “Other cases also suggest that epistemic considerations do not determine what evidence gathering activities are appropriate. To someone who tells me that I should seek additional evidence about some proposition, I might appropriately respond that there are better things for me to do with my time. Maybe it would be better for me to play with my daughter or take my dog for a walk. But these considerations are practical, not epistemological. There's never any purely epistemological considerations that decide these practical questions. Whether I should be a better epistemic agent is always a practical question. The narrower question about what I should believe now, the question I want to focus on, is the central epistemological question”.

tem razão para acreditar muito, e seria irrazoável se ela acreditasse em coisas que seriam bem justificadas para ela se estivesse em circunstâncias mais normais (FELDMAN, 2000, p. 690).132

Goldman (2010) busca responder a algumas das críticas de Feldman. Ele afirma (p. 6-7) que a coleta de evidências é importante – cita filósofos da ciência que defendem um princípio de que maior variedade de evidência leva a maior confirmação de hipótese, e também cálculos de probabilidade bayesianos, da teoria da decisão, que mostram o valor positivo de coletar nova evidência.

Goldman busca minar a posição de Feldman quanto à tomada de decisão doxástica independentemente da verdade, através da consideração adequada de evidências, como o valor e sucesso epistêmico. Ele dá o exemplo de alguém que, ao sair de um shopping após fazer compras, percebe que esqueceu do seu cartão de crédito em alguma das lojas. Assim, o sujeito precisa recuperar o cartão, um interesse prático, que influencia sua situação epistêmica. Ele afirma:

Como esse caso mostra, interesses práticos comumente ditam a desejabilidade de ter estados epistêmicos que não sejam meramente graus de crença razoáveis, mas altos graus de crença razoáveis. E alcançar tais estados epistêmicos comumente exige coleta de evidência. Não apenas coletar qualquer evidência antiga, mas coletar evidência suficiente e adequada. É apropriado, portanto, para a epistemologia aconselhar agentes epistêmicos na execução dessa tarefa ubíqua. (Métodos ruins de coleta de evidência, tais como vieses de confirmação, deveriam ser evitados.) (GOLDMAN, 2010, p. 9).133

Goldman, na sequência, também menciona, em dois comentários, a relação entre o prático e o epistêmico, que não permite mais isolamento, e que envolve questões e decisões em ambos os lados. Ele faz referência aos teóricos da filosofia da ciência, sobre questões epistêmicas que devem ser determinadas para atingir fins práticos, e da

132 No original: “The evidentialist principles stated here imply that one can get oneself into a highly rational state by ridding oneself of as much evidence as one can and then suspending judgment about virtually everything that comes to mind … By believing very little, he'll then be highly rational according to evidentialist standards ... But that seems to be exactly the right conclusion. Once the person has lost his evidence, he has no reasons to believe much, and he'd be unreasonable if he did believe things that would have been well-justified for him had he been in more normal circumstances”.

133 No original: “As this case shows, practical interests commonly dictate the desirability of having epistemic states that are not merely reasonable degrees-of-belief (DOBs) but reasonable high DOBs (HDOBs). And getting such epistemic states commonly requires gathering evidence. Not just gathering any old evidence, but gathering enough and suitable evidence. It is appropriate, therefore, for epistemology to counsel epistemic agents in the execution of this ubiquitous task. (Bad methods of evidence gathering, such as confirmation bias, should be avoided.)”.

infiltração pragmática, que mostram como questões práticas influenciam padrões de avaliação epistêmica e, possivelmente, coleta de evidências.

Assim, a importância dessas atividades e a necessidade de alcançar a verdade, ainda que por razões práticas, obriga-nos a tomar posições epistêmicas. Portanto, temos que tomar atitudes epistêmicas e podemos melhorar nossa capacidade de tomá-las através de restrições sociais sobre o acesso e os métodos de coleta de evidência individuais e em determinados grupos.