8 Data for regression analyses
8.2 The data distribution
Entrevistador – Começava por perguntar as tuas habilitações literárias?
Entrevistada – Licenciatura em sociologia.
Entrevistador – E qual é a tua profissão?
Entrevistada – Neste momento sou formadora, não só do Centro Novas Oportunidades
mas também formadora em cursos EFA quer no nível Secundário, quer no nível Básico, portanto no nível Básico, formação na área da Cidadania e Empregabilidade, no Secundário, na área de Cidadania e Profissionalidade.
Entrevistador – E nesses cursos que estás a trabalhar, é tudo aquilo na Associação?
Entrevistada – Não, na Associação para a Democracia foram dois EFA básicos, um
deles está a terminar neste momento, mas no primeiro EFA que fiz aqui, também era mediadora do curso, era não só mediadora, como também era formadora, no nível Secundário EFA, essencialmente na entidade NERA, na área da Cidadania e Profissionalidade, mas ai só mesmo formação, só mesmo como formadora dessa área.
108 Entrevistada – Este terminou o mês passado, portanto estamos, já dei dois cursos a
nível Secundário no NERA, um de Higiene e Segurança, de Técnicos de Higiene e Segurança no Trabalho e este último é de Técnicos de Gestão, TAG.
Entrevistador – Portanto ambos cursos EFA?
Entrevistada – Sim, EFA Secundário e também já dei um EFA Básico no NERA e dois
aqui na In Loco, nestes últimos anos, mas também a minha experiência a nível de cursos EFA têm sido noutras entidades, na ASMAL, na ANJAF, a, no Centro de Emprego de Faro, pronto foram essas as entidades que, Básicos, nestes foram só Básicos, Secundário só mesmo no NERA.
Entrevistador – E exerces mais alguma função na organização onde trabalhas?
Entrevistada – Sim, na Associação para a Democracia, também sou formadora do
RVCC do Centro Novas Oportunidades, o RVCC, na área de Cidadania e Empregabilidade.
Entrevistador – E neste momento trabalhas em mais para mais alguma organização?
Entrevistada – Não, terminei o NERA agora, portanto…
Entrevistador – Ok, portanto ia-te pedir queria tentar perceber um pouco melhor a tua trajectória profissional e que me descrevesses a trajectória profissional desde que começaste a trabalhar.
Entrevistada – Nestas áreas, após o curso, após o curso de sociologia?
Entrevistador – Sim, sim.
Entrevistada – Após o curso de sociologia, fui trabalhar para um projecto que se
chamava “A Par e Passo” que nesta altura que fui trabalhar para a EXISTIR para a associação EXISTIR em Loulé, que tinha uma parceria com a associação In Loco. O
109
projecto “A Par e Passo” tinha como objectivo, a integração de públicos com problemáticas desde a deficiência mental, a doença mental, deficiência motora e mental, jovens à procura do 1º emprego e a mulheres desempregadas de longa duração, portanto, este projecto “A Par e Passo” foi no âmbito do EQUAL, foi um projecto que foi desenvolvido por uma parceria constituída pela In Loco, EXISTIR, ASMAL, Câmara Municipal de São Brás e a Associação dos Corticeiros; organizou-se, das várias actividades que houve no projecto uma delas era, a formação em Desenvolvimento Pessoal e Social e eu como trabalhava na EXISTIR fiquei com o grupo, que fazia parte do público da EXISTIR que eram pessoas, que são pessoas com deficiência, neste caso era só mesmo deficiência motora, não muito profunda, não muito grave, porque eram pessoas que tinham alguma mobilidade e depois houve este período de formação e depois houve também a prática em contexto de trabalho durante algum período e tentou- se a integração de algumas delas, cada um, portanto a EXISTIR, eu que estava pela EXISTIR trabalhava com este público. A APD trabalhava com as mulheres desempregadas de longa duração. A ASMAL trabalhava com os doentes mentais e a Câmara Municipal trabalhava com os jovens, havia portanto uma divisão nessa parceria, a depois desse projecto o projecto terminou, a APD iniciou aqui um curso EFA, foi o primeiro curso EFA da APD, e eu fiquei então como mediadora e formadora durante um ano e pouco, depois de terminar esse projecto, surgiu outro projecto que era o “São Brás Solidário”, eu ainda fiz parte da primeira fase do projecto “São Brás Solidário”, no entanto depois a necessidade de uma pessoa no Centro das Novas Oportunidades, no RVCC e passei para, eu para RVCC, no primeiro momento estive como profissional, depois passei para formadora a nível Básico, porque na altura ainda não havia o Secundário, quando o Secundário iniciou, portanto RVCC Secundário, eu passei então para a para o nível Secundário e pronto dou algum apoio que é necessário, há uma certa polivalência também, se for necessário fazer outros tipos de, desempenhar outro tipo de funções dentro do Centro Novas Oportunidades, também o faço, e entretanto no meio disto foi acontecendo alguns cursos EFA para essas entidades que eu já mencionei.
