A nossa abordagem é, mais uma vez, empírica, isto é, partimos dos livros encontrados, quer fisicamente nas colecções da BNP e nas de outras bibliotecas quer nas indicações que retirámos dos catálogos de S. Vicente, Santo Alberto e S. Francisco da Cidade que nos servem de referencial comparativo. Esses livros que configuram outras tantas opções de leitura e coleccionismo é que nos vão permitir estabelecer indicadores relativos ao lugar que a História, feita em Portugal, tinha nas bibliotecas religiosas.
503 Esclarecemos, desde já, que as traduções para português (e são em grande número) não contarão nesta leitura e vê-las-emos quando tratarmos dos autores estrangeiros, pela respectiva nacionalidade. Fizemos algumas excepções nos casos em que a tradução acrescentou valor à obra como, por exemplo, a Vida do Beato Henrique
Suso…, escrita por frei Luís de Sousa (1555-1632).
A divisão que se propõe para melhor abordar o conjunto de autores e suas obras baseia-se nos dois grandes campos que sobressaem da apreciação que fizemos no capítulo V e que se reportam à historiografia religiosa, por um lado, e à historiografia civil, por outro. Nessa perspectiva, procurámos, em primeiro lugar, percepcionar a relevância do autor religioso regular e a sua presença nas bibliotecas da sua “casa”, ordem e/ou grupo social, pela relação lógica que esses autores e obras têm com o objecto do nosso estudo. Em segundo lugar, intentámos perceber, no conjunto de narrativas de temática histórica religiosa os autores/obras mais representados e, por contraste, os mais ausentes. Por fim, e no que à historiografia civil diz respeito apresentamos uma primeira visão que vai do Renascimento ao Barroco, passando, portanto pelos Humanistas até à historiografia produzida em torno da Revolução de 1640. Já na História feita no século XVIII, analisou-se a presença dos académicos da Academia Real da História Portuguesa (1720), os exemplos de historiografia independente e ainda a que desponta na Academia Real das Ciências de Lisboa (1779). Alguns géneros serão analisados com mais pormenor, como a produção relativa à actividade missionária nos territórios ultramarinos.
Como obras de conjunto sobre a historiografia portuguesa utilizámos sobretudo
A historiografia portuguesa: doutrina e crítica, de Joaquim Veríssimo Serrão32, mas também a Antologia da historiografia portuguesa: I- Das origens a Herculano, de A. H. de Oliveira Marques33, o artigo Historiografia. Na Idade Média deste mesmo autor e o seguinte relativo à Época Moderna, da autoria de António Álvaro Dória34. No tocante à produção de obras de autores religiosos, destacamos o artigo de Maria de Lurdes Correia Fernandes, Da reforma da Igreja à reforma dos cristãos: reformas, pastoral e
32 Edição de Lisboa: Editorial Verbo, 1974, 4 vol. 33 Edição de Mem Martins: Europa-América, 1974.
34 In: SERRÃO, Joel, dir. – Dicionário de História de Portugal. Lisboa: SERRÃO, Joel, dir. –
Dicionário de História de Portugal. 2ª ed. Porto: Figueirinhas, vol. 4, Adenda, p. 418-420 e 420-436, respectivamente.
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espiritualidade35e A produção historiográfica portuguesa sobre a história religiosa na
Época Moderna: questões e perspectivas, de Zulmira C. Santos, pela visão abrangente e crítica relativa ao olhar das ordens sobre a sua história36. Também o artigo
Historiografia. I. Época Medieval, de Luís Krus, se revelou interessante pelo contexto geral onde sobressaem também os textos dos grandes autores clássicos eclesiásticos, de que trataremos num próximo subcapítulo37.
Claro que quando mencionamos história religiosa e história civil não significa, necessariamente, para a primeira que o autor seja religioso e para a segunda que não o seja. Uma característica que sobressai dos autores que a seguir apresentaremos é que, em grande parte, são polígrafos e abordam não só disciplinas muito diferentes, onde também se inclui a História mas dentro dela podem cultivar a narrativa religiosa e a civil. D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666) é um exemplo típico da escrita multifacetada, abordando, só no âmbito da História narrativas como as Epanaphoras de
varia Historia… até obras de carácter hagiográfico como El mayor pequeño: vida y
muerte del serafin humano Francisco de Assis... (Lista nº 666). Como veremos também nos autores estrangeiros, a História é um género que muitos autores praticam junto com a Poesia, a Teologia, a Matemática, a Política, a Oratória, para citar as disciplinas mais vezes referidas, e esta constatação engloba autores dos séculos XVI ao XVIII, sobretudo os que deixaram muita obra publicada.
