A recolha de dados da presente investigação baseou-se num único instrumento desenvolvido para esse efeito: uma entrevista semi-estruturada com duas versões, apresentado de seguida.
2.4.1. Instrumento
2.4.1.1. Entrevistas Semi-estruturadas
Após a revisão da literatura foram construídos dois guiões de uma entrevista semi- estruturada (Anexo A), um dirigido ao grupo de adolescentes com pais divorciados/separados e outro dirigido ao grupo de adolescentes com pais não divorciados/separados, com o intuito de abordar os temas considerados relevantes e pertinentes que permitissem a inferência, a dedução lógica e o acesso à experiência subjectiva, como referido anteriormente, a temática em estudo nesta investigação tem evidenciado resultados contrastantes, apelando a mais estudos qualitativos. A construção da entrevista teve assim como objectivo retirar informação e explorar os significados que a experiência da separação/divórcio dos pais teve para os adolescentes em causa, explorando assim o ambiente familiar vivido na altura, de forma a relacionar com as actuais atitudes que os adolescentes têm face aos relacionamentos amorosos e as projecções que fazem relativamente ao eventual casamento no futuro. Da mesma forma, as suas experiências pessoais no campo dos relacionamentos amorosos mostraram ser uma temática importante a abordar, pois segundo a literatura consultada, poderá ser inferida uma relação com as suas expectativas futuras no campo do casamento.
Assim, foram identificadas algumas temáticas centrais no guião da entrevista que, sendo exploradas em forma de conversa, respeitando a liberdade e espontaneidade do participante nos dariam informação relevante para a inferência pretendida. Essas temáticas
32 foram: 1) “Momento do divórcio/separação” e a exploração da percepção do adolescente face a esse acontecimento; 2) “Biparentalidade”, ou seja a exploração da percepção do adolescente face à transição para esta transição; 3) “Situação actual do adolescente”, no que diz respeito aos relacionamentos amorosos, as suas experiências pessoais e a percepção que tem face aos relacionamentos amorosos, eventualmente importantes para a formação de atitudes; 4) “Atitudes face aos relacionamentos amorosos”, estando aqui incluída a percepção que os adolescentes têm acerca do casamento, do divórcio e dos relacionamentos amorosos em geral. Por fim, 5) “Expectativas face ao futuro” onde foram averiguados os projectos e planos que os adolescentes antecipam que venham a acontecer no seu caso.
Os dois guiões construídos diferem apenas na ausência do tema “Momento do divórcio/separação parental” e “Biparentalidade” no guião dirigido aos adolescentes com pais não divorciados/separados.
A construção das questões presentes nos guiões tiveram em conta uma linha positiva e apreciativa, centrando-se nos aspectos positivos dentro dos assuntos abordados. Naturalmente que, se existirem, os aspectos mais negativos e dolorosos vividos pelo adolescente surgirão no contexto da entrevista, logo o objectivo de averiguar a presença desses mesmos aspectos será cumprido. Desta forma seria evitado um sentimento desagradável e doloroso suscitado ao recordar a experiência referida, uma vez que a sua lembrança e partilha acontece no contexto de questões positivas, delimitando o eventual impacto da sua negatividade. Pelo contrário, optando por esta linha construtiva facilitar-se-ia a ocorrência de insights positivos nos adolescentes acerca de si mesmos, por exemplo, na questão: “O que é que descobriste de melhor em ti por causa da separação/divórcio dos teus pais?”, tornando assim a própria entrevista uma estratégia interventiva e não apenas descritiva. É de supor que os adolescentes que participaram no presente estudo não tivessem ainda pensado acerca da experiência se divórcio/separação dos pais enquadrando-a numa perspectiva construtiva (Marujo, Neto, Caetano, & Rivero, 2007; Reed, 2007).
Tratando-se de uma entrevista focada nas experiências pessoais será importante a criação de um ambiente aceitante, seguro e envolvente com o adolescente, facilitando a expressão das suas opiniões e ideias. Face a esse objectivo existem questões que não são muito directivas e completamente direccionadas para a avaliação das expectativas dos adolescentes face ao eventual casamento futuro, mas sim propiciadoras à construção de uma relação mais estreita, quer com o entrevistador, quer com o próprio tema a ser abordado.
33 Após a conclusão dos guiões, foram realizadas cinco entrevistas-piloto para testar a eficácia do instrumento construído, sendo realizados alguns ajustes considerados pertinentes, nomeadamente em termos da construção de algumas perguntas e da linguagem usada.
2.5. Procedimentos
Antes de iniciar a investigação em causa foi enviado um pedido de autorização ao director da instituição escolar de onde eram oriundos os participantes (Anexo B) – Escola Secundária José Gomes Ferreira – tendo sido realizados alguns contactos presenciais para esclarecimento dos objectivos da investigação.
No processo de selecção dos participantes foram consideradas as turmas do 11º e 12º anos da escola referida, sendo realizada uma breve visita às turmas escolhidas (mediante disponibilidade dos professores responsáveis pela aula) com o objectivo de solicitar a colaboração aos alunos interessados. Em cada turma foi realizada, pela investigadora uma breve descrição do projecto, os seus objectivos e os critérios de inclusão já mencionados. Na sequência desta apresentação foi deixada uma folha de “pré-inscrição” (Anexo C) sendo que no final os alunos que escolheram inscrever-se receberam um pedido de autorização para entregar aos encarregados de educação para que estes tomassem conhecimento e permitissem a participação dos adolescentes no estudo (Anexo D). Uma vez inscritos, os adolescentes foram posteriormente contactados telefonicamente ou por e-mail para o agendamento da entrevista, que veio a acontecer numa sala disponibilizada pela própria escola.
No início das entrevistas, os adolescentes foram novamente informados acerca do conteúdo e dos temas que iriam ser abordados no decorrer da entrevista, bem como os seus objectivos. A questão da confidencialidade e do anonimato dos dados recolhidos foi novamente assegurada e pedida a autorização para proceder à gravação da entrevista em formato áudio (Anexo E). A realização das entrevistas decorreu entre os dias 5, 6, 7 e 8 de Abril de 2011.
Tendo em conta os objectivos da investigação, os adolescentes participantes foram divididos entre dois grupos: “Grupo com pais divorciados/separados” e “Grupo com pais não divorciados/separados”, sendo que o primeiro grupo era constituído por seis adolescentes e o segundo pelos restantes cinco adolescentes (ver Tabela 1).
34 Tabela 1
Distribuição dos participantes pelos dois grupos de estudo
Grupo Idades Adolescentes com pais
divorciados/separados
Adolescentes com pais não divorciados/separados 16 anos 3 Raparigas
1 Rapaz 2 Raparigas
17 anos 1 Raparigas 2 Rapariga
1 Rapaz
18 anos 1 Rapaz
Total 6 5
2.6. Estratégia metodológica para análise dos dados das entrevistas semi-