Entrevistador – Como é a vida de um formador que faz a sua actividade nos cursos EFA, se te perguntasse isto assim?
Entrevistada – Por muito que eu às vezes reclame e deves ter visto que ali na
110
eu chego e dou murros e dou uns berros, por muito que, que às vezes me irrite com os grupos, porque, também não são grupos fáceis, dá-me muito prazer, eu dá-me, eu muito honestamente, dá-me mais prazer dar formação a grupos EFA do que propriamente a formação do RVCC Secundário, porque sente-se que há pessoas, não são todos, se calhar metade num grupo, mas há pessoas que aproveitam muito daquilo que lhes é passado e mais do que estar ali com muitas questões teóricas a nível do, tentando obedecer aquilo que o referencial realmente diz e pede, eu tento obedecer, sim, seguir um pouco, seguir dentro do possível o referencial mas também tento passar à minha maneira e da minha maneira de ver a vida, algumas coisas a e sobretudo canalizá-los, como eles já são pessoas adultas com filhos, muitas vezes são vidas muito, muito complicadas, tento sobretudo passar a mensagem que eles devem de investir nos filhos deles, por exemplo às vezes a gente esta a fazer, peço para eles fazerem um trabalho, preocupo-me em ensinar a dizer-lhe como é que se faz uma introdução, como é que se faz o trabalho, como é que se faz a conclusão, que se deve fazer um índice e depois digo-lhes sempre não se esqueçam de que vocês aos vossos filhos devem de ensinar a fazer um trabalho escolar assim, porque é sempre uma mais-valia para eles aprenderem, tento que aquilo não seja só um momento de formação, de passagem de conhecimentos e conteúdos, mas também que eles aproveitem alguma daquelas coisas para poderem ajudar mais os filhos, porque a gente sabe perfeitamente que os miúdos na escola a, aliás isto é a minha opinião, mas que embora a escola seja igualdade de oportunidades e a escola é igual para todos, a gente sabe que não é assim, e portanto há que dar aos miúdos instrumentos para que eles consigam avançar, e eu tento fazer muito isto com eles, não só na altura da formação para eles próprios mas também para que fique qualquer coisa, eu gosto por exemplo muito mais que estar a ler livros porque é um público que a nível teórico é muito complicado aguentar a três horas numa sala, aliás, eu vejo por mim, estou três horas numa formação e já estou incomodada, portanto sete horas nos cursos EFA diariamente durante catorze meses é muito difícil, é, tenho que me pôr no lugar deles, portanto é difícil e a solução passa muito também pela parte prática dos trabalhos, portanto, eu passo muitos filmes, filmes que eu considero que transmitem mensagens e peço para que eles façam reflexão daqueles filmes que vêem e realmente depois, é engraçado porque quando se lêem essas reflexões, dentro do possível que as pessoas conseguem fazer, há sempre qualquer coisa que fica, percebe-se que há qualquer coisa que fica, pelo menos eles percebem que eu já tinha visto este filme, mas nunca tinha visto desta forma e realmente, um exemplo é aquele filme
111
“Favores em Cadeia” que eu dou muito na área da cidadania, porque a gente tem a mania de dizer, há a gente não consegue mudar o mundo, não, se todos fizermos um bocadinho a gente consegue mudar e passo muito esse filme, realmente às vezes eles dizem, pois é, realmente é verdade, se a gente, eu já tinha visto este filme mas agora estou a ver isto com outros olhos, realmente se a gente fazer um bocadinho, não é preciso muito, é um bocadinho, se todos fizerem, a gente muda alguma coisa, portanto eu passo mais para as coisas práticas do que propriamente por trabalhos ou por fichas ou por testes ou pronto, os testes não entram nos EFA, não é, pelo menos nas áreas de competência chave, mas mais do que isso é pensar, é o pensar sobre as coisas.
