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3. Heart of Darkness

3.2 The Devil-Like Folly of Ideological Narratives

1.2.1 Principais mudanças no consumo de notícias

Embora a adoção da tecnologia digital tenha modifi cado consideravelmente os hábitos de consumo de notícias — particularmente para quem tem acesso à In- ternet banda larga —, as plataformas tradicionais, como rádio e TV terrestre, ain- da são a principal fonte de notícias da população brasileira. De acordo com uma pesquisa nacional da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da Repú- blica (Secom), 96,6% dos brasileiros viram televisão e 80,3% ouviram rádio com frequência em 201023. Daqueles que viram televisão, 83,5% assistiram apenas à TV aberta, um resultado que refl ete o baixo nível de penetração da TV paga.

Figura 5.

Preferências por TV aberta e TV paga (% do total de usuários), 2010

2.7 3.4 10.4 83.5 Somente TV paga Não assiste TV TV aberta e TV paga Somente TV aberta

Fonte: Secom, Relatório de Pesquisa Quantitativa.

22 E. Rodrigues, Sinal analógico será desligado a partir de 2015. O Estado de São Paulo, 31 de julho de 2013, em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sinal-analogico-sera-- -desligado-a-partir-de-2015--,1059065,0.htm (Acesso em: 31 de julho de 2013).

23 Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) via Meta Instituto de Pesquisa, Relatório de Pesquisa Quantitativa — Hábitos de Informação e Formação de

Opinião da População Brasileira, março de 2010 (doravante, Secom, Relatório de Pesquisa Quantitativa).

Entretanto, a audiência da TV aberta encontra-se em declínio, com a mi- gração dos usuários para outras plataformas e meios de comunicação. Segun- do o Ibope, entre 2000 e 2009, o percentual médio de televisores ligados du- rante o horário nobre caiu de 66% para 59%, e as cinco maiores emissoras do país perderam juntas 4,3 pontos percentuais nos índices. A implementação da TV digital ainda não alterou a oferta de conteúdo, do ponto de vista da audi- ência; apesar de a qualidade técnica ter melhorado, as emissoras ainda não conseguiram tirar proveito das possibilidades evidenciadas pela digitalização, e nenhum investimento foi feito para aumentar o número de canais gratuitos ou diversifi car o conteúdo oferecido24 de alguma maneira.

Figura 6.

Evolução da audiência da TV paga (índices), 2005-2010

2.5 2.8 2.7 2.8 3.8 4.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 5 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Fonte: Ibope, dados médios de 201025.

Segundo os índices do Ibope, os televisores estão sendo usados para ou- tras funções para além de apenas assistir TV aberta, o que poderia explicar, pelo menos em parte, o declínio de audiência. O número de televisores usados para ver TV a cabo, jogar videogames, DVDs etc. teve uma taxa de crescimento de 91% em relação ao ano 2000. De acordo com a Agência Nacional de Te- lecomunicações (Anatel), o número total de usuários de TV paga cresceu de

24 Entrevista com João Brant, coordenador executivo da ONG Intervozes, São Paulo, 4 de agosto de 2011.

25 R. Feltrin, Ibope de TV paga, DVD e games ultrapassa Record e é o novo vice-líder. UOL, 12 de janeiro de 2011, em http://noticias.uol.com.br/ooops/ultimas-noticias/2011/01/12/ibope- -de-tv-paga-dvd-e-games-ultrapassa-record-e-e-o-novo-vice-lider.jhtm (Acesso em: 26 de setembro de 2013).

200.000 em 2000 para 3,4 milhões em 2010. Os dados de audiência do Ibope são consistentes com esse aumento.

Acima de tudo, o crescimento da Internet parece ser uma das principais causas do declínio da audiência na TV aberta. De acordo com um estudo re- alizado pela F/Nazca26, uma parcela signifi cativa de usuários da Internet no Brasil afi rma ter abandonado algumas formas de mídia tradicional e optado pela Internet.

Além disso, a Internet está posicionada como a segunda fonte de consumo de notícias na preferência da população on-line brasileira.

Figura 7.

Plataformas preferenciais para consumo de notícias (% da população on-line), 2011 e 2012 65 19 7 5 1 62 20 8 6 2 0 10 20 30 40 50 60 70

TV Internet Rádio Jornais Revistas

2011 2012 Fonte: F/Nazca, F/Radar, 11a edição, 2012.

A TV ainda é a plataforma preferida para consumo de notícias pela maioria da população, mas, ao analisar esse consumo por faixa etária, é possível verifi - car que a Internet é a plataforma preferida pelos brasileiros com idades entre 12 e 15 anos e/ou pessoas com nível universitário. A Figura 8 mostra preferên- cias de consumo referentes à mídia tradicional entre usuários de dispositivos de acesso móvel à Internet, e é interessante observar que mais da metade dos usuários de tablets preferem ler jornais e revistas on-line.

26 F/Nazca, F/Radar, 11a edição, 2012. Este estudo é o resultado da análise de uma pesquisa

realizada com pessoas com 12 anos ou mais de idade, em todo o Brasil, entre 10 e 16 de abril de 2012. O estudo foi ampliado para incluir informações do Censo de 2010 e estimativas para 2011 do IBGE. A margem de erro é de +/— 2%.