Passando agora para a forma que escolhemos para apresentar autores e obras, em todos os casos se indicam breves indicações biográficas e bibliográficas (quando existam) tendo-se dado preferência à apreciação de Diogo Barbosa Machado, na
Bibliotheca Lusitana38, porque transmite um juízo de época que enfatiza três aspectos muito importantes na escrita da História: a objectividade, o recurso a fontes documentais e o estilo. Nessa perspectiva, quando a propósito de determinado autor ou obra verificámos a existência de comentários dessa natureza na redacção da respectiva
35 In: AZEVEDO, Carlos Moreira, dir. – História religiosa de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores,
vol 2 – Humanismos e reformas. Coord. João Francisco Marques, António Camões Gouveia, 2000, p. 15-47.
36 “Lusitania Sacra”, 2ª Série, vol. 21, 2009, p. 249-261.
37 In: AZEVEDO, Carlos Moreira, dir. – Dicionário de história religiosa de Portugal. Lisboa: Círculo
de Leitores, 2000, vol. IV, p. 512-523.
38 Edição diplomática. Lisboa: [s.n.], 1930-1935. 4 vol. A citação é feita de forma abreviada, usual em
catálogos bibliográficos, pelo nome BARBOSA MACHADO, seguido do número do volume e páginas.
505 entrada na Bibliotheca Lusitana, transcrevemo-la. Para além de Barbosa Machado também recorremos a Inocêncio Francisco da Silva39 sempre que o autor já não era abrangido por aquele bibliógrafo, mas fizemo-lo apenas no sentido de referenciar a obra e/ou obter algum dado biográfico sobre o autor. Ressalve-se que o valor das informações de Barbosa Machado é muito diferente do que se obtém em Inocêncio. O primeiro constrói uma narrativa onde sobressai o estilo de elogio e panegírico muito próprio da época, não deixando contudo de referir situações em que aponta para a pouca qualidade da obra, avaliando-a pelos critérios de rigor e recurso a fontes que atrás mencionámos, mas também (e sobretudo) pelo estilo. Quanto a Inocêncio, para além da grande preocupação em demonstrar os erros de Barbosa Machado (e nesse particular vale a pena fazer o cotejo) redige a sua obra de uma forma consentânea com o seu tempo e não deixa de fazer avaliações qualitativas onde perpassa o pouco interesse dado a certas obras e autores que considera menores (e na visão do século XIX são-no certamente) e que, mais do que tudo, não têm valor bibliográfico no mercado do livro antigo quer por não serem raros quer porque o assunto que versaram não correspondia ao gosto oitocentista.
Em certos casos, recorremos a bibliografia actual, impressa e em linha, para melhor caracterizar o autor e a sua obra e dela damos referência na oportunidade. VI.3.1. Narrativas da memória colectiva: a historiografia de autores religiosos
Começaremos a nossa análise dos autores portugueses pela historiografia produzida no âmbito das próprias ordens e suas instituições numa leitura que se pretende seja ilustrativa da prevalência/ausência de autores e textos. Nesse sentido e porque não é viável fazer uma apreciação individual para todos os autores pelo elevado número de casos que encontrámos nos conventos de Lisboa, destacamos os mais expressivos, ou seja os exemplos que envolvem autores religiosos ainda hoje reconhecidos e citados mas também alguns cujas obras são quase desconhecidas mas que tiveram importância na sua época, como se confirma pela sua presença nos acervos das bibliotecas religiosas.
39 Diccionario bibliographico portuguez. Ed. facsimilada. Lisboa: INCM, 1973. 23 vol. A citação é feita
de forma abreviada, usual em catálogos bibliográficos, pelo nome INOCÊNCIO, seguido do número do volume e páginas.
