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3. Theoretical framework

3.1. The Cognitive Activation Theory of Stress

Antes de iniciar a coleta de dados com os participantes da pesquisa, foi realizado um estudo piloto com dez cuidadores de idosos selecionados de forma aleatória. Oportunamente, foi solicitado que eles informassem o que não conseguissem entender e/ou de que forma poderia ser mais bem escrito determinado questionamento, o que foi registrado imediatamente pela pesquisadora responsável pelo teste. Após o teste piloto, foram realizadas as adequações necessárias julgadas pelos participantes. Ressalta-se que os participantes do teste piloto não foram incluídos no estudo.

Aplicação do inquérito CAP (pré-teste) e Avaliação do estado de independência do idoso com o Índice de Barthel

Realização da intervenção de Enfermagem

Aplicação do inquérito CAP (pós-teste) imediato

Para iniciar a coleta de dados foi necessário o contato com a Diretoria de Atenção à Saúde, posteriormente, Coordenadoria do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) e, em seguida, com a Gerência das Unidades Básicas de Saúde selecionadas para o estudo. Foi feito um levantamento dos idosos em cuidado domiciliar cadastrados e acompanhados pelo SAD e pelas equipes de saúde da família. No mês de fevereiro de 2015, havia 35 idosos cadastrados e acompanhados pelo SAD, no município de Sobral-CE.

Em seguida, foi solicitada a colaboração dos gerentes e agentes comunitários de saúde para identificação dos cuidadores que atendiam aos critérios de inclusão, bem como seus respectivos endereços e apoio no agendamento e realização das visitas domiciliares para estabelecer o primeiro contato com os cuidadores de idosos.

A coleta de dados foi realizada ao longo de seis meses (fevereiro a julho de 2015) pela pesquisadora, com auxílio de sete acadêmicas de Enfermagem. Estas colaboradoras foram treinadas para que pudessem auxiliar adequadamente na primeira (pré-teste) e última (pós-teste) etapa do estudo. As três etapas da coleta de dados foram esquematizadas no fluxograma a seguir:

Fluxograma 1 - Fluxograma ilustrando as etapas da pesquisa

Fonte: Elaborado pela autora

Na primeira etapa, foi elaborado junto aos agentes comunitários de saúde um cronograma de visitas domiciliares aos cuidadores de idosos. Corrobora-se com Lopes, Saupe e Massaroli (2008) que a visita domiciliar entendida como método, técnica e instrumento, constitui um momento rico, em que se fortalecem as relações por meio da escuta qualificada, do estabelecimento de vínculo e acolhimento, favorecendo aos familiares terem melhores condições de se tornarem independentes na sua própria produção de saúde.

As visitas domiciliares foram planejadas para acontecer com duração média de uma hora e meia. A duração da visita deve ser compatível com o alcance dos objetivos propostos, não devendo ser nem tão rápida nem tão longa, ao ponto de acarretar prejuízo para o cuidador em suas atividades do cotidiano (ABRAHÃO; LAGRANGE, 2007).

Contudo, importante salientar que, em várias situações, o tempo de visita se estendeu frente às demandas trazidas pelo cuidador, o que requeria do pesquisador responsável uma postura acolhedora, ao mesmo instante em que este estava ciente de que qualquer tipo de orientação deveria ser dada após a aplicação dos instrumentos de coleta de dados, minimizando os vieses da pesquisa.

As demandas trazidas pelo cuidador são justificadas em diversos estudos pelas necessidades de educação em saúde dos cuidadores frente ao cuidado domiciliar do idoso, assim como pelo nível de sobrecarga destes (MARTINS et al. 2007; MARIN et al. 2013; GRATÃO et al. 2013). Percebeu-se que o cuidador carecia de orientações, tentava direcionar a entrevista para atendimento de suas necessidades, o que exigiu maior habilidade técnica do pesquisador nesta fase da coleta de dados.

As entrevistas seguiram com os cuidadores subsidiadas por um formulário que continha informações sociodemográficas, profissionais e relacionadas ao contexto do cuidado do idoso (APÊNDICE D ). Em seguida, era entregue o inquérito CAP pré-teste para ser respondido. Quando se tratava de participante sem escolaridade ou com dificuldade visual, o inquérito era lido e aplicado com o auxílio da pesquisadora.

Na sequência, os idosos foram abordados por meio de perguntas fechadas referentes às variáveis idade, escolaridade, situação conjugal, número de filhos e condições de moradia (APÊNDICE E). Na oportunidade, aplicou-se o índice de Barthel para avaliação do estado de independência do idoso (ANEXO A).

Concluído o inquérito CAP pré-teste e a avaliação da independência funcional do idoso, os cuidadores foram convidados por meio de cartão-convite para a próxima etapa do estudo (intervenção). Os participantes foram contactados mediante ligação telefônica três dias antes da intervenção, sendo ainda lembrados na véspera.

A segunda etapa correspondeu à realização da intervenção de Enfermagem, descrita a seguir, conforme o cronograma agendado previamente com os participantes. A intervenção consistiu de um grupo de educação em saúde, no qual os cuidadores recebiam informações necessárias ao cuidado do idoso no domicílio na perspectiva da promoção da independência funcional do idoso direcionada, especificamente, à relação cuidador-idoso e

aos cuidados do idoso no âmbito domiciliar (alimentação, banho e higiene, mobilização e transferência).

A Educação em Saúde como estratégia de cuidado ao cuidador tem sido recomendada por Souza, Wegner e Gorini (2007) e Leme et al (2007). Conforme Leme et al (2011), por meio desta estratégia de atuação, é possível despertar no cuidador a consciência crítica e ampliar suas possibilidades de cuidar das pessoas. Para tanto, torna-se necessário que o enfermeiro desempenhe atividades educativas que possibilitem ao cuidador sentir-se preparado para cuidar do outro (SOUZA; WEGNER; GORINI, 2007).

Os autores acrescentam que, dentre as estratégias educativas que podem ser desenvolvidas, os grupos de educação em saúde têm como vantagem favorecer a troca de experiência conjuntas, a partir das situações vivenciadas por cada um dos indivíduos.

Catrib et al (2003) dizem que a prática da educação em saúde como um caminho integrador do cuidar constitui um espaço de reflexão-ação, fundado em saberes técnico- científicos e populares, culturalmente significativos para o exercício democrático, capaz de provocar mudanças individuais e prontidão para atuar na família e na comunidade, de forma a contribuir na transformação social.

A terceira etapa correspondia ao inquérito CAP pós-teste imediato. Logo após a intervenção, aplicava-se o pós-teste imediatamente. A utilização do pós-teste imediato, em intervenções realizadas com cuidadores, foi identificada em outros estudos (OLIVEIRA, 2013; LOPES e CACHIONI, 2013).