Figura 8.

Preferência de mídia tradicional (off-line) entre usuários de Internet móvel (%), 2012

20 14 9 8 7 55 25 25 27 21 0 10 20 30 40 50 60

Prefere ler jornais e revistas on-line em vez da edição

impressa

Prefere ouvir rádio on-line em vez do rádio tradicional

Prefere ver notícias, filmes, novelas etc. on-line em vez da TV

Prefere ver um filme on-line em vez de ir

ao cinema ou comprá-lo

Prefere ler um livro on-line em vez de comprar a edição

impressa Celular Tablet

Fonte: F/Nazca, F/Radar, 11a edição, 2012.

1.2.2 Disponibilidade de uma gama diversifi cada de fontes de notícias O Brasil tem quatro grandes emissoras de TV que há muitos anos pertencem às mesmas organizações e são responsáveis pelos principais programas de no- tícias: as Organizações Globo, de propriedade da família Marinho; o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), de propriedade de Silvio Santos; a Record, de propriedade do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus; e a Rede Bandeirantes, de propriedade da família Saad. Todas elas tam- bém hospedam conteúdo em múltiplas plataformas de mídia, além da televi- são, incluindo rádio, jornais, revistas e sites.

As Organizações Globo detêm o maior conglomerado de mídia da Amé- rica Latina, controlando (diretamente ou por meio de afi liadas e redes regio- nais de propriedade local) 340 veículos de mídia, mais do que o SBT e a Rede Record juntas27. Esse conglomerado é dono da Rede Globo, que em 2012 foi

27 Projeto Donos da Mídia, em http://donosdamidia.com.br/inicial (Acesso em: 26 de setem-

a segunda maior rede de TV comercial do mundo em receitas comerciais28 e líder nos índices de audiência da TV nacional, devido, principalmente, às suas novelas internacionalmente famosas, mas também à sua programação de notícias e esportes. Em 2010, a Globo deteve quase 70% da audiência no Brasil, minimizando seu concorrente mais próximo, a Record, que alcançou apenas 13%29.

As Organizações Globo são também o ator mais importante no campo da TV paga. A empresa é proprietária da Globosat, a maior fornecedora de canais de TV paga da América Latina, que tem joint ventures com a Twentieth Century Fox, a Universal Studios, a Metro-Goldwyn-Mayer, a Paramount Pictures e a NBC Universal. A Globo News, primeiro canal de notícias 24 horas no ar da TV brasileira, é um canal da Globosat. As Organizações Globo também possuem muitas outras empresas de mídia, como estações de rádio, jornais, revistas, edi- toras, gravadoras e empresas de produção cinematográfi ca. Entre essas, uma das mais relevantes é a CBN (Central Brasileira de Notícias), a maior rede de rádio nacional, com afi liadas em todo o país.

Mais de 64% dos respondentes de uma pesquisa de 2010 envolvendo te- lespectadores tinham preferência por assistir programas de notícias. O segun- do gênero mais popular foi a novela, com cerca de 16%, seguida por esportes, fi lmes, programas de entrevistas e programas infantis30.

Entre os usuários da Internet, os mecanismos de busca são citados como a principal fonte de notícias, com as redes sociais logo atrás, em segundo lugar. No entanto, a utilização de redes sociais varia dependendo da idade (consulte a seção 3) (Figura 9).

A despeito do redirecionamento a partir de redes sociais, o número de visitantes únicos dos sites de jornais tradicionais tem aumentado desde 2005. O número total combinado de visitantes únicos de sites de jornais brasileiros cresceu de 4,2 milhões em janeiro de 2005 para 18,4 milhões no mesmo mês de 201131. Paralelamente, o número de assinaturas de jornais para celulares aumen- tou em mais de 100% entre 2005 e 2010, passando de 86.210 para 202.90032.

28 H. Tolipan, Globo sobe em ranking e torna-se segunda maior emissora do mundo!. Jornal do

Brasil, 9 de maio de 2012, em http://www.jb.com.br/heloisa-tolipan/noticias/2012/05/09/

globo-sobe-em-ranking-e-torna-se-segunda-maior-emissora-do-mundo/ (Acesso em: 2 de outubro de 2013).

29 Secom, Relatório de Pesquisa Quantitativa, março de 2010.

30 Secom, Relatório de Pesquisa Quantitativa, março de 2010.

31 Associação Nacional de Jornais via Ibope Nielsen Online, em http://www.anj.org.br/a-in- dustria-jornalistica/jornais-no-brasil (Acesso em: 15 de junho de 2011).

32 Associação Nacional de Jornais, em http://www.anj.org.br/a-industria-jornalistica/jornais- -no-brasil (Acesso em: 15 de junho de 2011).

Figura 9.

Principais fontes de notícias on-line entre usuários da Internet (% de usuários da Internet), 2010 55 51 37 33 25 20 7 0 10 20 30 40 50 60 Mecanismos de busca Redes sociais Portais Sites de notícias Sites de mídias impressas Sites de emissoras Blogs

Nota: Usuários com 12 anos ou mais.

Fonte: F/Nazca, F/Radar, 7ª edição, abril de 2010.

1.3 Fornecedores de notícias