4. THEORETICAL BACKGROUND
5.2. THE COSTS AND BENEFITS INCLUDED IN THE ANALYSIS
Pretendeu-se com este trabalho elucidar, através dos contos “The Werewolf” e
“The Company of Wolves”, as técnicas de escrita de Angela Carter que subvertem e
colocam em reflexão o sistema patriarcal enquanto um sistema logocêntrico que inferioriza a mulher e a mata. Os dois contos discutidos revisitam um dos contos de fadas mais polêmicos da cultura ocidental – “Chapeuzinho Vermelho” – que traz em seu discurso questões sobre a sexualidade feminina, mas de forma a controlá-la. Não há, nem na versão dos Irmãos Grimm e nem de Charles Perrault, uma opção para a menina que está se tornando mulher e está com sua sexualidade aflorando – a ela resta apenas a moral de não sair da trilha e não dar ouvidos aos lobos. Discursos desse tipo apenas afirmam a posição passiva e vitimizada da mulher.
Angela Carter, ao revisitar, não apenas “Chapeuzinho Vermelho”, mas os demais contos presentes na coletânea The Bloody Chamber and other stories, começa um processo de subversão que ganhará vida e trará críticas duras ao sistema patriarcal e também a algumas mulheres no subtexto de seus contos. Críticas que são polêmicas e encontram-se nas profundezas de seu texto, fato que muitas vezes faz com que leitores e críticos argumentem que a autora reafirma os pressupostos patriarcais ao invés de subvertê-los. Mas é justamente o que Carter faz, ela reafirma ao mesmo tempo que
subverte os discursos patriarcais incutidos em “Chapeuzinho Vermelho” – ela é irônica
e possui, como já apontado, “um humor negro” em suas obras e discussões. Angela Carter não vê outra forma de discutir a liberdade feminina senão discutindo as violências contra a mulher e a naturalização da mulher como vítima. Para Carter, a
sobrevivência da mulher em mundo tão hostil e gótico para sua “espécie” só se dará por
ela mesma, não haverá heróis do sexo masculino, e sempre que houver, de alguma maneira eles a aprisionarão e a enganarão, prendendo-a dentro de suas casas e tolhendo sua liberdade sexual, econômica e imaginária. Por esse motivo que a mulher deve tomar
as “rédeas da situação” e ser heroína de si mesma. Ela deve ter conhecimento e não ter
medo de usá-lo, ficar sempre em guarda e defender-se, defender seu lugar e sua identidade.
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_____. Um teto todo seu. Trad. Vera Ribeiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
ANEXO 1
Francisco de Goya, Sabá das bruxas. Ano: 1797-1798
Técnica: óleo sobre tela a partir de um afresco Dimensões: 44 x 31 cm