Entrevistador – Falaste ainda há pouco da questão que fizeram a referência aos berros, que é difícil este curso, queres tentar explicar um bocadinho melhor?
Entrevistada – Porque, quando eles fazem, é assim eu nunca, a nível destes cursos já
sei, tenho sabido histórias em que as coisas às vezes se complicam, eu nunca tive problemas nenhuns, mas é verdade que eu também quando abro os olhos e prego uns berros, toda a gente fica mais, ficam mais calmos, no entanto, as nossas divergências, as minhas e deles, com este grupo também tive algumas, elas são resolvidas ali, a gente chateia-se e depois, aquilo passa, aliás alguns formandos nunca houve assim problema nenhum, com um ou outro houve, houve problemas que não são problemas, são aquelas coisas inerentes à formação, mas aquilo dos murros e dos berros é quando as coisas começam, depois de eu dizer várias vezes como é que uma coisa deve de ser feita, ou pelo menos já planificaram como é que vão fazer o trabalho, já decidiram como é que vão fazer, e aquilo vai-se enrolando e depois há um dia que eu tenho que gritar, quando eu grito, depois aquilo em dois segundos é feito e é daí que eles dizem um bocado aquilo e tal mas penso, mas é assim, noto que no final das coisas, eles estão orgulhosos, como estavam, ficam contentes também pelo apoio que sentiram e eu também me sinto orgulhosa, porque vejo que há ali de facto um avanço, progrediram, há pessoas que progridem muito, que avançam muito, depois disto, se eles irão fazer alguma coisa, isso já é outro assunto, se depois vão conseguir integrar-se no mercado de trabalho, no manter a assiduidade, porque há pessoas que tem alguma dificuldade com isso e acho que não é aos quarenta anos que se consegue mudar alguém neste aspecto, não é! Mas pronto, mas, não sei se respondi.
112 Entrevistador – Consideras que ser formador EFA é uma profissão, no teu entender?
Entrevistada – Eu acho que devia de ser uma profissão, neste momento não é? É assim,
depende das pessoas, eu vou falar por mim, neste momento não é uma profissão só, não, eu sou formadora, isto é a minha profissão, o EFA é uma vertente dessa profissão, mas acho que a continuar os cursos EFA, penso que há pouca possibilidade, não é? Só haverá na escola, a, penso que deveria ser uma profissão, porque isto é a formação EFA é completamente uma formação da escola, eu, as pessoas para ministrarem o curso EFA, têm que ter alguma prática de lidar, profissionalizar-se na educação de adultos, por exemplo, já tenho passado por cursos em que encontrei pessoas que não, formadores, que não é, não estou aqui a falar mal dos formadores, mas são pessoas que passaram a vida na escola, depois reformaram-se e decidiram ganhar mais alguma coisa e ir dar um EFA, e vêm com a metodologia da escola, que não, a meu ver, não resulta, porque é como eu já disse, são adultos, adultos com poucos hábitos de leitura, com poucos hábitos de escrever, com poucos hábitos de tudo, neste aspecto a nível escolar e portanto, quando apanham uma formação que aquilo é escrever e escrever, não resulta, porque eles ao fim de algum tempo, estão completamente esgotados, porque a vida deles não tem sido nem ler, nem escrever, tem sido a fazer coisas, ou pelo menos não fazem coisas, é mais prático e então a profissionalização ou um formador EFA deveria ser uma profissão, sim, para, no sentido de adquirir estas competências de formação e educação de adultos, eu acho que nem toda a gente tem perfil, eu não estou aqui a dizer que sou boa, ah! Eu acho é que toda a gente não tem perfil para ministrar um EFA e muito menos quando se entra para esta vertente do mandar, do escrever, porque não, eu no meu ver não resulta, as pessoas, os adultos têm que ter coisas para fazer, e têm que perceber que aquilo que eles sabem da vida deles servem-lhes para ali e o professor, e muitas vezes as pessoas que foram professores da escola, não vêem, não são piores, até acho que são pessoas muito competentes, se calhar não trazem esta ideia, portanto, acho que a ser profissional de formação, ser um formador profissional EFA traria as suas vantagens, penso eu.