506 O quadro que vamos traçar mostra, antes de mais, a presença de autores vindos das ordens e congregações religiosas, muitos deles na sua condição de cronistas da sua religião, que nos legaram, por conseguinte, nos seus escritos a forma como a ordem ou o estabelecimento desejava que a sua história fosse conhecida. Este transmitir de uma memória própria tem de ser visto, como refere Zulmira C. Santos, à luz dos cânones da própria época, sendo que, como salienta esta autora:
“Redigindo a sua história, as diferentes congregações religiosas revisitavam, enfrentando-o e quase sempre “reconstituindo-o”, num movimento duplo de legitimação e alguma nostalgia, o seu passado mais ou menos longínquo. A partir, sobretudo, da segunda metade do século XVI, o interesse humanista pelo tratamento erudito das fontes, a reforma religiosa e a fragmentação política da Europa potenciaram uma ampla produção constituída pelos relatos de cistercienses, dominicanos, agostinhos, beneditinos… buscando a identidade, muitas vezes também “territorial”, através da reconstrução e fixação da “memória”, plasmando a narração diacrónica com as diferentes propostas de modelos de comportamento a imitar, desde as “vidas” às narrativas mais breves de paradigmas de virtude, como se a cada instituto correspondesse um padrão de comportamento modelar”40.
Baseando-nos, como indicámos, no padrão da representatividade deste grupo de autores e das suas obras, retiramos da Lista os que mais se destacam, pelo número de edições e/ou pelo número de proveniências.
Começamos por um autor muito referido, frei Agostinho de Santa Maria (1642-1728) OEDSA, autor prolífico “de estilo primoroso e influência italiana” que também foi cronista da sua Ordem41. Da Historia da fundação do Real Convento de
Santa Mónica da cidade de Goa... impressa em Lisboa em 1699, localizámos na BNP os exemplares que pertenceram à casa do Espírito Santo e aos conventos de S. Francisco de Xabregas e de Nossa Senhora dos Remédios bem como ao mosteiro de Alcobaça e ao convento da Boa Hora de Setúbal. Outra obra sua de grande representatividade, a Historia tripartita comprehendida em tres tratados, no primeyro se descrevem as
vidas... dos santos martyres Veríssimo, Máxima & Julia..., no segundo se dá noticia da
40 Ob. cit., p. 252-253.
41 MADRID, Teodoro C. – Agostinho de Santa Maria, ORSA. In: ANDRADE, António Alberto Banha
de, dir. – Dicionário de História da Igreja em Portugal. Lisboa: Editorial Resistência, 1980, vol. 1, p. 66.
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vinda & pregação do Apostolo Santiago..., no terceyro se descrevem os princípios do Real Convento de Santos..., impressa em Lisboa, no ano de 1724, existiu nos dois conventos carmelitas dos Remédios e de S. João da Cruz, no convento de Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete, onde frei Agostinho de Santa Maria professou e onde exerceu o cargo de vigário-geral da congregação, e no mosteiro de S. Vicente de Fora. Também localizámos na BNP um exemplar que pertenceu ao convento de Santa Teresa de Setúbal. Destacam-se ainda as Rosas do Japam, cândidas acuçenas… impressas em Lisboa, no ano de 1709, obra biográfica edificante que existia no convento da Graça e está referida nos catálogos de S. Francisco da Cidade e de S. Vicente. Outras obras que elencamos na Lista figuram apenas nos conventos estudados a partir dos seus catálogos ou, como sucede com o Triunvirato espiritual e
histórico…, obra também de edificação, editada em 1772 na cidade de Lisboa, existe o exemplar que pertenceu a S. Francisco de Xabregas, na Biblioteca da Marinha (Lista nº 934).
508 Figura 1 – H.G. 240 P.
Outro autor fecundo foi frei Apolinário da Conceição (1692-1755?), da Ordem dos Frades Menores, activo na primeira metade do século XVIII (terá perecido com o terramoto) e que teve uma actividade missionária de grande relevância, sobretudo no
509 Rio de Janeiro, para além de ter viajado por outros países da Europa. Dedicou-se ao estudo, sobretudo, da história da sua ordem e foi nomeado em 1740, cronista da Província da Conceição42. Nem todas as obras que deixou se podem classificar na História pois cobrem outras áreas da praxis religiosa, porém, vemos na Lista que nela constam sete obras distintas sendo que só de uma encontrámos marca de posse de conventos de Lisboa. Trata-se da Flor perigrina por preta ou nova maravilha da graça
descuberta na prodigiosa vida do B. Benedicto de S. Philadelpho..., impressa em Lisboa, na Officina Pinheirense da Música em 1744. Localizámos dois exemplares desta obra hagiográfica que pertenceram, respectivamente, ao mosteiro do Santíssimo Sacramento e ao convento de N.S. da Graça. No catálogo de S. Francisco da Cidade vem assinalado um exemplar. Se virmos as restantes seis obras, entre crónicas e vidas virtuosas sobretudo, verificamos que todas têm origem naquele catálogo e as memórias históricas da Ordem Seráfica a que Apolinário da Conceição deu o título de Pequenos
na Terra grandes no Céu, publicadas em Lisboa, entre 1732 e 1754, em 5 volumes, estão referidas também no catálogo de S. Vicente de Fora (Lista nº 253).
