4 Results
4.1 What are the students’ reported language preferences with regard to the L1 functions?
4.1.1 The developed codes for language preference
F. Espaço domés co pais proprietário Área de pernoitar e cerimónias
G. Dependências agrícolas
75 Capítulo IV ESTUDO DE CASOS
relacionada com a forma de construir que se passa de geração em geração, como se verá no capítulo das Conclusões parcelares). Pelos mesmos confl itos referidos anteriormente, este piso foi dividido em dois: a ala norte (quarto de grandes dimensões, a sala e o quarto pequeno) para o casal donatário e família, e a ala sul para o casal doador e outros elementos da família. De facto, o lavrador apegou-se de tal forma à sua terra que criou um sistema complexo de transmissão de bens pela Doação, onde o interesse da Casa (neste conceito estão incluídos a família, os bens e as terras) era superior ao interesse individual, o que criava, não raras vezes, tensões familiares.
“Era a família que casava e quem casava fazia-o com uma família”1029
Segundo a tradição e costumes rurais, era o chefe de família que decidia quem seria o herdeiro privilegiado, podendo escolher outro fi lho homem (que não fosse o mais velho) para herdar a casa, se este desse mais provas de que seria mais apto a gerir e a con nuar a Casa (o direito de herdar é menos importante que o dever de gerir a Casa); podia também deserdar o primogénito caso este escolhesse casar contra a sua vontade, ou seja, entrar para uma casa que não es vesse de acordo com os níveis económicos e patamar social que este considerava adequados para salvaguardar os interesses da família. Ora, num universo económico dominado pela raridade do dinheiro, era o valor da propriedade pertença da Casa que determinava o valor do dote, que assim defi nia não só as ambições matrimoniais de
29 “C’est la famille qui mariait et l’on se mariait avec une famille”, in BOURDIEU,
Pierre, Le bal des célibataires: Crise de la société paysanne en Béarn. Paris: Seuil, 2002. (Points. Essais). Vol. 477
quem o de nha (os fi lhos que teriam de sair da casa) como limitava as escolhas de cônjuge para o fi lho que fi cava na casa. Ou seja, este sistema permi a limitar as ambições de cada um e defi nia o nível económico das pessoas que podiam casar-se entre si. Como é bem visível, era um sistema opressor, onde os primogénitos das grandes Casas nham grandes responsabilidades, tendo a obrigação de gerir muito bem os seus bens, economizar e sacrifi car-se bastante para conseguir pagar a legi ma1130 dos
irmãos e fi car com a Casa; por outro lado, nestes casos, onde os impera vos económicos se impunham com mais força, era mais di cil para um herdeiro par r e casar com quem quisesse e ser deserdado do que para um irmão seu não-herdeiro. Por todos estes mo vos, era comum as par lhas serem uma calamidade para alguns membros do grupo familiar, porque prevalecia o superior interesse da con nuidade da linhagem da família e, portanto, os fi lhos não-herdeiros nham de contentar-se com o dote, com a emigração para procurar um emprego (sendo o Brasil o des no mais comum), ou acabar celibatários o resto da vida, vivendo na casa sob as ordens do irmão-herdeiro e tendo de trabalhar no campo para a sua sobrevivência e a da família.
Por outro lado, o recurso quase exclusivo à força de trabalho familiar ( pica destas famílias de lavradores) e o uso sistemá co da Doação, geravam famílias numerosas, onde conviviam várias gerações e ainda os seus membros celibatários; estando a sua sobrevivência dependente da força de trabalho familiar, a repar ção de tarefas produ vas era feita por todos os membros da casa e de forma me culosa e implacável pelo chefe de família,
30 Conforme Glossário, Anexo C em volume ANEXOS
Figura 61. Piso térreo Casa do Grilo. Ver fi cha A1, Anexo A em volume ANEXOS
A. Espaço domés co avós proprietário Área de trabalho da mulher
A.1 cozinha A.2 sala de jantar
B.1 cozinha B.2 salgadeira B.3 aido de dentro C.1 adega C.2 lagar C.3 quarto do moço C.4 aido do porco C.5 aido das ovelhas C.6 aido para 2 animais C.7 varanda da eira
B. Espaço domés co pais proprietário Área de trabalho da mulher
C. Dependências agrícolas
1 eira 2 quinteiro 3 cor nha
77 Capítulo IV ESTUDO DE CASOS
que geria todas as a vidades dos restantes membros (até as mais insignifi cantes): repar ção entre tempo de trabalho e tempos livres de cada um, consumos individuais e escolhas matrimoniais. Como é óbvio, este sistema de autoridade contribuía para gerar confl itos entre os indivíduos da família. Outro fator de tensão estava na posse da cozinha, que desde a casa do cul vador de uma parcela da villa romana era o elemento central da casa e espaço polifuncional, facto que acontecia ainda na Casa agrícola desta época, sendo a sua posse atribuída à mulher da casa (a
dona, a patroa) e por isso a existência de várias mulheres podia
criar confl itos. Nesses casos, por estarem ligados não só pelos vínculos legais do contrato de Doação como pelo apego à terra, optavam por conviver na mesma casa, mas dividindo-a e duplicando determinados espaços. A Doação era um sistema tão intrincado no modo de viver destes lavradores que nas escrituras de Doação para casamento incluíam cláusulas a salvaguardar determinados compar mentos na casa no caso da existência de confl itos, tal como é defi nido na Convenção antenupcial com Doações, no Anexo B em volume ANEXOS, onde se escreve:
[…] A donatária e futuro marido poderão habitar com os doadores,
ocupando estes o quarto do lado sul poente, a cozinha, a sala de jantar e servindo-se da adega, da casa da eira, da eira e do eirado para seca dos seus cereais se os doadores derem o mesmo eirado á donatária e farão uso de dois aidos, à sua escolha. Poderá a donatária cozinhar na mesma cozinha em comum com os donatários, ou separadamente, se todos se derem bem, de contrário fará a donatária para si cozinha à parte […].
Na Casa do Grilo (Figuras 61,62,63 e 64), como na Casa do
Figura 62. Meio piso, Casa do Grilo. Ver fi cha A1, Anexo A em volume ANEXOS
D. Dependências agrícolas