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The Bayesian Network Methodology for risk-based inspection

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Chapter 3. Methodology

3.3 The Bayesian Network Methodology for risk-based inspection

PO N TO S VANIA ARAÚJO BRUNO LATOUR

MATRIZ

DISCIPLINAR ciência da informação sociologia da ciência MÉTODOS E

TÉCNICAS DE PESQUISA

pesquisa descritiva desenvolvida a partir de técnicas diagramáticas de

coleta de dados quantitativos

pesquisa antropológica desenvolvida a partir de técnicas etnográficas de

coleta de dados qualitativos

FORMA DO RELATO

relato final da pesquisa produzido sob a forma de dissertação de mestrado; relato tomado público em

um artigo de periódico resumido

relato final da pesquisa publicado sob a forma de livro; alguns artigos de periódico intermediários

também foram publicados REFERENCIAL

TEÓRICO

pequena bibliografia (48 itens), reduzida a obras da área de interesse

imediato da pesquisadora

ampla bibliografia (222 itens), incluindo obras de diferentes áreas do conhecimento PERSPECTIVA

CONCEITUAL

definição de modelo organizacional para aplicação administrativa

descrição de padrão comportamental para orientação filosófica e científica

ÊNFASE TEMÁTICA

importância das redes e dos canais informais de comunicação científica

para os processos de inovação e de transferência tecnológica

importância das operações de incscrição material de enunciados

para os processos de emergência e aceitação de novos fatos científicos

Da comparação entre os dois estudos parecia plausível in­ ferir algumas teses genéricas, estreitamente relacionadas à epis­ temologia da ciência da informação:

- estudos realizados pela ciência da informação dão prefe­ rência ao aproveitamento de referencial teórico gerado no âmbi­ to da própria disciplina;

- trabalhos produzidos pela ciência da informação circu­ lam exclusivamente entre pesquisadores da própria disciplina;

- objetos de estudo selecionados pela ciência da informa­ ção por sua suposta concernência com o campo de atuação da disciplina são investigados por pesquisadores de outras áreas;

' - conceitos apropriados pela ciência da informação são em­ pregados por pesquisadores de outras áreas sem referência à uti­ lização anterior que lhes deu a disciplina;

l - o espaço disciplinar da ciência da informação não é se­

quer visualizado, muito menos reconhecido e considerado como tal no cenário científico internacional;

Atividade Editorial & Ciência da Informação : convergência epistemológica

O exame das evidências disponíveis parecia encorajar, por conseqüência, a formulação de uma hipótese explicativa expres­ sa pelo seguinte enunciado: a inusitada semelhança entre os dois trabalhos seria resultado do vazio epistemológico em que se mo­ vimentava, à procura de solo firme, a ciência da informação.

Logicamente admissível - embora, por certo, inquietante - tal hipótese traduzia-se inicialmente pela constatação de um re­

sultado curioso e inexplicável - a série de comentários semelhan­

tes localizados nos dois textos - e pela subsequente teorização cruzada de uma regra - a ciência da informação não ocupa qual­ quer espaço nem cumpre qualquer papel na estrutura discipli­ nar da ciência ocidental - e de um caso dessa regra - os trabalhos gerados pela ciência da informação emulam relatos originados em outras áreas do conhecimento.49

Em outras palavras, a hipótese de que a ciência da informa­ ção vegeta num espaço epistemologicamente vazio, se confirma­ da, permitiria explicar a ocorrência de estudos que aparentavam terem sido produzidos em domínios mais bem definidos das ci­ ências humanas e sociais - a exemplo do artigo de Vania Araújo aqui analisado - e até das ciências exatas e biológicas.

Elucidar questão tão complexa quanto essencial era tarefa, porém, que extrapolava os limites deste estudo. Muito embora o questionamento e a discussão do perfil disciplinar da ciência da informação mantivessem, sob todos os aspectos, estreita conexão com o tema aqui investigado, erguer as fundações da disciplina era trabalho que exigiria maior profundidade de análise.50

Importante foi observar que a percepção desse vácuo teó­ rico se disseminava, tornando-se cada vez mais clara entre os pes­ quisadores da ciência da informação que manifestavam preocu­ pação em analisar as bases epistemológicas da disciplina. O tre­ cho reproduzido a seguir testemunha o alcance dessa imagem:

49. As expressões resultado, re­

gra e caso, tal como aqui utili­

zadas, referem-se às caracterís­ ticas lógicas da inferência abdu- tiva, a qual será discutida mais adiante, no tópico Raciocínio

Abdutivo do capítulo Pressu­ postos Metodológicos.

