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2. Theoretical Framework

2.1 The “Dividend Puzzle”

A técnica de beneficiamento da gordura envolve aplicação de calor, retirada da 15

umidade e separação da gordura e sólidos por sistema contínuo ou não, em processos 16

secos ou úmidos (2, 10, 17, 18). Este beneficiamento, como já mencionado, é chamado 17

de rendered, termo que não há uma tradução própria para o português, mas entende-se 18

por este processo o beneficiamento de subprodutos por sistemas que envolvem 19

cozimento da gordura até o seu ponto de fusão e, a partir desta transformação, a 20

extração dos componentes por centrifugação. É proibida, para fins de alimentação 21

humana, a extração com o auxílio de solventes (10). 22

As diferenças no processo de produção de subprodutos comestíveis e não 23

comestíveis pelo método de cozimento da gordura estão relacionadas com as matérias- 24

primas, as temperaturas utilizadas no processo de cozimento, os produtos finais obtidos 1

após a centrifugação e alguns equipamentos. 2

Em uma descrição rápida, no processo a seco, mais utilizado para a produção de 3

farinhas, são utilizadas matérias-primas não comestíveis (carnes condenadas, resíduos 4

de abate, etc). Neste processo, tanques de cozimento elevam a temperatura da matéria- 5

prima até aproximadamente 120-135 °C, sendo que a gordura em estado líquido e em 6

alta temperatura auxilia no cozimento da porção proteica, tendo após a centrifugação a 7

obtenção de farinhas com baixa umidade (18). 8

No processo úmido, primeiramente, aparas de gordura comestível são moídas e 9

levadas para um tanque com água em alta temperatura (aproximadamente 90 °C) para o 10

derretimento da gordura, residindo neste ponto a diferença dos dois processos. Logo 11

após o cozimento, o material é centrifugado para a separação da gordura, proteína e 12

água. A gordura é enviada diretamente para tanques de estocagem e a fração proteica, 13

congelada para utilização em diversos produtos passíveis de consumo humano, como 14

por exemplo, produtos cozido e enlatados (18). 15

A seguir, o detalhamento do fluxograma de obtenção de material proteico pelo 16 processo úmido. 17 18 2.1.1 Matéria-prima 19

A gordura comestível e aparas sem adição de ingredientes, utilizadas como 20

matérias-primas na obtenção do material proteico, são oriundas do processo de desossa 21

dos quartos traseiro e dianteiro e ponta de agulha de animais abatidos sob inspeção 22

sanitária oficial que, após a inspeção ante mortem e post mortem, foram considerados 23

próprios para consumo humano. As matérias-primas não devem apresentar indícios de 1

deterioração e devem ser obtidas em condições higiênicas (10, 13). 2

Estes produtos são armazenados em combos identificados e levados a uma 3

câmara de resfriamento onde permanecem até que um veículo frigorificado faça o 4

transporte até o setor de beneficiamento. As matérias-primas devem ser transportadas e 5

armazenadas até a extração da gordura em condições higiênicas e com uma temperatura 6

interna igual ou inferior a 7 °C, sendo que na recepção no setor de beneficiamento, a 7

temperatura deve ser aferida no momento de sua chegada. 8

9

2.1.2 1ª moagem 10

Nesta etapa, a matéria-prima é depositada em carrinho de aço inoxidável e, com 11

auxílio de elevador hidráulico, o conteúdo é despejado em um moedor com disco de 8,0 12

mm. Esta primeira etapa tem como objetivo aumentar a superfície de contato da 13

matéria-prima facilitando o processo de aquecimento para a separação da proteína. 14

Quando a matéria-prima estiver congelada em blocos, ela deve ser fragmentada em 15

quebrador de blocos. Após o processo de moagem, o conteúdo é conduzido para o 16

tanque de cozimento com auxílio de um sistema de rosca sem fim. 17

18

2.1.3 Cozimento 19

A matéria-prima, por meio de um processo contínuo, é conduzida até o tanque 20

de cozimento onde é aquecida por meio de vapor direto até que a massa atinja a 21

temperatura de 90 °C. Esta etapa tem como objetivo fundir o material gorduroso para 22

facilitar o processo de separação. 23

Além de ser um ponto primordial para a obtenção do material proteico, um fato 1

relevante é que, independente do tipo de cozimento (úmido ou seco), este processo 2

inativa micro-organismos patogênicos (19). 3

4

2.1.4 Centrifugação e decantação 5

Por meio de tubulação fechada, o material cozido é transferido para uma 6

centrífuga tri-decanter com auxílio de uma bomba. Por meio da força centrífuga atuante 7

do interior do tambor rotativo do equipamento que chega a aproximadamente 2500 g, é 8

possível separar as fases sólida e líquida. Neste processo, os sólidos que geralmente 9

apresentam a maior densidade são forçados para a superfície interna do tambor e são 10

arrastados continuamente pelo caracol transportador até os bocais de descarga (20). As 11

fases líquidas imiscíveis de diferentes densidades são descarregadas após a decantação 12

por saídas independentes, sendo que a gordura líquida é retirada em bocais com ajuda 13

da gravidade e a água é retirada por bocais com ajuda de pressão. A gordura em estado 14

líquido é enviada por tubulação fechada para tanques de armazenamento e em seguida 15

direcionada ao setor de tratamento de gordura e a água enviada para o setor de 16 tratamento de efluentes. 17 18 2.1.5 Resfriamento 19

Ao sair da centrífuga, o material proteico passa por um processo de 20

resfriamento. Este resfriamento é realizado em um cilindro rotativo feito de aço 21

inoxidável que possui paletas e um sistema de ventilação contracorrente que permite a 22

diminuição da temperatura do produto chegando a aproximadamente 45 °C. À medida 23

que o produto vai sendo resfriado, por meio da rotação do cilindro e da ventilação, o 1

material proteico cai diretamente no moedor. 2

3

2.1.6 2ª moagem 4

Após o resfriamento realizado no cilindro rotativo, o material proteico vai sendo 5

depositado no moedor e cominuído em disco de 3 mm. 6

7

2.1.7 Embalagem 8

Logo na saída do moedor, é posicionada a embalagem primária que, sem contato 9

com os trabalhadores da seção, são preenchidas com o produto final até o enchimento. 10

Após este procedimento, a embalagem é selada evitando assim o contato com o meio 11 externo. 12 13 2.1.8 Congelamento 14

Por se tratar de um produto cozido e que está à temperatura de 45 °C, os 15

produtos devem acondicionados em paletes e encaminhados imediatamente para 16

câmaras de resfriamento ou congelamento. Sempre que o produto final seja obtido a 17

uma temperatura superior a 70 °C e tenha um teor de umidade igual ou superior a 10%, 18

deve ser armazenado a uma temperatura não superior a 7 °C durante um período que 19

não exceda 48 horas ou a uma temperatura não superior a -18 °C (13). 20

21

2.2 Características de qualidade