113 Entrevistada – Sim, considero-me, aliás, eu como já disse também eu prefiro a
formação EFA do que RVCC, porque o RVCC no fundo é, sou formadora de Cidadania, mas não há propriamente sessões de formação, há uma explicação do referencial, explica-se às pessoas o que é que se pretende, o que é que o referencial pretende que elas evidenciem, não há propriamente uma formação, digamos, no sentido pleno da palavra. No EFA há possibilidades de formação, sim e eu prefiro mais porque, pelo menos tento dar o meu melhor, tento ir buscar o meu melhor e talvez, tento pensar e depois de falar com eles, de perceber quais são as lacunas que existem e tento colmatar essas lacunas, com alguns conhecimentos que é aqueles que eu sei, aqueles não sei, vou a procura deles para tentar transmitir ou pelo menos trazer pessoas às vezes há, por exemplo não aconteceu aqui, aconteceu em outro lado, eu não tenho qualquer conhecimento de contabilidade, pronto para mim contabilidade sou um zero à esquerda, no entanto eu penso que saber preencher um IRS, saber as rubricas que são necessárias ser preenchidas, as responsabilidades que as pessoas têm neste país, isto também é cidadania, isto é importante, as percentagens que as pessoas podem, por ai fora, isto é cidadania, então pedia a um amigo meu que é contabilista que fosse fazer três horas de formação, e que foi muito engraçado e que foi muito produtivo, porque toda a gente preencheu os IRS, toda a gente simulou aquela, para além de ele estar a falar, depois houve uma simulação, toda a gente, aquilo ficou para sempre, não sei, mas no entanto eu tentei passar essas coisas práticas do dia-a-dia, mais do que, por exemplo a nível dos cuidados básicos de saúde, eu não, também não é muito a minha área, mas pronto, já também pedi uma amiga minha enfermeira que fosse falar um bocadinho, noutros cursos, não tem a ver com este, este agora da APD tinha essas partes, mas há outros cursos de outras áreas que não têm e tento sempre arranjar alguém que possa ir falar, já pedi a um amigo meu advogado para ir falar dos direitos dos trabalhadores e dos contratos e daquelas coisas todas, portanto, dá-me algum prazer, dá-me mais gozo que isso aconteceu, quando isso acontece.
Entrevistador – Em relação às condições laborais e institucionais de quem trabalha nos cursos EFA, em relação ao vínculo profissional, condições laborais, como é que isso se passa, no teu caso?
Entrevistada – No meu caso é na APD tenho um contrato de trabalho, pronto, tenho
114
coloca no sentido de estar subjugada, digamos assim, a um projecto que só, que é o projecto das Novas Oportunidades, quando o projecto acabar, acabou-se; porque provavelmente a APD, na altura, a APD funciona assim procura sempre manter as pessoas nos seus postos de trabalho, manter as pessoas na entidade, o projecto acaba, se houver possibilidade de a pessoa ir para outro projecto, vai. Agora pode acontecer, não haver projectos aprovados, portanto se não houver projectos aprovados, a situação é mesmo ter que sair, ter que ir embora. Relativamente ao NERA trabalho com, com recibos verdes, portanto, também não pode ser de outra forma, a, trabalho com recibos verdes dentro do normal, que é previsto, que se sabe que acontece nos projectos, é pago portanto, a renumeração é paga mediante, algum tempo depois do recibo passado, mas a gente sabe que isso acontece em todo o lado, portanto, não sinto dificuldades nisso, embora haja, haja pessoas, pessoas que só fazem, só dão cursos EFA realmente devem, estão numa situação um pouco mais complicada que a minha, não é.