50. Uma tentativa um pouco mais elaborada de rever a ca­ racterização científica da disci­ plina será apresentada no capí­ tulo entitulado Ciência da In­

formação. Além disso, no capí­

tulo reservado às Recomenda­

ções sugere-se a realização de

uma investigação mais ampla, que tente definir e consolidar a fundamentação epistemológi­ ca da ciência da informação.

“[...] ao importar conceitos e denominações oriundos de outras áreas, a área de biblioteconomia e documentação não estabeleceu uma ruptura epistemo­ lógica necessária para a constituição de um arcabouço conceituai próprio. A biblioteconomia e a documentação não propõem conceitos. Estando volta­ das para o objetivo de analisar, organizar e disseminar a informação, impor­ tam denominações e conceitos de outras áreas sem estabelecer um debate ou uma problematizaçao [...]. Tendo elaborado este esboço sobre os conceitos da biblioteconomia e documentação, resta uma questão: a ciência da infor­ mação possui as mesmas características da biblioteconomia e documentação?

Ao formularmos esta questão não queremos afirmar que a ciência da informa­ ção existe; ou que é possível determinar onde começam ou terminam essas

áreas do conhecimento; ou que a ciência da informação é algo diferente da biblioteconomia e documentação. N o entanto, ressaltamos que, se os pro­ fissionais, pesquisadores e estudantes da ciência da informação desejam avan­ çar na constituição teórica deste campo do conhecimento, precisam estar atentos para a forma como a biblioteconomia e documentação têm formu­ lado e empregado termos e conceitos. Se a área achava que a modificação de

sua autodenom inação para ciência da informação a tomaria ciência e que seria reconhecida no âmbito acadêmico enquanto tal, equivocou-se. É preciso discu­

tir sua base conceituai [...].” 51

Os mecanismos que autorizam - ou que conduzem - uma ciência - ou uma disciplina em “estado nascente” - a despren­ der-se, distinguir-se e autonomizar-se de um corpo estabelecido de conhecimentos que lhe é anterior não se instauram por de­ creto ou por exclusiva deliberação de um grupo de indivíduos. Ao contrário, esse processo sempre se realiza por ruptura, por

contraste, na medida em que a nova disciplina demonstre, carac­

terize e defina, por intermédio de “árduo esforço teórico”, a es­ pecificidade, a originalidade e a singularidade de sua natureza, de seu objeto e de seus princípios e métodos de ação.

Assim, parecia correto raciocinar que se a ciência da infor­ mação ambiciona construir um objeto de estudo peculiar, insti­ tuir um discurso científico característico e consolidar sua matriz disciplinar deveria principiar por expor-se ao confronto com o conhecimento produzido em áreas contíguas - incorporando as propostas teóricas que se mostrassem pertinentes, problematizan- do-as no contexto da disciplina e em seguida, conceitualmente desligada delas, urdindo uma configuração teórica própria.

51. GALVÃO, Maria Cristia- ne Barbosa. Construção de con­ ceitos no campo da ciência da informação. Ciência da Infor­

mação, Brasília, v. 27, n. 1, p.

51, jan./abr. 1998.

Atividade Editorial & Ciência da Informação : convergência epistemológica

Empreendido de maneira orgânica, sistemática e contínua, tal confronto teórico acabaria por criar, entre a ciência da infor­ mação e outras esferas do conhecimento, um campo dialógico de interlocução que, substituindo o eufemístico mosaico interdisci-

plinar atual52, alavancasse a edificação de um “arcabouço concei­

tuai” estável e consistente, que garantisse identidade, legitimida­ de e visibilidade à disciplina.

Desenvolvido no âmbito da ciência da informação, o pre­ sente estudo enfrentava situação teórica análoga à da disciplina. Como se sublinhou anteriormente, nem a ciência da informação nem qualquer outro campo do saber constituído oferecia respal­ do a uma incursão exploratória em busca das premissas concei­ tuais, filosóficas e científicas da atividade editorial.

Definitivamente firmada a importância estratégica de uma constante interação com a literatura de áreas limítrofes, conside­ rou-se a oportunidade oferecida por esta pesquisa propícia a uma “aventura teórica” de natureza especulativa, que experimentasse transpor os primeiros obstáculos em direção ao estabelecimento de um quadro conceituai mais elaborado.

52 Como se tenta demonstrar mais adiante, no capítulo Ciên­

cia da Informação, a alegada in- terdisciplinaridade da ciência da

informação parece reduzir-se, após um exame atento, à mes­ ma ausência de marcas de disci-

plinaridade na qual se vem in­

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