Continuando esta apreciação geral sobre as obras de História eclesiástica de autores portugueses com maior número de ocorrências, temos o dominicano frei Luís de Sousa (1555-1632), OP que, no século se chamou Manuel de Sousa Coutinho, tendo protagonizado com sua mulher D. Madalena de Vilhena um episódio de dupla entrada na vida religiosa que Almeida Garrett celebrizou no drama Frei Luís de Sousa. Quando entrou no convento de S. Domingos de Benfica tinha já obra publicada, em verso. Porém, é na produção ao serviço da Ordem dos Pregadores que se vai distinguir. O estilo e a forma merecem grandes elogios a Barbosa Machado43 e a verdade é que algumas das suas obras, foram reeditadas já no século XVIII. A obra principal, a
Historia de S. Domingos particular do reyno e conquistas de Portugal, escrita por frei Luís de Cácegas e reformada em estilo & ordem & ampliada em successos &
particularidades... por frei Luís de Sousa, começou a ser publicada em 1623, com a particularidade do primeiro volume ter sido impresso no próprio convento de S. Domingos de Benfica, pelo tipógrafo Geraldo da Vinha. O quarto e último volume, foi escrito por frei Lucas de Santa Catarina (1660-1740) que mencionaremos adiante.
42 PEREIRA, Fernando Jasmins – Apolinário da Conceição, OFM. In: ANDRADE, António Alberto
Banha de, dir. – Ob. cit., vol. 1, p. 460-462.
510 Dos exemplares existentes na BNP que têm proveniência dos conventos de Lisboa nenhum diz respeito à obra na sua totalidade. Assim, há o primeiro volume que pertenceu ao convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento e o do convento dominicano feminino do Santíssimo Sacramento. O terceiro e quarto volumes localizados na BNP pertenceram ao convento da Graça. O segundo foi apenas referenciado nos catálogos, existindo em S. Francisco da Cidade, S. Vicente e Santo Alberto. Do terceiro, a BNP tem também um exemplar que veio do mosteiro feminino de S. Bento da Avé-Maria. A totalidade dos volumes está presente nos dois primeiros enquanto o catálogo de Santo Alberto apenas indica a posse do segundo volume. Das duas obras de frei Luís de Sousa que conheceram várias edições, a Vida de Dom Frei
Bertolameu dos Martyres... (uma das quais de Paris, 1760) e a Vida do Beato Henrique
Suso… (que traduziu mas amplamente modificou) apenas temos as referências dos catálogos. Na Lista vemos que as várias edições de uma e outra obra, dos séculos XVII e XVIII em que se reeditaram ambas, pertenceram a S. Francisco da Cidade e/ou a S. Vicente e Santo Alberto com uma delas referente a frei Bartolomeu dos Mártires, impressa em 1763, registada nos três catálogos (Lista nº 999).
Numa perspectiva diferente (uma obra com vários exemplares de proveniências diversas) temos o livro escrito por soror Maria Madalena de S. Pedro (1658-1747), da Ordem de Santa Brígida, intitulado Noticias fielmente relatadas dos custosos meyos por
onde veyo a este reino de Portugal a religião brigitana que se intitula a Ordem de S. Salvador e da... fundação... deste Convento de Nossa Senhora da Conceição de Marvilla... e que teve apenas uma edição em Lisboa, 1745. Filha de um inglês, professou no convento de Marvila de religiosas Inglesinhas, como eram designadas e aí foi abadessa por três vezes. A obra foi escrita com base nos documentos do cartório do convento44. Na BNP localizámos os exemplares que pertenceram ao convento de S. Bento de Xabregas e às instituições femininas de Nossa Senhora da Conceição (Luz- Arroios) e S. Dinis, de Odivelas. Está também referenciada no catálogo de S. Francisco da Cidade (Lista nº 954).
