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2.2 Destination image

2.2.1 The destination image construct

organização é voltada ao cuidado e autocuidado, priorizando ações de prevenção de doenças e de promoção da saúde (SILVA, 2010). O autocuidado, segundo a Teoria de Orem, constitui práticas que o indivíduo tem conhecimento para desenvolvê-las e executá-las em seu próprio benefício, para que tenha uma preservação do bem-estar, da saúde e da vida (BARBOSA, 2012).

Na prática do autocuidado, tem-se uma comunicação entre o enfermeiro e o paciente para a identificação de distúrbios e possíveis intervenções. É fundamental a participação do paciente na formulação do seu plano de cuidados, pois o profissional de saúde irá guiá-lo fazendo com que ele tenha cada vez mais independência (SAMPAIO, 2008).

Para aprimorar o cuidado do paciente, Orem propõe três momentos: a interação do enfermeiro com o paciente e a partir de então, coletar os dados que precisa para fazer os diagnósticos adequados e as intervenções; o aperfeiçoamento do plano de cuidados e passar a colocá-lo em prática; e a preparação do paciente para a prática do autocuidado sem a intervenção do profissional de enfermagem (SAMPAIO, 2008).

A Teoria de Orem torna-se mais apropriada quando apoiada pelo processo de enfermagem, que poderá sistematizar as ações a serem realizadas. Além disso, o processo permite a detecção de problemas reais ou potenciais de saúde e intervenções direcionadas às necessidades observadas. Ao fazermos essa associação teremos a determinação das deficiências na prática do autocuidado e, assim, o profissional de enfermagem poderá intervir adequadamente (BARBOSA, 2012).

4.4 Uso de Tecnologias para o Cuidado em Saúde

O cuidado de Enfermagem é a essência da profissão, encarregada a duas esferas características: uma objetiva, em que se trata do desenvolvimento de técnicas e procedimentos, e uma subjetiva, que corresponde à criatividade, sensibilidade e intuição. E por meio da complexidade de utilização dessas duas esferas juntas, torna-se necessário o uso adequado de tecnologias (ROCHA, 2008).

O principal objetivo da tecnologia é aumentar a eficiência da atividade humana, e, para isso, produz os mais variados produtos para atender às necessidades da demanda, ou os aperfeiçoa tornando-os mais duráveis e melhorando a sua produção por meio da redução do tempo ou do custo. Dessa forma, podemos dizer que o trabalho tecnológico envolve raciocínio teórico e prático, conhecimentos sistemáticos e especializados e o resultado só pode ser

alcançado mediante um planejamento eficiente e o uso cuidadoso de ferramentas (KNELLER, 1980).

A tecnologia moderna não só produz máquinas e ferramentas físicas, mas também organiza e sistematiza as diversas atividades, nos remetendo aos estudos que buscam mudanças no modo de produzir saúde no Brasil, sendo que um dos temas mais tratados e problemáticos tem sido o modo como se estruturam e gerenciam os processos de trabalho nos estabelecimentos que ofertam serviços de saúde (KOERICH, 2006).

Essas tecnologias envolvidas no trabalho em saúde podem ser classificadas em três categorias: leves (tecnologias de relações do tipo produção de vínculo e gestão como uma forma de guiar processos de trabalho); leve-duras (saberes bem estruturados que operam no trabalho em saúde, como a clínica médica e a epidemiológica) e duras (equipamentos tecnológicos do tipo máquinas, normas e estruturas organizacionais). Essas três categorias estão interligadas de modo que o trabalho produzido pelo profissional a partir do seu conhecimento, além de produzir tecnologias leves pode se desdobrar em tecnologias duras e/ou leve-duras (MERHY, 2002).

Em todos os espaços de produção de saúde, estamos cercados pelas tecnologias. Sejam elas: prontuários, fichas de notificação, mapas de atendimento, check lists para o controle de qualidade, organogramas, instrumentos, protocolos e muitos outros (MOURÃO, 2015).

Segundo o dicionário, instrumento corresponderia a “um aparelho, objeto ou utensílio que serve para executar uma obra ou levar a efeito uma operação mecânica em qualquer arte, ciência ou ofício” (MICHAELIS, 2016). Porém, tal inferência está distante do sentido utilizado por profissionais de saúde, onde instrumento é entendido como artefato orientador de uma prática profissional. Instrumento é, portanto, a expressão gráfica de um modo de organização do pensamento, que deflagra e norteia um processo de cuidado, servindo a uma finalidade específica, subsidiando e constituindo-se como/para registro, podendo ser representado como roteiro de consulta, escala, protocolo, check list, álbum seriado, folder, entre outros (MOURÃO, 2015).

Os instrumentos dividem-se ainda em 4 grandes grupos: os que servem para (1) registro, para (2) nortear processos, para (3) informar e para (4) avaliar. Os instrumentos de registro são representados pela maioria dos impressos, como prontuários, folhas de evolução, autorização para internação hospitalar. Quanto aos instrumentos que norteiam processos, podemos citar os fluxogramas, protocolos impressos, check lists, roteiros de entrevista. Os construtos informativos atendem a uma finalidade educativa e de propagação de informações,

geralmente associados a atividades educativas. Podendo ser representados por folders, cartilhas, cartazes e álbuns seriados. As escalas são a principal representação dos instrumentos que se propõem a avaliar processos, apresentando métodos validados para sua criação já conhecidos pela comunidade científica (NETTO, 2016).

A tecnologia enriquece a prática assistencial, dessa forma, torna-se importante que os profissionais de saúde busquem constantes atualizações em decorrência de inúmeras mudanças e avanços no contexto tecnológico como forma de possibilitar o uso da tecnologia mais adequada frente as suas práticas assistenciais (FONSECA et al, 2011). O acesso aos serviços de saúde é um direito do cidadão e os profissionais envolvidos com esse cuidado devem utilizar todas as tecnologias disponíveis para diminuir as necessidades e melhorar a qualidade no atendimento a população (MERHY, 2006).