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2. CONCEPTUAL FRAMEWORK

2.2 The Adaptive Cycle

Para a identificação da percepção do colaborador em relação à satisfação no trabalho e sua QVT foi especificada uma escala do tipo Likert, polarizada em cinco pontos: (1) Muito insatisfeito (2)Insatisfeito (3) Indiferente (4) Satisfeito e (5) Muito Satisfeito. A proposta desta escala é verificar a satisfação do colaborador em relação ao critério indicado, levando em conta suas necessidades e anseios individuais5. Inicialmente, efetuou-se a codificação das variáveis pertinentes, e procedeu-se a consistência dos dados. As respostas dos participantes foram codificadas numa planilha e submetidas a análises estatísticas descritivas, à análise fatorial e ao cálculo do alfa de Cronbach. Uma análise de componentes principais foi

conduzida nos 45 itens do instrumento da escala de satisfação distribuídos em 6 fatores, e nos 29 itens da escala de qualidade de vida no trabalho distribuídos nas 8 categorias, com rotação ortogonal (varimax) quando adequado, na amostra de 290 participantes.

Para garantir a consistência interna do presente instrumento utilizou-se o coeficiente alfa de Cronbach. Desenvolvido por Lee Cronbach em 1951, esse coeficiente é uma ferramenta estatística que avalia a confiabilidade através da consistência interna de um questionário. Para a utilização do coeficiente alfa de Cronbach, é requisito que todos os itens do instrumento utilizem a mesma escala de medição. Alguns autores consideram satisfatório um instrumento de pesquisa que obtenha a=0,70, porém cabe a cada pesquisador decidir qual o valor mínimo de confiabilidade aceitável para o seu instrumento60.

Na sequência foram utilizadas técnicas da estatística inferencial bivariada e multivariada, tendo sido aplicado as seguintes análises e testes estatísticos, ao nível de 5% de significância. Medida de Fidedignidade Alpha de Cronbach(): Consistência interna dos instrumentos de coleta de dados ou escalas utilizados para medir a satisfação e qualidade de vida dos profissionais de enfermagem. Não é uma medida de validade, mas sim de fidedignidade ou de consistência do instrumento; Teste de Normalidade (Kolmogorov- Smirnov): teste não paramétrico para verificação da normalidade da distribuição da probabilidade de uma variável quantitativa. Compara a distribuição de frequência amostral acumulada da variável quantitativa considerada com a função de distribuição acumulada da normal padronizada; Teste de Mann-Whitney, para comparação de duas amostras independentes: teste não paramétrico correspondente ao teste t-independente, utiliza “distribuição livre” não necessita da condição de normalidade e homocedasticidade dos dados60.

A fatorabilidade da amostra apresentou bons resultados sendo testada pelo índice de Kaiser-Meyer-Olkin e Mann-Whitney e demonstrou adequação da amostra para análise fatorial. Em seguida, os dados foram submetidos à análise dos componentes principais e à fatoração dos eixos principais. A análise inicial mostrou que todos os componentes obedeceram ao critério de Kaiser do autovalor (“eigenvalue”) maior que 161.

A fidedignidade dos fatores foi estimada e confirmada pelo cálculo dos coeficientes alfas de Cronbach. O referido coeficiente foi desenvolvido para calcular a confiabilidade de um teste naquelas situações em que o pesquisador não tem oportunidade de fazer outra coleta de dados, contudo precisa obter uma estimativa apropriada da magnitude do erro da medida. Nessas situações de pesquisa, também pode ser usado o método de partir ao meio, no qual os

escores de duas subdivisões do instrumento são comparados para determinar sua confiabilidade10.

A partir desses resultados todas as variáveis foram incluídas nas análises. De acordo com Hair61, todos os valores de Alpha iguais ou superiores a 0,60 não afetam as análises estatísticas. A seguir estão representadas as características psicométricas e a análise dos fatores de satisfação/insatisfação no trabalho e da qualidade de vida no trabalho entre os profissionais que atuam no HT e no HU em João Pessoa.

5.2.1 Escala de satisfação no trabalho (EST)

A Escala de Satisfação no Trabalho (EST) foi aplicada aos profissionais de enfermagem do Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena (HT) e aos profissionais de enfermagem do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HU). O objetivo da EST é identificar os fatores e o nível de satisfação no trabalho, destacando a variedade conceitual da satisfação no trabalho como bifatorial (satisfação e insatisfação)34.

A EST é composta por 45 itens, reunidos em 6 fatores: Fator 1. Satisfação com o reconhecimento profissional (8 itens); Fator 2. Satisfação com a utilidade social do serviço de saúde e do trabalho em si (4 itens); Fator 3. Satisfação na relação afetiva no trabalho (8 itens); Fator 4. Satisfação com o suporte organizacional (9 itens); Fator 5. Insatisfação com a sobrecarga de trabalho (9 itens) e Fator 6. Insatisfação com a falta de suporte psicossocial (7 itens).

Fator 1: Satisfação com o reconhecimento profissional

O primeiro fator identificado foi denominado de satisfação com o reconhecimento profissional, e reuniu oito enunciados com valor alfa de Cronbach de 0,83 e o KMO (Kaiser- Meyer-Olkin) de 0,85 indicando uma boa consistência interna dos dados e adequabilidade para realização da análise fatorial. Na tabela 4 estão representadas as características psicométricas do Fator 1.

TABELA 4 – Carga fatorial e contribuição das variáveis que compõem o FATOR 1: Satisfação com o reconhecimento profissional entre os profissionais de enfermagem que atuam no Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena (HT) e no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HU), no município de João Pessoa – PB, Brasil, 2014.

Fonte: material empírico apreendido pela pesquisadora, 2014.

**Carga fatorial com matriz sem rotação.

(a) Teste de Mann-Whitney, (*) resultados significativos: Valor de p< 0,05.

No primeiro fator, satisfação com o reconhecimento profissional, verificou-se uma diferença significativa entre os hospitais envolvidos no estudo, representada pelo p-valor(a) , na proposição ser responsável por minhas tarefas me faz sentir. A variável mais importante para o fator 1 foi, ver que sou importante profissionalmente me faz sentir, com carga fatorial de 0,83 e percentual de 17,8%, para os dois hospitais envolvidos no estudo.

O reconhecimento profissional, conforme Chiavenato9 está diretamente relacionado à motivação e envolve sentimentos de realização e crescimento, manifestados por meio de exercícios das tarefas e atividades que oferecem suficiente desafio e significado para o trabalho.

De acordo com Martins e Santos34, a satisfação em relação ao reconhecimento profissional é uma variável de natureza afetiva e se constitui num processo mental de avaliação das experiências de respeito e dignidade no trabalho que resulta num estado agradável ou desagradável. Esse processo é influenciado pelos vários conteúdos mentais do indivíduo, como crenças, valores, fatores disposicionais e possibilidade de desenvolvimento no trabalho.

ENUNCIADO

Carga

fatorial** Contribuição da variável (%) valorP-(a) Ver que posso confiar nos meus gestores me

faz sentir 0,51 6.5 0,42

Ser responsável pelas minhas tarefas me faz

sentir 0,70 12,6 0,005

*