Continuando na produção cronística temos a Chronica de Carmelitas Descalços
particular do reyno de Portugal e Província de Sam Felippe, que começou a ser dada à
511 estampa em 1657. Foi seu autor frei Belchior de Santa Ana (1602-1664) OCD, cronista da Ordem45. O segundo volume foi escrito por frei João do Sacramento (1684-1737)46 e saiu em 1721 e o terceiro da autoria do cronista da ordem, frei José de Jesus Maria (1701-1756) foi publicado em 175347. Ao contrário do que sucedeu com a
obra de frei Luís de Sousa, as posses conventuais que encontrámos dizem respeito à totalidade dos volumes que, como se vê pelas datas, foram publicados de forma muito dilatada no tempo. Localizámos os exemplares vindos de dois conventos de carmelitas descalços, o de S. João da Cruz e o de Santa Teresa de Jesus, ambos em Carnide e, nos catálogos verificou-se a existência noutro convento carmelita, o de Santo Alberto, e ainda no de S. Francisco da Cidade. Note-se a relação entre o autor, a obra e a presença nos conventos da Ordem (circunstância que nem sempre se verifica) e acrescente-se ainda a existência de mais dois exemplares na BNP, de proveniência feminina, vindos dos mosteiros beneditinos de Nossa Senhora da Assunção, de Semide e do de S. Bento da Avé Maria (Lista nº 929).
Frei José Pereira de Santa Ana (1696-1759), da Ordem do Carmo era doutor em Teologia, poeta, músico e cronista da Ordem, tendo sido confessor de D. Maria I e de suas irmãs, quando jovens48. Escreveu a Vida da insigne mestra de espírito a
virtuosa Madre Maria Perpetua da Luz, religiosa carmelita calçada..., publicada em 1742 e de que existe o exemplar do convento feminino do Desagravo do Santíssimo Sacramento na BNP, onde encontrámos também o do convento de Nossa Senhora da Assunção, na Sobreda. Sabemos, pelo catálogo, que também existiria em S. Francisco da Cidade. Quanto à Chronica dos Carmelitas da Antiga e Regular Observância nestes
Reynos de Portugal, Algarves e seus domínios..., obra em dois volumes de 1745 e 1751, localizámos um exemplar na Biblioteca Central da Marinha com a particularidade de ter duas proveniências distintas pois o primeiro volume veio do convento de S. Camilo e o segundo do convento da Graça. Há também referência desta obra no catálogo de S. Francisco da Cidade (Lista nº 930).
45 VECHINA, Jeremias – Belchior de Sta Ana, OCD. In: ANDRADE, António Alberto Banha de – Ob.
cit., vol. 2, p. 299.
46 O autor foi Mestre de Teologia no colégio da sua ordem, em Coimbra. Versado na História de
Portugal como refere Barbosa Machado, foi um celebrado pregador em Coimbra e Lisboa e cronista da Ordem (Ob. cit., vol. II, p. 684).
47 INOCENCIO, vol. IV, p. 380.
512 A Historia seráfica da Ordem dos Frades Menores de S. Francisco cujos dois primeiros volumes foram escritos por frei Manuel da Esperança (1586-1670) não existe na BNP com marca de posse dos conventos de Lisboa49. Só o tomo terceiro, escrito por frei Fernando da Soledade (1673-1737)50 e impresso em 1705, figura na Lista, mercê dos exemplares do convento da Graça e de Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete. Também consta no catálogo de S. Francisco da Cidade (Lista nº 986).
Entre os autores mais consagrados temos o franciscano frei Marcos de Lisboa (1510-1591) que foi cronista geral da Ordem Seráfica e, nessa condição, viajou por vários países para recolher materiais para a sua crónica. A obra foi muito bem recebida, teve traduções, em espanhol, francês e italiano e uma reimpressão, revista e emendada por frei Luís dos Anjos, da Província dos Algarves, publicada em 161551. Da Primeira
parte das chronicas da Ordem dos Frades Menores do seraphico padre Sam Francisco seu instituidor... que se pode chamar Vitas patrum dos menores... que Marcos de Lisboa editou em 1587, localizámos somente o exemplar do convento de Santa Marta e não foram encontrados os tomos seguintes (Lista nº 631).
49 De acordo com Barbosa Machado (Ob. cit., vol. III, p. 247-248) frei Manuel da Esperança, para
escrever a crónica da província teria percorrido os cartórios de todos os conventos, mais