Entrevistador – Ok, alguma vez pensaste em abandonar a tua actividade como formadora, ocorreu alguma vez no trajecto?
Entrevistada – Às vezes sim, aqueles dias em que me irrito aqui na sala de formação,
chego lá dentro e digo assim, estou farta desta gente, não quero saber mais disto, mas é naquele dia, no momento, agrada-me, ainda me agrada aquilo que faço.
Entrevistador – E se tivesses outras oportunidades profissionais mudarias de actividade?
Entrevistada – Eu só mudaria de actividade e só sairia da APD, exactamente por aquilo
que eu já disse, porque há, apesar de ter um contrato de trabalho, há uma precariedade, porque eu estou ligada a um projecto, e se esse projecto acaba, acaba também o meu emprego, e também como eu já estou numa idade que já é muito difícil arranjar emprego, é obvio que se me surgisse uma oportunidade mais segura, embora a gente também saiba que agora, nem tudo é seguro, nada é seguro, mas mudaria nesse sentido, porque só, apenas por isso, porque é sempre uma instabilidade viver, o projecto continua, depois haverá algum projecto, não haverá algum projecto, é só, é só por isso, a minha mudança só se, neste momento só poderá existir ou acontecer numa situação em que eu tenha mais garantias, mas exactamente, mas é assim, se eu tivesse vinte e poucos
115
anos, se calhar nem se punha esta questão, a minha questão é só mesmo pela idade, como tenho quarenta e sete, qualquer dia tenho cinquenta, será muito difícil conseguir arranjar um emprego, infelizmente, não é? Mas é só mesmo por isso.
Entrevistador – Ok, vou seguir o exemplo que estás a dizer, como é que vês o papel dos cursos EFA na tua vida profissional futura?
Entrevistada – Hum, como?
Entrevistador – Se tu olhares para a frente, como é que os cursos EFA se podem enquadrar?
Entrevistada – Ao ver, existir oportunidade de fazer mais, de ser formadora em mais
cursos EFA, está sempre aberta essa possibilidade e como mediadora também porque já tenho alguma experiência disso, no entanto, tendo em conta o panorama actual, que se pensa que não, aliás este ano já não houve financiamento para os cursos EFA, sobretudo para as entidades privadas, não é. Portanto, deve ser muito difícil porque depois de entrar na escola, isso já não me é permitido, porque eu não tenho habilitação, eu tenho habilitação própria, suficiente ou própria, nem sei bem a terminologia, mas está os professores, não é? À minha frente estão os professores todos que estão desempregados, portanto, se houver oportunidade, sim, aproveito a oportunidade porque também gosto, mas o panorama que vejo é esse, é que se calhar dificilmente haverá mais cursos EFA não sei, não faço ideia.
Entrevistador – Sentes te reconhecida no teu trabalho como formadora?
Entrevistada – Sim, mas reconhecida como? A nível da instituição, da entidade?
Entrevistador – Aos vários níveis…
Entrevistada – É assim, essencialmente sinto-me reconhecida pela alegria que eles
ficam depois de acabarem o, sobretudo os trabalhos destes temas de vida, e fico contente porque participei, consegui participar de alguma forma nesse trabalho e dar algum apoio, é essa forma, e quando vejo por exemplo, encontro as pessoas muitas
116
vezes, encontro outras pessoas de outros cursos, pelos quais já passei, e estão bem, estão empregadas e às vezes vem-me dizer assim, ai, lembra-me tanto daquilo que você me dizia sobre isto ou sobre aquilo, pequenas coisas como estas, fazem com que eu me sinta reconhecida pelo meu trabalho, ainda há pouco tempo aconteceu-me, encontrei uma antiga formanda e ela disse-me, ai, você não calcula o que aquilo me ajudou, exactamente por causa dos trabalhos, o que aquilo me ajudou a fazer os índices e as introduções e conclusões, porque a minha filha agora anda no 8º ano ou no 9º e tem que fazer trabalhos da escola, e eu estou sempre a ajudá-la, e pronto, acho que isto, mais do