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3.7 Analysing the Extracted Features

3.7.3 The Classification Experiment

Conforme dados disponíveis no portal do Ministério da Educação, até 2002, a RFET era composta por 140 campi espalhados pelo país (figura 4). Nesse período, o Piauí contava com cinco campi: um em Bom Jesus, dois em Floria- no (campus de Floriano e o Colégio Amilcar Ferreira Sobral/UFPI), e dois em Teresina (o campus de Te- resina e Colégio Agrícola

de Teresina/UFPI). Entre 2003 e 2010, foram criados, a nível nacional, 214 campi, 9 deles no Piauí, distribuídos da seguinte maneira: Angical do Piauí, Corrente, Parnaíba, Paulistana, Pi- cos, Piripiri, São Raimundo Nonato, Teresina e Uruçuí.

Na expansão entre 2011 e 2012, foram criados mais 3 campi no Piauí: Oeiras, Pedro II e São João do Piauí.

Até janeiro de 2016, foram criados mais 120 campi (figura 2), o Piauí recebeu mais 3: Campo Maior, Valença do Piauí e Cocal. O total de campi até julho de 2014 era de 562 campi distribuídos em todo o território nacional; o Piauí conta com 17 deles. Além dos campi men-

Imagem 13 – Mapa de distribuição dos IFs (1909 – 2002)

Fonte:

http://institutofederal.me c.gov.br/

cionados, o IFPI conta ainda com 3 campi avançados22: Dirceu Arcoverde (em Teresina), o campus avançado de Pio IX e o campus avançado de José de Freitas.

Percebe-se facilmente o destaque do ensino técnico ao longo dos últimos 12 anos, sus- tentando a ideia de que os IFs buscam a formação de uma grande quantidade de profissionais para atender à demanda do mercado.

Imagem 13 – Mapa de expansão dos IFs (2011 – 2014)

Fonte: http://institutofederal.mec.gov.br/

22 Os campi avançados são aqueles que ofertam somente cursos à distância ou cursos técnicos, sem oferecer

Em sua defesa pela educação para o trabalho (EPT), Pacheco afirma:

A retomada do crescimento econômico do país, o surgimento de um modelo de produção vinculado à intensa aplicação de ciência e tecno- logia e à exigência de trabalho qualificado elevam a importância da formação escolar e profissional em todos os níveis, espaço em que ca- bem destaque a EPT e a imperativa necessidade da expansão de sua oferta (PACHECO, 2011, p. 39).

Dentro da perspectiva neoliberal de educação, o ensino profissional tecnológico vem a calhar: além de formar força de trabalho que se ajusta aos avanços técnico-científicos de pro- dução, desenvolve “novos conhecimentos para o progresso técnico da produtividade” (CAR- VALHO, 2014, p. 51).

Estudantes, professores e a comunidade de uma maneira geral consideram o ensino nos IFs de boa qualidade, a estrutura dos campi supera em muito a estrutura das escolas esta- duais e municipais. No entanto, com as atuais reformulações do currículo nos IFs – a mudança de 4 para 3 anos para a formação média e técnica – deixa de contemplar um enorme elenco de saberes disponíveis aos estudantes do EM regular. Se nos dirigirmos ao setor privado, a dis- crepância é ainda maior: o EM educa uma pequena “elite de jovens formada para levar adian- te as conquistas da geração anterior” (BARBOSA, 2002, p. 02), que também não irá promo- ver modificações de ordem social, política ou econômica, seja por interesse próprio, visando à manutenção do status quo, seja por sua alienação acerca da realidade. Aliás, faz parte dessa educação elitizada não estimular no seu público essa capacidade crítica.

A manutenção dessa diferença de classes (elite x classes populares) não se dá apenas pelo capital econômico, mas também pelo capital cultural. O processo educativo distinto para a elite e para as classes populares garante a sustentação das diferenças de compreensão dos diversos códigos culturais. “Os bens culturais acumulados na história de cada sociedade não pertencem realmente a todos” (CANCLINI, 2009, p. 80). Os saberes necessários para a com-

preensão de bens artísticos e culturais devem ser desenvolvidos na escola, mas isso só ocorre à medida em que cresce o capital econômico. No discurso elitista, “a cultura, a arte e a capa- cidade de desfrutá-las aparecem como ‘dons’ ou qualidades naturais, não como resultado de uma aprendizagem desigual devido à divisão histórica entre as classes” (CANCLINI, 2009, p. 81).

Como observa Barbosa (2011, p. 27), o sistema industrial desenvolvido no Brasil exi- ge uma grande quantidade de mão-de-obra não especializada, não há, portanto, o interesse em estimular qualidades como iniciativa, reflexão e o aprimoramento intelectual; volta-se, sobre- tudo, para os aspectos tecnológicos, não para os humanísticos.

Dentro dessa lógica utilitarista da indústria, do conhecimento prático e superficial, a arte/educação fica localizada ou entre as atividades de lazer ou como forma de facilitar a aprendizagem em outras áreas do conhecimento, pois “a experiência com a arte é meramente um meio para algum fim mais meritório, importante não por si mesma, mas como veículo” (LANIER, 2005, p.44), não tendo a mesma atenção dispensada a outras disciplinas, cujas au- las são ministradas em laboratórios (Matemática, Química, Física, etc.) ou espaços adequados ao desenvolvimento das atividades (Educação Física, disciplinas dos cursos técnicos e superi- ores voltados à engenharia, etc.).

A arte/educação no EM não é puramente técnica, nem traz resultados rápidos e úteis a esse mercado veloz de fabricação, compra e venda de mercadoria, tampouco é pragmática. As implicações desse ensino são de outra ordem, como “ampliar o âmbito e a qualidade da expe- riência estética e visual” (LANIER, 2005, p. 46).

Sobre a carga horária (CH) de Artes Visuais, em fevereiro de 2015, o grupo de profes- sores de Arte do IFPI reformulou a ementa da disciplina e enviou à Pró-Reitoria de ensino uma proposta curricular com a carga horária distribuída da seguinte maneira: 30 horas no 1º ano e 60 horas no segundo ano. A proposta da instituição prestes a ser aprovada era de 30 horas nos três anos, provocando a fragmentação das aulas, o que tornaria o trabalho ainda

mais deficiente, tendo em vista sua dispersão. Essas 30 horas são diluídas durante o ano, sen- do resumido a uma aula de 50 minutos por semana, tempo insuficiente para trabalhar os co- nhecimentos em arte/educação de forma minimamente eficaz e eficiente para um ensino e aprendizagem.

Até março de 2015, o EAV no IFPI estava configurado com a seguinte formatação: - Os campi recém-inaugurados, cujas turmas iniciaram em 2015 com duração de três anos, possuem a carga horária de Arte assim distribuída:

1º ano: 30 horas 2º ano: 60 horas

- Os campi antigos, cujas turmas ainda cumprem o programa curricular anterior à re- forma (com duração de 4 anos), permaneceram com a carga horária de 60h no 1º ano, salvo as turmas ingressantes em 2015, que já estão dentro do programa reformado (três anos), com exceção do campus de Floriano, que não se adequou à reforma em virtude de falta de estrutura do prédio (não há salas de aula suficientes para comportar turmas com perfis diferentes).

- Os dois campi de Teresina (Teresina Central e Teresina Zona Sul) são exceção, pois, embora tenham recebido turmas novas, já dentro do currículo de três anos, permanece- ram com 60 horas no 1º ano.